A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, participou na última quinta-feira (18/6), durante o SpaceBR Show, de uma cerimônia que marcou dois importantes avanços para a indústria espacial brasileira: a contratação de um novo projeto de inovação da Bizu Space, apoiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), e o início da fase de integração do modelo estrutural do Microlançador Brasileiro (MLBR).
Realizado ao lado do protótipo em tamanho real do MLBR, o evento reuniu representantes do governo federal, da Finep e de empresas do setor espacial para celebrar investimentos voltados ao fortalecimento da Base Industrial de Defesa e ao desenvolvimento de tecnologias estratégicas para o país.
Soberania tecnológica e desenvolvimento nacional
Durante a cerimônia, a ministra Luciana Santos destacou a importância do fortalecimento da cadeia produtiva espacial brasileira e do domínio de tecnologias consideradas essenciais para a soberania nacional.
“Precisamos ocupar esse desafio que é a área espacial. O desenvolvimento dessa cadeia produtiva vai gerar conhecimento, domínio tecnológico e impactos em diversas áreas, como clima, agricultura, saúde e telecomunicações. Não existirá soberania sem domínio tecnológico e nós vamos precisar dominar essas tecnologias. É isso que estamos fazendo em momentos como este”,
afirmou.
A ministra também ressaltou o compromisso do governo federal com o fortalecimento da indústria espacial brasileira e com o desenvolvimento de tecnologias críticas para o país.
Projeto fortalece cadeia espacial nacional
A contratação do projeto da Bizu Space ocorre no âmbito da Chamada Pública Mais Inovação Brasil – Rodada 2 – Base Industrial de Defesa. A iniciativa busca ampliar a capacidade nacional de desenvolvimento de tecnologias estratégicas e fortalecer empresas brasileiras que atuam em setores considerados críticos para o país.
Parceira estratégica do MLBR, a Bizu Space desenvolve soluções que deverão ser incorporadas futuramente à evolução do lançador brasileiro, contribuindo para ampliar sua competitividade, autonomia tecnológica e atratividade comercial no mercado global de lançamentos.
“O fortalecimento da cadeia produtiva nacional é fundamental para o desenvolvimento sustentável do setor espacial brasileiro. Cada avanço conquistado pelas empresas que integram esse ecossistema contribui para ampliar as capacidades tecnológicas do país e criar novas oportunidades para projetos estratégicos como o MLBR”,
destacou Arthur Bahdur, cofundador e CEO da Bizu Space.
Nova etapa do MLBR

A cerimônia também marcou o início da fase de integração do modelo estrutural do MLBR, etapa considerada um dos marcos mais relevantes do desenvolvimento do projeto. O avanço representa o início da integração dos principais subsistemas do lançador em uma configuração estrutural única, aproximando o veículo das próximas fases de validação e ensaios.
Desenvolvido por um arranjo empresarial liderado pela CENIC Engenharia, o MLBR tem como objetivo ampliar a capacidade brasileira de acesso ao espaço por meio de uma solução nacional para o lançamento de pequenos satélites.
Para Ralph Correa, diretor da CENIC Engenharia, o momento simboliza a maturidade alcançada pelo projeto e o fortalecimento da indústria nacional.
“A integração do modelo estrutural representa mais um passo concreto na consolidação do MLBR. Este avanço demonstra que o Brasil possui competência para desenvolver tecnologias espaciais complexas e construir uma cadeia industrial cada vez mais robusta e preparada para os desafios do setor”,
afirmou.
Finep aposta em tecnologias estratégicas
Também presente na cerimônia, Elias Ramos, diretor de inovação da Finep, destacou a importância da subvenção econômica como instrumento para impulsionar a inovação e acelerar o desenvolvimento de tecnologias estratégicas para o país.
Segundo ele, a Finep vem direcionando investimentos para áreas consideradas essenciais à soberania tecnológica brasileira, incluindo o desenvolvimento de veículos lançadores, sistemas espaciais e novas tecnologias de propulsão.
“Aqui nós estamos associando pesquisa e desenvolvimento à criação de processos e produtos, procurando focar justamente naquilo que o Brasil ainda não domina. No caso específico do setor espacial, estamos apoiando o desenvolvimento do veículo lançador e outras tecnologias críticas para que o país avance em direção à soberania tecnológica”,
afirmou.
Ramos destacou ainda que a Finep tem apoiado projetos voltados ao desenvolvimento de tecnologias de propulsão líquida para foguetes, consideradas uma tendência importante para a evolução dos sistemas de lançamento e para a ampliação da competitividade da indústria espacial brasileira.
Cooperação para ampliar a competitividade
A cerimônia evidenciou a convergência entre políticas públicas de inovação, investimentos em pesquisa e desenvolvimento e a atuação da indústria nacional para ampliar a competitividade brasileira em um setor estratégico para o futuro do país.
