Os impactos provocados por fenômenos climáticos como o El Niño colocaram a previsão de eventos extremos entre as prioridades do poder público brasileiro.
Nesse contexto, o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que abrange o período de 2024 a 2028, prevê a implementação do Sistema Inteligente de Previsão de Extremos Climáticos (SIPEC), iniciativa que utilizará Inteligência Artificial para apoiar a antecipação de desastres naturais e fortalecer a capacidade de resposta do país.
Embora ainda não exista previsão para a conclusão do projeto, seu sucesso dependerá de um desafio que vai além dos algoritmos: a integração de dados distribuídos entre diferentes órgãos públicos.
Para funcionar de forma eficiente, sistemas de IA como o SIPEC precisam acessar e correlacionar, em tempo real, informações provenientes de bases meteorológicas, ambientais, geográficas, de infraestrutura e defesa civil, muitas delas armazenadas em sistemas legados, data centers próprios e ambientes multicloud. Integrar esse ecossistema de dados sem comprometer segurança, governança e desempenho é um dos principais desafios da transformação digital do setor público.
Esse cenário se torna ainda mais relevante diante do estágio de maturidade digital do país. Apenas 1.676 dos 5.569 municípios atendem a todos os indicadores de gestão e oferta do Mapa de Governo Digital, ferramenta da Secretaria de Governo Digital do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. Ao mesmo tempo, o Governo Federal estabeleceu a meta de integrar 60% das cidades à plataforma GOV.BR até o fim deste ano, ampliando significativamente o volume de informações compartilhadas entre diferentes esferas da administração pública.
“Projetos de Inteligência Artificial são frequentemente associados à qualidade dos modelos, mas existe uma etapa anterior que costuma ser subestimada: garantir que os dados corretos possam ser acessados com segurança, governança e em tempo real. Sem uma estratégia eficiente de integração de dados, iniciativas como o SIPEC correm o risco de enfrentar atrasos, custos elevados e dificuldades para escalar”,
afirma Guilherme Duarte, diretor técnico Latam da Denodo.
Como integrar dados públicos sem movê-los
Uma alternativa que vem ganhando espaço internacional é o gerenciamento lógico de dados por meio da virtualização. Em vez de consolidar fisicamente grandes volumes de informações em um único ambiente, essa arquitetura cria uma camada lógica capaz de conectar diferentes fontes em tempo real, preservando sua localização original. Com isso, organizações conseguem reduzir projetos de migração, acelerar a disponibilização de informações e fortalecer a governança digital.
A adoção dessa abordagem já apresenta resultados em diferentes organizações públicas ao redor do mundo. Na Itália, o Instituto Nacional de Estatística (ISTAT) conectou mais de 200 fontes de dados administrativos e dispositivos IoT para acelerar a produção de estatísticas oficiais e reduzir custos de infraestrutura. Nos Estados Unidos, a Pantex, responsável pela gestão de instalações ligadas à segurança nuclear, integrou sistemas altamente sensíveis sem transferir informações para novos repositórios, reforçando a segurança e os controles de acesso. Já na Bélgica, a agência pública de empregos Le Forem passou a unificar dados sobre candidatos, capacitações e vagas para personalizar o atendimento ao cidadão em tempo real, respeitando os requisitos de privacidade.
“O avanço da Inteligência Artificial no setor público torna a integração de dados uma questão estratégica. Quanto mais distribuídas estiverem as informações entre órgãos, sistemas legados e diferentes ambientes de nuvem, maior será a necessidade de arquiteturas capazes de conectá-las sem multiplicar cópias. O gerenciamento lógico de dados permite exatamente isso: disponibilizar uma visão unificada das informações para acelerar projetos de inovação, fortalecer a governança e aumentar a eficiência dos serviços públicos”,
conclui Guilherme.
Com informações da Denodo
Imagem de capa: Pixabay
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