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Smartphone com 30 centímetros de precisão!?! Só que não…

Por Eduardo Freitas | 16h38, 11 de Outubro de 2017

Ou: não acredite no que você lê na grande mídia antes de fazer uma análise técnica… Será mesmo que é possível que um smartphone tenha somente 30 centímetros de precisão?

Este post já estava programado para ser elaborado nos últimos dias, mas foi adiantado devido a um pedido de nossos leitores:

“Por favor , gostaria que vcs desmentissem notícia divulgada no UOL que
trata de posicionamento preciso com celulares.
Li a notícia e notei que a mesma está eivada de erros e inverdades:”

Galileo sat constallation 300x225 Smartphone com 30 centímetros de precisão!?! Só que não...Então vamos lá (não vamos aqui “desmentir” ninguém, mas somente esclarecer melhor algumas informações): imagine que maravilha seria se o seu smartphone, comprado com algumas centenas de reais, pudesse ter precisão de poucos centímetros.

Seria ótimo, não é mesmo?

E para empresas, então, se abririam novas oportunidades de negócios, principalmente para as que atuam com mobile marketing e LBS – sigla em inglês para Serviços Baseados em Localização).

Afinal, o erro médio dos receptores GNSS presentes em nossos celulares, hoje, gira em torno de 5 a 10 metros, o que inviabiliza um posicionamento mais preciso para atividades do dia-a-dia, como localizar quem chamou um uber no meio de uma multidão ou receber uma oferta baseada em localização, por exemplo.

A notícia divulgada semana passada, de que uma empresa havia lançado um chip para smartphone que iria possibilitar estes impressionantes 30 centímetros, caiu como uma bomba no setor de Geotecnologia.

Com uma precisão assim, seria possível – teoricamente – até mesmo fazer georreferenciamento de imóveis rurais padrão Incra. E isso utilizando um simples smartphone!

Mas, infelizmente, não é bem assim (pelo menos por enquanto).

smartphone com mapa 300x225 Smartphone com 30 centímetros de precisão!?! Só que não...Vamos por partes…

Primeiro, é importante lembrar que a maioria dos smartphones, hoje, já rastreia sinais GNSS. Esta é a sigla em inglês para Sistemas Globais de Navegação por Satélites e engloba o norte-americano GPS, o russo Glonass, o europeu Galileo, o chinês Beidou, além dos vários sistemas de “aumentação” que existem no mundo (Egnos, WAAS, MSAS, etc).

É só você conferir no manual ou nas especificações técnicas do seu smartphone que poderá verificar quais sistemas seu aparelho rastreia. O meu é um smartphone meio “velhinho” e mesmo assim já rastreia dois sistemas: GPS e Glonass.

No caso da notícia da semana passada, foi divulgado maciçamente o lançamento da empresa Broadcom, de um chip para smartphone que vai rastrar o sinal L5, o que possibilitaria, em tese, essa precisão submétrica.

Só esqueceram de avisar que o sinal L5 será transmitido após a modernização do sistema GPS, cujos satélites ainda estão sendo lançados. Este sinal também é compatível com o E5, do Galileo, que ainda não tem alcance global.

O governo dos EUA está em processo de lançamento de três novos sinais projetados para uso civil: L2C, L5 e L1C. O sinal civil que já utilizamos na maioria dos smartphones (L1) continuará sendo transmitido. E os usuários deverão, aos poucos, atualizar seus equipamentos para se beneficiar dos novos sinais.

Estes novos sinais civis estão em fase progressiva de implantação, uma vez que a Força Aérea norte-americana está lançando novos satélites GPS para substituir os antigos.

A maioria dos novos sinais será de uso limitado, até que estejam sendo transmitidos a partir de 18 a 24 satélites. Hoje, o status do sinal L5 consta como “pré-operacional”, sendo transmitido a partir de 12 satélites em órbita.

A modernização do GPS envolve, ainda, uma série de lançamentos consecutivos de satélites, incluindo os blocos IIR-M, IIF e III. Também inclui melhorias, em paralelo, no segmento de controle em solo do sistema.

Ou seja, ainda não dá para prometer que teremos, pelo menos em solo brasileiro, smartphones com 30 centímetros de precisão já no próximo ano…

Na imagem a seguir, bastante didática, dá para ter uma ideia dos sinais dos diversos sistemas disponíveis hoje:

Fig1Old Smartphone com 30 centímetros de precisão!?! Só que não...

Quanto ao que saiu na grande mídia, uma das manchetes era esta: “Já era hora! Celulares terão GPS com precisão de até 30 cm em 2018″.

Veja que se fala em GPS, que seria já para o próximo ano. Ou seja, ao invés de informar, isso mais atrapalha do que ajuda. E nos textos que apareceram – inclusive em sites técnicos – não eram abordados os diferentes sinais e tão pouco a modernização do sistema GPS.

Na verdade, não se espera que os veículos de massa expliquem tudo isso ao seus leitores, mas que ao menos informem corretamente, fazendo as devidas ressalvas. Senão, vira um fiasco como aquela vez que o Jornal Nacional informou que o Japão teria “seu próprio GPS‘”.

Precisando de alguma consultoria técnica para fazer suas matérias? É só falar com os seguidores do MundoGEO, pois tem muita gente boa a disposição… #ficadica

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Japoneses agora terão um GPS para chamar de seu #sqn

Por Eduardo Freitas | 16h16, 26 de Junho de 2017

Quer dizer que agora o Japão terá um GPS só pra ele?!? Leia e entenda que não é bem assim…

Causou espanto a superficialidade como a Rede Globo de Televisão tratou a Geodésia na última quarta-feira, 21 de junho, quando veiculou uma matéria sobre o “GPS Japonês”.

Assista aqui na íntegra a matéria Japão cria GPS que tem previsão de centímetros

Foi interessante ver a Geodésia em destaque no JN, mas esta matéria tem vários equívocos, como comentei na live do último domingo (25/6):

O erro principal foi falar que o GPS só funciona porque os satélites ficam fixos sobre um ponto na Terra. Na verdade, eles se confundiram com satélites Geoestacionários.

Mas olha só a agilidade da internet. Apenas 20 minutos depois de eu postar no Facebook uma crítica sobre este assunto – que recebeu vários comentários e colaborações -, uma pessoa da Globo entrou em contato e pediu para enviarmos por email uma sugestão de errata, a qual reproduzo a seguir:

“Primeiro, agradeço por abrir este canal de comunicação. Seguem a seguir meus comentários:

Antes de mais nada, é importante deixar claros alguns conceitos. Hoje, existe o sistema norte-americano GPS e seus similares: o russo Glonass, o europeu Galileo e o chinês Beidou.

Outros sistemas que melhoram a qualidade do posicionamento – usando os sinais do GPS – são chamados SBAS (Satellite Based Augmentation Systems), ou sistemas de ‘aumentação’, como o WAAS na América do Norte, o Egnos na Europa, o QZSS no Japão, o Gagan na Índia.

Na matéria tem algumas confusões de conceitos, mas entendo que é pra deixar o conteúdo ‘entendível’ pelo público leigo.

Porém tem um erro bem grave no trecho a partir de 1min15s: ‘O GPS hoje é possível com informações enviadas por satélites Geoestacionários, que ficam parados orbitando sobre pontos fixos na Terra’.

Na verdade, houve uma confusão com os satélites dos sistemas de ‘aumentação’, que geram sinais para melhorar o posicionamento, em conjunto com o sistema GPS
.
Sugestão de errata: ‘Diferentemente do que foi informado, o funcionamento do sistema GPS é possível com informações de dezenas de satélites que estão em movimento ao redor da Terra, que têm seus sinais melhorados através de satélites fixos sobre um ponto da Terra, estes sim Geoestacionários’.

Tem também um erro em 1min47s, quando se fala em ‘margem de erro praticamente zerada’, pois para aplicações de engenharia, 10 centímetros é um erro imenso (por exemplo, no encaixe de uma máquina em uma estrutura).

Também, falar que em 2018 o japonês terá ‘um GPS para chamar de seu’ é um erro, pois eles já têm acesso aos sinais do GPS norte-americano, e o novo sistema QZSS vai melhorar a precisão mas não os tornará independentes do GPS. Porém, acho desnecessário erratas nestes caso, pois não é erro de informação, mas de julgamento.

Enfim, espero ter ajudado”.

Que confusão, não é mesmo? Mas é bom saber que a errata já chegou aos editores e estamos aguardando a resposta da Globo.

Por dentro do QZSS e dos Sistemas de Aumentação do GPS

Indo um pouco além, é importante entender um pouco melhor como funciona o tal “GPS Japonês”.

No último dia 31 de maio um foguete H-IIA colocou em órbita o segundo satélite do sistema japonês QZSS (sigla em inglês para Quasi-Zenith Satellite System):

Chamado de Michibiki-2, o veículo fará parte de uma constelação de quatro satélites , sendo um geoestacionário e três com órbita geosíncrona inclinada.

Os satélite serão operados pela empresa privada Quasi-Zenith Satellite System Services Incorporated, em parceria com a Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial JAXA (sigla em inglês para Japan Aerospace Exploration Agency).

O objetivo do QZSS é fornecer sinais adicionais de navegação, compatíveis com o sistema GPS.

main qimg 4107ce8bffb45cce0a3bf10cde7baa29 c 179x300 Japoneses agora terão um GPS para chamar de seu #sqnTrês dos satélites do sistema vão operar em órbita inclinada 44 graus em relação ao Equador, o que gera uma órbita em forma do número 8 com centro em um ponto no Equador, na longitude de 135 graus Leste.

Com estes três satélites igualmente espaçados na órbita, pelo menos um veículo sempre estará dentro de um intervalo de no máximo 30 graus sobre um usuário (daí vem o nome “Quase Zenital” do sistema).

Enquanto isso, um quarto satélite ficará em uma órbita geoestacionária. Ou seja, este sim ficará estacionado sobre o Japão.

Cânions Urbanos

Um receptor de sinais de um sistema de navegação – como o seu smartphone, por exemplo – recebe sinais de múltiplos satélites, de diferentes sistemas, para triangular sua localização. Em cidades, existem os “cânions urbanos”, que não permitem a propagação dos sinais de forma correta, resultando em um efeito indesejado chamado de “multicaminhamento”. Ou seja, o receptor acaba identificando um mesmo sinal duas ou mais vezes, devido à reflexão destes sinais em edificações, por exemplo, gerando menor precisão.

Através de um sistema como o QZSS, sinais adicionais de navegação geram melhor posicionamento – ou maior acurácia, se preferir. Tendo sempre um satélite próximo ao zênite, pode-se garantir que os sinais não serão bloqueados ou refletidos – ou, pelo menos, minimizar estes efeitos.

O QZSS transmitirá sinais de navegação L1C/A, L1C, L2C e L5, compatíveis com o sistema GPS. A previsão é que o sistema esteja totalmente operacional já em 2018, e para 2024 os japoneses já anunciaram que vão aumentar o número de satélites para sete.

Na imagem a seguir você pode ver todos os sistemas de “aumentação”, alguns operacionais e outros em desenvolvimento:

SBAS 1024x528 Japoneses agora terão um GPS para chamar de seu #sqn

Com informações da JAXA, AFP, Globo, ESA, GSA

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Entenda o que muda com o anúncio do IGS14, o novo marco de referência para o cálculo de órbitas e parâmetros associados aos satélites GNSS

IGS14 o novo marco de referência para cálculo de órbitas dos satélites GNSS 370x185 Habemus referência: IGS14, novo marco para cálculo de órbitas dos sistemas GNSSHoje o assunto é ‘espinhoso’: Geodésia.

Mais especificamente, um assunto que recebi através do informativo GeoNotas edição 61, sobre o recém anunciado IGS14, o novo marco de referência para cálculo de órbitas dos satélites GNSS.

Mas vamos por partes…

GNSS é a sigla para Global Navigation Satellite System, ou Sistema Global de Navegação por Satélites. Refere-se a sistemas com alcance mundial, usados para posicionamento, com base na posição de satélites em órbitas.

Exemplos: o norte-americano GPS, o russo Glonass, o europeu Galileo e o chinês Beidou.

Baixe aqui conteúdos gratuitos sobre Geomática

A determinação de coordenadas a partir do posicionamento por satélites somente é possível se forem utilizados sistemas de referência que permitam a relação direta entre a posição dos satélites e as coordenadas dos pontos em Terra.

No caso específico dos sistemas GNSS, as coordenadas calculadas sobre a superfície da Terra devem estar associadas ao mesmo sistema de referência no qual se expressam as efemérides dos satélites GNSS.

Tal sistema é o Sistema Internacional de Referência Terrestre (ITRS, na sigla em inglês), materializado por uma rede global de estações geodésicas com coordenadas muito precisas:

image003 Habemus referência: IGS14, novo marco para cálculo de órbitas dos sistemas GNSS

Desde 1988 são calculadas regularmente soluções do ITRF (por exemplo, ITRF88, ITRF97, ITRF2014), sendo que a cada nova solução se inclui um número maior de observações, as quais por sua vez são de maior qualidade, fazendo com que as coordenadas das estações de referência sejam cada vez mais precisas.

Acesse aqui as diferentes versões do ITRF

O ITRF vigente atualmente é o denominado ITRF2014, publicado pelo IERS (International Earth Rotation and Reference Systems Service) em janeiro de 2016, que inclui observações GNSS (GPS + Glonass), SLR (Satellite Laser Ranging), VLBI (Very Long Baseline Interferometry) e Doris (Doppler Orbit determination and Radiopositioning Integrated on Satellite).

O porquê do IGS

Dado que nem todas as estações GNSS incluídas no ITRF têm uma precisão homogênea, o IGS (International GNSS Service) seleciona aquelas estações que satisfazem certos critérios de qualidade e as utiliza como marco de referência no cálculo de seus produtos finais (por exemplo, órbitas dos satélites GNSS, correções para os relógios dos satélites, parâmetros de orientação terrestre, etc.).

Os critérios de seleção se baseiam, entre outros, em uma distribuição global, monumentação adequada das estações, continuidade em sua operação e integração com outras técnicas geodésicas espaciais.

Em princípio, a rede formada pelas estações de referência selecionadas pelo IGS não apresenta translações, nem transformações, nem mudança de escala com respeito ao ITRF; por isso, nominalmente, o marco de referência do IGS e o ITRF são rigorosamente iguais.

De acordo com isto, desde 2004, a cada ITRF corresponde um marco de referência do IGS. Por exemplo, para o ITRF2008, o IGS definiu o marco de referência IGS08, o qual, devido aos fortes terremotos no Chile em fevereiro de 2010 e no Japão em março de 2011, foi redefinido no IGb08 mediante a exclusão daquelas estações afetadas.

Veja aqui os diferentes marcos de referência do IGS

Com a entrada em vigência do ITRF2014, o IGS se deu a tarefa de selecionar as melhores estações GNSS não incluídas e definiu então o marco de referência IGS14.

As órbitas GNSS do IGS se calculam neste novo marco de referência desde 29 de janeiro de 2017 e, portanto, as coordenadas que se determinem mediante posicionamento GNSS e usando os produtos do IGS (como por exemplo, o marco de referência SIRGAS) também se referem ao IGS14 desde esta data.

Fazendo um parênteses, o Sistema de Referência Geocêntrico para as Américas (SIRGAS) é o sistema de referência geodésico para o Sistema Geodésico Brasileiro (SGB) e para as atividades da Cartografia Brasileira.

Em 2005, a Resolução do Presidente do IBGE Nº 1/2005 estabeleceu o SIRGAS, em sua realização do ano de 2000 (SIRGAS2000), e foi definido um período de transição de no máximo dez anos, no qual o SIRGAS2000 poderia ser utilizado em paralelo com outros sistemas de referência, como o SAD 69, por exemplo. Ou seja, desde 2015 toda Cartografia tem que ser feita usando como sistema de referência o SIRGAS2000.

Confira aqui os detalhes do IGS14

Marco de referência IGS14

Com informações do Sirgas, informativo Geonotas e revista MundoGEO

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IGS14 o novo marco de referência para cálculo de órbitas dos satélites GNSS 950x475 Habemus referência: IGS14, novo marco para cálculo de órbitas dos sistemas GNSS

Post publicado originalmente no site do Instituto GEOeduc

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Novos atrasos do Galileo e o papel do tempo no posicionamento preciso

Por Eduardo Freitas | 12h57, 24 de Janeiro de 2017

Mais uma vez o programa Galileo sofre com atrasos. Desta vez foram os relógios atômicos – antes alardeados como “os mais precisos da galáxia” – que deram pau e deixaram os europeus na mão. Entenda…

Por Eduardo Freitas

Antes de falar do sistema europeu de navegação por satélites, primeiro vamos voltar um pouco no tempo e relembrar os “primórdios” do desenvolvimento do Galileo.

Desenvolvido para ser uma resposta civil ao norte-americano GPS e ao russo Glonass – ambos originalmente criados com finalidades militares – o Galileo era visto como uma alternativa viável e com serviços adicionais.

Porém, tem sofrido tantos atrasos que até mesmo o sistema chinês Beidou já está à frente…

galileo galilei 370x277 Novos atrasos do Galileo e o papel do tempo no posicionamento precisoO nome do sistema é uma homenagem a Galileo Galilei, que foi físico, matemático, astrônomo e filósofo italiano, uma personalidade fundamental na revolução científica.

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Voltando ao sistema, pontualmente às 11h19min, horário local do Cazaquistão (3h19min em Brasília), do dia 28 de dezembro de 2005, um foguete russo Soyuz enviou ao espaço o satélite Giove A, dando início à primeira etapa do Galileo, de validação em órbita, após vários anos de desenvolvimento.

Fazendo um salto no tempo, em 17 de novembro passado o Galileo teve uma boa notícia, quando pela primeira vez um foguete europeu Ariane-5 foi usado para colocar em órbita ao mesmo tempo quatro satélites do sistema de navegação.

Até agora, 18 satélites já foram colocados em órbita para formar a constelação do Galileo.  Todos os lançamentos anteriores tinham sido feitos por foguetes russos. Ou seja, a independência em relação à Rússia quanto ao envio dos satélites Galileo para suas órbitas era para se comemorar com a champanhe mais cara…

Porém, na última semana a Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) anunciou que um erro inesperado nos relógios atômicos do Galileo pode trazer novos atrasos para o sistema como um todo.

Cada satélite Galileo tem quatro relógios atômicos ultra-precisos, sendo dois de rubídio e dois maser de hidrogênio. A causa das falhas ainda está sendo investigada e, por enquanto, nenhum satélite foi declarado totalmente fora de operação.

Latino?!?

latino 370x281 Novos atrasos do Galileo e o papel do tempo no posicionamento precisoO sistema Galileo foi assunto da matéria de capa da edição 41 da revista InfoGEO (que depois se fundiu à InfoGNSS e deu vida à MundoGEO).

No início da validação em órbita do Galileo, a MundoGEO fez parte do “Consórcio Latino”, uma associação internacional criada especialmente para implementar o Centro de Informações do Galileo para a América Latina.

Formado por instituições do Brasil, Espanha, Colômbia e México, o Latino venceu uma concorrida licitação promovida pela ESA e disputada por outros cinco grupos de empresas.

Após alguns meses analisando as propostas, a ESA, por intermédio da Galileo Joint Undertaking (GJU), bateu o martelo. “Foi certamente o projeto mais completo e bem elaborado que recebemos”, conta Francisco Salabert, da GJU. O resultado do projeto foi a criação do Centro de Informações do Galileo.

O papel do tempo no posicionamento preciso

A contagem do tempo de forma ultra-precisa é essencial para o funcionamento de um sistema de geolocalização como o Galileo.

Simplificando, para se obter a posição de algo em solo, tudo se resume a medir o tempo que o sinal emitido por cada satélite demora para atingir a antena receptora.

A velocidade com que o sinal emitido pelos satélites do Galileo se propaga pelo espaço é de aproximadamente 300 mil quilômetros por segundo. Multiplicando esta velocidade pelo tempo medido, obtemos a distância.

Até aí, nada demais, pois é matéria que se aprende no ensino fundamental…

377f784 Novos atrasos do Galileo e o papel do tempo no posicionamento preciso

Porém, para obtenção de distâncias com a precisão de 1 metro ou menos, é preciso medir o tempo com uma precisão na ordem dos 0,000000003 segundos.

Desta forma, para medir diferenças temporais dessa ordem é necessário que os satélites e os receptores disponham de relógios extremamente precisos.

É aí que entram os relógios atômicos presentes nos satélites do sistema Galileo.

É necessário que estes relógios sejam extremamente precisos e ainda fazer com que o relógio do aparelho receptor seja constantemente atualizado com a hora atômica transmitida pelos satélites do sistema.

Os próximos quatro satélites do Galileo têm lançamento previsto para o segundo semestre de 2017, mas devido aos erros nos relógios, essa data poderá ser adiada.

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Post publicado originalmente no site do Instituto GEOeduc.

 

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einstein 150x150 Infográfico: A Teoria da Relatividade de Einstein e suas implicações nas Geotecnologias

Você sabia que o relógio do seu smartphone “bate” mais rápido do que o que está a bordo de um satélite GPS? A principal implicação da Teoria da Relatividade de Einstein nas Geotecnologias é a diferença entre o tempo marcado na Terra e o que é contado nos satélites, já que estes viajam a velocidades extremamente altas.

Pela Teoria da Relatividade de Einstein, já amplamente comprovada, o tempo passa mais devagar para quem viaja mais rápido (mas não pense que correndo de carro a 150 por hora você vai viver mais .. muito pelo contrário). Os Sistemas Globais de Navegação por Satélite (GNSS, na sigla em inglês) – como o norte-americano GPS, o russo Glonass, o europeu Galileo e o chinês Beidou – já compensam esse “atraso” para o usuário final, seja em equipamentos de alta precisão ou smartphones.

Confira no infográfico a seguir (em inglês) a Teoria da Relatividade de Einstein explicada item por item:

 Infográfico: A Teoria da Relatividade de Einstein e suas implicações nas Geotecnologias

Source SPACE.com: All about our solar system, outer space and exploration.

Parece loucura .. e é mesmo, mas tudo cientificamente comprovado icon wink Infográfico: A Teoria da Relatividade de Einstein e suas implicações nas Geotecnologias

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Entrevista sobre Engenharia Cartográfica

Por Eduardo Freitas | 16h53, 29 de Novembro de 2013

Vale a pena conferir esta entrevista (um pouco longa .. mais de 25 minutos) sobre Engenharia Cartográfica com o professor Antonio Tommaselli, da Unesp de Presidente Prudente, para o programa Ciência Sem Limites:

Eu conheci o prof. Tommaselli em março de 2012 em Presidente Prudente, quando participei na organização do Workshop Galileo para Aplicações de Gestão de Terras – Resultados e Perspectivas do Projeto Encore, um evento de encerramento de um projeto que tinha como objetivo criar um protótipo de receptor baseado no sistema europeu de navegação por satélites Galileo para o georreferenciamento de imóveis rurais.

Workshop Encore Entrevista sobre Engenharia CartográficaDepois do evento houve uma confraternização com outros grandes especialistas em Geodésia e Cartografia, como os professores João Francisco Galera Monico, Amilton Amorim, Mauricio Gallo (Unesp PP), Claudia Krueger (UFPR) e nosso colega português Pedro Freire da Silva, da empresa Deimos. Junta, esta turma colocaria facilmente um sistema GNSS de pé. icon smile Entrevista sobre Engenharia Cartográfica

 

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Posicionamento "GPS" por sinais de TV ?!?

Por MundoGEO | 15h51, 02 de Março de 2010

Era só o que faltava. A empresa Rosum anunciou hoje o lançamento do Alloy, uma tecnologia de localização e sincronização para ambientes fechados e "canyons" urbanos baseada em sinais de TV!

Desenvolvido em parceria com a empresa de TV digital Siano, o chip Alloy utiliza os sinais de transmissão de televisão para fornecer informações precisas sobre localização, tempo e frequência.

O lançamento do chip abre um novo mercado de oportunidades comerciais, pois permite a localização e sincronização com aparelhos no interior de edificações, em espaços urbanos com prédios altos ou mesmo em carros transitando dentro de túneis.

Isso também abre um leque de oportunidades de publicidade móvel, em tempo real, pois o sistema pode apresentar um anúncio no dispositivo do usuário, de acordo com sua localização. Por exemplo, um usuário vendo um filme dentro de um taxi em movimento pode ser surpreendido por um anúncio dizendo "Pare agora mesmo e entre nesta loja à sua frente, pois aquele tênis Nike que você tanto estava procurando está aqui, com a sua numeração!"

A tecnologia Alloy combina um chip com receptor A-GPS de alta sensibilidade, juntamente com uma solução híbrida de TV e GPS que funciona – teoricamente, pois ainda não vi em ação – em qualquer ambiente, seja urbano, rural, interno ou externo. Segundo os desenvolvedores, os sinais de transmissão de TV seriam 100 mil vezes mais potentes que os de GPS, o que possibilitara o posicionamento no interior de construções.

Em termos de tecnologia de navegação e posicionamento, o que pode vir depois disso?

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Galileo Networking Meeting for Industry

Por MundoGEO | 11h55, 19 de Novembro de 2009

Estou ficando um pouco ansioso, já que na semana que vem farei minha primeia palestra em inglês. Vou falar uns 20 a 25 minutos sobre as atividades do Centro de Informação do Galileo e do Latino. Este Latino, não este.

A palestra será na manhã do dia 24 de novembro, como parte do Encontro Galileo para a Indústria (uma tradução que não gostei muito para Galleo Networking Meeting for Industry). Além da minha apresentação, na manhã do primeiro dia haverá as palestras de Stefano Scarda (Comissão Europeia), Daniel Ludwig (Autoridade Supervisora de GNSS da Europa), Santiago Soley (Pildo Labs), Fernando Salla (Atech) e Peter Grognard (Septentrio).

No período da tarde vão falar Eurico de Paula (Inpe), Raimundo Mussi (AEB), João Francisco Galera Monico (Unesp) e Ulrike Daniels (Galileo Masters). Já o dia 25 de novembro terá a manhã reservada para mesas redondas sobre aplicações e perspectivas do GNSS no Brasil, como palestras de sobre agricultura, mapeamento do uso do solo, aviação, marinha, transportes, resposta a emergências, rastreamento de veículos e desenvolvimento de receptores, com especialistas nessas áreas.

O evento vai acontecer no auditório do Laboratório de Integração e Testes (LIT) do Inpe, em São José dos Campos (SP). É no LIT onde são testados os satélites Cbers. Na tarde do dia 25 haverá uma visita guiada ao laboratório para os participantes do Encontro (máximo 60 pessoas).

Para quem tiver interesse em participar do Encontro Galileo para a Indústria, as inscrições são gratuitas mas as vagas são limitadas. É preciso baixar este formulário de inscrição e enviá-lo preenchido para seminario@mundogeo.com, até no máximo amanhã (20 de novembro).

A MundoGEO faz parte do Consórcio Latino e estará presente com uma palestra no primeiro dia e na mediação das mesas redondas do segundo. O idioma oficial do evento é o inglês, mas a maioria das mesas redondas do dia 25 serão em português.

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50 Líderes em GNSS para serem ouvidos

Por MundoGEO | 11h33, 18 de Maio de 2009

Segundo um artigo da revista GPS World, o professor João Francisco Galera Monico, da Unesp de Presidente Prudente, está entre os 50 líderes mundiais em Sistemas Globais de Navegação por Satélites (GNSS) a serem ouvidos.

Parabéns professor Galera!

Uma sugestão de bibliografia é o ótimo livro Posicionamento pelo GNSS, do prof. Galera, que já está em sua segunda edição.

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  • Eduardo Freitas
    @eduardo
    Diretor de Operações do MundoGEO. Engenheiro Cartógrafo, Técnico em Edificações, Especialização em Gestão Estratégica de EAD. Tradutor dos informativos GeoSur e OGC Iberoamérica. Nas horas vagas: pão caseiro, comida japonesa e meia-maratona

    Diretor de Operações do MundoGEO. Engenheiro Cartógrafo, Técnico em Edificações, Especialização em Gestão Estratégica de EAD. Tradutor dos informativos GeoSur e OGC Iberoamérica. Nas horas vagas: pão caseiro, comida japonesa e meia-maratona

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