Sou diretor da Albatroz Brasil Drones. Presto assessoria para inscrição de empresas de aerolevantamento. No mês passado ultrapassei a marca de 150 empresas inscritas no Ministério da Defesa.
Nos últimos anos os drones evoluíram de forma extraordinária. Sensores mais precisos, baterias mais eficientes, sistemas de posicionamento cada vez mais confiáveis e softwares de planejamento de missão extremamente avançados transformaram essas aeronaves em ferramentas indispensáveis para aerolevantamentos, inspeções e monitoramento.
Entre todas essas evoluções tecnológicas, existe uma característica que se destaca como a maior vantagem dos drones atuais: a capacidade de voar sozinhos.
Hoje, ao realizar um aerolevantamento, o operador precisa apenas planejar a missão no controle do drone ou no software de voo. Depois disso, a aeronave decola automaticamente, executa todas as linhas de voo planejadas, retorna ao ponto de decolagem e pousa sozinha.
Durante todo esse processo, o operador só precisa tocar nos comandos para mandar o drone decolar. Essa automação trouxe um enorme ganho de produtividade para empresas que utilizam drones profissionalmente.
E qual a maior desvantagem dos drones atuais? Exatamente a mesma coisa: a capacidade de voar sozinhos.
A automação fez com que muitos operadores simplesmente não aprendam a pilotar o drone de fato. E isso pode se tornar um problema sério quando ocorre alguma situação inesperada.
Falhas podem acontecer. Problemas de GPS, interferências eletromagnéticas, falhas de software ou até mesmo condições atmosféricas inesperadas podem interromper uma missão automática.
Não é raro ouvir relatos de situações como:
- O drone simplesmente parar no meio da missão e não responder ao plano de voo;
- Ao terminar uma linha de aerolevantamento, em vez de fazer a curva de 180 graus para iniciar a próxima linha, ele continuar voando em linha reta;
- Perda da imagem no controle ou falhas no posicionamento GPS.
Quando isso acontece, o operador precisa assumir o controle manual da aeronave. E é justamente nesse momento que muitos percebem que não sabem pilotar o drone.
Uma reação comum nesses casos é acionar o comando Return to Home (RTH), esperando que o drone volte automaticamente para o ponto de decolagem, mas isso pode se transformar em um desastre.
Se a falha que interrompeu o voo automático estiver relacionada ao sinal de GPS, o drone pode não saber exatamente onde está. Em vez de voltar para o ponto de decolagem, ele simplesmente segue voando em uma direção aleatória.
Costumo brincar que, nessas situações, ele está voltando para a casa dele, na China.
Você sabe pilotar um pontinho preto no céu?
Essa é uma pergunta que todo operador de drone deveria fazer a si mesmo. Em situações de emergência, o drone pode estar distante, alto e pequeno no horizonte — literalmente apenas um pontinho preto no céu.
Sem imagem no controle ou com falha de GPS, o operador precisa ser capaz de orientar a aeronave visualmente para trazê-la de volta com segurança.
Existe uma técnica simples que pode ajudar nessa situação.

O primeiro passo é manter o drone nivelado e aplicar um comando para que ele avance para frente com velocidade máxima. Observando o horizonte, é possível perceber como o drone se desloca, se para a esquerda ou para a direita.

Se o drone aparenta descer em direção ao horizonte, isso significa que ele está se afastando de você. Se ele aparenta subir em relação ao horizonte, isso significa que ele está se aproximando de você.
A partir dessa observação, o operador deve realizar pequenas correções de direção, girando suavemente o drone em seu próprio eixo — da mesma forma que se gira o volante de um carro para ajustar a direção. Com movimentos pequenos e espaçados. O objetivo é alinhar a aeronave até que ela passe a subir em relação ao horizonte e, consequentemente, iniciar o retorno na direção do piloto.
Existe ainda outro detalhe importante. Quando o drone está de frente para o piloto, os comandos de direção ficam invertidos. Se o operador acionar o controle para virar à esquerda, o drone, visto de frente, parecerá virar para a direita. Por isso, a pilotagem deve ser feita com calma, movendo o comando da esquerda pouco a pouco. observando cuidadosamente a reação da aeronave antes de realizar novas correções.
Felizmente, os drones modernos possuem excelente estabilidade automática, o que facilita esse tipo de recuperação manual.
A importância de acompanhar o voo o tempo todo
Além da habilidade de pilotagem, existe outra prática essencial que muitos operadores acabam negligenciando: acompanhar o voo durante toda a missão.
Isso não é apenas uma recomendação operacional — é também uma exigência prevista na legislação. Mesmo em missões automatizadas, o operador deve manter consciência situacional constante, observando a trajetória da aeronave, o comportamento do voo e as condições do ambiente.
Infelizmente, nem sempre isso acontece.
Já presenciei um caso interessante ao ser chamado por uma empresa para analisar a queda de um drone de asa fixa utilizado em aerolevantamentos. O equipamento sofreu perda total após colidir com o solo. Para investigar o ocorrido, solicitei o log de voo, que registra toda a telemetria da missão. Ao analisar os dados, foi possível reconstruir exatamente o que aconteceu. Em determinado momento da missão, o drone sofreu uma elevação brusca do nariz. Logo em seguida, entrou em estol e passou a girar em parafuso.

Provavelmente a aeronave encontrou uma térmica forte que elevou abruptamente o nariz, reduzindo a sustentação da asa. Como se tratava de uma asa voadora, esse tipo de estol frequentemente evolui para um parafuso aerodinâmico difícil ou impossível de recuperar.
O drone possuía paraquedas de emergência, mas ele não foi acionado, o que indica que o operador provavelmente não estava acompanhando o voo naquele momento. Se estivesse observando a telemetria ou a imagem da missão, teria percebido imediatamente a anomalia e poderia ter acionado o sistema de emergência.
Automação não substitui o piloto
Os drones modernos são máquinas extraordinárias. A automação permitiu ampliar enormemente a produtividade das operações profissionais, mas essa automação não elimina a necessidade do operador. Pelo contrário! Quanto mais avançada é a tecnologia, maior deve ser a preparação de quem a utiliza.
Todo operador de drone deveria dominar dois princípios fundamentais:
- Saber pilotar manualmente a aeronave;
- Acompanhar o voo durante toda a missão.
Em condições normais, o drone realmente voará sozinho, mas quando algo sair do previsto — e isso inevitavelmente acontece em algum momento — será o operador que fará a diferença entre recuperar o equipamento ou perdê-lo para sempre.
Se sua empresa de aerolevantamento ainda não está inscrita no Ministério da Defesa, não perca tempo. Entre em contato comigo ainda hoje. Terei o maior prazer em lhe atender.

* Floriano Peixoto
WhatsApp: 13 99131 0575
Com informações e imagens da Albatroz Brasil Drones
Imagem de capa: Pixabay
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