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Campus Weekend e Inventum Pato Branco: volta às origens…

Por Eduardo Freitas | 15h20, 14 de Outubro de 2017

Drones, Inteligência Artificial, Internet das Coisas, Smart Cities, Exploração Espacial: neste fim de semana, a pequena Pato Branco se torna a gigante da tecnologia

Ok, pode até parecer que eu esteja somente “enchendo a bola” da minha cidade natal, mas para quem está de 13 a 18 de outubro em Pato Branco, no sudoeste do Paraná, vai poder ver uma mostra do que está, hoje, na fronteira da tecnologia em diversas áreas do conhecimento.

Drones, Inteligência Artificial, Internet das Coisas, Smart Cities, Exploração Espacial: tudo isso e mais um pouco fazem parte dos dois eventos que acontecem simultaneamente, o Inventum de 13 a 18 de outubro e a Campus Weekend nos dias 14 e 15.

Com a largada, na última sexta, Pato Branco entra de vez no mapa nacional da tecnologia. E isso não é pouco para uma cidade a 400 quilômetros da capital e relativamente longe dos grandes centros…

inventum e campus weekend pato branco 300x168 Campus Weekend e Inventum Pato Branco: volta às origens...É a primeira vez que acontece em uma cidade do interior a Campus Weekend, que é uma versão reduzida da Campus Party – maior feira de tecnologia do mundo. Segundo o prefeito de Pato Branco, Augustinho Zuchi, a expectativa é colher os frutos ao longo das próximas décadas.

De acordo com Francesco Ferruggia, presidente do Instituto Campus Party, apenas para a Campus Weekend houve mais de 1,5 mil inscritos, que, comparados aos 6 mil de São Paulo, é um excelente número. Já para o Deputado Estadual Guto Silva, um evento como este faz com que as pessoas entendam a importância da inovação e ajuda a reter talentos na região.

Uma das palestras mais esperadas da Campus Weekend será a de Paul Zaloom, do famoso seriado “O Mundo de Beakman”, premiado pelo Emmy, que vai fazer ao vivo demonstrações de experimentos científicos com muito humor.

Também está confirmado no palco principal o brasileiro Marcos Roberto Palhares, que tem vaga reservada em uma viagem suborbital da empresa Virgin Galactic, pioneira em turismo espacial. Marcos fará um contexto histórico da exploração espacial, mostrando como a raça humana está se preparando para sobreviver fora da Terra.

E os drones não poderiam ficar de fora… Carlos Cândido, doutorando em Computação Natural, será o palestrante que vai trazer detalhes de vários projetos ao redor do mundo sobre o uso de drones no combate à dengue, transporte de pessoas e mercadorias, entre outros temas.

Serão mais de 90 horas de contéudo, com mais de 70 palestrantes nacionais e internacionais que se apresentarão em quatro palcos: Feel The Future, Criatividade e Entretenimento, Ciência e Inovação, e Empreendedorismo. Completam a programação diversas oficinas de robótica, realidade virtual, computação quântica e mais.

Paralelamente acontecem, ainda, mostras das Universidades da região, com destaque para o estande do Curso Técnico em Agrimensura da UTFPR, que demonstra os equipamentos utilizados pelos alunos e os projetos em andamento. Segundo o professor Silvio Andolfato, é um desafio constante competir com a internet pela atenção dos estudantes, e por isso os professores têm que, a cada aula, dar o seu melhor para manter os alunos motivados no curso.

Palestra e Workshop

Agora vem um momento pessoal no qual eu tenho que agradecer pela oportunidade de, na segunda-feira (16/10), fazer uma palestra e dar um workshop para os alunos que estão cursando o técnico em Agrimensura.

Será uma honra poder compartilhar um pouco do que temos observado sobre as tendências das geotecnologias e drones, na parte da manhã, durante e palestra, e depois sobre GeoEmpreendedorismo, para uma turma menor, na parte da tarde.

De volta às origens… #gratidão

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Smartphone com 30 centímetros de precisão!?! Só que não…

Por Eduardo Freitas | 16h38, 11 de Outubro de 2017

Ou: não acredite no que você lê na grande mídia antes de fazer uma análise técnica… Será mesmo que é possível que um smartphone tenha somente 30 centímetros de precisão?

Este post já estava programado para ser elaborado nos últimos dias, mas foi adiantado devido a um pedido de nossos leitores:

“Por favor , gostaria que vcs desmentissem notícia divulgada no UOL que
trata de posicionamento preciso com celulares.
Li a notícia e notei que a mesma está eivada de erros e inverdades:”

Galileo sat constallation 300x225 Smartphone com 30 centímetros de precisão!?! Só que não...Então vamos lá (não vamos aqui “desmentir” ninguém, mas somente esclarecer melhor algumas informações): imagine que maravilha seria se o seu smartphone, comprado com algumas centenas de reais, pudesse ter precisão de poucos centímetros.

Seria ótimo, não é mesmo?

E para empresas, então, se abririam novas oportunidades de negócios, principalmente para as que atuam com mobile marketing e LBS – sigla em inglês para Serviços Baseados em Localização).

Afinal, o erro médio dos receptores GNSS presentes em nossos celulares, hoje, gira em torno de 5 a 10 metros, o que inviabiliza um posicionamento mais preciso para atividades do dia-a-dia, como localizar quem chamou um uber no meio de uma multidão ou receber uma oferta baseada em localização, por exemplo.

A notícia divulgada semana passada, de que uma empresa havia lançado um chip para smartphone que iria possibilitar estes impressionantes 30 centímetros, caiu como uma bomba no setor de Geotecnologia.

Com uma precisão assim, seria possível – teoricamente – até mesmo fazer georreferenciamento de imóveis rurais padrão Incra. E isso utilizando um simples smartphone!

Mas, infelizmente, não é bem assim (pelo menos por enquanto).

smartphone com mapa 300x225 Smartphone com 30 centímetros de precisão!?! Só que não...Vamos por partes…

Primeiro, é importante lembrar que a maioria dos smartphones, hoje, já rastreia sinais GNSS. Esta é a sigla em inglês para Sistemas Globais de Navegação por Satélites e engloba o norte-americano GPS, o russo Glonass, o europeu Galileo, o chinês Beidou, além dos vários sistemas de “aumentação” que existem no mundo (Egnos, WAAS, MSAS, etc).

É só você conferir no manual ou nas especificações técnicas do seu smartphone que poderá verificar quais sistemas seu aparelho rastreia. O meu é um smartphone meio “velhinho” e mesmo assim já rastreia dois sistemas: GPS e Glonass.

No caso da notícia da semana passada, foi divulgado maciçamente o lançamento da empresa Broadcom, de um chip para smartphone que vai rastrar o sinal L5, o que possibilitaria, em tese, essa precisão submétrica.

Só esqueceram de avisar que o sinal L5 será transmitido após a modernização do sistema GPS, cujos satélites ainda estão sendo lançados. Este sinal também é compatível com o E5, do Galileo, que ainda não tem alcance global.

O governo dos EUA está em processo de lançamento de três novos sinais projetados para uso civil: L2C, L5 e L1C. O sinal civil que já utilizamos na maioria dos smartphones (L1) continuará sendo transmitido. E os usuários deverão, aos poucos, atualizar seus equipamentos para se beneficiar dos novos sinais.

Estes novos sinais civis estão em fase progressiva de implantação, uma vez que a Força Aérea norte-americana está lançando novos satélites GPS para substituir os antigos.

A maioria dos novos sinais será de uso limitado, até que estejam sendo transmitidos a partir de 18 a 24 satélites. Hoje, o status do sinal L5 consta como “pré-operacional”, sendo transmitido a partir de 12 satélites em órbita.

A modernização do GPS envolve, ainda, uma série de lançamentos consecutivos de satélites, incluindo os blocos IIR-M, IIF e III. Também inclui melhorias, em paralelo, no segmento de controle em solo do sistema.

Ou seja, ainda não dá para prometer que teremos, pelo menos em solo brasileiro, smartphones com 30 centímetros de precisão já no próximo ano…

Na imagem a seguir, bastante didática, dá para ter uma ideia dos sinais dos diversos sistemas disponíveis hoje:

Fig1Old Smartphone com 30 centímetros de precisão!?! Só que não...

Quanto ao que saiu na grande mídia, uma das manchetes era esta: “Já era hora! Celulares terão GPS com precisão de até 30 cm em 2018″.

Veja que se fala em GPS, que seria já para o próximo ano. Ou seja, ao invés de informar, isso mais atrapalha do que ajuda. E nos textos que apareceram – inclusive em sites técnicos – não eram abordados os diferentes sinais e tão pouco a modernização do sistema GPS.

Na verdade, não se espera que os veículos de massa expliquem tudo isso ao seus leitores, mas que ao menos informem corretamente, fazendo as devidas ressalvas. Senão, vira um fiasco como aquela vez que o Jornal Nacional informou que o Japão teria “seu próprio GPS‘”.

Precisando de alguma consultoria técnica para fazer suas matérias? É só falar com os seguidores do MundoGEO, pois tem muita gente boa a disposição… #ficadica

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Agro é Tech, Agro é Pop, Agro é Digital!

Por Eduardo Freitas | 19h37, 29 de Setembro de 2017

Drones, Internet das Coisas, Realidade Virtual, Machine Learning, Big Data. Estes termos, que há pouco tempo poderiam parecer de filmes de ficção científica, já estão integrados ao dia-a-dia do campo, nas fazendas mais conectadas. Mas ainda tem um longo caminho a ser percorrido. Entenda…

Nos dias 21 e 22 de setembro aconteceu em Carambeí (PR) – no meio do caminho entre Ponta Grossa e Castro, região dos Campos Gerais – um evento disruptivo para o setor de Agronegócio, o Digital Agro.

Segundo organizadores e expositores, o DigitalAgro superou as expectativas, com uma visitação qualificada e focada em negócios. E o objetivo do evento foi cumprido, de levar a transformação digital para perto do produtor rural, ao invés deste ter que se deslocar até os grandes centros para conhecer as novidades.

Na entrada da feira, uma ‘atendente virtual’ em tamanho real nos dava as boas vindas de dentro de uma tela, enquanto nos estandes havia óculos de realidade aumentada, drones e muito entusiasmo em relação às novas tecnologias do campo…

feira digital agro 2017 1024x576 Agro é Tech, Agro é Pop, Agro é Digital!

Mas, também, muitas dúvidas, como pôde-se ver no semblante de quem estava assistindo as palestras. Afinal, não é fácil ouvir que você tem que ‘esquecer’ quase tudo o que conhecia e partir para a transformação digital no campo.

IoT, Aplicativos e Novos Modelos de Negócios

Na palestra sobre Internet das Coisas (ou IoT, a sigla mais popular e ‘marketeira’), o professor Ernane José Xavier Costa, da USP, comentou sobre como as pessoas podem – e devem – ser consideradas como ‘sensores’, afinal elas enxergam, ouvem e sentem tudo o que está acontecendo no campo.

Isso vale muito também para quem atua com drones, mas vamos falar sobre esse assunto no momento certo…

Na mesma palestra foi esmiuçado o conceito de Smart Farms, que se assemelha ao já conhecido Smart Cities, mas ainda há muitos desafios a serem superados, como a desmistificação da tecnologia, a falta de padronização, a dificuldade para sair da zona de conforto. As soluções: envolver a IoT na governança e iniciar com protótipos de ideias e soluções, para só depois que os conceitos sejam comprovados, aí sim implementar em escala maior.

O palestrante da Embrapa Informática Agropecuária, Daniel de Castro Victoria, por sua vez, falou sobre como a empresa está se aproximando do usuário, através de portais e apps para quem não tem, necessariamente, conhecimentos de GIS ou sensoriamento remoto.

A imagem a seguir, compartilhada por Daniel, de como artistas em 1900 imaginaram como seria a agricultura nos anos 2000, demonstrou como a tecnologia avançou. E, se imaginarmos, hoje, como será em 2100, certamente também erraremos:

artistas imaginam agricultura nos anos 2000 Agro é Tech, Agro é Pop, Agro é Digital!

Uma das empresas de maior êxito na Agricultura estava representada na programação por Santiago Larroux, da John Deere. Segundo ele, o Brasil é privilegiado por ter sol e chuva em abundância, além de – ainda – ter grandes áreas disponíveis para cultivo.

Porém, ainda temos imensos desafios a vencer, como a baixa cobertura de rede celular, falta de mão-de-obra especializada, pouca – ou nenhuma – interoperabilidade entre diferentes formatos de dados e aversão a novos modelos de negócios.

Larroux demonstrou a importância do Brasil para a John Deere pelo fato do país ter um centro de inovação em Indaiatuba (SP), o terceiro da empresa no mundo. Nesse centro estão sendo pesquisadas soluções para resolver – ou ao menos minimizar – os efeitos da cintilação ionosférica, um problema para quem trabalha com levantamentos geodésicos de alta precisão. E finalizou dizendo que ‘a Agricultura Digital vai chegar e já está batendo na nossa porta’.

Drones e Imagens de Satélites

Na sequência foi a fez de focar nos Drones, com a palestra de de Bruno Holtz Gemignani e André Luiz Augusto Thomaz, representando a 3DGEO, com o tema ‘monitoramento agrícola com RPAS – o uso de imagens multiespectrais no auxílio à tomada de decisão”. Segundo eles, muitos ainda não se deram conta que quem faz o serviço é a câmera, não o drone, que é somente a plataforma. E valorizaram muito o diferencial de trabalhar em conjunto com o produtor e/ou a equipe técnica da fazenda.

3dgeo resultados 300x168 Agro é Tech, Agro é Pop, Agro é Digital!Segundo Bruno, é importante ser sincero com os produtores e mostrar que tem um longo caminho desde a tomada das imagens até entregar o dado processado. Também é fundamental trabalhar com equipamentos robustos, desde a plataforma (drone) até o sensor. Além disso, usando uma câmera multiespectral é possível enxergar além do visível. Com a capacidade de captar o infravermelho, é possível identificar a atividade fotossintética das plantas, algo essencial no agronegócio. Ou seja, mesmo lá do alto, é importante ter os pés no chão.

‘A transformação digital da agricultura’ foi o tema abordado por Roberson Sterza Marczak, da ADAMA, que fez questão de explicar que existe uma diferença imensa entre inovação – que gera valor – e invenção. E demonstrou que é importante, no agronegócio, ‘ouvir as plantas’ através de sensores, como por exemplo em atividades de irrigação baseada em crescimento. Para ele, os drones já viraram uma ‘commodity’ pois o que se quer saber é qual será o approach em relação aos dados gerados por eles.

E o Big Data é intensamente explorado pela empresa, como por exemplo o histórico de imagens NDVI de mais de 10 anos. Porém, na maioria das fazendas os dados e sistemas ainda são uma ‘colcha de retalhos’, que precisa ser organizada. O próximo passo é convergir todas estas tecnologias: big data, drones, IoT…

palestrantes digital agro sensoriamento 1024x452 Agro é Tech, Agro é Pop, Agro é Digital!

Palestrantes do painel de sensoriamento do Digital Agro

Inteligência Artificial

O ‘robô’ Watson, da IBM, foi desnudado por Luis Otavio Fonseca na palestra sobre conhecimento cognitivo na agricultura. Segundo ele, sistemas de inteligência artificial podem ser ‘treinados’ para diversas aplicações, como por exemplo identificar falhas de plantio em imagens de satélites. Ou, ainda, fazer com que o robô ‘dirija’ um trator com objetivo de economizar combustível.

Para Fonseca, três atores têm que estar alinhados para que a computação cognitiva tenha sucesso no agro: produtor, gerente da fazenda e cientista de dados.

Já Bruno Pezzi Figueiredo, da SGS / Unigeo, mostrou uma visão inovadora nos processos de precisão na agricultura e trouxe um termo atualizado, que é a ‘nutrição de precisão’. Enfatizou também a importância de se coletar e usar dados de qualidade, sejam eles geoespaciais ou não. E a interdisciplinaridade e os recursos humanos foram valorizados, já que na Unigeo há pelo menos 40 programadores, 50 profissionais de geo e um time de agrônomos.

O representante mais emblemático do setor de Geotecnologia no evento foi Abimael Cereda Junior, da Imagem, que desmistificou as ideias de que GIS é caro ou complexo, e complementou dizendo que agricultura sempre foi big data, desde os primórdios da humanidade, e que sempre se lidou com o estado-da-arte da tecnologia. Comentou, ainda que o termo ‘com o uso de Geoprocessamento’ não existe no agro, pois é inerente ao setor que se trabalhe com dados e análises geoespaciais. Finalizou comentando que o WebGIS permite focar nos problemas de negócio e que Geo é o que une todas essas questões, integrando tudo numa base única.

Agro é Digital!

Diferentemente de anos atrás, quando uma feira de Agronegócio contava basicamente com defensivos agrícolas e produtos químicos, nesta não havia nenhum estande com este foco.

Pelo contrário, os produtores já viram que a solução para maximizar ganhos e diminuir custos no campo está no digital.

Chegou a era do Digital Agro!

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Blockchain e Geotecnologia: vem aí (mais) uma revolução

Por Eduardo Freitas | 22h24, 21 de Setembro de 2017

Confiança, imutabilidade, transparência: características que todo profissional do setor de Geo gostaria de ver para seus dados. Com a integração de Blockchain e Geotecnologia, vem aí (mais) uma revolução. Entenda…

Você já usou bitcoins para pagar por algo? Cadastrou sua carteira (wallet) online ou física? Já conhece o protocolo FOAM para transação de dados geo? É bom ficar por dentro, pois o mundo depois da tecnologia Blockchain nunca será como antes.

A Geoinformação sempre fez bom uso das tecnologias computacionais, desde as bases de dados até o armazenamento e análises na nuvem. Além disso, as tecnologias geoespaciais estão a cada dia mais sendo integradas a sistemas como ERPs, CRMs e por aí vai…

Dessa forma, é apenas questão de tempo para que possamos incorporar também a tecnologia Blockchain.

O termo “chain” é a cadeia de transações, como se fossem entradas em uma espécie de livro caixa, mas esses ativos podem ser desde dinheiro até imagens, mapas, documentos… Enfim, qualquer coisa que possa passar de uma pessoa a outra de forma online. Hoje, o que acontece é a transação entre tokens contendo somente os metadados dos ativos. Já o envio físico do ativo ocorre de forma separada.

Por sua vez, o termo “block” refere-se ao agrupamento das transações relacionadas entre si. Uma forma de visualizar a Blockchain é imaginar entradas em um livro contábil, onde todas as transações entram na sequência em que ocorrem.

blockchain e geotecnologia 300x221 Blockchain e Geotecnologia: vem aí (mais) uma revoluçãoExistem algumas diferenças sensíveis em relação a uma base de dados tradicional. Blockchains são abertas para todos os membros, assim como os registros das transações. Não há uma administração central, por ser uma rede ponto-a-ponto. Cada transação que entra na Blockchain é verificada e aprovada por consenso entre os membros da rede. Por outro lado, há “validadores” – chamados de mineradores – que podem revisar e validar transações.

Confiança e Imutabilidade

As duas características chave da tecnologia Blockchain são confiança e imutabilidade. A confiança é sobre a qual toda negociação acontece, enquanto a imutabilidade é a garantia de que um registro ou transação não pode ser modificado ou apagado. Quando um membro faz uma transação, data e hora são estampados e uma chave é gerada pelo computador, usando a chave privada do membro da rede. Cada transação subsequente também terá estampada seus dados (data, hora, chave).

Por isso, eu sugiro fortemente que, se você ainda não fez isso, crie uma carteira (wallet), no início online, e quando se sentir confortável com esta tecnologia, tenha uma carteira física. Tem vários serviços de carteiras online, as quais têm a finalidade básica de estocar bitcoins, mas que você pode usar para qualquer tipo de ativo. Já as carteiras físicas são como pen-drives ou tokens, válidas para quem precisa guardar valores maiores.

Hoje, em uma transação tradicional, duas partes que não se conhecem precisam de um intermediário em quem confiem, para que possam trocar ativos entre si. Um banco, por exemplo.

Em uma Blockchain, esse intermediário é substituído por uma rede ponto-a-ponto na qual a autorização e a validação das transações é feita através de um processo de consenso entre seus membros.

Ou seja, saem os intermediários e entra a troca direta!

Já imaginou onde isso pode dar? Desde a compra/venda de dados geoespaciais até mesmo o voto em políticos, já temos tecnologia para eliminar quem está entre as pessoas e tornar o fluxo de informação muito mais transparente. Mas, então, quais as barreiras para que isso aconteça?

Em alguns casos, ainda é preciso que haja um controle central, garantia de confidencialidade, rápida performance e alta escalabilidade. Num caso como este, ainda faz sentido se pensar em bases de dados. Um exemplo é o SINTER – Sistema Nacional de Gestão de Informações Territoriais -, da Receita Federal, que está sendo desenvolvido baseado em conceitos de bases de dados.

Público x Privado

Existem dois tipos de Blockchains: pública e privada. A implementação mais conhecida de uma Blockchain pública é a moeda digital bitcoin. Neste caso, um membro tem que configurar uma carteira, à qual o sistema atribui uma chave privada. A partir disso, o membro já pode interagir com a rede e usar bitcoins para pagar por bens, serviços, dados, documentos e o que mais você puder imaginar.

Já uma Blockchain privada pode ser implementada por uma instituição, tal como órgãos governamentais ou empresas, com número restrito de usuários e entrada somente através de convite. Ainda que outros membros possam ver a transação, eles não podem participar dela. As regras podem ser facilmente alteradas pelos administradores e os mineradores são certificados pela instituição.

E onde entra o Blockchain na Geotecnologia?

Existem várias áreas onde a tecnologia Blockchain pode ser usada, mas destacam-se duas: transações territoriais e repositórios de dados.

Hoje, no caso de negócios envolvendo imóveis, em regra não há confiança estabelecida entre duas partes que estão envolvidas e existe necessidade de transparência em relação aos dados. Por isso, existe uma parte que é o registro de imóveis para fazer a intermediação.

Porém, com Blockchain essa parte poderia simplesmente ser eliminada. E isso já está sendo testado em vários países, como Ucrânia, Estônia, Honduras, Georgia, Gana e Suécia (esta última está implementando um projeto piloto).

No Brasil, convivemos com erros e inconsistências em registros de terras, e ainda que as tecnologias geoespaciais tenham tido um grande impacto na digitalização de mapas e implementação de geoprocessamento, as transações de dados relativos a imóveis tende a perder sincronismo, pois constam em várias bases.

Uma implementação que integra Geotecnologia e Blockchain é o FOAM, um protocolo aberto para o mercado de dados geoespaciais na blockchain Ethereum. O FOAM associa “coordenadas” espaciais criptografadas a contratos e estes a endereços físicos. Como se sua carteira tivesse um “layer espacial” e seu dinheiro fosse creditado ou debitado em função de sua localização.

Um exemplo poderia ser o uso de transporte público, no qual um ônibus identificaria a posição geográfica dos pontos de entrada e saída do usuário no veículo e cobraria somente a distância que ele percorreu. Outro exemplo seria estocar dados geoespaciais em função de sua localização e cobrar pelo seu uso somente quando a pessoa estiver naquele local.

Para ajudar, fizemos um infográfico explicando como seria uma transação entre duas pessoas, que não se conhecem, mas que intercambiariam dados e valores sem necessidade de um intermediário:

infografico blockchain 409x1024 Blockchain e Geotecnologia: vem aí (mais) uma revolução

Então, quando usar Blockchain?

Uma organização que precise trabalhar sem intermediários, onde os membros não necessariamente se conheçam suficientemente para terem confiança entre eles, numa rede que requeira abertura e transparência sobre as transações, seria uma séria candidata à implementação de Blockchain.

A tecnologia Blockchain já é realidade e veio para ficar. É uma rede imensa, distribuída globalmente, acessível por qualquer aparelho e onde qualquer coisa de valor – informação, dinheiro e até mesmo votos – pode ser movida, guardada e gerenciada de forma segura e transparente. Pois é, vem aí (mais) uma revolução…

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Tecnologia vai fazer a diferença para que a nova geração fique no campo?

Por Eduardo Freitas | 20h47, 29 de Agosto de 2017

A capital paranaense foi palco de um fórum que reuniu a comunidade sulamericana do Agronegócio, na semana passada, e o assunto principal foi o processo sucessório nas empresas familiares. Resumindo o evento em uma questão: já que a sucessão é um desafio, será que a tecnologia vai fazer a diferença para que a nova geração queira ficar no campo?

5 Forum Agro da America do Sul 300x199 Tecnologia vai fazer a diferença para que a nova geração fique no campo?

5º Fórum de Agricultura da América do Sul (foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo)

Fui convidado pela organização do evento para participar no 5º Fórum de Agricultura da América do Sul nos dias 24 e 25 de agosto em Curitiba (PR), no Museu Oscar Niemeyer, a poucas quadras aqui do escritório da MundoGEO. E para mim foi uma surpresa saber que a sucessão no campo é uma preocupação tão grande para o setor de agronegócio em todo o globo. Falou-se em garantia da segurança alimentar, manutenção da paz e até mesmo futuro da humanidade.

Apesar do tema central do evento ser “Sucessão, Gestão e Tecnologia – O Campo do Futuro e em Transformação”, o primeiro assunto acabou tendo muito mais ênfase. E o evento começou com a participação – através de vídeo conferência – de Roberto Azevedo, brasileiro que está fazendo bonito como Diretor Geral da OMC – a importante e imponente Organização Mundial de Comércio – que demonstrou preocupação com blocos se desfazendo e desaceleração da economia, mas também otimismo com as novas tecnologias no campo.

Segundo dados apresentados por um palestrante que representou o IPEA, 90% das fazendas são empresas familiares e, ainda que outras pessoas sejam envolvidas na administração, quase sempre as decisões estratégicas são tomadas pela família. Outro número preocupante apresentado por um palestrante foi que 80% dos jovens não querem ficar no campo. Por isso, os jovens precisam ser vistos, não como futuro do setor, mas como presentes na produção e inovação, sendo este um fator chave para a sustentabilidade da agricultura e alimentação.

Vários palestrantes citaram a forte dependência do Brasil do Agronegócio, que representa cerca de 50% de nossas exportações, e mais especificamente no estado do Paraná que pode chegar a 75%. Porém, a infraestrutura ainda é o maior gargalo para o escoamento da produção. E, apesar de o Brasil produzir 7,6 vezes mais do que consome, ainda há muito espaço para melhorar a produtividade, principalmente através da tecnologia.

Dois palestrantes mostraram o mesmo gráfico – preocupante – no qual havia o alerta de que, mantendo-se os níveis atuais de crescimento na produção e na população, o mundo não conseguiria alimentar todos os seus habitantes em 2050 (estima-se que serão 11 bilhões). Algumas soluções seriam diminuir o gap tecnológico em relação aos países campeões de produtividade e quebrar paradigmas (nanotecnologia, big data, startups), já que a área agriculturável tende a não aumentar muito.

Também se falou de oportunidades para atuar em parceria com outros países, como por exemplo a Índia. Aliando três fatores, os indianos são hoje o melhor mercado para proteína vegetal: população em crescimento, consumo em alta e escassez de água. E, já se encaminhando para o fechamento do evento, foi enfatizada a importância do urbano, já que todos estão, de uma forma ou outra, envolvidos com agronegócio: cooperativas, bancos, marketeiros, imprensa, etc..

Ao final do Fórum, ficou a conclusão de que a sucessão é um desafio a ser enfrentado, mas que a tecnologia deverá fazer toda a diferença para que as novas gerações queiram continuar no campo. A sucessão não deve ser tratada como um evento isolado, mas como um processo, para que seja menos traumática, e a tecnologia será a chave.

Censo Agro

Foi emblemática a participação do Diretor Executivo do IBGE sobre o Censo Agropecuário 2017 que será realizado a partir de outubro, com 18 mil recenseadores munidos de computadores de mão, que deverão visitar mais de 5 milhões de propriedades.

Segundo ele, devido às restrições orçamentárias do governo, não sobraram recursos para fazer campanha para que os proprietários rurais recebam os recenseadores, então foi feito um apelo aos veículos de mídia, cooperativas e demais instituições do agro pelo apoio na divulgação.

Os dados do censo vão gerar informações e conhecimentos valiosos para subsidiar a tomada de decisão, redefinindo todo o setor do agronegócio para os próximos anos.

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Mercado de GIS vai dobrar de tamanho e chegar a US$ 10 bi em 2023. E daí?

Por Eduardo Freitas | 18h31, 14 de Agosto de 2017

Segundo um estudo recente, o tamanho do mercado de GIS vai dobrar até 2023 e ultrapassar 10 bilhões de dólares de faturamento. Por outro lado, no Brasil, o setor de Geo está em crise. Como podemos ‘surfar’ esta onda?

De acordo com o mais recente relatório de pesquisa publicado pela MarketsandMarkets, o mercado de Sistemas de Informação Geográfica (GIS, na sigla em inglês) foi avaliado em 5,33 bilhões de dólares em 2016 e deve alcançar 10,12 bilhões em 2023, apresentando um crescimento anual de aproximadamente 9,6% entre 2017 e 2023.

tamanho do mercado de gis 300x162 Mercado de GIS vai dobrar de tamanho e chegar a US$ 10 bi em 2023. E daí?O título do estudo de mercado é “Geographic Information System (GIS) Market by Component (Hardware (GIS Collector, Total Station, LIDAR, GNSS Antenna) & Software), Function (Mapping, Surveying, Telematics and Navigation, Location-Based Service), End User – Global Forecast to 2023″ e um resumo pode ser acessado aqui. Caso tenha interesse no relatório completo, aí você terá que desembolsar uma boa quantidade de dólares…

Alguns dos fatores que deverão impulsionar esse crescimento são o desenvolvimento de smart cities, a integração da tecnologia geoespacial com outros sistemas para business intelligente e a adoção de soluções GIS para transportes. De acordo com o estudo, os principais players são, em ordem alfabética, Autodesk  (EUA), Bentley System (EUA), Esri (EUA), General Electric (EUA), Hexagon (Suécia), Pitney Bowes (EUA), Topcon (Japão) e Trimble (EUA).

Veja que nesse estudo foi incluído praticamente tudo que é relativo a Geoinformação sob o ‘guarda-chuva’ do GIS, desde GNSS e Laser Scanning até LBS e interfaces com o usuário.

Isso mostra como ainda é difícil ‘nominar’ o que abrange a Ciência da Informação Geográfica. Em 2013 a Oxera fez um estudo para a Google sobre o tamanho do mercado e chamou de ‘Geoservices’, o que também é um termo inadequado para denominar nosso setor. Dentro de ‘Geoserviços’ foram incluídos desde as imagens de satélites até os navegadores GPS em automóveis…

Segundo aquele estudo, a receita anual do mercado de Geo estaria entre 150 e 270 bilhões de dólares, muito maior do que a indústria de games – que já é gigantesca – e praticamente um terço da indústria aeroespacial:

Oxera Geo Services 519x1024 Mercado de GIS vai dobrar de tamanho e chegar a US$ 10 bi em 2023. E daí?

Mas veja como os números não batem. Num estudo de 2013, a receita chegaria a centenas de bilhões por ano, enquanto este estudo mais atual, de 2016, avalia o mercado de GIS em ‘apenas’ 5 bilhões.

Voltando ao estudo mais atual, o escopo do relatório prevê a categorização do mercado de GIS segundo componentes, função, usuário final e geografia:

Mercado de GIS por Componentes

• Hardware
- Coletores GIS
- Estações Totais
- Lidar
- Antenas GNSS/GPS
- Sensores de Imageamento

• Software

Mercado de GIS por Função

• Mapeamento
• Telemática e Navegação
• Location-Based Services

Mercado GIS por Usuário Final

• Agricultura
• Construção
• Transportes
• Utilities
• Mineração
• Óleo & Gás

Mercado GIS por Geografia

• América do Norte
• Europa
• Ásia Pacífico (APAC)
• Resto do Mundo (RoW, na sigla em inglês)

geographic information system market1 Mercado de GIS vai dobrar de tamanho e chegar a US$ 10 bi em 2023. E daí?

Previsão para o Tamanho do Mercado de GIS, por região, em 2023

Pois é, estamos incluídos em ‘Resto do Mundo’ e os números nos são pouco favoráveis…

E no Brasil?

Por estas bandas, o estudo de mercado mais ‘recente’ é de 2008, feito pela empresa Intare Consultoria em Gestão da Informação. Ou seja, lá se vão quase 10 anos…

Com um crescimento de 9% entre 2006 e 2007, e de 20% estimado para aquele ano, o dimensionamento do mercado potencial de geotecnologia no Brasil para 2008 era de 619 milhões de reais, considerado o conjunto dos componentes Dados, Softwares e Serviços.

O gráfico a seguir apresenta o dimensionamento do mercado brasileiro para o período 2006-2008, em milhões de reais.

dimensionamento do mercado brasileiro de gis Mercado de GIS vai dobrar de tamanho e chegar a US$ 10 bi em 2023. E daí?

E a figura abaixo ilustra o panorama do mercado, por tipo de solução, conforme os tipos definidos anteriormente.

panorama do mercado de gis por tipo de solução Mercado de GIS vai dobrar de tamanho e chegar a US$ 10 bi em 2023. E daí?

Independentemente dos números ou da região, o mercado é imenso se soubermos identificar as oportunidades onde elas estão ‘escondidas’.

Se, por um lado, profissões como a de Cartógrafo estão ‘ameaçadas de extinção’ – conforme mostra este estudo -, outras áreas estão em alta, como a Ciência de Dados e a Geoestatística – como comprova este outro estudo.

É preciso pensar ‘fora da caixa’ e estar aberto ao novo. Sair da zona de conforto e atuar com Geoinformação independentemente de títulos profissionais ou rótulos. Também não faz mais sentido criar ‘nichos’/ilhas dentro de empresas, muito menos reservas de mercado…

De que adianta esta onda se a gente não conseguir surfar nela, não é mesmo? Bora?

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O pessoal do IBGE trabalhou duro nos últimos dias… Foram pelo menos meia-dúzia de novidades de peso, desde a nova divisão territorial do Brasil até a inauguração de uma plataforma para acesso aos dados geodésicos. Vale a pena conferir…

Semana passada a gente quase pirou aqui… Depois de ficar um tempo ‘em silêncio’, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística simplesmente lançou quase dez novidades na mesma semana, uma melhor do que a outra.

Não sei como funciona o setor de comunicação do IBGE, mas poderiam pelo menos espaçar um pouco os lançamentos, pra gente poder dar o devido destaque pra cada um deles…

Eu até comentei sobre isso na live da última semana:

Mas vamos por partes.

Atlas Nacional Digital

atlas nacional digital do brasil 300x140 IBGE Nível Hard: da nova divisão territorial até a plataforma inédita de dados geodésicosA primeira novidade da semana passada foi o lançamento do Atlas Nacional Digital do Brasil 2017 com a atualização das seções “Brasil no mundo” e “Sociedade e economia”, além de um caderno temático inédito sobre ‘Cidades Sustentáveis’.

Como todo Atlas que se preze, conta com mapas, tabelas e gráficos pra permitir o cruzamento de dados estatísticos e feições geográficas, o que facilita o entendimento de vários temas.

Dá pra fazer download e consultar dados geográficos, estatísticos e metadados, navegar pelos mapas, alterar escala de visualização, ver e exportar tabelas e arquivos gráficos, personalizar o mapa superpondo temas de várias fontes, gerar imagens, salvar o ambiente de estudo pra posterior análise e abrir um ambiente personalizado de estudo. Todos os temas encontram-se como geoserviços e podem ser exportados pra outros formatos. Dá ainda pra fazer a visualização temporal de alguns temas e assim analisar as mudanças ao longo dos anos.

Acesse aqui ao Atlas Nacional Digital do Brasil 2017 e o Caderno Temático sobre Cidades Sustentáveis

Já o caderno é estruturado em torno de quatro eixos temáticos: urbanização, habitação e mobilidade urbana; ambiente urbano e segurança; planejamento, democratização e participação na sociedade; e cultura e patrimônio.

Áreas atualizadas de estados e municípios

Outra novidade foi o anúncio das áreas territoriais atualizadas de estados e municípios brasileiros. A superfície do Brasil foi atualizada para 8.515.759,09 quilômetros quadrados.

Não mudou muito em relação à área anterior, mas o que chama a atenção foi o número de municípios com alteração em seu território: 108, com destaque para Alagoas e Bahia, com 25 municípios cada.

nova divisao territorial do brasil IBGE Nível Hard: da nova divisão territorial até a plataforma inédita de dados geodésicos

Confira a seguir os municípios com alteração territorial, por estado:
Alagoas e Bahia -> 25 cada
Pernambuco e Piauí -> 9 cada
Maranhão -> 8
Mato Grosso e Paraíba -> 6 cada
Goiás -> 5
São Paulo -> 3
Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte -> 2
Rondônia -> 1

O reprocessamento das áreas está alinhado com a estrutura político-administrativa vigente em 1º de julho de 2016, incorporando as alterações de limites municipais após o Censo 2010 e praticadas nas estimativas populacionais de 2011 a 2016.

Estas mudanças nas áreas são próprias da tecnologia de mensuração – que evolui a cada dia – e da dinâmica da divisão territorial, que implica na atualização periódica dos valores das áreas estaduais e municipais.

Tais alterações podem ser de natureza legal, judicial ou decorrentes de ajustes e refinamentos cartográficos e da utilização continuada de melhores técnicas e insumos de produção.

Baixe aqui os arquivos digitais atualizados da Malha Municipal 2016

Cartas imagem do Piauí e Maranhão

cartas imagem piaui maranhao 257x300 IBGE Nível Hard: da nova divisão territorial até a plataforma inédita de dados geodésicosAlém da divisão territorial, o IBGE disponibilizou recentemente novas cartas imagem na escala 1:100.000 de parte dos estados do Piauí e Maranhão.

Importante: cartas imagem são formadas por mosaicos de imagens de satélite, cujas distorções são eliminadas com o objetivo de tornar a imagem métrica e minimizar os erros inerentes à sua aquisição

Estas cartas imagem do Piauí e Maranhão foram produzidas a partir de imagens do sensor AVNIR-2, com 10 metros de resolução espacial, adquiridas entre 2009 e 2010.

Baixe aqui em formato pdf as cartas imagem do Piauí e Maranhão

Divisão em Regiões Geográficas Imediatas e Regiões Geográficas Intermediárias

Um conceito novo também foi apresentado recentemente, com a divisão regional do Brasil em Regiões Geográficas Imediatas e Regiões Geográficas Intermediárias.

divisao regional do brasil 224x300 IBGE Nível Hard: da nova divisão territorial até a plataforma inédita de dados geodésicos

Este novo quadro regional está alinhado aos processos sociais, políticos e econômicos sucedidos em território nacional desde a última versão da Divisão Regional do Brasil, publicada na década de 1990.

Ou seja, esta atualização leva em conta quase três décadas de mudanças…

Seu objetivo é atualizar as articulações das cidades entre si, em termos de circulação de pessoas, serviços e informações, por exemplo, e com isto subsidiar o planejamento e gestão de políticas públicas em níveis federal e estadual e disponibilizar recortes pra divulgação dos dados estatísticos e geocientíficos do IBGE para os próximos 10 anos.

Acesse aqui a divisão do Brasil em Regiões Geográficas Imediatas e Regiões Geográficas Intermediárias

Versão Web do Atlas das Zonas Costeiras e Oceânicas

E tem mais…

O IBGE anunciou a versão web do Atlas Geográfico das Zonas Costeiras e Oceânicas do Brasil.

atlas zonas costeiras IBGE Nível Hard: da nova divisão territorial até a plataforma inédita de dados geodésicosEm parceria com a Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM), a nova versão é voltada para estudantes e o público em geral, e contém informações sobre os oceanos e o litoral brasileiro, as dimensões histórica, demográfica, econômica, social, cultural e natural.

A nova versão dá ao usuário acesso ao conjunto de mais de 120 mapas editorados e também às bases de dados. Também é permitido fazer download e consulta aos dados geográficos, estatísticos, além de analisar os mapas, podendo fazer navegação, alteração da escala de visualização, visualização e exportação de tabelas e arquivos gráficos, personalização do mapa, gerar imagens e salvar o ambiente de estudo.

Baixe aqui em pdf o Atlas das Zonas Costeiras e Oceânicas

Nova plataforma do Banco de Dados Geodésicos

Mas a principal novidade foi o anúncio da nova plataforma do Banco de Dados Geodésicos no portal do IBGE, lançada pra aprimorar o acesso às informações do Banco de Dados Geodésicos (BDG).

O novo aplicativo especializa o conjunto de estações pesquisado, através do portal do IBGE, onde estão disponíveis um conjunto de mais de 122 mil estações geodésicas do Sistema Geodésico Brasileiro (SGB) que foram implantadas desde 1939.

As estações geodésicas são identificadas, geralmente, através de monumentos de concreto que recebem uma chapa de metal no seu topo, identificando o IBGE e o tipo de estação – altimétrica (Referências de Nível – RRNN) ou planialtimétricas (SAT – posicionamento por satélites). As coordenadas destas estações são determinadas por procedimentos operacionais e de cálculo, segundo modelos geodésicos de altíssima precisão.

Segundo informações do IBGE, além das funções que já estavam na versão anterior – como pesquisa por estações, download dos dados de rastreio, etc) – esta nova versão do banco de dados geodésicos possibilita a espacialização do conjunto de estações pesquisadas e a exportação dos dados para diversos formatos (csv, shp, kmz), facilitando o uso das informações em aplicações geoespaciais, como por exemplo Google Earth e QGIS.

Além das consultas por estação, município e enquadramento, foram disponibilizadas opções para pesquisar por buffer a partir de uma estação e por conexão geodésica, permitindo que o usuário encontre estações que possuam mais de um tipo levantamento. Outro recurso disponível é a integração com as Redes Geodésicas já disponibilizadas como camadas na Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais (INDE).

Esta nova aplicação foi desenvolvida utilizando ferramentas de código livre já utilizadas na instituição e de grande aceitação pelos profissionais e empresas da área geo.

Acesse aqui a nova plataforma do Banco de Dados Geodésicos

tela do novo portal de dados geoodesicos do ibge 1024x498 IBGE Nível Hard: da nova divisão territorial até a plataforma inédita de dados geodésicos

Com informações do IBGE

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Japoneses agora terão um GPS para chamar de seu #sqn

Por Eduardo Freitas | 16h16, 26 de Junho de 2017

Quer dizer que agora o Japão terá um GPS só pra ele?!? Leia e entenda que não é bem assim…

Causou espanto a superficialidade como a Rede Globo de Televisão tratou a Geodésia na última quarta-feira, 21 de junho, quando veiculou uma matéria sobre o “GPS Japonês”.

Assista aqui na íntegra a matéria Japão cria GPS que tem previsão de centímetros

Foi interessante ver a Geodésia em destaque no JN, mas esta matéria tem vários equívocos, como comentei na live do último domingo (25/6):

O erro principal foi falar que o GPS só funciona porque os satélites ficam fixos sobre um ponto na Terra. Na verdade, eles se confundiram com satélites Geoestacionários.

Mas olha só a agilidade da internet. Apenas 20 minutos depois de eu postar no Facebook uma crítica sobre este assunto – que recebeu vários comentários e colaborações -, uma pessoa da Globo entrou em contato e pediu para enviarmos por email uma sugestão de errata, a qual reproduzo a seguir:

“Primeiro, agradeço por abrir este canal de comunicação. Seguem a seguir meus comentários:

Antes de mais nada, é importante deixar claros alguns conceitos. Hoje, existe o sistema norte-americano GPS e seus similares: o russo Glonass, o europeu Galileo e o chinês Beidou.

Outros sistemas que melhoram a qualidade do posicionamento – usando os sinais do GPS – são chamados SBAS (Satellite Based Augmentation Systems), ou sistemas de ‘aumentação’, como o WAAS na América do Norte, o Egnos na Europa, o QZSS no Japão, o Gagan na Índia.

Na matéria tem algumas confusões de conceitos, mas entendo que é pra deixar o conteúdo ‘entendível’ pelo público leigo.

Porém tem um erro bem grave no trecho a partir de 1min15s: ‘O GPS hoje é possível com informações enviadas por satélites Geoestacionários, que ficam parados orbitando sobre pontos fixos na Terra’.

Na verdade, houve uma confusão com os satélites dos sistemas de ‘aumentação’, que geram sinais para melhorar o posicionamento, em conjunto com o sistema GPS
.
Sugestão de errata: ‘Diferentemente do que foi informado, o funcionamento do sistema GPS é possível com informações de dezenas de satélites que estão em movimento ao redor da Terra, que têm seus sinais melhorados através de satélites fixos sobre um ponto da Terra, estes sim Geoestacionários’.

Tem também um erro em 1min47s, quando se fala em ‘margem de erro praticamente zerada’, pois para aplicações de engenharia, 10 centímetros é um erro imenso (por exemplo, no encaixe de uma máquina em uma estrutura).

Também, falar que em 2018 o japonês terá ‘um GPS para chamar de seu’ é um erro, pois eles já têm acesso aos sinais do GPS norte-americano, e o novo sistema QZSS vai melhorar a precisão mas não os tornará independentes do GPS. Porém, acho desnecessário erratas nestes caso, pois não é erro de informação, mas de julgamento.

Enfim, espero ter ajudado”.

Que confusão, não é mesmo? Mas é bom saber que a errata já chegou aos editores e estamos aguardando a resposta da Globo.

Por dentro do QZSS e dos Sistemas de Aumentação do GPS

Indo um pouco além, é importante entender um pouco melhor como funciona o tal “GPS Japonês”.

No último dia 31 de maio um foguete H-IIA colocou em órbita o segundo satélite do sistema japonês QZSS (sigla em inglês para Quasi-Zenith Satellite System):

Chamado de Michibiki-2, o veículo fará parte de uma constelação de quatro satélites , sendo um geoestacionário e três com órbita geosíncrona inclinada.

Os satélite serão operados pela empresa privada Quasi-Zenith Satellite System Services Incorporated, em parceria com a Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial JAXA (sigla em inglês para Japan Aerospace Exploration Agency).

O objetivo do QZSS é fornecer sinais adicionais de navegação, compatíveis com o sistema GPS.

main qimg 4107ce8bffb45cce0a3bf10cde7baa29 c 179x300 Japoneses agora terão um GPS para chamar de seu #sqnTrês dos satélites do sistema vão operar em órbita inclinada 44 graus em relação ao Equador, o que gera uma órbita em forma do número 8 com centro em um ponto no Equador, na longitude de 135 graus Leste.

Com estes três satélites igualmente espaçados na órbita, pelo menos um veículo sempre estará dentro de um intervalo de no máximo 30 graus sobre um usuário (daí vem o nome “Quase Zenital” do sistema).

Enquanto isso, um quarto satélite ficará em uma órbita geoestacionária. Ou seja, este sim ficará estacionado sobre o Japão.

Cânions Urbanos

Um receptor de sinais de um sistema de navegação – como o seu smartphone, por exemplo – recebe sinais de múltiplos satélites, de diferentes sistemas, para triangular sua localização. Em cidades, existem os “cânions urbanos”, que não permitem a propagação dos sinais de forma correta, resultando em um efeito indesejado chamado de “multicaminhamento”. Ou seja, o receptor acaba identificando um mesmo sinal duas ou mais vezes, devido à reflexão destes sinais em edificações, por exemplo, gerando menor precisão.

Através de um sistema como o QZSS, sinais adicionais de navegação geram melhor posicionamento – ou maior acurácia, se preferir. Tendo sempre um satélite próximo ao zênite, pode-se garantir que os sinais não serão bloqueados ou refletidos – ou, pelo menos, minimizar estes efeitos.

O QZSS transmitirá sinais de navegação L1C/A, L1C, L2C e L5, compatíveis com o sistema GPS. A previsão é que o sistema esteja totalmente operacional já em 2018, e para 2024 os japoneses já anunciaram que vão aumentar o número de satélites para sete.

Na imagem a seguir você pode ver todos os sistemas de “aumentação”, alguns operacionais e outros em desenvolvimento:

SBAS 1024x528 Japoneses agora terão um GPS para chamar de seu #sqn

Com informações da JAXA, AFP, Globo, ESA, GSA

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CAR: App do Bem, Embrapa e Brasil com Mezanino

Por Eduardo Freitas | 19h45, 19 de Junho de 2017

Vários assuntos hoje para tratar sobre o Cadastro Ambiental Rural. Mas, como dizia Jack, o estripador, vamos por partes…

Aplicativo do Bem

plantadores de rios 300x291 CAR: App do Bem, Embrapa e Brasil com MezaninoPara não dizerem que eu só ‘detono’ o CAR, olha só uma aplicação prática e super do bem:

O app Plantadores de Rios – por enquanto disponível só para Android – conecta usuários e produtores rurais com objetivo de restaurar nascentes e áreas de mata ciliar cadastradas no Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (SiCAR) que precisam de recuperação.

Eu baixei aqui e fiz alguns testes…

Um ponto ruim do app é o cadastro muito burocrático – pede até CPF. Outro é a falta de legenda sobre o que quer dizer verde/vermelho para as nascentes.

Já um ponto positivo é o uso de ‘gamification’, no qual o usuário ganha pontos à medida em que usa o aplicativo. Outro é o fato do usuário ‘adotar’ uma nascente por proximidade – para mim, a mais perto estava a 7,4 quilômetros de distância. Mais um ponto positivo é o chat entre colaborador e produtor rural.

Mas fica uma pergunta: quem fiscaliza se a doação será usada?

Embrapa e o CAR

Mais um ponto pro CAR:

Recentemente recebemos um boletim da Embrapa sobre a dimensão da área preservada pela agricultura, que foi revelada através das análises dos dados do CAR.

Ao todo, mais de 4 milhões de imóveis – e seus polígonos – foram analisados usando geoprocessamento e procedimentos estatístico-matemáticos pela equipe do Grupo de Inteligência Territorial Estratégica da Embrapa, que desenvolveu, testou e validou os dados.

Todos os métodos empregados e resultados numéricos e cartográficos obtidos para cada microrregião, estado, região e País estão disponíveis na página Agricultura e Preservação Ambiental. Segundo o estudo, os produtores preservam, em seus imóveis, mais de 174 milhões de hectares de vegetação nativa – ou 20,5% da área do Brasil -, enquanto todas as unidades de conservação, juntas, protegem 13%.

Brasil com Mezanino

Ainda não temos um País com dois andares, mas segundo os números atualizados do CAR em abril passado, algumas regiões já passaram – e muito – a área cadastrável:

numeros do CAR atualizados em abril de 2017 CAR: App do Bem, Embrapa e Brasil com Mezanino

A região Norte, por exemplo, já passou de 37,5% da área, enquanto a Sudeste já tem quase 8% a mais de área, sendo que ainda tem muito imóvel para entrar no cadastro.

Como já temos comentado há tempos, apesar da imensa utilidade do CAR para uma análise qualitativa, se levarmos em conta a questão quantitativa da questão ambiental no Brasil, ele possui erros também imensos, devido a diversas causas, como por exemplo  a falta de rigor na geometria dos imóveis.

Enfim, estamos migrando para uma situação de um País ‘com mezanino’, no qual a área incluída no CAR vai girar em torno de uns 20 a 25% do território brasileiro.

Vamos aguardar os próximos capítulos da ‘novela CAR’ para saber como estes dados serão integrados a outros sistemas, como por exemplo o SINTER – o Sistema Nacional de Gestão de Informações Territoriais, gerido pela Receita.

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Sensores curvos e fim do RGB: a revolução das câmeras digitais

Por Eduardo Freitas | 15h57, 13 de Junho de 2017

A revolução das câmeras digitais: sensores curvos para dentro, fim dos sub-pixels RGB e mais

tv de tubo com tela curva 300x238 Sensores curvos e fim do RGB: a revolução das câmeras digitaisNão sei se você é do tempo em que as televisões eram de tubo e curvadas para fora… Ou do tempo em que a TV tinha que ‘esquentar’ para aparecer algo.

Pois é, agora entreguei a idade…

Se antes as telas das TVs eram voltadas para fora do aparelho e nos últimos anos tivemos a popularização das telas planas, o próximo passo naturalmente seria a curvatura para dentro.

Foi o que aconteceu… A curvatura presente nas telas mais modernas permite menor distorção das imagens, principalmente nas bordas, gerando qualidade muito superior em relação às telas planas.

E sabe qual é a próxima evolução das telas? A curvatura dos sensores das câmeras digitais (também conhecidos como CCDs)!

sensor curvado de ccd 300x192 Sensores curvos e fim do RGB: a revolução das câmeras digitaisEm breve veremos uma infinidade de sensores ‘nativamente’ curvos no mercado, mas pesquisadores do Laboratórios HRL e Microsoft Research conseguiram ‘entortar’ um sensor plano de uma câmera digital, sem estragar o material e melhorando a qualidade da captação de imagens.

Parênteses rápido: HRL é a sigla para Hughes Research Laboratories, um centro de pesquisas ligado às empresas General Motors e Boeing, criado na década de 60 e baseado em Malibu. Já o Microsoft Research é a divisão de pesquisa da criadora do Windows.

Onde se quer chegar com isso? A uma nova geração de câmeras, com sensores menores e maior qualidade de imagem. E as aplicações são inúmeras, desde veículos autônomos até vigilância. Com sensores curvos será possível corrigir aberrações, facilitar a criação de lentes do tipo grande angular, criar câmeras que exibam iluminação uniforme em toda a imagem, entre outras melhorias.

Bacana, não é mesmo? Mas vem mais por aí: o fim dos ‘sub-pixels’ RGB!

formação de image rgb Sensores curvos e fim do RGB: a revolução das câmeras digitais

Uma nova técnica permitirá ajustar a cor dos pixels, eliminando a necessidade dos sub-pixels vermelho, verde e azul (que compõem a sigla RGB – red, green, blue) de praticamente todas as telas existentes hoje no mercado. Mas vamos por partes: primeiro vamos entender – resumidamente – como funcionam as telas de LCD, Led e Plasma…

Uma tela de TV – não importa se ela é de Plasma, LED ou LCD – é composta por pixels, que são pequenos quadrados de imagem que, somados, compõem um quadro inteiro, formando então a imagem. Por exemplo, numa tela de TV com resolução Full HD que tenha 1920 x 1080 pixels, o primeiro número corresponde ao número de linhas em que a tela é dividida e o segundo ao número de colunas. Neste exemplo da tela com resolução Full HD, são exatos 2.073.600 pixels para formar uma imagem.

Agora, o que diferencia a qualidade de imagem entre telas de Plasma, LCD e LED é a maneira como os dados de cor são exibidos. E é aqui que entra o RGB.

No caso da tela de plasma, eletrodos em conjunto com um líquido preso entre duas camadas de vidro são os responsáveis pela formação da imagem. Cada um dos pixels da tela é subdividido em três partes, cada um representando uma cor – vermelho, verde, azul -, compostas pelos elementos químicos fósforo, xenônio e neônio, que quando bombardeados por raios ultravioleta emitem luz em uma determinada cor.

Já no caso das telas de LCD, o processo é semelhante, só que sem o líquido (plasma) e na presença de cristal líquido. Da mesma forma, cada pixel é subdividido em três cores para formar as imagens. Curiosidade: as moléculas do cristal presente nas telas de TV têm um estado que pode ser considerado sólido e líquido ao mesmo tempo. Retomando: neste caso, a formação da imagem se dá através de impulsos elétricos aplicados sobre cada um dos pixels, cuja luz é polarizada para formar as cores. Enquanto no plasma o processo é químico, aqui é óptico.

Por sua vez, as telas de LED não diferem muito do LCD. O que acontece é um reforço que faz com que as cores sejam exibidas de forma mais intensa. Nestas telas, por trás de cada pixel existem três LEDs nas cores que formam o RGB. Em alguns aparelhos, existe um quarto ponto de luz, com um segundo sub-pixel vermelho que reforça ainda mais a intensidade desta cor.

formacao de uma imagem rgb Sensores curvos e fim do RGB: a revolução das câmeras digitais

Veja mais na Bíblia da Televisão.

Voltando aos nossos ‘super-pixels camaleônicos’, pesquisadores da Universidade Central da Flórida anunciaram recentemente que um pixel poderá variar entre as cores vermelho, azul e verde – e todas as tonalidades entre elas – sem precisar ser feita a composição de três sub-pixels.

Isso aumentaria muito a densidade de pixels em uma tela. Na prática, para começar este número já triplicaria. Ainda, como não seria preciso ‘desligar’ pixels para exibir uma cor sólida (vermelho ‘puro’, por exemplo), o brilho das telas poderá ser ainda maior.

Esta nova técnica é baseada em uma nanoestrutura, cuja rugosidade da superfície varia para gerar as diferentes cores. Segundo os pesquisadores, esta nova tecnologia poderia ser adaptada à tecnologia atual de TVs de LCD e plasma, sem precisar ‘jogar no lixo’ décadas de avanços nesta área.

Fazendo agora um paralelo com as câmeras digitais, assim como seria possível emitir diferentes cores usando somente um pixel, possivelmente será viável – em um futuro não tão distante assim – criar sensores que não precisem de bandas para a composição das imagens. Seria uma nova revolução dos sensores, principalmente na área de mapeamento.

Não perca os próximos capítulos desta aventura que é atuar no setor de Geoinformação…

Com informações do Inovação Tecnológica, Tecmundo, LG, Mundo Estranho

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  • Eduardo Freitas
    @eduardo
    Diretor de Operações do MundoGEO. Engenheiro Cartógrafo, Técnico em Edificações, Especialização em Gestão Estratégica de EAD. Tradutor dos informativos GeoSur e OGC Iberoamérica. Nas horas vagas: pão caseiro, comida japonesa e meia-maratona

    Diretor de Operações do MundoGEO. Engenheiro Cartógrafo, Técnico em Edificações, Especialização em Gestão Estratégica de EAD. Tradutor dos informativos GeoSur e OGC Iberoamérica. Nas horas vagas: pão caseiro, comida japonesa e meia-maratona

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