Medir o volume de madeira de uma floresta pode exigir o corte de árvores apenas para obter informações. Uma pesquisa realizada pela Katam e pela Unidade Embrapii UFV – Fibras Florestais, da Universidade Federal de Viçosa, avaliou uma alternativa: usar imagens e inteligência artificial para estimar o volume com as árvores em pé. O estudo verificou a capacidade da solução de produzir estimativas com boa precisão, com potencial para evitar cortes destinados à medição e reduzir custos operacionais das empresas.
A proposta atende a uma necessidade do setor florestal: obter dados confiáveis para planejar a produção, com menos etapas manuais e menor exposição dos trabalhadores aos riscos da atividade. Ao automatizar parte da coleta e da análise, a tecnologia pode diminuir o tempo dedicado aos levantamentos em campo.
A ideia surgiu da rotina observada pela Katam junto às empresas do setor. A companhia identificou uma oportunidade na cubagem, processo usado para calcular o volume das árvores e que, dependendo do método, envolve a derrubada de exemplares para medir o tronco ao longo de seu comprimento.
“A expectativa é tornar o trabalho em campo mais eficiente e reduzir a exposição dos profissionais aos riscos da atividade”,
disse Vinícius Gris, coordenador Florestal da Katam.
Imagens ajudam a calcular o volume das árvores
Na tecnologia avaliada, as imagens são coletadas até dois metros de altura e combinadas com dados históricos das áreas analisadas. Com essas informações, o sistema estima o perfil do tronco e o volume da árvore.
Esse cálculo integra o inventário florestal, levantamento que reúne informações sobre quantidade de árvores, diâmetro, altura, volume de madeira e crescimento da floresta. Os dados orientam decisões sobre manejo, colheita, transporte e comercialização.
A alternativa estudada permite obter essas estimativas sem derrubar os exemplares analisados. O benefício ambiental está na redução dos cortes feitos exclusivamente para medição. Para as empresas, a possibilidade de simplificar o levantamento e diminuir o tempo em campo pode representar economia na execução dos inventários.
Mais informações para o manejo florestal
A possibilidade de analisar um número maior de árvores também pode ampliar a base de informações disponível para as empresas. Isso ajuda a identificar diferenças entre áreas, acompanhar o crescimento dos plantios e estimar a quantidade de madeira disponível.
Com levantamentos mais abrangentes, as empresas podem melhorar as previsões de produção e planejar o uso das áreas produtivas. As informações também apoiam avaliações de compra e venda de ativos florestais.
Cooperação internacional
O projeto foi realizado no âmbito da cooperação internacional entre a Embrapii e a Vinnova, agência de inovação do governo sueco. A parceria reúne empresas e instituições de pesquisa dos dois países no desenvolvimento de soluções para desafios tecnológicos comuns.
No Brasil, a Unidade Embrapii UFV – Fibras Florestais reuniu pesquisadores especializados na cadeia florestal para avaliar a aplicação da tecnologia da Katam nas áreas estudadas. A Embrapii viabilizou a conexão entre a empresa e a equipe científica brasileira por meio dessa cooperação.
O trabalho permitiu verificar o desempenho da medição por imagens nas condições analisadas e abre caminho para novas aplicações em inventários florestais.
Com informações e imagens da Embrapii
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