O Brasil terá participação estratégica no processamento do grande volume de dados que será produzido pelo Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, novo observatório da Nasa, lançado no último domingo (30/8). O Laboratório de Computação e Inteligência Artificial (LAB-IA) do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) desenvolve o Arandu, um broker de alertas astronômicos que ajudará pesquisadores a identificar e selecionar fenômenos registrados pelo telescópio.
Os brokers são sistemas computacionais que recebem os alertas gerados a partir das observações, cruzam essas informações com catálogos e registros anteriores, classificam os eventos e entregam aos astrônomos dados relacionados aos objetos que desejam estudar. Esse processo será essencial para transformar o fluxo de informações do Roman em descobertas científicas.
Desenvolvido com participação do LAB-IA no Brasil, o Arandu, que significa sabedoria em tupi-guarani, será especializado na análise de fenômenos que mudam com o tempo, conhecidos como eventos transitórios ou variáveis. Entre eles estão explosões estelares, oscilações no brilho de estrelas e outros acontecimentos que exigem identificação rápida para que possam ser acompanhados por pesquisadores e outros observatórios.
“O Roman produzirá um volume de dados que torna inviável examinar cada detecção manualmente. O Arandu usará inteligência artificial para organizar e classificar esse fluxo, ajudando os cientistas a encontrar os eventos mais relevantes para suas pesquisas. Sugestão desenvolvida e operada localmente, insere a ciência brasileira em uma etapa decisiva da astronomia contemporânea: a transformação de grandes volumes de dados em conhecimento científico”,
afirma Clécio Roque De Bom, cientista e coordenador científico do CBPF e coordenador científico do LAB-IA.
Um Hubble com visão muito mais ampla
Equipado com um espelho principal de 2,4 metros, o mesmo diâmetro do Hubble, o Roman produzirá imagens com sensibilidade e resolução comparáveis às do telescópio lançado em 1990. A diferença está na amplitude: seu campo de visão será pelo menos 100 vezes maior, permitindo observar extensas regiões do céu com elevado nível de detalhe.
Durante sua missão primária de cinco anos, o observatório poderá medir a luz de mais de 1 bilhão de galáxias. Um de seus principais levantamentos cobrirá mais de 5 mil graus quadrados, aproximadamente 12% de todo o céu, combinando imagens e espectroscopia para investigar a formação e a evolução do Universo.
O Roman também realizará observações repetidas de regiões próximas ao centro da Via Láctea. A estratégia permitirá detectar mudanças no céu em intervalos curtos e produzir um levantamento estatístico de sistemas planetários da galáxia. A expectativa da Nasa é que a missão revele mais de 100 mil mundos, incluindo exoplanetas e corpos que vagam pelo espaço sem orbitar uma estrela.
Fora da Via Láctea, o telescópio deverá identificar milhares de supernovas do tipo Ia. Por funcionarem como referências para medir distâncias cósmicas, essas explosões ajudarão os pesquisadores a investigar como a expansão do Universo mudou ao longo do tempo e a compreender melhor a energia escura, associada à aceleração dessa expansão.
“O diferencial do Roman não está apenas na quantidade de objetos que poderá observar, mas na possibilidade de acompanhar um Universo em transformação. Sistemas como o Arandu serão fundamentais para reconhecer essas mudanças no meio de um fluxo contínuo de dados e permitir que a comunidade científica reaja a elas”,
acrescenta De Bom.
Lançamento e operação
O Roman foi lançado a bordo de um foguete Falcon Heavy, da SpaceX, a partir do Complexo de Lançamento 39A do Centro Espacial Kennedy, na Flórida.
Após o lançamento, o observatório seguirá para uma região localizada a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra, nas proximidades do ponto de Lagrange L2, também utilizado pelo Telescópio Espacial James Webb. Antes do início das observações científicas, o equipamento passará pelas etapas de viagem, posicionamento e comissionamento.
Com informações e imagens do LAB-IA
Receba notícias sobre Drones, Geo, Espaço e eVTOLs no seu WhatsApp!
Siga nossas redes sociais de Drones, Geotecnologias, Espaço e eVTOLs
Veja como foi a última edição das feiras DroneShow, MundoGEO Connect, SpaceBR Show e Expo eVTOL:

