Foi disponibilizado oficialmente o código-fonte da versão QGIS 4.2, que recebeu o nome “Belém do Pará” — a primeira vez na história do projeto que uma versão homenageia uma cidade brasileira.
A escolha não é coincidência: em 7 de dezembro de 2024, Belém sediou o QGIS LATAM 2024, o 2º Encontro de Usuários QGIS da América Latina, realizado nas instalações do INPE – Coordenação Espacial da Amazônia.
O evento fez parte da programação oficial do FOSS4G 2024 — a maior conferência mundial de geotecnologias livres e de código aberto —, que ocorreu pela primeira vez no Brasil, entre os dias 1º e 8 de dezembro de 2024.

Com mais de 150 participantes, patrocínio de empresas como OpenGIS, GeoOne e ClickGeo, e palestras de representantes do QGIS Chile, QGIS México, QGIS Peru e da comunidade brasileira, o QGIS LATAM 2024 consolidou Belém como um polo estratégico de geotecnologias na América Latina.
Foi justamente durante uma reunião pós-evento que Marco Bernasocchi, presidente da QGIS.ORG, anunciou que uma futura versão do software levaria o nome da cidade — um reconhecimento simbólico ao papel do Brasil e da Amazônia na expansão do software livre geoespacial.
O que muda na versão 4.2
De acordo com o changelog oficial do projeto, a versão 4.2 é a primeira release completa do ciclo 4.x, construída sobre a migração para o Qt6, iniciada na série 4.0. Entre as principais novidades estão:
- Avanços significativos na renderização 3D, incluindo novos materiais físicos (PBR), efeitos de bloom, suporte a MSAA e gradientes de céu mais realistas;
- Melhorias no processamento de nuvens de pontos, com suporte ao novo formato .vpz e sombreamento por camada;
- Novos recursos em layouts de impressão, com gráficos vinculados diretamente à simbologia das camadas vetoriais;
- Suporte a CRS topocêntrico e à especificação SensorThings 2.0;
- Dezenas de correções de bugs e otimizações de desempenho reportadas pela comunidade global de desenvolvedores.
O código-fonte completo já está disponível no repositório oficial do projeto.

Esse lançamento gera muita empolgação, e é natural que informações se espalhem rápido — por isso, alguns pontos merecem clareza:
🔹 A versão 4.2.0 é um Lançamento Regular (Latest Release – LR), de ciclo quadrimestral, e substitui a versão 4.0.3 como a release estável mais recente;
🔹 A Versão de Longa Duração (Long Term Release – LTR) continua sendo a 3.44, que recebe uma atualização pontual nesta sexta-feira;
🔹 Até o momento, apenas o código-fonte foi liberado. Os binários e instaladores costumam começar a ser disponibilizados a partir da segunda-feira seguinte — no caso do instalador OSGeo4W, geralmente no final da tarde de sexta ou no sábado;
🔹 A QGIS 4.2.4 “Belém do Pará” LTR está prevista para ser lançada em outubro.
O Brasil e o papel da comunidade QGISBrasil
Este reconhecimento não surge do nada. O Brasil figura, historicamente, entre os países que mais baixam e utilizam o QGIS no mundo, e essa relevância tem raiz em uma comunidade organizada há mais de uma década.
A comunidade QGISBrasil, ativa desde 2010, tem sido essencial em três frentes centrais:
- Tradução da interface e da documentação para o português, trabalho conduzido por colaboradores como Arthur Nanni, Felipe Sodré Barros, Leônidas Descovi Filho, Marcelo Soares Souza, Narcélio de Sá Pereira Filho e Sidney Schaberle Goveia;
- Produção de tutoriais, minicursos e materiais de capacitação, ampliando o acesso ao software para estudantes, pesquisadores e profissionais de todo o país;
- Organização e apoio a eventos, da escala local à internacional — como demonstrado na sediação do FOSS4G 2024 em Belém.
Essa dedicação coletiva vem de longe: a lista de discussão da comunidade, que em 2011 tinha apenas 14 membros registrados, cresceu de forma expressiva ao longo da década seguinte, refletindo o engajamento orgânico de uma comunidade que segue ativa até hoje em múltiplos canais — grupo de e-mail, Facebook, LinkedIn, YouTube e fóruns de discussão —, reunindo atualmente milhares de usuários, entre iniciantes e especialistas em geoprocessamento.
Um reconhecimento global: QGIS como Bem Público Digital
Paralelamente a esse momento histórico para a comunidade brasileira, o QGIS recebeu também um reconhecimento internacional: foi declarado oficialmente um Bem Público Digital (Digital Public Good) pela Digital Public Goods Alliance (DPGA), iniciativa multissetorial dedicada a promover soluções digitais abertas para desafios globais como mudanças climáticas, saúde pública e acesso equitativo à tecnologia.
Para quem não conhece, o QGIS é um Sistema de Informação Geográfica (SIG) gratuito, de código aberto e fácil de usar, utilizado para manipular dados espaciais, gerar mapas e realizar análises geoespaciais em praticamente todas as áreas do conhecimento — da agricultura à saúde pública, passando pelo monitoramento ambiental da Amazônia.
Como fazer parte dessa comunidade
A força do QGIS sempre esteve em sua comunidade, e há diversas formas de contribuir:
📚 Compartilhando conhecimento na lista de e-mail (qgisbrasil@googlegroups.com) ou no grupo do Facebook;
✍️ Criando tutoriais e materiais educativos;
🌐 Participando da equipe de tradução da interface e da documentação;
🎤 Promovendo cursos e palestras sobre o software;
💰 Apoiando financeiramente o projeto.
Mais detalhes sobre como participar estão disponíveis diretamente no site oficial da comunidade.
⚠️ Atenção
O site https://qgis.com.br não representa o canal oficial da comunidade aberta brasileira. O endereço correto da comunidade é https://qgisbrasil.org/, e o site internacional do projeto é https://qgis.org/. Fique atento para não ser direcionado para canais não oficiais.
📎 Links úteis:
🔗 Comunidade QGISBrasil: https://qgisbrasil.org/
🔗 Projeto internacional: https://qgis.org/
🔗 Código-fonte da versão 4.2: repositório oficial do GitHub do QGIS
🔗 Como participar: https://qgisbrasil.org/#como-participar
Com informações e imagens da Comunidade QGISBrasil
