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É o fim dos mapas como os conhecemos!

Por Emerson Zanon Granemann | 14h30, 07 de Novembro de 2017

Não, os mapas não serão extintos, mas estão em transformação. Em tempo: o título deste post faz uma alusão à música da banda R.E.M., que diz “It’s the end of the world as we know it (and I feel fine)”. Ou seja, é o fim dos mapas como os conhecemos!

O primeiro mapa encontrado foi produzido na Babilônia (hoje Iraque) em uma tábua de argila cozida, datada de 2.500 a.C. Na idade média, cartógrafos portugueses e espanhóis abriram o caminho para os grandes descobrimentos. Nos séculos seguintes, o posicionamento astronômico foi substituído pelo GPS e no século 20 os mapas em papel deram lugar ao meio digital.

Agora, no século 21, as imagens da Terra são commodities obtidas por inúmeros satélites, aviões e, mais recentemente, pelos drones. Imagens e mapas estão em todos os nossos bilhões de smartphones.

Em paralelo a estes avanços, a tecnologia de representação cartográfica e análise geográfica foi se aprimorando e transformando a geoinformação em uma ferramenta essencial para tomada de decisão. Quase a totalidade das informações, circulando hoje no mundo, tem um endereço geográfico, uma latitude e uma longitude que as conectam através de sistemas de projeções cartográficas.

Mas será que isso é suficiente e está acessível a todos os habitantes do nosso planeta?

O título deste artigo pode chocar Cartógrafos, Agrimensores e Geógrafos que já vêem ameaçadas suas profissões, conforme o recente texto elaborado pelo Engenheiro Cartógrafo Eduardo Freitas. Mas fiquem tranquilos, é só seguir as dicas do artigo e sair da zona de conforto, pois o fim dos mapas está próximo, porém da forma como aprendemos a conhecê-los.

Quer um exemplo de como pensar fora da caixa? Veja este TED publicado há alguns dias sobre a ideia de um músico e um matemático para criar uma rede global usando um sistema diferente de geoposicionamento. Eles criaram um sistema de três palavras para definir uma localização e colocam instantaneamente no mapa milhares de pessoas que não têm endereço no formato de latitude e longitude como conhecemos:

Com certeza, a disruptura no setor da Cartografia está só começando.

Aguarde os novos posts nos quais voltarei a este assunto…

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Políticas públicas: Fonte de recursos, Coordenação, Plano a longo prazo

Por Emerson Zanon Granemann | 17h36, 06 de Novembro de 2013

De acordo com opiniões da comunidade geoespacial, foram listados cinco grupos estruturantes – divididos em três tópicos cada – que têm a proposta de avaliar as prioridades e apontar as dificuldades do setor no Brasil.

Neste post o tema a ser debatido é “Políticas Públicas”. Abaixo você também encontra um vídeo com as minhas considerações sobre este tema estruturante. Comente, critique, sugira neste espaço. Vamos construir soluções para estes e outros desafios!

Políticas públicas: Fonte de recursos, Coordenação, Plano a longo prazo:

O que esperar do Governo para o setor de Geomática? Muito! A lista é grande, mas foram selecionados três pontos essenciais e inter-conectados. Considerando o nível federal, não temos hoje uma instituição que atue como integradora de esforços e coordenadora  das políticas públicas do setor. A prioridade do IBGE sempre foi a estatística. A Diretoria de Serviços Geográficos do exército (DSG) tem suas principais missões ligadas a defesa nacional. A Comissão Nacional de Cartografia (Concar) é um órgão que tem uma missão nobre, mas que na prática pouquíssimo tem feito para dinamizar o setor. Penso que a coordenação do Ministério de Planejamento e Gestão tem papel importante na integração dos esforços dos demais ministérios, bem como na tentativa de unir esforços.

Os avanços com desenvolvimento  da Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais (INDE), pelo IBGE e DSG, tem sido notáveis. O que falta realmente é a definição mais clara das funções dos atores. Sem esta definição não se percebe nenhum movimento claro de um projeto mais a longo  prazo, que viabilize recursos permanentes para a execução e manutenção do mapeamento do país em escala adequada.

O vazio cartográfico continua, e a colcha de retalhos aumenta.  Entra governo, sai governo – de direita, de esquerda, de centro – e infelizmente o quadro não muda. Mas precisa mudar! Este é um assunto dos mais complexos, mais comentados em eventos, mas que a anos não evolui  na velocidade que se espera. Um país que está crescendo, e que deseja de fato ser uma grande potência, tem que ser plenamente mapeado, para que sua infraestrutura seja projetada, executada e monitorada a partir de informações atualizadas, de fácil acesso e georreferenciadas.

O principal questionamento a ser feito não seria “Quanto vai custar este mapeamento”, apesar de sua importância, mas sim: “Quanto custa ao Brasil não ter um mapeamento atualizado?”

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ANCAR ou ANGEO?

Por Emerson Zanon Granemann | 14h49, 16 de Outubro de 2012

Gostaria de compartilhar com vocês algumas opiniões sobre este importante momento de repensar a organização da cartografia no Brasil.

Ser contra ou a favor? Esta é a pergunta que mais estou recebendo nos últimos dias. No recente webinar que realizamos em parceria com o Instituto GeoDireito, sobre a proposta de criação da Agência Nacional de Cartografia (Ancar), 80% dos 750 participantes apontaram não estarem satisfeitos com o quadro atual em que se encontra a cartografia no Brasil. Eu estou 100% convencido que precisamos fazer algo neste setor. Penso que a iniciativa do Deputado Arnaldo Jardim, de propor debater o assunto no Congresso Nacional sob a forma de um Projeto de Lei (PL), veio em boa hora e pode ser o provocador de um debate na comunidade para impulsionar esta necessária mudança. Afirmo isso pois existe um tempo interessante antes que a PL seja levada para a votação e depois possa receber contribuições de forma a atender sua função de reorganizar e promover o desenvolvimento do setor, para atender os usuários públicos e privados, empresas, universidades e profissionais do setor. Ajustes estes que devem contemplar uma plena integração do novo modelo, quando aprovado, com a Comissão Nacional de Cartografia (Concar), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a Diretoria do Serviço Geográfico do Exército (DSG). Além de prever a criação de uma estrutura eficiente e eficaz para atender as atribuições por ela propostas.

Mudar o nome da agência, de Ancar para Agência Nacional de Informações Geoespaciais (Angeo ou outra combinação de letras): Mais do que mudar a sigla, penso que seria muito estratégico reavaliar alguns conceitos, contextualizando a discussão às atuais demandas da sociedade no século 21.

Algumas justificativas para rever o nome e o conceito da Agência:

Cartografia-Informações Geoespaciais (informação associada a uma posição): os mapas evoluíram do papel para o meio digital e, com a popularização do GIS e do GPS (mobilidade), ganharam outra dimensão de uso. A quantidade de usuários é imensa e o seu perfil é diverso devido à evolução da tecnologia. Hoje já se discute, por exemplo, como o mapeamento colaborativo pode ser integrado às bases oficiais. A grande maioria das empresas do setor, incluindo as de mapeamento mais tradicionais, já não se apresenta como empresa de mapeamento, mas enfatizam que seu negócio é gerar informações. Empresas, como Vale, Petrobras, Governos e Prefeituras, não buscam mais somente bases cartográficas mas sim informações geoespaciais para tomar suas decisões. Evidente que toda a informação geoespacial tem que ter uma boa cartografia como base, mas a proposta da Agência, a meu ver, para conseguir apoio amplo da sociedade e atingir seus objetivos tem que absorver não só no seu nome, mas na sua essência, esta nova demanda. Não se trata de modismo, mas de uma nova forma de coletar, modelar, processar, analisar e compartilhar os dados com seus inúmeros atributos para a tomada de decisões.

GGIM – ONU: Vemos que na ONU, como bem comentou o Instituto GeoDireito, já recomenda-se que os países se regulem e modernizem os processos de geração e disponibilização de informações geoespaciais. Esta será uma decisão vital e estratégica nos próximos 10 anos para o planeta, junto com temas como sustentabilidade, meio ambiente, utilities e educação. Observem que no site da Global Geospatial Information Management (GGIM) existem várias iniciativas mundiais dos Estados Membros que seguem esta tendência de discutir, prover e legislar, não em cima da cartografia, mas de um conceito mais amplo de informações geoespaciais.

Com certeza será vitorioso um movimento, via Agência ou não, que possa disseminar para a sociedade os conceitos da informação geoespacial e suas inúmeras aplicações. Além disso, que facilite a plena integração destas informações, sua ampla disponibilidade e sua reutilização para diferentes fins. Será o fim dos vazios de informações geoespacias e de áreas mapeadas várias vezes.

A sociedade não quer mais só mapas, mas sim informação. Temo que manter o termo e foco só na cartografia vai acabar despertando tão somente interesse de nichos de empresas, usuários, instituições e profissionais especificamente do setor. Mas se o movimento for mais amplo, terá um apoio e impacto maior, e mais chances de realmente despertar a atenção de governantes e políticos.

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Eventos de GEO em 2010 – Qual participar ?

Por Emerson Zanon Granemann | 12h17, 24 de Janeiro de 2010

Como vocês já devem ter lido no portal MundoGEO.com encerramos a parceria com a RXAM – Reed Alcantara Machado, promotora e organizadora da feira e congresso GEOSummit. Esta decisão foi comunicada por mim aos dirigentes da RXAM no final de 2009.

Trabalhamos na coordenação de eventos do setor desde o início dos anos 90 quando eu era presidente da ABEC-PR (Associação Brasileira de Engenheiros Cartógrafos – Regional Paraná ). Na época coordenamos a parte técnica de dois eventos em Curitiba, que acabaram atraindo o interesse de todo o Brasil. Depois participamos do lançamento da revista Fator GIS e do evento GIS Brasil. Neste período também coordenamos eventos regionais em Brasília e Recife.

A partir do ano 2000 foi iniciada pela então Alcantara Machado Feiras de Negócios, com a nossa coordenação técnica, a série de eventos GEO Brasil em São Paulo, agora GEO Summit.

Em 2009 por iniciativa da MundoGEO foi lançada a série de seminários InfoGEO & InfoGPS de curta duração em São Paulo, além dos webinars (seminários on-line ).

Confesso que é um grande desafio atender as novas demandas de um mercado em constante transformação.

Entretanto, costumo sempre debater com a equipe da MundoGEO que existem pontos chaves para se atingir sucesso num evento, seja ele de pequeno, médio ou grande porte, que são:

• Definição clara do público alvo;
• Elaboração de conteúdo de qualidade;
• Planejamento antecipado;
• Qualidade da organização;
• Divulgação antecipada e usando canais eficientes;
• Afinidade da lista de apoiadores e patrocinadores com o evento;
• Organização e promoção do evento em plena sintonia com as necessidades do mercado;
• Abrangência geográfica (se é local, regional, nacional ou internacional);

Resumindo, para promover um bom evento é importante saber ouvir o que mercado quer. Entendendo o mercado como produtores de soluções e usuários de geoprocessamento.

Profissionais ou empresas não devem decidir ir a um evento por obrigação ou rotina, mas sim com objetivos bem definidos. Os profissionais vão para aprender, trocar ideias e ainda fortalecer e ampliar a rede de relacionamento. Empresas apoiam, patrocinam ou expõe seus produtos e vão ao evento em busca de fortalecer sua marca e mas principalmente ampliar efetivamente seu faturamento.

Estas demandas devem ser atendidadas.

Em 2010, serão realizados vários eventos na área de geomática pelo Brasil. Serão seminários presenciais, on-line, fóruns, congressos e feiras internacionais, nacionais e regionais focados em temas acadêmicos, técnicos e comerciais. Com não dá para ir em todos, o profissional deve avaliar os reais benefícios que cada evento traz para sua carreira ou para a instituição que representa.

Feliz 2010 para todos

Emerson Zanon Granemann

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  • Emerson Zanon Granemann
    @emersonzanongranemann
    Engenheiro Cartógrafo pelo UFPR. Fundador e CEO da MundoGEO. Idealizador dos eventos MundoGEO#Connect e DroneShow. Coordenador do Fórum Empresarial de Geotecnologias e do Forum Empresarial de Drones.

    Engenheiro Cartógrafo pelo UFPR. Fundador e CEO da MundoGEO. Idealizador dos eventos MundoGEO#Connect e DroneShow. Coordenador do Fórum Empresarial de Geotecnologias e do Forum Empresarial de Drones.

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