O gerenciamento de dados espaciais em atividades corporativas

Duas grandes tendências têm exercido um profundo impacto na gestão de dados GIS nos últimos anos. A primeira delas é o crescimento exponencial dos volumes de dados. Há dez anos, uma base de dados GIS com 100 GBytes era considerada grande. Hoje, este critério mudou para 10 TBytes e o crescimento continua, fruto da ampla integração da informação espacial.

A segunda tendência é que os usuários de GIS, sobretudo nos sistemas corporativos, estão organizados de forma mais distribuída, isto é, usuários de diferentes localidades geográficas estão acessando conteúdos disponíveis em lugares diferentes.

Isso exerce grande implicação sobre a forma de gerir os dados, pois embora espalhados em distintas unidades, muitas vezes até em campo, esses usuários manifestam necessidade de acesso a dados em comum. Esta demanda exige que os dados, mesmo distribuídos, estejam disponíveis de forma sincronizada.

Geodatabase

Um geodatabase é uma base de dados relacional com recursos estendidos para armazenar, consultar e manipular informações geográficas e dados espaciais de qualquer tipo. Com ele é possível manipular formas geométricas simples, como linhas, pontos e polígonos, ou ainda usar recursos mais sofisticados, como regras de relacionamento, topologia, comportamento, anotações, imagens, objetos 3D, entre outros, para representação de fenômenos do mundo real.

O geodatabase pode ser armazenado sobre os principais sistemas administradores de bases de dados (SGBD), como por exemplo, Microsoft SQL Server e Oracle. Dessa forma, permite gerenciar grandes volumes de dados com alto desempenho em um ambiente multi-usuário, além de suportar requisitos essenciais característicos desses tipos de ambiente, como o gerenciamento de transações longas e eventuais conflitos resultantes dessas operações.


->Geodatabase: Diversos elementos para representação de fenômenos do mundo real

Gerenciamento de dados espaciais

Gerir dados é algo muito sério e importante. Por isso, a integridade e a segurança dos dados são vitais, uma vez que construir e manter bases de dados espaciais consomem tempo e dinheiro. Além disso, os dados espaciais podem constituir parte de sistemas inseridos na missão crítica de algumas organizações. A gestão dos dados representa, com freqüência, uma grande parte das atividades de um GIS corporativo dentro das organizações.

Uma vez que o geodatabase pode ser implementado sobre diferentes SGBDs de mercado, os usuários desse tipo de base de dados têm flexibilidade para escolha, proporcionada pela tecnologia conhecida como ArcSDE, que assegura alto desempenho no acesso a dados espaciais por meio da redução no número de instruções SQL durante as operações no banco e da otimização do volume de dados que trafegam na rede.

Na versão 9.2 do software ArcGIS-ESRI é possível trabalhar com estruturas em Oracle Spatial, implementadas conforme a definição Simple Feature do Open Geospatial Consortium (OGC).

É fato que os SGBD dispõem de excelentes ferramentas para gerenciar dados tabulares, bem como para suportar acesso distribuído. No entanto, algumas questões peculiarmente importantes na utilização de GIS não são endereçadas nativamente nesse tipo de sistema, tais como: compilação e edição de dados com garantia de integridade espacial, suporte a transações longas e reconciliação entre versões.

O uso de geodatabases oferece recursos para suprir estas necessidades, de maneira independente de qual SGBD o usuário adote.

GIS para servidores

Com o lançamento da nova versão do ArcGIS, concretiza-se uma tendência iniciada há algum tempo, que implementa uma estrutura completa de GIS para servidores. O ArcGIS Server tem recursos para a elaboração de um sistema totalmente baseado em plataforma web.

Os recursos necessários para gestão de dados (GeoData Management) permitem a configuração de sistemas na web com habilidades de compartilhar dados geográficos por meio de replicação do geodatabase, realizar alterações não-versionadas e uma nova API SQL para Oracle, baseada nos padrões de interoperabilidade estabelecidos pela OGC e ISO.

• Edição não-versionada: permite editar as informações no geodatabase diretamente no esquema original, ou seja, sem a adição das tabelas auxiliares que dificultam a integração com outros sistemas, em especial os sistemas não-GIS, que têm de acessar informações tabulares do GIS. Com a edição não-versionada, o integrador poderá procurar pelas alterações em um esquema simplificado, e não dependerá dos gatilhos e funções especiais executadas pelo ArcSDE;

• Replicação de geodatabase: é um método de distribuição de dados controlada a partir do ArcGIS.
Com a replicação de geodatabase é possível distribuir os dados em dois ou mais geodatabases para unidades conectadas a uma rede LAN ou WAN, por exemplo, e manter sincronizadas as alterações feitas em cada uma das unidades.
A replicação de geodatabase é construída sobre o ambiente de versionamento e suporta todas as características disponíveis no geodatabase, incluindo topologia e redes geométricas. A replicação é controlada no nível do geodatabase e, portanto, é independente do SGDB, ou seja, a matriz pode estar armazenada em SQL Server e sincronizar alterações com uma réplica armazenada em Oracle, por exemplo.

->Esquema de replicação de geodatabase no ArcGIS 9.2

• SQL espacial para Oracle: permite o acesso a elementos do geodatabase por meio de instruções SQL, usando as definições padronizadas pela ISO Multi-Media e pela OGC.
A interface permite que usuários acessem, criem, atualizem e removam dados espaciais por meio do padrão SQL. Para isso, os dados devem ser armazenados na estrutura de dados Large Object (LOB).
Não requer Oracle Locator ou a extensão Oracle Spatial.

Novo acesso SQL para datos armazenados em
estrutura Oracle Spatial<-

Com essas características de funcionalidade e interoperabilidade, o ArcGIS 9.2 agrega melhorias ao gerenciamento de dados espaciais. Os novos recursos para servidores permitem a realização efetiva de sistemas corporativos de GIS, combinando diversidade de ferramentas e facilidades de integração.

Alessandro Diniz
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