Quando um foguete deixa o solo, o momento visível dura poucos segundos. Mas o que acontece antes, durante e depois da decolagem envolve uma operação altamente sincronizada, que exige precisão absoluta, comunicação constante e decisões tomadas em tempo real. Foi essa engrenagem invisível que funcionou como previsto no lançamento do foguete Hanbit-Nano, da empresa sul-coreana Innospace, realizado no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, em 22 de dezembro passado.
Embora o foguete tenha explodido após a decolagem, o evento de lançamento ocorreu sem qualquer impacto à segurança de pessoas e ao patrimônio. Do ponto de vista do CLA, o lançamento foi considerado bem-sucedido, reforçando a capacidade do Brasil de conduzir lançamentos espaciais com padrões internacionais de segurança, controle e rastreabilidade.
“Em operações espaciais, sucesso não significa apenas completar o voo, mas cumprir rigorosamente todos os protocolos de segurança, controle, comunicação e monitoramento, inclusive quando ocorre uma anomalia após a decolagem. Nesse sentido, o lançamento do Hanbit-Nano reforça a posição de Alcântara como uma base estratégica no cenário global e evidencia que o Brasil contribui não apenas com sua localização geográfica privilegiada, mas com tecnologia crítica para missões espaciais de alta complexidade”,
reforça Rafael Mordente, CEO da Concert Space – empresa brasileira responsável pelo desenvolvimento de alguns dos sistemas utilizados pelo CLA para o lançamento do Hanbit-Nano.
Tecnologia brasileira nos bastidores
Uma das principais tecnologias responsáveis pelo sucesso da operação é o Sistema de Controle Operacional e Disparo (SCOD), que realiza a sinalização operacional, informando visualmente se cada posto está apto para o lançamento: verde, quando está em posição de lançamento; vermelho, quando não está.
Os sistemas de sincronização, por sua vez, garantem que todos os postos trabalhem com a mesma referência temporal, informando o tempo universal, o tempo de decolagem e a chamada Hora Zero, que marca a hora exata do lançamento. Esses sistemas também atuam diretamente nos Painéis de Disparo dos foguetes, considerados o núcleo das decisões de lançamento.
Já no momento exato da decolagem, entra em ação o Sistema de TOP de Decolagem, responsável por informar aos equipamentos e operadores o instante preciso em que o veículo deixa a plataforma.

Rafael Mordente destaca que este é um trabalho que não aparece nas imagens do foguete no céu, mas que garante que tudo aconteça com segurança e confiabilidade.
“Quando o Brasil domina tecnologias críticas de comando, controle, sincronização e segurança de voo, ele deixa de ser apenas um local de lançamento e passa a ser um ator estratégico no setor espacial. Esse tipo de capacidade fortalece a soberania tecnológica do país e amplia sua relevância no cenário internacional”,
destaca.
O Cel Eng Moreira (FAB), Coordenador-Geral da Operação Spaceward, completou:
“O que se viu nesta missão foi o resultado de uma operação altamente coordenada, apoiada por sistemas robustos e equipes preparadas. Isso consolida Alcântara como uma base apta a receber lançamentos comerciais e missões cada vez mais complexas”.
Com informações e imagens da Concert Space e FAB
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