GeoDrops

O pessoal do IBGE trabalhou duro nos últimos dias… Foram pelo menos meia-dúzia de novidades de peso, desde a nova divisão territorial do Brasil até a inauguração de uma plataforma para acesso aos dados geodésicos. Vale a pena conferir…

Semana passada a gente quase pirou aqui… Depois de ficar um tempo ‘em silêncio’, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística simplesmente lançou quase dez novidades na mesma semana, uma melhor do que a outra.

Não sei como funciona o setor de comunicação do IBGE, mas poderiam pelo menos espaçar um pouco os lançamentos, pra gente poder dar o devido destaque pra cada um deles…

Eu até comentei sobre isso na live da última semana:

Mas vamos por partes.

Atlas Nacional Digital

atlas nacional digital do brasil 300x140 IBGE Nível Hard: da nova divisão territorial até a plataforma inédita de dados geodésicosA primeira novidade da semana passada foi o lançamento do Atlas Nacional Digital do Brasil 2017 com a atualização das seções “Brasil no mundo” e “Sociedade e economia”, além de um caderno temático inédito sobre ‘Cidades Sustentáveis’.

Como todo Atlas que se preze, conta com mapas, tabelas e gráficos pra permitir o cruzamento de dados estatísticos e feições geográficas, o que facilita o entendimento de vários temas.

Dá pra fazer download e consultar dados geográficos, estatísticos e metadados, navegar pelos mapas, alterar escala de visualização, ver e exportar tabelas e arquivos gráficos, personalizar o mapa superpondo temas de várias fontes, gerar imagens, salvar o ambiente de estudo pra posterior análise e abrir um ambiente personalizado de estudo. Todos os temas encontram-se como geoserviços e podem ser exportados pra outros formatos. Dá ainda pra fazer a visualização temporal de alguns temas e assim analisar as mudanças ao longo dos anos.

Acesse aqui ao Atlas Nacional Digital do Brasil 2017 e o Caderno Temático sobre Cidades Sustentáveis

Já o caderno é estruturado em torno de quatro eixos temáticos: urbanização, habitação e mobilidade urbana; ambiente urbano e segurança; planejamento, democratização e participação na sociedade; e cultura e patrimônio.

Áreas atualizadas de estados e municípios

Outra novidade foi o anúncio das áreas territoriais atualizadas de estados e municípios brasileiros. A superfície do Brasil foi atualizada para 8.515.759,09 quilômetros quadrados.

Não mudou muito em relação à área anterior, mas o que chama a atenção foi o número de municípios com alteração em seu território: 108, com destaque para Alagoas e Bahia, com 25 municípios cada.

nova divisao territorial do brasil IBGE Nível Hard: da nova divisão territorial até a plataforma inédita de dados geodésicos

Confira a seguir os municípios com alteração territorial, por estado:
Alagoas e Bahia -> 25 cada
Pernambuco e Piauí -> 9 cada
Maranhão -> 8
Mato Grosso e Paraíba -> 6 cada
Goiás -> 5
São Paulo -> 3
Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte -> 2
Rondônia -> 1

O reprocessamento das áreas está alinhado com a estrutura político-administrativa vigente em 1º de julho de 2016, incorporando as alterações de limites municipais após o Censo 2010 e praticadas nas estimativas populacionais de 2011 a 2016.

Estas mudanças nas áreas são próprias da tecnologia de mensuração – que evolui a cada dia – e da dinâmica da divisão territorial, que implica na atualização periódica dos valores das áreas estaduais e municipais.

Tais alterações podem ser de natureza legal, judicial ou decorrentes de ajustes e refinamentos cartográficos e da utilização continuada de melhores técnicas e insumos de produção.

Baixe aqui os arquivos digitais atualizados da Malha Municipal 2016

Cartas imagem do Piauí e Maranhão

cartas imagem piaui maranhao 257x300 IBGE Nível Hard: da nova divisão territorial até a plataforma inédita de dados geodésicosAlém da divisão territorial, o IBGE disponibilizou recentemente novas cartas imagem na escala 1:100.000 de parte dos estados do Piauí e Maranhão.

Importante: cartas imagem são formadas por mosaicos de imagens de satélite, cujas distorções são eliminadas com o objetivo de tornar a imagem métrica e minimizar os erros inerentes à sua aquisição

Estas cartas imagem do Piauí e Maranhão foram produzidas a partir de imagens do sensor AVNIR-2, com 10 metros de resolução espacial, adquiridas entre 2009 e 2010.

Baixe aqui em formato pdf as cartas imagem do Piauí e Maranhão

Divisão em Regiões Geográficas Imediatas e Regiões Geográficas Intermediárias

Um conceito novo também foi apresentado recentemente, com a divisão regional do Brasil em Regiões Geográficas Imediatas e Regiões Geográficas Intermediárias.

divisao regional do brasil 224x300 IBGE Nível Hard: da nova divisão territorial até a plataforma inédita de dados geodésicos

Este novo quadro regional está alinhado aos processos sociais, políticos e econômicos sucedidos em território nacional desde a última versão da Divisão Regional do Brasil, publicada na década de 1990.

Ou seja, esta atualização leva em conta quase três décadas de mudanças…

Seu objetivo é atualizar as articulações das cidades entre si, em termos de circulação de pessoas, serviços e informações, por exemplo, e com isto subsidiar o planejamento e gestão de políticas públicas em níveis federal e estadual e disponibilizar recortes pra divulgação dos dados estatísticos e geocientíficos do IBGE para os próximos 10 anos.

Acesse aqui a divisão do Brasil em Regiões Geográficas Imediatas e Regiões Geográficas Intermediárias

Versão Web do Atlas das Zonas Costeiras e Oceânicas

E tem mais…

O IBGE anunciou a versão web do Atlas Geográfico das Zonas Costeiras e Oceânicas do Brasil.

atlas zonas costeiras IBGE Nível Hard: da nova divisão territorial até a plataforma inédita de dados geodésicosEm parceria com a Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM), a nova versão é voltada para estudantes e o público em geral, e contém informações sobre os oceanos e o litoral brasileiro, as dimensões histórica, demográfica, econômica, social, cultural e natural.

A nova versão dá ao usuário acesso ao conjunto de mais de 120 mapas editorados e também às bases de dados. Também é permitido fazer download e consulta aos dados geográficos, estatísticos, além de analisar os mapas, podendo fazer navegação, alteração da escala de visualização, visualização e exportação de tabelas e arquivos gráficos, personalização do mapa, gerar imagens e salvar o ambiente de estudo.

Baixe aqui em pdf o Atlas das Zonas Costeiras e Oceânicas

Nova plataforma do Banco de Dados Geodésicos

Mas a principal novidade foi o anúncio da nova plataforma do Banco de Dados Geodésicos no portal do IBGE, lançada pra aprimorar o acesso às informações do Banco de Dados Geodésicos (BDG).

O novo aplicativo especializa o conjunto de estações pesquisado, através do portal do IBGE, onde estão disponíveis um conjunto de mais de 122 mil estações geodésicas do Sistema Geodésico Brasileiro (SGB) que foram implantadas desde 1939.

As estações geodésicas são identificadas, geralmente, através de monumentos de concreto que recebem uma chapa de metal no seu topo, identificando o IBGE e o tipo de estação – altimétrica (Referências de Nível – RRNN) ou planialtimétricas (SAT – posicionamento por satélites). As coordenadas destas estações são determinadas por procedimentos operacionais e de cálculo, segundo modelos geodésicos de altíssima precisão.

Segundo informações do IBGE, além das funções que já estavam na versão anterior – como pesquisa por estações, download dos dados de rastreio, etc) – esta nova versão do banco de dados geodésicos possibilita a espacialização do conjunto de estações pesquisadas e a exportação dos dados para diversos formatos (csv, shp, kmz), facilitando o uso das informações em aplicações geoespaciais, como por exemplo Google Earth e QGIS.

Além das consultas por estação, município e enquadramento, foram disponibilizadas opções para pesquisar por buffer a partir de uma estação e por conexão geodésica, permitindo que o usuário encontre estações que possuam mais de um tipo levantamento. Outro recurso disponível é a integração com as Redes Geodésicas já disponibilizadas como camadas na Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais (INDE).

Esta nova aplicação foi desenvolvida utilizando ferramentas de código livre já utilizadas na instituição e de grande aceitação pelos profissionais e empresas da área geo.

Acesse aqui a nova plataforma do Banco de Dados Geodésicos

tela do novo portal de dados geoodesicos do ibge 1024x498 IBGE Nível Hard: da nova divisão territorial até a plataforma inédita de dados geodésicos

Com informações do IBGE

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Entrevista sobre Engenharia Cartográfica

Por Eduardo Freitas | 16h53, 29 de Novembro de 2013

Vale a pena conferir esta entrevista (um pouco longa .. mais de 25 minutos) sobre Engenharia Cartográfica com o professor Antonio Tommaselli, da Unesp de Presidente Prudente, para o programa Ciência Sem Limites:

Eu conheci o prof. Tommaselli em março de 2012 em Presidente Prudente, quando participei na organização do Workshop Galileo para Aplicações de Gestão de Terras – Resultados e Perspectivas do Projeto Encore, um evento de encerramento de um projeto que tinha como objetivo criar um protótipo de receptor baseado no sistema europeu de navegação por satélites Galileo para o georreferenciamento de imóveis rurais.

Workshop Encore Entrevista sobre Engenharia CartográficaDepois do evento houve uma confraternização com outros grandes especialistas em Geodésia e Cartografia, como os professores João Francisco Galera Monico, Amilton Amorim, Mauricio Gallo (Unesp PP), Claudia Krueger (UFPR) e nosso colega português Pedro Freire da Silva, da empresa Deimos. Junta, esta turma colocaria facilmente um sistema GNSS de pé. icon smile Entrevista sobre Engenharia Cartográfica

 

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Terremoto no Chile alterou duração dos dias e o eixo da Terra

Por MundoGEO | 15h09, 09 de Março de 2010

O terremoto de 8,8 graus na escala Richter, que aconteceu em fevereiro no Chile, reduziu a duração dos dias e mudou a distribuição de massas na Terra. Segundo um cálculo preliminar, feito pela Nasa, o sismo deve ter reduzido a duração de cada dia em 1,26 microsegundo. Além disso, o tremor alterou em oito centímetros a posição do eixo terrestre.

Parece pouco, mas não é. Em aplicações que exigem precisão centimétrica – ou milimétrica -, como o monitoramento de estruturas, por exemplo, oito centímetros são uma imensidão. A diferença na duração dos dias também não é irrelevante, já que a sincronização do tempo é crucial para várias atividades, com implicações nos setores de telefonia e bancário.

Além dessas diferenças globais, o terremoto literalmente redesenhou o mapa chileno. Segundo um estudo recente, feito com a ajuda de estações de monitoramento, a cidade de Concepción "andou" 3,04 metros para oeste. Já a capital Santiago se moveu 27,7 centímetros. Até Buenos Aires migrou 4 centímetros para a esquerda.

Três metros, 27 centímetros ou quatro centímetros; essas distâncias são imensas quando falamos em geodésia e posicionamento de alta precisão.

Toda essa movimentação mexe com o posicionamento GNSS no continente. O Sistema de Referência Geocêntrico para as Américas (Sirgas), por exemplo, terá que ser recalculado para levar em conta essas mudanças.

Atualização em 10 de março, às 11h: segundo  Luiz Paulo Souto Fortes, diretor de geociências do IBGE, "o Sirgas é um sistema cuja materialização é mantida por uma rede de estações GNSS de operação contínua que permite detectar todos os deslocamentos que as estações sofrem continuamente ao longo do tempo ou em eventos repentinos tais como o do terremoto do Chile. Neste último caso, as coordenadas das estações são atualizadas para os novos valores, associando-se a elas uma nova época de referência pós-terremoto. Desta forma, os deslocamentos das estações, como são determinados com grande precisão, não afetam a precisão do sistema".
 

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  • Eduardo Freitas
    @eduardo
    Diretor de Operações do MundoGEO. Engenheiro Cartógrafo, Técnico em Edificações, Especialização em Gestão Estratégica de EAD. Tradutor dos informativos GeoSur e OGC Iberoamérica. Nas horas vagas: pão caseiro, comida japonesa e meia-maratona

    Diretor de Operações do MundoGEO. Engenheiro Cartógrafo, Técnico em Edificações, Especialização em Gestão Estratégica de EAD. Tradutor dos informativos GeoSur e OGC Iberoamérica. Nas horas vagas: pão caseiro, comida japonesa e meia-maratona

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