Na Logística, informação tem valor estratégico. A qualidade das informações sobre estoques, movimentações e armazenagem interfere diretamente no nível de serviço, nos custos operacionais e na tomada de decisão. Nesse contexto, a utilização de drones vem se apresentando como uma alternativa para automatizar atividades relacionadas ao inventário e ao monitoramento de armazéns.
Uma das aplicações mais relevantes está na gestão de estoques. O inventário tradicional pode exigir muitas horas de trabalho, mobilização da equipe e utilização de equipamentos como empilhadeiras, paleteiras e escadas para acessar posições de armazenagem. Dependendo da complexidade da operação, o processo pode provocar interrupções e estar sujeito a divergências de contagem.
Com a utilização de drones, parte desse processo pode ser automatizada. O equipamento pode percorrer os corredores do armazém realizando a captura das informações presentes nas etiquetas das unidades armazenadas. A identificação pode ocorrer por meio de códigos de barras ou tecnologias como a Identificação por Radiofrequência (RFID), dependendo da solução adotada e das características da operação.
Entretanto, a utilização do drone não elimina a necessidade de planejamento. A estrutura do armazém, o posicionamento das etiquetas, o sistema de identificação e as condições operacionais interferem diretamente na eficiência da solução.
Na minha visão, o ponto mais relevante está na integração dessas informações com os sistemas de gestão. Quando os dados coletados são integrados ao Warehouse Management System (WMS) e ao Planejamento de Recursos Empresariais (ERP), o inventário deixa de ser apenas uma atividade de contagem. As informações podem apoiar a identificação de divergências, a geração de relatórios e o acompanhamento de indicadores, como a acuracidade do estoque.
Nesse sentido, o foco deixa de estar concentrado exclusivamente no operacional e passa a incorporar uma atuação mais estratégica. A equipe logística pode dedicar maior atenção à análise das divergências, às causas dos erros e às ações necessárias para melhorar a confiabilidade das informações.
As aplicações dos drones também podem ir além do inventário. Na armazenagem, podem auxiliar no mapeamento das áreas, na análise do layout e na identificação de gargalos. A tecnologia pode contribuir para identificar áreas com maior concentração de atividades, espaços ociosos e oportunidades de melhoria no fluxo de materiais e pessoas, desde o recebimento até a expedição.
Outra possibilidade está relacionada ao monitoramento e à segurança patrimonial, principalmente em operações que trabalham com produtos de maior valor agregado. O acompanhamento de áreas externas, movimentações de veículos e operações realizadas fora do horário comercial são situações em que essa tecnologia pode ser avaliada.
Entretanto, a implantação de uma solução baseada em drones precisa ser analisada de forma mais ampla do que simplesmente o custo de aquisição do equipamento. O investimento envolve a tecnologia embarcada, os sistemas de captura e tratamento de
dados, a integração com WMS e ERP, a infraestrutura de identificação, possíveis adequações operacionais e a capacitação dos profissionais.
Por isso, antes de decidir pela implantação, a empresa precisa mapear seus processos e identificar onde estão os problemas. É necessário avaliar o custo da operação atual, o investimento necessário e os ganhos esperados em produtividade, acuracidade e disponibilidade das informações.
Nem toda operação logística possui o mesmo nível de complexidade. Uma solução que apresenta retorno significativo em um centro de distribuição com grande volume de SKUs, elevado número de posições de armazenagem e necessidade frequente de inventário pode não apresentar a mesma viabilidade em uma operação menor.
Como sempre digo: cabeça nas nuvens, mas os pés no chão.
A tecnologia pode ser extremamente avançada, mas não gera resultados apenas por estar disponível. Uma empresa pode ter uma verdadeira Ferrari nas mãos e utilizá-la como se fosse um carro popular. Na Logística, inovação precisa estar conectada ao processo, à estratégia e, principalmente, ao resultado que se espera obter.
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* Valderi Mendes de Souza atua como docente na área de Gestão e Negócios do Senac Araçatuba e como consultor em processos e operações logísticas. Possui mais de 15 anos de experiência em Logística na indústria de embalagens, com atuação em transportes, logística internacional, gestão de estoques e operações logísticas. É graduado em Ciências Contábeis e especialista em Logística, com experiência na formação e desenvolvimento de profissionais para o mercado de trabalho. E-mail: valderi.msouza@sp.senac.br / LinkedIn: www.linkedin.com/in/valderi-mendes-554009179/
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Com informações do Senac-SP
Imagem de capa: Divulgação
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