publicidade

Artigo: Sem informação geográfica não há cidade inteligente

Mapas e cadastros urbanos atualizados com frequência são a verdadeira infraestrutura digital das cidades do século 21

duotone graphic of smart city and communication network concept IoT(Internet of Things), ICT(Information Communication Technology), digital transformation, abstract image visual

publicidade

O conceito de cidades inteligentes deixou de ser tendência e passou a ocupar o centro das estratégias urbanas em todo o mundo. Governos municipais, empresas de tecnologia e organismos internacionais têm direcionado investimentos significativos para soluções baseadas em sensores, conectividade, inteligência artificial e plataformas digitais de gestão urbana. Tudo isso com a promessa de entregar cidades mais eficientes, sustentáveis, seguras e orientadas por dados.

Existe, entretanto, um problema estrutural que compromete silenciosamente muitos desses projetos: a ausência de uma base geográfica confiável, atualizada e acessível. Em outras palavras, tenta-se construir cidades inteligentes sobre mapas antigos e cadastros urbanos incompletos. Ou ainda pior, busca-se consultar mapas na internet que se imagina serem constantemente atualizados. E essa é uma falha crítica.

Toda tecnologia aplicada ao território depende, direta ou indiretamente, da localização. Saber onde estão os ativos urbanos — postes, redes, edificações, vias, equipamentos públicos — é condição básica para qualquer sistema funcionar corretamente. Sem essa referência espacial precisa, sensores perdem contexto, algoritmos produzem análises equivocadas e gestores tomam decisões com base em uma realidade distorcida.

Esse problema é mais comum do que se imagina. Em muitas cidades, os cadastros urbanos ainda refletem situações de anos atrás. Expansões urbanas não são incorporadas com agilidade, construções informais não são registradas, mudanças no uso do solo não são atualizadas. O resultado é um descompasso entre o território real e sua representação digital.

Investir em tecnologia sem corrigir essa base é, na prática, comprometer o retorno do investimento. Sensores podem ser instalados em locais inadequados, sistemas de mobilidade podem operar com dados inconsistentes e plataformas de gestão podem gerar diagnósticos incorretos. O impacto vai além da ineficiência e gera desperdício de recursos públicos e perda de confiança nas soluções implementadas.

Historicamente, o cadastro urbano foi tratado como um instrumento fiscal, voltado principalmente à arrecadação de tributos como o IPTU. Essa visão, embora importante, é insuficiente diante das demandas atuais. Hoje, o cadastro deve ser entendido como uma infraestrutura estratégica de dados, capaz de integrar múltiplas dimensões da cidade: planejamento urbano, mobilidade, saneamento, energia, meio ambiente e segurança.

Essa mudança de paradigma exige uma nova abordagem. Não basta manter um cadastro para fins administrativos. É necessário construir um sistema geoespacial robusto, integrado e dinâmico utilizando o geoprocessamento. Isso implica padronização de dados, interoperabilidade entre sistemas e governança clara da informação. Um cadastro desconectado de outras bases perde grande parte do seu valor.

Outro ponto fundamental é a atualização contínua. A cidade é um organismo vivo, em constante transformação. Novas edificações surgem, infraestruturas são ampliadas, ocupações se modificam. Um mapa atualizado hoje pode estar desatualizado em poucos meses. Portanto, a lógica de atualizações esporádicas deve ser substituída por processos contínuos, apoiados por tecnologias como drones, sensoriamento remoto e integração com sistemas de campo.

Além disso, o acesso à informação geográfica é um fator determinante para o sucesso das iniciativas de cidades inteligentes. Dados que existem, mas estão restritos, desorganizados ou em formatos inadequados, têm utilidade limitada. É fundamental que as cidades avancem em plataformas acessíveis e interfaces que permitam o uso por diferentes áreas da administração pública, empresas e até pela sociedade.

Existe um equívoco recorrente no discurso sobre inovação urbana, de que a transformação digital começa com a adoção de tecnologias avançadas. Na prática, essas tecnologias são apenas a camada visível. A verdadeira base está nos dados — e, em especial, nos dados geoespaciais estruturados e confiáveis. Sem essa base, não há inteligência possível. Há apenas uma aparência de modernização, sustentada por sistemas que operam sobre informações incompletas ou imprecisas.

Antes de investir em novas tecnologias, é essencial que gestores públicos e líderes do setor entendam que não existe cidade inteligente sem uma base geográfica sólida. Investir em mapeamento, atualização cadastral e governança de dados não é um custo adicional — é o pré-requisito para que todo o restante funcione. Porque, no fim, a inteligência de uma cidade depende diretamente da quantidade e qualidade das informações que ela possui sobre si mesma.

* Emerson Granemann é CEO da MundoGEO e idealizador da feira MundoGEO Connect

Imagem de capa: Pixabay


Conheça a programação dos 12 cursos, 9 seminários e 3 fóruns da DroneShow Robotics, MundoGEO Connect, SpaceBR Show e Expo eVTOL 2026. As inscrições podem ser feitas antecipadamente com desconto e as vagas são limitadas! Confira os expositores já confirmados na feira. Serão mais de 230 marcas presentes. Os quatro eventos acontecem de 16 a 18 de junho no Expo Center Norte, em São Paulo (SP).


Receba notícias sobre Drones, Geo, Espaço e eVTOLs no WhatsApp!

Siga nossas redes sociais de Drones, Geotecnologias, Espaço e eVTOLs


Confira os destaques da última edição do DroneShow, MundoGEO Connect, SpaceBR Show e Expo eVTOL:

2025 Feira/Exhibition MundoGEO Connect | DroneShow | SpaceBR Show | Expo eVTOL, 3-5/6 | São Paulo BR
publicidade
Sair da versão mobile