A Concert Technologies S.A., empresa integrante do programa Microlançador Brasileiro (MLBR), e a indiana Skyroot Aerospace assinaram, na última quarta-feira (7/10), um Memorando de Entendimento (MoU) que estabelece as bases para avançar no codesenvolvimento de um novo veículo lançador de satélites. A iniciativa busca uma solução intermediária entre o MLBR, projetado para transportar até 40 kg para órbita baixa da Terra, e os veículos de maior capacidade da família Vikram, da empresa indiana.
A proposta é que o novo foguete tenha capacidade para colocar cargas úteis a partir de 100 kg na órbita baixa da Terra, combinando competências e tecnologias desenvolvidas pelas duas iniciativas. O objetivo é criar uma alternativa de acesso ao espaço capaz de atender demandas mundiais do mercado de satélites, principalmente para lançamentos em órbita equatorial.
A assinatura pela Concert Technologies S.A. foi conduzida por Rafael Mordente, CEO da Concert Space, durante o International Astronautical Congress (IAC 2026), em Antalya, na Turquia, com a participação do senador e astronauta Marcos Pontes, do presidente da Agência Espacial Brasileira, Marco Antônio Chamon, e outros representantes de instituições públicas e privadas.
A parceria aproxima dois ecossistemas que vêm ampliando sua atuação no setor espacial. A Skyroot Aerospace, sediada em Hyderabad, atua no desenvolvimento de tecnologias e soluções para o lançamento de satélites e cargas úteis ao espaço. Em julho de 2026, tornou-se a primeira empresa privada indiana a realizar com sucesso um lançamento orbital a partir do território do país, alcançando a órbita já na primeira tentativa com o Vikram-I. Do lado brasileiro, o MLBR reúne empresas com diferentes competências para o desenvolvimento de um veículo lançador de satélites e que tem avançado rapidamente no primeiro veículo lançador de pequenos satélites desenvolvido pela iniciativa privada nacional.
“O mercado espacial está passando por uma transformação importante, com a entrada de novos países, empresas e aplicações. Brasil e Índia têm condições de ocupar um espaço maior nesse cenário não apenas como consumidores, mas como desenvolvedores e fornecedores de tecnologia. Essa parceria cria uma nova ponte entre os ecossistemas espaciais de Brasil e Índia, países que mantêm uma trajetória de cooperação no setor espacial há mais de duas décadas, e pode gerar oportunidades para empresas, centros de pesquisa e profissionais dos dois países, além de estimular novos negócios e projetos conjuntos”,
afirmou o CEO da Concert Space, Rafael Mordente.
O senador e astronauta Marcos Pontes reforçou que a Índia é um país com o qual o Brasil mantém uma cooperação intensa na área espacial:
“Nós lançamos o Amazônia 1 com o programa espacial indiano e é muito importante ver essa relação avançar também por meio da cooperação entre empresas brasileiras e de outros países. É esse tipo de iniciativa que ajuda a levar o país à frente e abre caminho para passos ainda maiores”.
O cofundador e CEO da Skyroot Aerospace, Pawan Kumar Chandana, complementou:
“A Índia e o Brasil desenvolveram capacidades robustas no setor espacial, e existe um potencial significativo em unir essas forças. Com o Vikram-1, a Skyroot demonstrou a capacidade do setor privado indiano de alcançar a órbita, e agora estamos focados em construir a partir dessa base. Nossa parceria com a Concert Space explorará como tecnologias complementares de ambos os países podem viabilizar novas soluções de lançamento e ampliar o acesso confiável e competitivo ao espaço para clientes em todo o mundo”.
Cooperação internacional
A parceria com a Skyroot permitirá articular competências e avaliar a complementaridade entre tecnologias e conhecimentos desenvolvidos pelas duas partes, com aplicação em uma nova solução capaz de ampliar a faixa de cargas úteis atendida e as possibilidades de missões espaciais. O documento também contempla a possibilidade de atuação conjunta em sistemas de satélites e soluções de constelações em órbita baixa da Terra (LEO).
O MoU tem vigência prevista de dois anos. Dentro deste prazo, as empresas deverão aprofundar as definições técnicas e comerciais da solução e estruturar o desenvolvimento específico e os instrumentos necessários à sua execução. Atividades de desenvolvimento, fornecimento, investimento e comercialização serão objeto de acordos posteriores entre as partes.
“A Agência Espacial Brasileira está aqui no IAC justamente para possibilitar esses encontros. Muito mais do que negócios, estamos falando de parcerias reais. Portanto, agradeço às duas empresas por este ponto de partida para o que esperamos que seja uma parceria duradoura entre Brasil e Índia”,
ressaltou o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antonio Chamon, durante o evento de assinatura.
MLBR no IAC 2026
A assinatura do acordo ocorreu durante o IAC 2026, um dos principais encontros internacionais do setor espacial. Além da Concert, outras duas empresas que participam do desenvolvimento do MLBR estão em Antalya integrando a presença brasileira no evento junto à Agência Espacial Brasileira (AEB): Fibraforte e BIZU Space. A Concert participa do desenvolvimento do Sistema de Navegação Inercial (SNI-GNSS) do MLBR; a BIZU Space atua na tecnologia de propulsão líquida prevista para uma nova fase do programa; e a Fibraforte desenvolve o Sistema de Propulsão para Controle do veículo.
Imagem de capa: Divulgação
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