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Tecnologia vai fazer a diferença para que a nova geração fique no campo?

Por Eduardo Freitas | 20h47, 29 de Agosto de 2017

A capital paranaense foi palco de um fórum que reuniu a comunidade sulamericana do Agronegócio, na semana passada, e o assunto principal foi o processo sucessório nas empresas familiares. Resumindo o evento em uma questão: já que a sucessão é um desafio, será que a tecnologia vai fazer a diferença para que a nova geração queira ficar no campo?

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5º Fórum de Agricultura da América do Sul (foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo)

Fui convidado pela organização do evento para participar no 5º Fórum de Agricultura da América do Sul nos dias 24 e 25 de agosto em Curitiba (PR), no Museu Oscar Niemeyer, a poucas quadras aqui do escritório da MundoGEO. E para mim foi uma surpresa saber que a sucessão no campo é uma preocupação tão grande para o setor de agronegócio em todo o globo. Falou-se em garantia da segurança alimentar, manutenção da paz e até mesmo futuro da humanidade.

Apesar do tema central do evento ser “Sucessão, Gestão e Tecnologia – O Campo do Futuro e em Transformação”, o primeiro assunto acabou tendo muito mais ênfase. E o evento começou com a participação – através de vídeo conferência – de Roberto Azevedo, brasileiro que está fazendo bonito como Diretor Geral da OMC – a importante e imponente Organização Mundial de Comércio – que demonstrou preocupação com blocos se desfazendo e desaceleração da economia, mas também otimismo com as novas tecnologias no campo.

Segundo dados apresentados por um palestrante que representou o IPEA, 90% das fazendas são empresas familiares e, ainda que outras pessoas sejam envolvidas na administração, quase sempre as decisões estratégicas são tomadas pela família. Outro número preocupante apresentado por um palestrante foi que 80% dos jovens não querem ficar no campo. Por isso, os jovens precisam ser vistos, não como futuro do setor, mas como presentes na produção e inovação, sendo este um fator chave para a sustentabilidade da agricultura e alimentação.

Vários palestrantes citaram a forte dependência do Brasil do Agronegócio, que representa cerca de 50% de nossas exportações, e mais especificamente no estado do Paraná que pode chegar a 75%. Porém, a infraestrutura ainda é o maior gargalo para o escoamento da produção. E, apesar de o Brasil produzir 7,6 vezes mais do que consome, ainda há muito espaço para melhorar a produtividade, principalmente através da tecnologia.

Dois palestrantes mostraram o mesmo gráfico – preocupante – no qual havia o alerta de que, mantendo-se os níveis atuais de crescimento na produção e na população, o mundo não conseguiria alimentar todos os seus habitantes em 2050 (estima-se que serão 11 bilhões). Algumas soluções seriam diminuir o gap tecnológico em relação aos países campeões de produtividade e quebrar paradigmas (nanotecnologia, big data, startups), já que a área agriculturável tende a não aumentar muito.

Também se falou de oportunidades para atuar em parceria com outros países, como por exemplo a Índia. Aliando três fatores, os indianos são hoje o melhor mercado para proteína vegetal: população em crescimento, consumo em alta e escassez de água. E, já se encaminhando para o fechamento do evento, foi enfatizada a importância do urbano, já que todos estão, de uma forma ou outra, envolvidos com agronegócio: cooperativas, bancos, marketeiros, imprensa, etc..

Ao final do Fórum, ficou a conclusão de que a sucessão é um desafio a ser enfrentado, mas que a tecnologia deverá fazer toda a diferença para que as novas gerações queiram continuar no campo. A sucessão não deve ser tratada como um evento isolado, mas como um processo, para que seja menos traumática, e a tecnologia será a chave.

Censo Agro

Foi emblemática a participação do Diretor Executivo do IBGE sobre o Censo Agropecuário 2017 que será realizado a partir de outubro, com 18 mil recenseadores munidos de computadores de mão, que deverão visitar mais de 5 milhões de propriedades.

Segundo ele, devido às restrições orçamentárias do governo, não sobraram recursos para fazer campanha para que os proprietários rurais recebam os recenseadores, então foi feito um apelo aos veículos de mídia, cooperativas e demais instituições do agro pelo apoio na divulgação.

Os dados do censo vão gerar informações e conhecimentos valiosos para subsidiar a tomada de decisão, redefinindo todo o setor do agronegócio para os próximos anos.

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Mercado de GIS vai dobrar de tamanho e chegar a US$ 10 bi em 2023. E daí?

Por Eduardo Freitas | 18h31, 14 de Agosto de 2017

Segundo um estudo recente, o tamanho do mercado de GIS vai dobrar até 2023 e ultrapassar 10 bilhões de dólares de faturamento. Por outro lado, no Brasil, o setor de Geo está em crise. Como podemos ‘surfar’ esta onda?

De acordo com o mais recente relatório de pesquisa publicado pela MarketsandMarkets, o mercado de Sistemas de Informação Geográfica (GIS, na sigla em inglês) foi avaliado em 5,33 bilhões de dólares em 2016 e deve alcançar 10,12 bilhões em 2023, apresentando um crescimento anual de aproximadamente 9,6% entre 2017 e 2023.

tamanho do mercado de gis 300x162 Mercado de GIS vai dobrar de tamanho e chegar a US$ 10 bi em 2023. E daí?O título do estudo de mercado é “Geographic Information System (GIS) Market by Component (Hardware (GIS Collector, Total Station, LIDAR, GNSS Antenna) & Software), Function (Mapping, Surveying, Telematics and Navigation, Location-Based Service), End User – Global Forecast to 2023″ e um resumo pode ser acessado aqui. Caso tenha interesse no relatório completo, aí você terá que desembolsar uma boa quantidade de dólares…

Alguns dos fatores que deverão impulsionar esse crescimento são o desenvolvimento de smart cities, a integração da tecnologia geoespacial com outros sistemas para business intelligente e a adoção de soluções GIS para transportes. De acordo com o estudo, os principais players são, em ordem alfabética, Autodesk  (EUA), Bentley System (EUA), Esri (EUA), General Electric (EUA), Hexagon (Suécia), Pitney Bowes (EUA), Topcon (Japão) e Trimble (EUA).

Veja que nesse estudo foi incluído praticamente tudo que é relativo a Geoinformação sob o ‘guarda-chuva’ do GIS, desde GNSS e Laser Scanning até LBS e interfaces com o usuário.

Isso mostra como ainda é difícil ‘nominar’ o que abrange a Ciência da Informação Geográfica. Em 2013 a Oxera fez um estudo para a Google sobre o tamanho do mercado e chamou de ‘Geoservices’, o que também é um termo inadequado para denominar nosso setor. Dentro de ‘Geoserviços’ foram incluídos desde as imagens de satélites até os navegadores GPS em automóveis…

Segundo aquele estudo, a receita anual do mercado de Geo estaria entre 150 e 270 bilhões de dólares, muito maior do que a indústria de games – que já é gigantesca – e praticamente um terço da indústria aeroespacial:

Oxera Geo Services 519x1024 Mercado de GIS vai dobrar de tamanho e chegar a US$ 10 bi em 2023. E daí?

Mas veja como os números não batem. Num estudo de 2013, a receita chegaria a centenas de bilhões por ano, enquanto este estudo mais atual, de 2016, avalia o mercado de GIS em ‘apenas’ 5 bilhões.

Voltando ao estudo mais atual, o escopo do relatório prevê a categorização do mercado de GIS segundo componentes, função, usuário final e geografia:

Mercado de GIS por Componentes

• Hardware
- Coletores GIS
- Estações Totais
- Lidar
- Antenas GNSS/GPS
- Sensores de Imageamento

• Software

Mercado de GIS por Função

• Mapeamento
• Telemática e Navegação
• Location-Based Services

Mercado GIS por Usuário Final

• Agricultura
• Construção
• Transportes
• Utilities
• Mineração
• Óleo & Gás

Mercado GIS por Geografia

• América do Norte
• Europa
• Ásia Pacífico (APAC)
• Resto do Mundo (RoW, na sigla em inglês)

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Previsão para o Tamanho do Mercado de GIS, por região, em 2023

Pois é, estamos incluídos em ‘Resto do Mundo’ e os números nos são pouco favoráveis…

E no Brasil?

Por estas bandas, o estudo de mercado mais ‘recente’ é de 2008, feito pela empresa Intare Consultoria em Gestão da Informação. Ou seja, lá se vão quase 10 anos…

Com um crescimento de 9% entre 2006 e 2007, e de 20% estimado para aquele ano, o dimensionamento do mercado potencial de geotecnologia no Brasil para 2008 era de 619 milhões de reais, considerado o conjunto dos componentes Dados, Softwares e Serviços.

O gráfico a seguir apresenta o dimensionamento do mercado brasileiro para o período 2006-2008, em milhões de reais.

dimensionamento do mercado brasileiro de gis Mercado de GIS vai dobrar de tamanho e chegar a US$ 10 bi em 2023. E daí?

E a figura abaixo ilustra o panorama do mercado, por tipo de solução, conforme os tipos definidos anteriormente.

panorama do mercado de gis por tipo de solução Mercado de GIS vai dobrar de tamanho e chegar a US$ 10 bi em 2023. E daí?

Independentemente dos números ou da região, o mercado é imenso se soubermos identificar as oportunidades onde elas estão ‘escondidas’.

Se, por um lado, profissões como a de Cartógrafo estão ‘ameaçadas de extinção’ – conforme mostra este estudo -, outras áreas estão em alta, como a Ciência de Dados e a Geoestatística – como comprova este outro estudo.

É preciso pensar ‘fora da caixa’ e estar aberto ao novo. Sair da zona de conforto e atuar com Geoinformação independentemente de títulos profissionais ou rótulos. Também não faz mais sentido criar ‘nichos’/ilhas dentro de empresas, muito menos reservas de mercado…

De que adianta esta onda se a gente não conseguir surfar nela, não é mesmo? Bora?

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  • Eduardo Freitas
    @eduardo
    Diretor de Operações do MundoGEO. Engenheiro Cartógrafo, Técnico em Edificações, Especialização em Gestão Estratégica de EAD. Tradutor dos informativos GeoSur e OGC Iberoamérica. Nas horas vagas: pão caseiro, comida japonesa e meia-maratona

    Diretor de Operações do MundoGEO. Engenheiro Cartógrafo, Técnico em Edificações, Especialização em Gestão Estratégica de EAD. Tradutor dos informativos GeoSur e OGC Iberoamérica. Nas horas vagas: pão caseiro, comida japonesa e meia-maratona

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