O patrimônio documental do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que registra décadas de informações sobre o território, a população, a economia e o meio ambiente do Brasil, ganhará um importante reforço para sua preservação e difusão.
Por meio do projeto “Recuperação e disseminação dos acervos científicos do IBGE: democratizando dados e informações sobre o Brasil para o exercício da cidadania”, o Instituto expandirá os esforços de recuperação, conservação e disponibilização de seus acervos, favorecendo o acesso da sociedade a fontes fundamentais para a compreensão da história e da realidade do País.
A iniciativa é fruto de um convênio firmado no âmbito da Chamada Pública MCTI/Finep/FNDCT Identidade Brasil – Recuperação e Preservação de Acervos 2025. O acordo reúne a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), como concedente dos recursos, a Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Faurgs), que ficará responsável pela gestão administrativa e financeira, e o IBGE, na condição de executor técnico do plano de trabalho.
O convênio, com vigência de até 36 meses, contará com um investimento de cerca de R$ 9,97 milhões provenientes do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), por meio da Finep, empresa pública de fomento à ciência, tecnologia e inovação. Os recursos serão destinados à execução das ações previstas no plano de trabalho aprovado para o projeto, sem exigência de contrapartida financeira dos participantes.
“A gente disputou esse recurso com muitas instituições públicas, diversas universidades. Submetemos o projeto em janeiro, foram várias etapas, e o IBGE alcançou uma nota muito boa. No ano dos 90 anos do IBGE, conseguimos trazer todo o recurso pedido — porque a gente poderia ter trazido só uma parte, mas a gente conseguiu que todo o projeto fosse aprovado —, então estamos muito felizes”,
celebra Gisele Rosa de Oliveira, responsável pela Gerência de Biblioteca, Informação e Memória (GEBIM), vinculada à Coordenação de Atendimento e Informação (COATI) do Centro de Documentação e Disseminação de Informações (CDDI), e membro do projeto.
Conservação, digitalização e acesso à informação
Com o objetivo geral de preservar, digitalizar e disseminar os acervos produzidos e mantidos pelo IBGE ao longo de sua trajetória, o projeto busca democratizar o acesso a esses conteúdos, contribuindo para a produção de conhecimento, a formulação de políticas públicas, a pesquisa acadêmica e o exercício da cidadania. Nesse sentido, serão contemplados diferentes tipos documentais — coleções bibliográficas, fundos e coleções arquivísticas, fotografias aéreas e coleções biológicas —, beneficiando acervos da Biblioteca Isaac Kerstenetzky e o Acervo Especial de Geociências, ambos no Rio de Janeiro, além de acervos dos herbários IBGE, situado na Reserva Ecológica, em Brasília, e RADAMBRASIL (HRB), localizado em Salvador.
Os acervos bibliográficos e documentais custodiados pela Biblioteca Isaac Kerstenetzky são constituídos por obras publicadas pelo IBGE contendo resultados de pesquisas, sínteses e estudos e realizados ao longo de sua trajetória, bem como por obras raras, como documentos referentes ao primeiro Censo Demográfico realizado no Brasil, em 1872. Nesse contexto, o projeto prevê melhorias nas condições de conservação, com aquisição de mobiliário e equipamentos para acondicionamento adequado, além da implantação de sistemas de controle de temperatura e umidade. Também serão realizadas ações de higienização e segurança do acervo e a digitalização de publicações históricas do Instituto, a fim de ampliar o acesso às pesquisas produzidas pelo IBGE ao longo de décadas por meio da Biblioteca Digital.
A Diretoria de Geociências (DGC) dispõe de um arquivo com centenas de milhares fotografias aéreas e filmes diapositivos. Esse acervo contará com ações de recuperação e digitalização das fotografias e outros materiais armazenados em suportes como papel, acetato, películas e vidro. As atividades incluirão higienização, tratamento especializado e, quando necessário, restauração de itens em estado mais avançado de deterioração, tendo em vista a preservação e a disponibilização desse patrimônio científico.
“As aerofotos que compõem o acervo foram a base para a confecção das cartas topográficas do Brasil e constituem material de valor histórico e ambiental inestimável, haja vista mostrarem a situação do País antes dos movimentos migratórios que resultaram na ocupação do Centro-Oeste e da Amazônia, além de retratarem as demais regiões numa época completamente diferente da atual. Atualmente, essas aerofotos são de grande interesse para a integração em plataformas de informação geoespacial, oferecendo informação muito valiosa para a interpretação da evolução do território”,
destaca Marcelo Rodrigues de Albuquerque Maranhão, servidor da DGC e participante do projeto.
Por sua vez, as coleções biológicas preservadas pelo IBGE colaboram para a sistematização de dados sobre o meio ambiente e os recursos naturais do Brasil. Os acervos mantidos pelo Instituto em Brasília e Salvador receberão investimentos voltados à modernização das condições de conservação e pesquisa. Estão previstas aquisições de equipamentos para controle de temperatura e umidade, além de melhorias na infraestrutura de acondicionamento e na estrutura de apoio às atividades científicas, fortalecendo a preservação de importantes registros da biodiversidade brasileira.

Recuperação e preservação da memória institucional
O convênio com a Finep e a Faurgs se insere na gama de iniciativas que vêm sendo colocadas em prática no IBGE com o propósito de recuperar a memória do Instituto. Entre as principais ações nesse sentido, destacam-se a criação da Casa Brasil IBGE, a abertura da Biblioteca Isaac Kerstenetzky — Espaço de Memória e Tecnologia e a chegada de novos servidores aprovados no Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), incluindo bibliotecários e historiadores.
Nessa perspectiva, com a implementação do projeto, o IBGE reafirma seu compromisso não apenas com a produção de informações estatísticas, geográficas e ambientais, mas também com a preservação da memória nacional.
“Esse é um marco importante na história recente do IBGE, pois torna viável a necessária preservação da memória institucional do Instituto, que, na verdade, diz respeito à própria memória do Brasil e de seu povo. O apoio da Finep e o acesso a recursos extraorçamentários, por meio de um convênio com objeto definido, constituem uma janela de oportunidade para o integral cumprimento da missão institucional do IBGE, que deve ser entendida de forma mais ampla, incorporando o compromisso de preservação da memória daquilo que é realizado, daquilo que é retratado”,
conclui Denis Maracci Gimenez, assessor da Presidência e coordenador geral do projeto.
Com informações e imagens do IBGE
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