Por Eduardo Freitas Oliveira
A utilização da tecnologia GNSS tem provocado uma verdadeira revolução nas áreas de navegação e posicionamento por satélites. A Rede Brasileira de Monitoramento Contínuo (RBMC), assim como as demais redes ativas existentes no Brasil, tem um papel fundamental nas aplicações geodésicas e topográficas.
Também conhecida como rede geodésica ativa, a RBMC é um conjunto de estações com receptores GNSS que operam 24 horas, durante os sete dias da semana. Foi a primeira rede estabelecida na América do Sul, com o objetivo de materializar a estrutura geodésica no Brasil e servir de ligação com as redes geodésicas internacionais. Atualmente, possibilita a conexão direta das coordenadas ao novo Sistema de Referência Geocêntrico para as Américas (Sirgas), adotado oficialmente em todo o território brasileiro em 2005.
No uso da RBMC está implícito o método relativo, com a ocupação de ao menos uma estação de coordenadas conhecidas simultaneamente à ocupação do ponto a ser rastreado. Os receptores que equipam as estações da RBMC são de alto desempenho e proporcionam observações de alta qualidade e confiabilidade.
Situação atual da RBMC
A rede possui hoje 27 estações em operação. Os pontos de Brasília, Fortaleza e Cachoeira Paulista pertencem à rede mantida pelo Serviço Internacional de GNSS (IGS na sigla em inglês). A estação ONRJ, no Rio de Janeiro, integra o Grupo de Trabalho em Tempo Real (RTWG) do IGS. As demais fazem parte da densificação da rede do IGS na América Latina e Caribe.
Os produtos gerados pela RBMC são arquivos diários, que podem ser baixados pela internet aproximadamente até 24 horas após a data da observação, geralmente usados para posicionamento pós-processado em escritório.
->Estações da RBMC
As estações da RBMC são materializadas através de pinos de centragem forçada cravados em pilares estáveis. Além dos receptores GPS de dupla freqüência, que coletam e armazenam continuamente observações do código e da fase da onda portadora dos satélites, as estações são dotadas de antenas do tipo choke-ring, micro-computadores e sistemas de fornecimento de energia elétrica.
As observações são organizadas em arquivos diários, com intervalo de rastreio de 15 segundos. Depois do encerramento de uma sessão, os arquivos com as respectivas observações são transferidos do receptor para o micro-computador da estação. A partir disso, são criados arquivos em formato Rinex2 e é realizado o controle de qualidade das observações. Após o encerramento do processo, os arquivos de dados são compactados para a transferência ao Centro de Controle, no Rio de Janeiro.
Porém, algumas vezes o processo não é executado de modo completo, principalmente devido a problemas nas linhas de comunicação. Nesses casos, o processo é concluído manualmente a partir do Centro de Controle da RBMC, que a qualquer instante pode atuar remotamente sobre o receptor e o micro-computador das estações.
Na tabela abaixo estão listados os receptores e a quantidade atual:
->Tipo e quantidade de receptores da RBMC
Do total de receptores, 26 estações são conectadas via internet, sendo oito via link de satélite e apenas uma que ainda usa linha discada. A rede de estações pode ser visualizada no Google Earth através do download do arquivo ftp://geoftp.ibge.gov.br/programa/Google_Earth/rbmc.kmz, diretamente do site do IBGE.
Homologação
Para homologação e integração de estações determinadas por outros órgãos e instituições ao Sistema Geodésico Brasileiro (SGB), é necessário que sejam obedecidos alguns critérios técnicos definidos pela Coordenação de Geodésia, subordinada à Diretoria de Geociências do IBGE. Os critérios podem ser encontrados no site
www.ibge.gov.br.
Modernização
O processo de modernização da RBMC é uma das atividades do Projeto de Infra-estrutura Geoespacial Nacional (PIGN), que é parte de um acordo de cooperação internacional e transferência de tecnologia entre o IBGE e a Universidade de New Brunswick, do Canadá, firmado em 2004.
O plano de expansão tem como objetivos diminuir a distância entre as estações, integrar a RBMC com a rede do Incra (RiBaC) e aumentar o número de receptores.
Como parte do plano, está prevista a aquisição, por parte do Incra, de 80 novos receptores, sendo 15 Trimble NetRS com saída para oscilador externo e 65 Trimble NetR5 sem saída para oscilador externo. Os novos receptores têm placa de rede integrada ao receptor, configuração online via browser, download de dados por ftp, e além disso o modelo NetR5 possibilita o rastreio simultâneo de GPS e Glonass.
A nova confirugação prevê a instalação no Centro de Controle de dois servidores HP Intel Itanium 2 para o processamento, cinco servidores Opteron Dual Core para o banco de dados, um relógio atômico e um servidor de tempo. Além disso, a futura configuração prevê a transmissão de dados em tempo quase real, através da disponibilização dos dados para pós-processamento com intervalo de 15 segundos.
O projeto piloto de transmissão de dados em tempo real está previsto para iniciar em 2008, com o envolvimento das estações de Belém, Cuiabá, Fortaleza, Rio Branco, Rio de Janeiro e Santa Maria, com intervalo de coleta de dados de um segundo e instalação do software de gerenciamento NrCan, para controle e cálculo das correções das estações. A transmissão das correções aos usuários será através do NTRIP, via internet.
Futuro
O objetivo final do projeto de modernização da RBMC é gerar correções em tempo real, e ter como produto as correções transmitidas a cada segundo via internet. A precisão estimada para as coordenadas planimétricas, em tempo real, é de um metro para usuários de receptores de freqüência única e 30 centímetros para usuários de receptores de dupla freqüência.
Instituições que apóiam a implementação e manutenção da RBMC
Fundo Nacional do Meio Ambiente
Universidade de São Paulo
Universidade Federal do Paraná
Universidade Estadual Paulista
Marinha do Brasil
Exército Brasileiro/DSG
Universidade Federal de Viçosa
Instituto Militar de Engenharia
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
Centro Federal de Educação Tecnológica
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Programa Pró-Guaíba
Universidade Federal de Pernambuco
Companhia de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Salvador
Universidade Regional do Cariri
Universidade Federal de Santa Maria
Outras redes de monitoramento no Brasil
Rede Ativa do Incra
Rede GPS do Estado de São Paulo
Rede Ativa do Instituto de Terras do Estado de São Paulo
Estações Ativas de Monitoramento Contínuo de Empresas Representantes de Equipamentos GPS
Redes Passivas Estaduais e Municipais (marcos georreferenciados)
Redes GPS Municipais (São Paulo, Campinas, etc.)
Com informações da Coordenação de Geodésia (CDC) / Diretoria de Geociências (DCG) do IBGE
