Eventos climáticos extremos associados ao El Niño colocam cidades, infraestruturas e populações diante de riscos que exigem respostas cada vez mais rápidas. Ventos, chuvas intensas, deslizamentos, inundações repentinas e colapsos de encostas têm impactado intensamente o Brasil neste ano e mostram os limites de uma gestão baseada apenas na reação após o desastre. Bruno Carvalho, Diretor Comercial da Avantia e especialista em segurança eletrônica, afirma que a tecnologia permite avançar para um modelo de monitoramento contínuo, capaz de identificar sinais de risco e acionar alertas antes que ocorram situações críticas.
Segundo ele, uma estrutura moderna de segurança eletrônica para desastres naturais se apoia em quatro pilares: monitoramento contínuo, análise preditiva, alerta precoce automatizado e resposta coordenada.
“A integração de diferentes tecnologias é fundamental para transformar dados ambientais em informações úteis para a tomada de decisão”,
diz.
Entre os recursos estão sistemas GNSS, capazes de identificar pequenos deslocamentos da superfície e contribuir para a detecção de movimentos que antecedem deslizamentos e colapsos de encostas. Sensores de fissuras acompanham a expansão e contração de trincas, enquanto sensores de umidade monitoram a saturação do solo, fator associado a deslizamentos provocados por chuvas intensas.
“Pluviômetros, inclinômetros, radares para monitoramento do nível de lama, câmeras e sistemas de vigilância complementam essa estrutura”,
afirma.
O especialista reforça que o diferencial está na integração dos equipamentos. Sensores instalados em campo enviam dados por redes como 4G, NB-IoT e LoRa para plataformas locais ou em nuvem, que processam as informações.
“Dashboards, aplicativos e mensagens SMS permitem que os alertas cheguem às equipes responsáveis. A partir da avaliação conjunta dos parâmetros, sistemas podem estabelecer diferentes níveis de alerta, desde a necessidade de atenção reforçada até a evacuação”,
detalha.
A tecnologia também pode ampliar o monitoramento de recursos hídricos. Câmeras com inteligência artificial podem fazer a leitura automatizada de medidores de nível de água de forma contínua.
“Analisadores hiperespectrais também permitem avaliar a qualidade da água sem contato físico. Em eventos de chuva intensa, esse acompanhamento pode ajudar a detectar alterações provocadas pelo transporte de sedimentos, fertilizantes, esgoto e resíduos industriais”,
pondera.
Estrutura híbrida de Defesa é a chave
Para enfrentar condições extremas, a infraestrutura precisa contar com proteção física e elétrica, além de redundância energética e de comunicação. Satélites, drones, câmeras terrestres, boias e equipamentos portáteis formam uma arquitetura multidimensional, reduzindo pontos cegos e ampliando a redundância operacional.
A inteligência artificial representa outra frente de evolução. Algoritmos podem analisar históricos e cruzar informações como umidade do solo, abertura de fissuras, precipitação, inclinação e qualidade da água. Quando esses dados são avaliados em conjunto, padrões que passariam despercebidos em análises isoladas podem contribuir para a identificação antecipada de situações de risco.
“A IA, nesse contexto, não substitui o monitoramento humano, mas amplia a capacidade de processamento e pode reduzir o intervalo entre a detecção de uma ameaça e a emissão de um alerta”,
completa Bruno.
Para ele, a discussão sobre monitoramento de eventos climáticos precisa integrar tecnologia, planejamento e gestão pública.
“A tecnologia existe e pode ser aplicada para transformar o monitoramento de desastres de uma lógica reativa para uma atuação preventiva, integrada e baseada em dados”,
conclui.
Com informações da Avantia
Imagem de capa criada com IA
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