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Smartphone com 30 centímetros de precisão!?! Só que não…

Por Eduardo Freitas | 16h38, 11 de Outubro de 2017

Ou: não acredite no que você lê na grande mídia antes de fazer uma análise técnica… Será mesmo que é possível que um smartphone tenha somente 30 centímetros de precisão?

Este post já estava programado para ser elaborado nos últimos dias, mas foi adiantado devido a um pedido de nossos leitores:

“Por favor , gostaria que vcs desmentissem notícia divulgada no UOL que
trata de posicionamento preciso com celulares.
Li a notícia e notei que a mesma está eivada de erros e inverdades:”

Galileo sat constallation 300x225 Smartphone com 30 centímetros de precisão!?! Só que não...Então vamos lá (não vamos aqui “desmentir” ninguém, mas somente esclarecer melhor algumas informações): imagine que maravilha seria se o seu smartphone, comprado com algumas centenas de reais, pudesse ter precisão de poucos centímetros.

Seria ótimo, não é mesmo?

E para empresas, então, se abririam novas oportunidades de negócios, principalmente para as que atuam com mobile marketing e LBS – sigla em inglês para Serviços Baseados em Localização).

Afinal, o erro médio dos receptores GNSS presentes em nossos celulares, hoje, gira em torno de 5 a 10 metros, o que inviabiliza um posicionamento mais preciso para atividades do dia-a-dia, como localizar quem chamou um uber no meio de uma multidão ou receber uma oferta baseada em localização, por exemplo.

A notícia divulgada semana passada, de que uma empresa havia lançado um chip para smartphone que iria possibilitar estes impressionantes 30 centímetros, caiu como uma bomba no setor de Geotecnologia.

Com uma precisão assim, seria possível – teoricamente – até mesmo fazer georreferenciamento de imóveis rurais padrão Incra. E isso utilizando um simples smartphone!

Mas, infelizmente, não é bem assim (pelo menos por enquanto).

smartphone com mapa 300x225 Smartphone com 30 centímetros de precisão!?! Só que não...Vamos por partes…

Primeiro, é importante lembrar que a maioria dos smartphones, hoje, já rastreia sinais GNSS. Esta é a sigla em inglês para Sistemas Globais de Navegação por Satélites e engloba o norte-americano GPS, o russo Glonass, o europeu Galileo, o chinês Beidou, além dos vários sistemas de “aumentação” que existem no mundo (Egnos, WAAS, MSAS, etc).

É só você conferir no manual ou nas especificações técnicas do seu smartphone que poderá verificar quais sistemas seu aparelho rastreia. O meu é um smartphone meio “velhinho” e mesmo assim já rastreia dois sistemas: GPS e Glonass.

No caso da notícia da semana passada, foi divulgado maciçamente o lançamento da empresa Broadcom, de um chip para smartphone que vai rastrar o sinal L5, o que possibilitaria, em tese, essa precisão submétrica.

Só esqueceram de avisar que o sinal L5 será transmitido após a modernização do sistema GPS, cujos satélites ainda estão sendo lançados. Este sinal também é compatível com o E5, do Galileo, que ainda não tem alcance global.

O governo dos EUA está em processo de lançamento de três novos sinais projetados para uso civil: L2C, L5 e L1C. O sinal civil que já utilizamos na maioria dos smartphones (L1) continuará sendo transmitido. E os usuários deverão, aos poucos, atualizar seus equipamentos para se beneficiar dos novos sinais.

Estes novos sinais civis estão em fase progressiva de implantação, uma vez que a Força Aérea norte-americana está lançando novos satélites GPS para substituir os antigos.

A maioria dos novos sinais será de uso limitado, até que estejam sendo transmitidos a partir de 18 a 24 satélites. Hoje, o status do sinal L5 consta como “pré-operacional”, sendo transmitido a partir de 12 satélites em órbita.

A modernização do GPS envolve, ainda, uma série de lançamentos consecutivos de satélites, incluindo os blocos IIR-M, IIF e III. Também inclui melhorias, em paralelo, no segmento de controle em solo do sistema.

Ou seja, ainda não dá para prometer que teremos, pelo menos em solo brasileiro, smartphones com 30 centímetros de precisão já no próximo ano…

Na imagem a seguir, bastante didática, dá para ter uma ideia dos sinais dos diversos sistemas disponíveis hoje:

Fig1Old Smartphone com 30 centímetros de precisão!?! Só que não...

Quanto ao que saiu na grande mídia, uma das manchetes era esta: “Já era hora! Celulares terão GPS com precisão de até 30 cm em 2018″.

Veja que se fala em GPS, que seria já para o próximo ano. Ou seja, ao invés de informar, isso mais atrapalha do que ajuda. E nos textos que apareceram – inclusive em sites técnicos – não eram abordados os diferentes sinais e tão pouco a modernização do sistema GPS.

Na verdade, não se espera que os veículos de massa expliquem tudo isso ao seus leitores, mas que ao menos informem corretamente, fazendo as devidas ressalvas. Senão, vira um fiasco como aquela vez que o Jornal Nacional informou que o Japão teria “seu próprio GPS‘”.

Precisando de alguma consultoria técnica para fazer suas matérias? É só falar com os seguidores do MundoGEO, pois tem muita gente boa a disposição… #ficadica

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Novos atrasos do Galileo e o papel do tempo no posicionamento preciso

Por Eduardo Freitas | 12h57, 24 de Janeiro de 2017

Mais uma vez o programa Galileo sofre com atrasos. Desta vez foram os relógios atômicos – antes alardeados como “os mais precisos da galáxia” – que deram pau e deixaram os europeus na mão. Entenda…

Por Eduardo Freitas

Antes de falar do sistema europeu de navegação por satélites, primeiro vamos voltar um pouco no tempo e relembrar os “primórdios” do desenvolvimento do Galileo.

Desenvolvido para ser uma resposta civil ao norte-americano GPS e ao russo Glonass – ambos originalmente criados com finalidades militares – o Galileo era visto como uma alternativa viável e com serviços adicionais.

Porém, tem sofrido tantos atrasos que até mesmo o sistema chinês Beidou já está à frente…

galileo galilei 370x277 Novos atrasos do Galileo e o papel do tempo no posicionamento precisoO nome do sistema é uma homenagem a Galileo Galilei, que foi físico, matemático, astrônomo e filósofo italiano, uma personalidade fundamental na revolução científica.

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Voltando ao sistema, pontualmente às 11h19min, horário local do Cazaquistão (3h19min em Brasília), do dia 28 de dezembro de 2005, um foguete russo Soyuz enviou ao espaço o satélite Giove A, dando início à primeira etapa do Galileo, de validação em órbita, após vários anos de desenvolvimento.

Fazendo um salto no tempo, em 17 de novembro passado o Galileo teve uma boa notícia, quando pela primeira vez um foguete europeu Ariane-5 foi usado para colocar em órbita ao mesmo tempo quatro satélites do sistema de navegação.

Até agora, 18 satélites já foram colocados em órbita para formar a constelação do Galileo.  Todos os lançamentos anteriores tinham sido feitos por foguetes russos. Ou seja, a independência em relação à Rússia quanto ao envio dos satélites Galileo para suas órbitas era para se comemorar com a champanhe mais cara…

Porém, na última semana a Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) anunciou que um erro inesperado nos relógios atômicos do Galileo pode trazer novos atrasos para o sistema como um todo.

Cada satélite Galileo tem quatro relógios atômicos ultra-precisos, sendo dois de rubídio e dois maser de hidrogênio. A causa das falhas ainda está sendo investigada e, por enquanto, nenhum satélite foi declarado totalmente fora de operação.

Latino?!?

latino 370x281 Novos atrasos do Galileo e o papel do tempo no posicionamento precisoO sistema Galileo foi assunto da matéria de capa da edição 41 da revista InfoGEO (que depois se fundiu à InfoGNSS e deu vida à MundoGEO).

No início da validação em órbita do Galileo, a MundoGEO fez parte do “Consórcio Latino”, uma associação internacional criada especialmente para implementar o Centro de Informações do Galileo para a América Latina.

Formado por instituições do Brasil, Espanha, Colômbia e México, o Latino venceu uma concorrida licitação promovida pela ESA e disputada por outros cinco grupos de empresas.

Após alguns meses analisando as propostas, a ESA, por intermédio da Galileo Joint Undertaking (GJU), bateu o martelo. “Foi certamente o projeto mais completo e bem elaborado que recebemos”, conta Francisco Salabert, da GJU. O resultado do projeto foi a criação do Centro de Informações do Galileo.

O papel do tempo no posicionamento preciso

A contagem do tempo de forma ultra-precisa é essencial para o funcionamento de um sistema de geolocalização como o Galileo.

Simplificando, para se obter a posição de algo em solo, tudo se resume a medir o tempo que o sinal emitido por cada satélite demora para atingir a antena receptora.

A velocidade com que o sinal emitido pelos satélites do Galileo se propaga pelo espaço é de aproximadamente 300 mil quilômetros por segundo. Multiplicando esta velocidade pelo tempo medido, obtemos a distância.

Até aí, nada demais, pois é matéria que se aprende no ensino fundamental…

377f784 Novos atrasos do Galileo e o papel do tempo no posicionamento preciso

Porém, para obtenção de distâncias com a precisão de 1 metro ou menos, é preciso medir o tempo com uma precisão na ordem dos 0,000000003 segundos.

Desta forma, para medir diferenças temporais dessa ordem é necessário que os satélites e os receptores disponham de relógios extremamente precisos.

É aí que entram os relógios atômicos presentes nos satélites do sistema Galileo.

É necessário que estes relógios sejam extremamente precisos e ainda fazer com que o relógio do aparelho receptor seja constantemente atualizado com a hora atômica transmitida pelos satélites do sistema.

Os próximos quatro satélites do Galileo têm lançamento previsto para o segundo semestre de 2017, mas devido aos erros nos relógios, essa data poderá ser adiada.

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O que achou desta análise? Envie pra mim seu feedback que será um prazer saber sua opinião: eduardo@geoeduc.com

Post publicado originalmente no site do Instituto GEOeduc.

 

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Apresentações do Encontro Galileo já estão disponíveis

Por MundoGEO | 11h33, 28 de Janeiro de 2010

 

Já estão disponíveis os arquivos pdf com as apresentações que aconteceram durante o Galileo Networking Meeting for Industry (ou, em uma tradução não muito boa para o português, Encontro Galileo para a Indústria).

Na ocasião fiz minha primeia palestra em inglês, na qual ia falar uns 20 a 25 minutos sobre as atividades do Centro de Informação do Galileo mas devo ter feito a apresentação em uns 15 minutos no máximo, já que eu falo meio rápido. icon smile Apresentações do Encontro Galileo já estão disponíveis

Além da minha apresentação, na manhã do primeiro dia houve palestras de Stefano Scarda (Comissão Europeia), Daniel Ludwig (Autoridade Supervisora de GNSS da Europa), Santiago Soley (Pildo Labs), Fernando Salla (Atech) e Peter Grognard (Septentrio).

No período da tarde falaram Eurico de Paula (Inpe), Raimundo Mussi (AEB), João Francisco Galera Monico (Unesp) e Ulrike Daniels (Galileo Masters). Já o dia 25 de novembro teve a manhã reservada para mesas redondas sobre aplicações e perspectivas do GNSS no Brasil, como palestras de sobre agricultura, mapeamento do uso do solo, aviação, marinha, transportes, resposta a emergências, rastreamento de veículos e desenvolvimento de receptores, com especialistas nas respectivas áreas.

O evento aconteceu no auditório do Laboratório de Integração e Testes (LIT) do Inpe, em São José dos Campos (SP). É no LIT onde são testados os satélites Cbers, além de outros aparelhos e equipamentos para a iniciativa privada. Na tarde do dia 25 eu acompanhei um pequeno grupo em uma visita guiada ao laboratório. Para quem tiver a oportunidade de fazer essa visita, vale à pena.
 

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Galileo Networking Meeting for Industry

Por MundoGEO | 11h55, 19 de Novembro de 2009

Estou ficando um pouco ansioso, já que na semana que vem farei minha primeia palestra em inglês. Vou falar uns 20 a 25 minutos sobre as atividades do Centro de Informação do Galileo e do Latino. Este Latino, não este.

A palestra será na manhã do dia 24 de novembro, como parte do Encontro Galileo para a Indústria (uma tradução que não gostei muito para Galleo Networking Meeting for Industry). Além da minha apresentação, na manhã do primeiro dia haverá as palestras de Stefano Scarda (Comissão Europeia), Daniel Ludwig (Autoridade Supervisora de GNSS da Europa), Santiago Soley (Pildo Labs), Fernando Salla (Atech) e Peter Grognard (Septentrio).

No período da tarde vão falar Eurico de Paula (Inpe), Raimundo Mussi (AEB), João Francisco Galera Monico (Unesp) e Ulrike Daniels (Galileo Masters). Já o dia 25 de novembro terá a manhã reservada para mesas redondas sobre aplicações e perspectivas do GNSS no Brasil, como palestras de sobre agricultura, mapeamento do uso do solo, aviação, marinha, transportes, resposta a emergências, rastreamento de veículos e desenvolvimento de receptores, com especialistas nessas áreas.

O evento vai acontecer no auditório do Laboratório de Integração e Testes (LIT) do Inpe, em São José dos Campos (SP). É no LIT onde são testados os satélites Cbers. Na tarde do dia 25 haverá uma visita guiada ao laboratório para os participantes do Encontro (máximo 60 pessoas).

Para quem tiver interesse em participar do Encontro Galileo para a Indústria, as inscrições são gratuitas mas as vagas são limitadas. É preciso baixar este formulário de inscrição e enviá-lo preenchido para seminario@mundogeo.com, até no máximo amanhã (20 de novembro).

A MundoGEO faz parte do Consórcio Latino e estará presente com uma palestra no primeiro dia e na mediação das mesas redondas do segundo. O idioma oficial do evento é o inglês, mas a maioria das mesas redondas do dia 25 serão em português.

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  • Eduardo Freitas
    @eduardo
    Diretor de Operações do MundoGEO. Engenheiro Cartógrafo, Técnico em Edificações, Especialização em Gestão Estratégica de EAD. Tradutor dos informativos GeoSur e OGC Iberoamérica. Nas horas vagas: pão caseiro, comida japonesa e meia-maratona

    Diretor de Operações do MundoGEO. Engenheiro Cartógrafo, Técnico em Edificações, Especialização em Gestão Estratégica de EAD. Tradutor dos informativos GeoSur e OGC Iberoamérica. Nas horas vagas: pão caseiro, comida japonesa e meia-maratona

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