novembro | 2017 | GeoDrops

GeoDrops

Segundo um estudo recentemente divulgado, o mercado de Observação da Terra vai alcançar valores entre 8 a 15 bilhões de euros dentro de 10 anos. Para você, isso é muito ou pouco? Por outro lado, aqui no Brasil o setor de Geoinformação enfrenta uma das maiores crises de sua história. Será que vamos ‘surfar’ esta onda?

Você viu isso? O primeiro satélite de observação da Terra de Marrocos foi lançado na última quarta-feira (8/11) a partir da Guiana Francesa. O Mohammed VI-A será usado em atividades cartográficas, de ordenamento do território, prevenção e gestão de desastres naturais e acompanhamento de tendências ambientais e de desertificação.

Enquanto isso, aqui no Brasil…

tamanho do mercado de observacao da terra 300x252 Mercado de Observação da Terra pode chegar a 15 bilhões de euros em 2026. Isso é muito ou pouco?De acordo com a 10ª edição do relatório da Euroconsult sobre o mercado de Observação da Terra baseada em satélites, os dados e serviços desse setor deverão chegar a 8,5 bilhões de euros até 2026, com base na trajetória atual de crescimento, e até mesmo a 15 bilhões em um cenário alternativo.

Esta opção mais otimista considera as implicações de novas soluções que abram mercados futuros e ainda inexplorados. Ou seja, ainda tem muito espaço para este mercado crescer…

Ainda, avanços em inteligência artificial e deep learning deverão beneficiar o setor, possibilitando novas soluções baseadas em detecção e análises de mudanças (change-detection).

Segundo o estudo, os fatores que geram crescimento no setor são diferentes para dados e serviços. A área de Defesa ainda domina o mercado de dados comerciais, sendo responsável por compras que superam 1 bilhão, mais especificamente de imagens de altíssima resolução e alta acurácia no posicionamento. Espera-se que o preço dos dados para apoiar este setor continuem altos pelos próximos anos, com algum avanço nas áreas de governo e em vendas para empresas privadas.

Os mercados para serviços de valor agregado às imagens que continuarão em alta serão os de infraestrutura e monitoramento de recursos naturais, no entanto, muitas vezes são usadas soluções de baixo custo ou até mesmo gratuitas nessas áreas. Ou seja, o estudo leva em conta que os usuários buscam, antes, imagens gratuitas ou de acervo, e até mesmo ferramentas e plataformas livres.

De acordo com Pacome Revillon, CEO da Euroconsult, as empresas – tanto os operadores de satélites como os fornecedores de serviços – estão criando algoritmos para detectar mudanças a partir de dados de múltiplas fontes, com objetivo de encontrar padrões e criar análises preditivas. Ainda, segundo ele, trazer dados coletados com maior frequência para estes modelos de análises – também conhecido como um ambiente de Big Data – vai estimular ainda mais o desenvolvimento do setor, com potencial de criar novos serviços em áreas que geralmente não usam imagens de satélites, tais como inteligência de negócios, por exemplo.

A Euroconsult  identificou aproximadamente 20 companhias que anunciaram intenções de desenvolver constelações de satélites de baixo custo para  coleta de dados com alta taxa de revisita, baseados em tecnologias smallsat ou cubesat. Em 2017, estes novos operadores atraíram mais de 600 milhões em venture capital para financiar suas iniciativas.

Por outro lado, uma forte competição é esperada entre os fornecedores de dados, já que as companhias devem cada vez mais mostrar diferenciais e oferecer soluções inovadoras ao mercado. A consolidação dos grandes grupos (MDA / DigitalGlobe, OmniEarth / EagleView, Terra Bella / Planet) deverá trazer um refinamento nos modelos de negócios e continuar gerando altos investimentos.

A DigitalGlobe, por exemplo, está planejando o lançamento de uma constelação de satéliets de baixo custo (Legion), enquanto a Airbus está desenvolvendo seu próprio sistema óptico de altíssima resolução (VHR).

Os números deste setor impressionam: de 2007 a 2016 foram lançados 181 veículos de observação da Terra, enquanto na próxima década são esperados 600 lançamentos de aproximadamente 50 países.

E o Brasil?

Por aqui, o mais recente grande projeto de Observação da Terra é o CBERS, que está sofrendo com dificuldades e atrasos. O mercado de foguetes lançadores, que seria uma excelente oportunidade devido à nossa posição geográfica privilegiada, não avançou. E em relação a números do mercado, também não temos muito o que comemorar…

estudo de mercado mais ‘recente’ é de 2008, feito pela empresa Intare Consultoria em Gestão da Informação. Com um crescimento de 9% entre 2006 e 2007, e de 20% estimado para aquele ano, o dimensionamento do mercado potencial de Geoinformação no Brasil para 2008 era de 619 milhões de reais, considerado o conjunto dos componentes Dados, Softwares e Serviços.

O gráfico a seguir apresenta o dimensionamento do mercado brasileiro para o período 2006-2008, em milhões de reais.

dimensionamento do mercado brasileiro de gis Mercado de Observação da Terra pode chegar a 15 bilhões de euros em 2026. Isso é muito ou pouco?

E a figura abaixo ilustra o panorama do mercado, por tipo de solução, conforme os tipos definidos anteriormente.

panorama do mercado de gis por tipo de solução Mercado de Observação da Terra pode chegar a 15 bilhões de euros em 2026. Isso é muito ou pouco?

Quanto desses 8 a 15 bilhões vão “sobrar” para o mercado brasileiro? Seremos eternos consumidores de dados, ou será que um dia vamos entrar de vez no mercado como fornecedores?

Espero voltar aqui em 2026 com boas notícias…

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Será que existirá um futuro para as profissões de Cartógrafo, Agrimensor e afins? Como vamos nos adaptar às rápidas e constantes mudanças que estão ocorrendo? Será que ainda temos como “subir na cadeia alimentar”?

 Haverá futuro para Cartógrafos e Agrimensores? 5 formas de nos adaptarmos às mudançasEste conteúdo é baseado em um post no blog do professor José Maria Ciampagna, que por sua vez foi uma sugestão do Dr. Diego Erba – especialista em Cadastro – de leitura de um artigo de Robin Mc. Laren na revista GIM International.

Então, não é original, mas achei que valia a pena registrar isto em português, pois está muito relacionado com o que tenho escrito por aqui nos últimos dias e porque compartilho de algumas posições do autor.

O artigo original e a sua tradução ao espanhol falam somente de Surveyors / Agrimensores, mas me sinto confortável em estender também para os Cartógrafos, Tecnólogos em Geoprocessamento, Técnicos em Agrimensores, Geomensores, Geógrafos que trabalham com Geografia Física / Aplicada e afins.

Vamos lá:

O futuro dos Cartógrafos e Agrimensores: como vamos nos adaptar às constantes mudanças?

Robin McLaren descobriu recentemente que, tanto a profissão médica como a de arquitetura, se encontram em um dilema devido à aparição de sistemas de inteligência artificial como o Watson, da IBM, e também frente aos desafios dos mundos técnico e comercial em rápida e constante evolução.

Então, a pergunta que o autor faz é: “Como estamos posicionados em relação à profissão de Agrimensor?”

Em seu artigo, Robin explora como a profissão de Agrimensor / Cartógrafo / Geomensor pode ainda seguir sendo relevante, mesmo sob tanta pressão de outras profissões que estariam melhor preparadas.

futuro para Cartógrafos e Agrimensores 300x208 Haverá futuro para Cartógrafos e Agrimensores? 5 formas de nos adaptarmos às mudanças

Sobre o Watson, trata-se de um super-computador que combina Inteligência Artificial e software analítico para obter rendimento ótimo como uma “máquina de perguntas e respostas”, que já tem demonstrado seu valor no diagnóstico de pacientes, por exemplo.

Os médicos simplesmente não teriam tempo hábil – geralmente em torno de 15 anos – para adotar novos procedimentos com o Watson em seus calcanhares.

De forma semelhante, a profisssão de Arquitetura também encontra-se em um dilema. Para mim, o número é um pouco exagerado, mas segundo o autor do artigo, estima-se que 80% do mundo, hoje, esteja sendo construído sem arquitetos.

Segundo ele, parece que todas as profissões estão tendo que adaptar-se rapidamente aos desafios técnicos e comerciais em rápida evolução.

Em tempo: vale a pena dar uma olhada no site Will Robots Take My Job e pesquisar que profissões estão mais “ameaçadas de extinção” (o resultado para “Surveying and Mapping Technicians” é de impressionantes 96%).

E aí o sr. Mc Laren deixa estes questionamentos:

• Como a profissão de Agrimensor está se preparando para este desafio ?

• As profissões ligadas à Geomática continuarão sendo consideradas relevantes frente a outras mais atraentes?

• Será que os Topógrafos compreendem o impacto – em sua profissão – da revolução que está em curso no setor geoespacial?

Esta transformação digital inclui o crowdsourcing baseado em tecnologia móvel, a combinação de inteligência artificial e observação da Terra, os sistemas automatizados de localização e cartografia, o big data e a robótica, além do registros de terra sendo terceirizados ao setor privado.

De acordo com o autor, para as profissões ligadas à Geoinformação continuarem sendo relevantes, devemos educar nossos estudantes e continuar desenvolvendo a capacidade dos profissionais para que sejam tão criativos nos negócios como o são em coletar, gerenciar e analisar dados geoespaciais.

Hoje, o alcance limitado dos agrimensores se deve – ainda segundo o autor – em grande medida porque nos foi ensinado “O que pensar”, ao invés de “Como pensar” sobre o negócio geoespacial.

Para Mc Laren, a relevância de nossa profissão está conectada a estas 5 características críticas:

1 – Alcance: se ensinarmos aos jovens profissionais a serem tão criativos no setor geoespacial como o são em tecnologia da informação, se abrirão portas para fluxos de recursos provenientes de novas fontes, como por exemplo a propriedade intelectual e novos serviços, que possam expandir a influência do agrimensor na resolução de problemas.

2 – Eficácia: as soluções de nossos problemas globais só serão alcançadas mediante a colaboração com outras profissões. Desta forma, os cursos devem envolver o trabalho em equipes multidisciplinares para resolver problemas, ao invés de ficarmos isolados em “ilhas de geoprocessamento”.

3 – Conectividade: muitas vezes isolamos nossa profissão com discursos monótonos e/ou auto-complacentes. Em um mundo onde reinam as redes sociais e a desinformação, é fundamental transmitir nossa mensagem de forma clara e objetiva àqueles a quem tentamos influenciar, como os políticos e leigos.

4 – Adequação: nossas soluções parecem estar sobre-especificadas e são geralmente muito caras para os requisitos dos clientes. Precisamos escutar mais e de maneira mais efetiva as necessidades dos clientes, compreender melhor o contexto cultural e oferecer soluções aptas para o seu propósito.

5 – Resiliência: devemos levantar nossas cabeças, compreender o que está ocorrendo no mundo e nos adaptar rapidamente. Isto vai requerer que sejam mantidos nossos valores globais.

6 (bônus, por minha conta) – Sair da ZC: é essencial estarmos sempre prontos para sair da famigerada zona de conforto e pensar que, neste momento, um pequeno grupo pode estar em uma garagem no Vale do Silício desenvolvendo a próxima tecnologia que vai gerar a disrupção de um setor, e este setor pode ser o Geoespacial.

Finalizando, com as palavras do autor: “Para sobreviver, os Cartógrafos e Agrimensores deverão adotar uma mudança profunda, avançar na ‘cadeia alimentar’ de novos serviços ao agregar valor considerável e ser pró-ativos na criação de mercados inovadores. Do contrário, nos tornaremos irrelevantes e extintos”.

E você, concorda com o autor? Envie pra mim seus comentários que poderei traduzir e encaminhar tanto ao prof. Ciampagna como ao Robin Mc Laren (em tempo: recentemente fiz uma live sobre este assunto, que você pode assistir aqui).

PS: Para não trazer só “notícia ruim”, assim como comentei na live, a profissão considerada a “mais sexy da década” é a de cientista de dados. Ou seja, os dados agora viraram commodities, então é preciso saber o que fazer com esta imensa quantidade de informação que é gerada, continuamente. Em um futuro próximo, não vai ser tão importante o título – de qualquer forma, eu serei eternamente Engenheiro Cartógrafo – mas sim como estará a capacidade de cada um de se adaptar às mudanças do mercado. Bora que o futuro será fantástico…

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  • Eduardo Freitas
    @eduardo
    Diretor de Operações do MundoGEO. Engenheiro Cartógrafo, Técnico em Edificações, Especialização em Gestão Estratégica de EAD. Tradutor dos informativos GeoSur e OGC Iberoamérica. Nas horas vagas: pão caseiro, comida japonesa e meia-maratona

    Diretor de Operações do MundoGEO. Engenheiro Cartógrafo, Técnico em Edificações, Especialização em Gestão Estratégica de EAD. Tradutor dos informativos GeoSur e OGC Iberoamérica. Nas horas vagas: pão caseiro, comida japonesa e meia-maratona

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