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CAR: App do Bem, Embrapa e Brasil com Mezanino

Por Eduardo Freitas | 19h45, 19 de Junho de 2017

Vários assuntos hoje para tratar sobre o Cadastro Ambiental Rural. Mas, como dizia Jack, o estripador, vamos por partes…

Aplicativo do Bem

plantadores de rios 300x291 CAR: App do Bem, Embrapa e Brasil com MezaninoPara não dizerem que eu só ‘detono’ o CAR, olha só uma aplicação prática e super do bem:

O app Plantadores de Rios – por enquanto disponível só para Android – conecta usuários e produtores rurais com objetivo de restaurar nascentes e áreas de mata ciliar cadastradas no Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (SiCAR) que precisam de recuperação.

Eu baixei aqui e fiz alguns testes…

Um ponto ruim do app é o cadastro muito burocrático – pede até CPF. Outro é a falta de legenda sobre o que quer dizer verde/vermelho para as nascentes.

Já um ponto positivo é o uso de ‘gamification’, no qual o usuário ganha pontos à medida em que usa o aplicativo. Outro é o fato do usuário ‘adotar’ uma nascente por proximidade – para mim, a mais perto estava a 7,4 quilômetros de distância. Mais um ponto positivo é o chat entre colaborador e produtor rural.

Mas fica uma pergunta: quem fiscaliza se a doação será usada?

Embrapa e o CAR

Mais um ponto pro CAR:

Recentemente recebemos um boletim da Embrapa sobre a dimensão da área preservada pela agricultura, que foi revelada através das análises dos dados do CAR.

Ao todo, mais de 4 milhões de imóveis – e seus polígonos – foram analisados usando geoprocessamento e procedimentos estatístico-matemáticos pela equipe do Grupo de Inteligência Territorial Estratégica da Embrapa, que desenvolveu, testou e validou os dados.

Todos os métodos empregados e resultados numéricos e cartográficos obtidos para cada microrregião, estado, região e País estão disponíveis na página Agricultura e Preservação Ambiental. Segundo o estudo, os produtores preservam, em seus imóveis, mais de 174 milhões de hectares de vegetação nativa – ou 20,5% da área do Brasil -, enquanto todas as unidades de conservação, juntas, protegem 13%.

Brasil com Mezanino

Ainda não temos um País com dois andares, mas segundo os números atualizados do CAR em abril passado, algumas regiões já passaram – e muito – a área cadastrável:

numeros do CAR atualizados em abril de 2017 CAR: App do Bem, Embrapa e Brasil com Mezanino

A região Norte, por exemplo, já passou de 37,5% da área, enquanto a Sudeste já tem quase 8% a mais de área, sendo que ainda tem muito imóvel para entrar no cadastro.

Como já temos comentado há tempos, apesar da imensa utilidade do CAR para uma análise qualitativa, se levarmos em conta a questão quantitativa da questão ambiental no Brasil, ele possui erros também imensos, devido a diversas causas, como por exemplo  a falta de rigor na geometria dos imóveis.

Enfim, estamos migrando para uma situação de um País ‘com mezanino’, no qual a área incluída no CAR vai girar em torno de uns 20 a 25% do território brasileiro.

Vamos aguardar os próximos capítulos da ‘novela CAR’ para saber como estes dados serão integrados a outros sistemas, como por exemplo o SINTER – o Sistema Nacional de Gestão de Informações Territoriais, gerido pela Receita.

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Sensores curvos e fim do RGB: a revolução das câmeras digitais

Por Eduardo Freitas | 15h57, 13 de Junho de 2017

A revolução das câmeras digitais: sensores curvos para dentro, fim dos sub-pixels RGB e mais

tv de tubo com tela curva 300x238 Sensores curvos e fim do RGB: a revolução das câmeras digitaisNão sei se você é do tempo em que as televisões eram de tubo e curvadas para fora… Ou do tempo em que a TV tinha que ‘esquentar’ para aparecer algo.

Pois é, agora entreguei a idade…

Se antes as telas das TVs eram voltadas para fora do aparelho e nos últimos anos tivemos a popularização das telas planas, o próximo passo naturalmente seria a curvatura para dentro.

Foi o que aconteceu… A curvatura presente nas telas mais modernas permite menor distorção das imagens, principalmente nas bordas, gerando qualidade muito superior em relação às telas planas.

E sabe qual é a próxima evolução das telas? A curvatura dos sensores das câmeras digitais (também conhecidos como CCDs)!

sensor curvado de ccd 300x192 Sensores curvos e fim do RGB: a revolução das câmeras digitaisEm breve veremos uma infinidade de sensores ‘nativamente’ curvos no mercado, mas pesquisadores do Laboratórios HRL e Microsoft Research conseguiram ‘entortar’ um sensor plano de uma câmera digital, sem estragar o material e melhorando a qualidade da captação de imagens.

Parênteses rápido: HRL é a sigla para Hughes Research Laboratories, um centro de pesquisas ligado às empresas General Motors e Boeing, criado na década de 60 e baseado em Malibu. Já o Microsoft Research é a divisão de pesquisa da criadora do Windows.

Onde se quer chegar com isso? A uma nova geração de câmeras, com sensores menores e maior qualidade de imagem. E as aplicações são inúmeras, desde veículos autônomos até vigilância. Com sensores curvos será possível corrigir aberrações, facilitar a criação de lentes do tipo grande angular, criar câmeras que exibam iluminação uniforme em toda a imagem, entre outras melhorias.

Bacana, não é mesmo? Mas vem mais por aí: o fim dos ‘sub-pixels’ RGB!

formação de image rgb Sensores curvos e fim do RGB: a revolução das câmeras digitais

Uma nova técnica permitirá ajustar a cor dos pixels, eliminando a necessidade dos sub-pixels vermelho, verde e azul (que compõem a sigla RGB – red, green, blue) de praticamente todas as telas existentes hoje no mercado. Mas vamos por partes: primeiro vamos entender – resumidamente – como funcionam as telas de LCD, Led e Plasma…

Uma tela de TV – não importa se ela é de Plasma, LED ou LCD – é composta por pixels, que são pequenos quadrados de imagem que, somados, compõem um quadro inteiro, formando então a imagem. Por exemplo, numa tela de TV com resolução Full HD que tenha 1920 x 1080 pixels, o primeiro número corresponde ao número de linhas em que a tela é dividida e o segundo ao número de colunas. Neste exemplo da tela com resolução Full HD, são exatos 2.073.600 pixels para formar uma imagem.

Agora, o que diferencia a qualidade de imagem entre telas de Plasma, LCD e LED é a maneira como os dados de cor são exibidos. E é aqui que entra o RGB.

No caso da tela de plasma, eletrodos em conjunto com um líquido preso entre duas camadas de vidro são os responsáveis pela formação da imagem. Cada um dos pixels da tela é subdividido em três partes, cada um representando uma cor – vermelho, verde, azul -, compostas pelos elementos químicos fósforo, xenônio e neônio, que quando bombardeados por raios ultravioleta emitem luz em uma determinada cor.

Já no caso das telas de LCD, o processo é semelhante, só que sem o líquido (plasma) e na presença de cristal líquido. Da mesma forma, cada pixel é subdividido em três cores para formar as imagens. Curiosidade: as moléculas do cristal presente nas telas de TV têm um estado que pode ser considerado sólido e líquido ao mesmo tempo. Retomando: neste caso, a formação da imagem se dá através de impulsos elétricos aplicados sobre cada um dos pixels, cuja luz é polarizada para formar as cores. Enquanto no plasma o processo é químico, aqui é óptico.

Por sua vez, as telas de LED não diferem muito do LCD. O que acontece é um reforço que faz com que as cores sejam exibidas de forma mais intensa. Nestas telas, por trás de cada pixel existem três LEDs nas cores que formam o RGB. Em alguns aparelhos, existe um quarto ponto de luz, com um segundo sub-pixel vermelho que reforça ainda mais a intensidade desta cor.

formacao de uma imagem rgb Sensores curvos e fim do RGB: a revolução das câmeras digitais

Veja mais na Bíblia da Televisão.

Voltando aos nossos ‘super-pixels camaleônicos’, pesquisadores da Universidade Central da Flórida anunciaram recentemente que um pixel poderá variar entre as cores vermelho, azul e verde – e todas as tonalidades entre elas – sem precisar ser feita a composição de três sub-pixels.

Isso aumentaria muito a densidade de pixels em uma tela. Na prática, para começar este número já triplicaria. Ainda, como não seria preciso ‘desligar’ pixels para exibir uma cor sólida (vermelho ‘puro’, por exemplo), o brilho das telas poderá ser ainda maior.

Esta nova técnica é baseada em uma nanoestrutura, cuja rugosidade da superfície varia para gerar as diferentes cores. Segundo os pesquisadores, esta nova tecnologia poderia ser adaptada à tecnologia atual de TVs de LCD e plasma, sem precisar ‘jogar no lixo’ décadas de avanços nesta área.

Fazendo agora um paralelo com as câmeras digitais, assim como seria possível emitir diferentes cores usando somente um pixel, possivelmente será viável – em um futuro não tão distante assim – criar sensores que não precisem de bandas para a composição das imagens. Seria uma nova revolução dos sensores, principalmente na área de mapeamento.

Não perca os próximos capítulos desta aventura que é atuar no setor de Geoinformação…

Com informações do Inovação Tecnológica, Tecmundo, LG, Mundo Estranho

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Imagens impressionantes da Terra (e vem muito mais por aí)

Por Eduardo Freitas | 15h24, 08 de Junho de 2017

Muito tem se falado da agilidade e detalhamento das imagens obtidas por drones. No entanto, os satélites continuam ‘correndo por fora’ e ganhando cada vez mais poder de imageamento. E vem muito, mas muito mais por aí

Drones, drones, drones: ultimamente só se fala nisso…

Talvez você tenha a impressão que a MundoGEO só aborda os veículos aéreos não tripulados, mas é que ultimamente tem tanta novidade sobre o assunto – e também teve a recente regulamentação do uso comercial – que parece que esquecemos de todo o resto e que não tem muito o que avançar em outras formas de sensoriamento remoto.

Mas você se enganou.

Sim, realmente o setor de drones está bombando, mas as imagens de satélites continuam avançando, seja em resolução – espacial, espectral, radiométrica, temporal -, nos diferentes formatos de dados – óticos, radar – e nos modelos de negócios – constelações de satélites, big data geoespacial, etc…

Pode ser um cliché, mas o planeta hoje é nosso quintal.

Veja por exemplo a recente erupção do vulcão Bogoslof, no Alaska, que já tem imagens detalhadas antes, durante e depois do ocorrido, inclusive do caminho das cinzas espalhadas na atmosfera e disponível para qualquer pessoa acessar, de qualquer lugar do mundo.

A análise das imagens demonstra claramente o efeito da erupção sobre o tamanho e a forma da ilha. Além disso, a altíssima resolução das imagens é tal que os satélites foram capazes de capturar um provável rebanho de lobos marinhos nas costa da ilha antes da erupção. Isto seria improvável com o uso de drones, que teriam que ser deslocados até o local do evento.

Por esta e por outras é que, hoje, deve-se ter muito cuidado quando se fala em uma tecnologia substituindo outra(s), pois o que precisamos é de complementaridade.

A seguir, algumas imagens de cortesia da DigitalGlobe que mostram uma análise da erupção e seus efeitos:

vulcao 1024x780 Imagens impressionantes da Terra (e vem muito mais por aí)

Imagem do vulcão antes da erupção

vulcao bogoslov cinzas 1024x722 Imagens impressionantes da Terra (e vem muito mais por aí)

Caminho das cinzas do vulcão Bogoslov

vulcao rebanho lobos marinhos Imagens impressionantes da Terra (e vem muito mais por aí)

Rebanho de Lobos Marinhos na costa da ilha

Ainda falando de DigitalGlobe, com a recente aquisição pela MDA, os dados do satélite Radarsat-2 vão ficar disponíveis na plataforma de big data geoespacial GBDX. Agora com dados de radar de abertura sintética (SAR, na sigla em inglês), usuários da plataforma GBDX da DigitalGlobe terão a capacidade de ver a Terra dia e noite, em todas as condições climáticas.

Paralelamente, outros grupos se movimentam no setor de observação da Terra, como a Planet Labs que lançou recentemente dezenas de nano-satélites e anunciou a aquisição da Terra Bella da Google. E os chineses não poderiam ficar de fora e estão lançando também sua constelação de satélites de alta resolução SuperView.

Nesse sentido, vale a pena dar uma navegada pelo globo virtual criado pela Kaspersky e colaborado pela comunidade sobre como deverá ser a vida em 2050. De acordo com a previsão, drones, constelações de satélites e veículos ‘mapeadores’ vão conviver em harmonia, fornecendo dados em tempo real de todo o globo (e quem sabe fora dele).

Pois é, já vivemos em uma era espetacular de imageamento da Terra, e vem muito mais por aí…

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Voltando a comentar semanalmente os assuntos que foram destaques nos últimos dias, nesta edição repercutimos a Geografia no Ensino Médio, o OpenStreetMap como Agência Global de Mapas, como ganhar $ com Drones, o lançamento do satélite Sentinel-2B e mais:

PS1: Infelizmente tive que mudar de lugar no meio da transmissão, por causa de um imprevisto, mas no fim deu tudo certo…

PS2: A ideia é fazer um resumão toda sexta-feira, às 11h30, na página do MundoGEO no Facebook e também pelo canal do MundoGEO no YouTube.

Nos ‘vemos’ na próxima sexta…

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Entenda a ascensão do OpenStreetMap como uma Agência de Mapeamento Global

Por Eduardo Freitas | 18h51, 08 de Março de 2017

A ideia do OpenStreetMap se tornar uma Agência de Mapeamento Global é empolgante, mas será que isso é possível? Entenda…

OpenStreetMap como uma Agência de Mapeamento Global 370x185 Entenda a ascensão do OpenStreetMap como uma Agência de Mapeamento GlobalPara qualquer pessoa que trabalha com Cartografia, Geoprocessamento, Bases de Dados Geográficos, enfim todos que atuam com Geotecnologias, a ideia do OpenStreetMap (OSM) se tornar uma Agência de Mapeamento Global é muito empolgante, e de muitas maneiras isso já está acontecendo. Mas será que isso é viável?

Vamos por partes…

Esta discussão surgiu recentemente na lista de discussão da iniciativa Geo4All, a qual compartilho aqui e pretendo colaborar com minha análise.

O OpenStreetMap é um projeto de mapeamento colaborativo para criar um mapa livre e editável do mundo, inspirado por sites como a Wikipédia, por exemplo.

Uma comunidade voluntária de mapeadores desenvolve e mantém os mapas do OSM, através de dados coletados com receptores GPS, smartphones, fotos aéreas, imagens de satélite, entre outras fontes.

Por contarem com conhecimento local, os mapeadores editam e atualizam os mapas em tempo real, com softwares abertos como iD ou JOSM.

Veja aqui um passo-a-passo de como ser um mapeador do OSM

Por sua vez, a  comunidade em geral também confere e confirma os dados pela interface do próprio site Openstreetmap.org.

Todos os mapas, dados e metadados ofertados pelo OSM são abertos, disponíveis sob uma licença Open Database License, e são formalmente operados pela OpenStreetMap Foundation (OSMF), em nome da comunidade de mapeadores.

Como já definiu o amigo Thierry Jean em um artigo para a revista MundoGEO, o OSM é o projeto de mapa colaborativo que já atingiu a massa crítica que lhe confere a força de ser o principal projeto de mapa colaborativo global.

Confira o artigo OpenStreetMap como uma comunidade de governos e não somente de pessoas

Colaboração, integração, revolução…

Openstreetmap logo.svg  370x370 Entenda a ascensão do OpenStreetMap como uma Agência de Mapeamento GlobalHoje, através de aplicativos e APIs como o OSM API, Geofabrik, Mapzen, etc, pode-se facilmente acessar dados de altíssima qualidade e atualizados, para qualquer região, cidade ou país do mundo.

Isso seria impensável há alguns anos…

Existem, hoje, centenas de exemplos de colaboração da comunidade do OSM com outras iniciativas, como por exemplo o HOT – Humanitarian OpenStreetMap Team – que está convocando mapeadores de todo o mundo para ajudar a eliminar a Malária. São dois projetos para mapear mais de 500 mil quilômetros quadrados em 7 países no Sul da África, América Central e Sudeste Asiático, como parte da iniciativa Missing Maps da DigitalGlobe, Clinton Health Access, Bill & Melinda Gates Foundation, MapBox, Path e Tableau Foundation.

Baixe aqui conteúdos gratuitos sobre GIS

É importante levar em conta também a contribuição da Fundação Geoespacial Open Source (OSGeo), assim como o Consórcio Geoespacial Aberto (OGC), no uso de padrões abertos pela comunidade de Geotecnologia.

As pessoas envolvidas com o OSGeo e empresas membros do OGC têm um perfil mais voltado para a área acadêmica e técnica, por outro lado a comunidade do OSM pode criar um mapa do mundo sem necessariamente ter conhecimentos avançados de Geotecnologias.

Obviamente, os dados abertos são fundamentais para iniciativas como OSGeo e GeoForAll, e a colaboração com o OSM, tanto localmente como globalmente, é um caminho natural devido a inúmeras sinergias.

Do tradicional para o novo

Este novo fato, da ascensão do OpenStreetMap como uma Agência Global de Mapeamento, representa tanto uma ameaça como inúmeras oportunidades para a indústria de Geotecnologia.

Toda a indústria de GIS precisa levar em conta o fato de que sua maneira de trabalhar vai aos poucos mudar a partir do OpenStreetMap, considerando que não será preciso levantar dados de locais que já estão mapeados.

Segundo a opinião do Thierry em seu artigo, a qual compartilho, uma evolução natural seria que as empresas públicas e privadas gradualmente “desistam”, nos próximos anos, de utilizar uma base própria para então utilizar a do OpenStreetMap, porque esta será superior e mais atualizada.

Por outro lado, empresas de mapeamento vão continuar existindo e tendo a oportunidade de produzir e comercializar dados para nichos de mercado e para necessidades específicas, mas todas deverão – naturalmente – se beneficiar de uma base comum gerada e atualizada pela própria comunidade global.

Ainda, grandes empresas , governos e concessionárias podem ver o OSM como uma imensa oportunidade de obter dados e também de colaborar como o mapa global, através da convergência de informações e disponibilidade irrestrita, para todos, a qualquer tempo.

O OSM e a convergência com devices de coleta de dados e computação em nuvem vai mudar a realidade do mapeamento ao redor do globo muito rapidamente, gerando ganhos para usuários, e por outro lado a indústria geoespacial vai ter que se adaptar a esta realidade para redefinir seus rumos.

Em 2012 a comunidade do OSM no Brasil fez um encontro no evento MundoGEO#Connect:

Confira também o vídeo deste webinar (em inglês) que fizemos em parceria com a ICA e OSGeo com uma introdução ao universo do OSM:

Com informações do Geo4All, OSGeo, OSM e revista MundoGEO

O que achou desta análise? Envie pra mim seu feedback que será um prazer saber sua opinião: eduardo@geoeduc.com

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OpenStreetMap como uma Agência de Mapeamento Global 950x475 Entenda a ascensão do OpenStreetMap como uma Agência de Mapeamento Global

Fonte: GEOeduc

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Entenda o que muda com o anúncio do IGS14, o novo marco de referência para o cálculo de órbitas e parâmetros associados aos satélites GNSS

IGS14 o novo marco de referência para cálculo de órbitas dos satélites GNSS 370x185 Habemus referência: IGS14, novo marco para cálculo de órbitas dos sistemas GNSSHoje o assunto é ‘espinhoso’: Geodésia.

Mais especificamente, um assunto que recebi através do informativo GeoNotas edição 61, sobre o recém anunciado IGS14, o novo marco de referência para cálculo de órbitas dos satélites GNSS.

Mas vamos por partes…

GNSS é a sigla para Global Navigation Satellite System, ou Sistema Global de Navegação por Satélites. Refere-se a sistemas com alcance mundial, usados para posicionamento, com base na posição de satélites em órbitas.

Exemplos: o norte-americano GPS, o russo Glonass, o europeu Galileo e o chinês Beidou.

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A determinação de coordenadas a partir do posicionamento por satélites somente é possível se forem utilizados sistemas de referência que permitam a relação direta entre a posição dos satélites e as coordenadas dos pontos em Terra.

No caso específico dos sistemas GNSS, as coordenadas calculadas sobre a superfície da Terra devem estar associadas ao mesmo sistema de referência no qual se expressam as efemérides dos satélites GNSS.

Tal sistema é o Sistema Internacional de Referência Terrestre (ITRS, na sigla em inglês), materializado por uma rede global de estações geodésicas com coordenadas muito precisas:

image003 Habemus referência: IGS14, novo marco para cálculo de órbitas dos sistemas GNSS

Desde 1988 são calculadas regularmente soluções do ITRF (por exemplo, ITRF88, ITRF97, ITRF2014), sendo que a cada nova solução se inclui um número maior de observações, as quais por sua vez são de maior qualidade, fazendo com que as coordenadas das estações de referência sejam cada vez mais precisas.

Acesse aqui as diferentes versões do ITRF

O ITRF vigente atualmente é o denominado ITRF2014, publicado pelo IERS (International Earth Rotation and Reference Systems Service) em janeiro de 2016, que inclui observações GNSS (GPS + Glonass), SLR (Satellite Laser Ranging), VLBI (Very Long Baseline Interferometry) e Doris (Doppler Orbit determination and Radiopositioning Integrated on Satellite).

O porquê do IGS

Dado que nem todas as estações GNSS incluídas no ITRF têm uma precisão homogênea, o IGS (International GNSS Service) seleciona aquelas estações que satisfazem certos critérios de qualidade e as utiliza como marco de referência no cálculo de seus produtos finais (por exemplo, órbitas dos satélites GNSS, correções para os relógios dos satélites, parâmetros de orientação terrestre, etc.).

Os critérios de seleção se baseiam, entre outros, em uma distribuição global, monumentação adequada das estações, continuidade em sua operação e integração com outras técnicas geodésicas espaciais.

Em princípio, a rede formada pelas estações de referência selecionadas pelo IGS não apresenta translações, nem transformações, nem mudança de escala com respeito ao ITRF; por isso, nominalmente, o marco de referência do IGS e o ITRF são rigorosamente iguais.

De acordo com isto, desde 2004, a cada ITRF corresponde um marco de referência do IGS. Por exemplo, para o ITRF2008, o IGS definiu o marco de referência IGS08, o qual, devido aos fortes terremotos no Chile em fevereiro de 2010 e no Japão em março de 2011, foi redefinido no IGb08 mediante a exclusão daquelas estações afetadas.

Veja aqui os diferentes marcos de referência do IGS

Com a entrada em vigência do ITRF2014, o IGS se deu a tarefa de selecionar as melhores estações GNSS não incluídas e definiu então o marco de referência IGS14.

As órbitas GNSS do IGS se calculam neste novo marco de referência desde 29 de janeiro de 2017 e, portanto, as coordenadas que se determinem mediante posicionamento GNSS e usando os produtos do IGS (como por exemplo, o marco de referência SIRGAS) também se referem ao IGS14 desde esta data.

Fazendo um parênteses, o Sistema de Referência Geocêntrico para as Américas (SIRGAS) é o sistema de referência geodésico para o Sistema Geodésico Brasileiro (SGB) e para as atividades da Cartografia Brasileira.

Em 2005, a Resolução do Presidente do IBGE Nº 1/2005 estabeleceu o SIRGAS, em sua realização do ano de 2000 (SIRGAS2000), e foi definido um período de transição de no máximo dez anos, no qual o SIRGAS2000 poderia ser utilizado em paralelo com outros sistemas de referência, como o SAD 69, por exemplo. Ou seja, desde 2015 toda Cartografia tem que ser feita usando como sistema de referência o SIRGAS2000.

Confira aqui os detalhes do IGS14

Marco de referência IGS14

Com informações do Sirgas, informativo Geonotas e revista MundoGEO

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IGS14 o novo marco de referência para cálculo de órbitas dos satélites GNSS 950x475 Habemus referência: IGS14, novo marco para cálculo de órbitas dos sistemas GNSS

Post publicado originalmente no site do Instituto GEOeduc

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Um verdadeiro evento sísmico abalou o mercado de Geotecnologia: o Google Earh Enterprise se tornará de código aberto a partir de março. Entenda as causas e consequências, e veja como você pode tirar proveito disso

Google Earth Enterprise se tornará de código aberto a partir de março 370x185 Excelente notícia: Google Earh Enterprise terá código aberto (!) a partir de marçoTrês momentos são marcantes na história do Google Earth. Primeiro, a compra da Keyhole pela Google em 2004 e o lançamento do Google Earth, que revolucionou o setor de Geotecnologia para sempre. Uma década depois, foi liberado gratuitamente o Google Earth Pro, levando uma ferramenta profissional para milhões de pessoas. E em março próximo será liberado o código do Google Earth Enterprise, o que vai permitir que corporações possam disponibilizar seus dados nessa plataforma, agora open source.

Baixe aqui o Google Earth Pro e veja aqui o replay do webinar sobre 2 anos de GEP

Desde 2015 a Google já havia sinalizado sobre a descontinuidade de vários produtos geoespaciais, incluindo o Google Earth Enterprise (GEE), e no último dia 31 de janeiro veio a boa notícia, de que o Google Earth Enterprise vai se tornar um software de código aberto.

Segundo o comunicado oficial da Google, cerca de 470 mil linhas de código dos produtos GEE – GEE Fusion, GEE Server e GEE Server Portable estarão disponíveis no GitHub, para qualquer desenvolvedor, sob a licença Apache2.

Por outro lado, os outros produtos da área de mapeamento, como o Google Earth Enterprise Client, Google Maps JavaScript API V3 e Google Earth API, continuarão como softwares proprietários.

Por dentro do Google Earth Enterprise

O GEE permite a criação de um verdadeiro mundo virtual, disponível na intranet da empresa ou órgão público e acessível a vários colaboradores. Além disso, distribui espacialmente informações já presentes na organização, nas áreas de ERP, CRM, GIS, CAD, entre outras.

A interface única do sistema, acessível a qualquer usuário, técnico ou não, combina imagens, plantas, ruas, pontos de interesse e modelos 3D de edificações em um mesmo globo. O GEE permite a visualização dos dados da organização tanto na base de imagens de satélites do Google como nos próprios servidores da instituição, aumentando assim a segurança para empresas e órgãos públicos.

Os principais componentes do GEE são o Google Earth Fusion, o Google Earth Servidor e o Google Earth Cliente/Google Maps. Os dados geoespaciais, na forma de imagens e vetores, são organizados pelo Google Earth Fusion, formando o banco de dados, que é gerenciado e disponibilizado na intranet da organização para diversos usuários através do Servidor. Por sua vez, os usuários passam a visualizar, imprimir, pesquisar e criar dados através do Google Earth Cliente ou do Google Maps.

Nos EUA, praticamente todos os órgãos de defesa usam a ferramenta, principalmente pelo fator segurança, já que o GEE roda independentemente da internet pública. O Virtual Alabama é um exemplo de sucesso da implantação do GEE, com toda a administração pública do Estado interligada através da ferramenta.

Prefeituras podem usar o GEE para criar verdadeiras “cidades virtuais”, possibilitando o gerenciamento de todos os recursos da cidade. Várias informações importantes ficam disponíveis para todas as secretarias, autarquias e outras entidades municipais, melhorando os processos decisórios e o atendimento das necessidades dos cidadãos.

Como exemplos de informações que podem ser distribuídas estão os dados sobre agricultura e abastecimento, cultura e lazer, defesa civil, educação, finanças, indústria e comércio, meio ambiente, obras, segurança pública, trânsito e transportes, planejamento, entre outras.

Dentro de prefeituras, todas as informações espaciais do município ficam organizadas em um servidor do próprio órgão. O Google Earth Server gerencia as informações e os usuários das secretarias, através do Google Earth Cliente, podem acessar e atualizar as informações espaciais. Os munícipes, por sua vez, podem enviar informações espaciais às secretarias utilizando o Google Earth gratuito.

O Google lançou o Google Earth Enterprise em 2006 e parou de vendê-lo há quase dois anos. Desde então, o Google lançou atualizações e forneceu suporte a organizações com licenças existentes.

Uma vez que o código do GEE será liberado no GitHub, as organizações serão livres para modificá-lo, de forma colaborativa ou independentemente, para suas próprias necessidades como software open source.

Segundo a empresa, a Google tentará facilitar o uso desses recursos publicando instruções para que as corporações possam executar o Google Earth Enterprise em sua nuvem pública.

Descontinuidade?!? #SQN

Desde 2015, havia muita incerteza e muito tem sido prognosticado sobre as consequências da descontinuidade do Google Earth Enterprise.

Porém, agora a situação parece muito mais clara. O futuro do Google Earth Enterprise será aberto.

O anúncio de 30 de janeiro passado marca o início de um novo marco para a GEE. Os recursos do GEE Server, Fusion e Portable serão abertos e disponíveis para a comunidade global de desenvolvedores.

Um resultado muito importante é que o suporte ao produto, de parceiros da Google e da comunidade de código aberto, continuará para o GEE, incluindo melhorias que inevitavelmente serão disponibilizadas.

Um exemplo é a empresa Thermopylae Sciences & Technology, que trabalha em estreita colaboração com a Equipe de Produtos do Google Maps e desde o anúncio de descontinuidade do GEE não parou, testando as últimas atualizações do Google, comunicando bugs e incubando formas inovadoras de manter o GEE funcional para novos usuários.

Com o código aberto do GEE, surge agora a oportunidade de desenvolver novos recursos e conectar outros componentes, o que revitalizará o ecossistema de tecnologia geoespacial e garantirá que padrões amplamente utilizados, como o KML, continuem suportados pelas plataformas da Google e de outros fornecedores.

Oportunidades de negócios

O Google Enterprise propicia um ambiente privado com dados corporativos estratégicos, que ficam ‘separados’ dos demais dados abertos na internet, tudo isso em uma plataforma web com acessibilidade para os diversos membros de uma instituição pública ou privada, de maneira fácil e rápida.

O GEE de código aberto é uma boa notícia para todos os tipos de usuários, desde curiosos até empresas, mas principalmente para os governos, que podem ter agora uma plataforma corporativa aberta para integrar seus dados.

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Google Earth Enterprise se tornará de código aberto a partir de março 950x475 Excelente notícia: Google Earh Enterprise terá código aberto (!) a partir de março

Post publicado originalmente no site do Instituto GEOeduc

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Pode isso, Arnaldo? Segundo o CAR, o Brasil é muito (!) maior

Por Eduardo Freitas | 21h36, 22 de Fevereiro de 2017

Recentemente o Serviço Florestal Brasileiro divulgou números atualizados do Cadastro Ambiental Rural. Porém, segundo os números do CAR, o Brasil tem área (muito) maior. Entenda…

pode isso arnaldo Pode isso, Arnaldo? Segundo o CAR, o Brasil é muito (!) maior“Pode isso, Arnaldo?”

Se você esteve em Marte nos últimos anos e ainda não conhece esta expressão, “pode isso Arnaldo” é uma piada com o comentarista de futebol Arnaldo Cezar Coelho, pois sempre que tem alguma polêmica, o amado/odiado narrador Galvão Bueno pergunta: “pode isso, Arnaldo???”

Neste caso, a polêmica é por causa dos números recentemente divulgados pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB), mostrando que o Cadastro Ambiental Rural (CAR) está tão adiantado no Brasil, mas tão adiantado, que algumas regiões já ultrapassam 100% da área cadastrável.

Na região Norte, são impressionantes 34% a mais de área…

Mas como isso seria possível?

Vamos por partes: antes de tudo, é preciso relembrar que o CAR não deixou claro qual deveria ser a precisão dos dados.

Somente como comparação, no caso do Georreferenciamento de Imóveis Rurais, é definido o limite de 50 centímetros de acurácia para os vértices das propriedades, garantindo assim a qualidade da geometria dos polígonos. E no caso de um ponto já ocupado e ‘certificado’, as coordenadas do mesmo devem ser usadas para o polígono vizinho, e assim por diante.

Mas voltando ao CAR, já que não existe uma Norma Técnica para direcionar os levantamentos e a forma de entrega dos dados, os polígonos foram definidos das mais diversas formas, desde GPS de mão até Geodésico, passando por imagens de satélites, drones e até pelo Google Earth.

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Segundo os dados oficiais do CAR, até o último dia 31 de janeiro já tinham sido cadastrados mais de 3,95 milhões de imóveis rurais, totalizando 401.055.948 hectares inseridos na base de dados do sistema:

numeros atualizados do car Pode isso, Arnaldo? Segundo o CAR, o Brasil é muito (!) maior

Veja na imagem acima que a região Norte tem 34% a mais de área cadastrada, enquanto na região Sudeste são pouco mais do que 6%, e as demais regiões estão caminhando para apresentarem as mesmas inconsistências.

Enquete

Fiz uma enquete informal em meu perfil no Facebook e recebi vários comentários, dos quais destaco estes:

O Fausto Libanore comentou que “100% das áreas estão cadastradas na região Sudeste, mas conheço muitos em São Paulo que ainda não fizeram”.

Já a Grazielle Carvalho analisou que “o CAR é um cadastro feito sem nenhuma precisão cartográfica nem geodésica. O sistema não aceita polígonos muito detalhados. Como esperar que esse cadastro fosse sair perfeito?”.

Nessa linha, o Renato Filho respondeu o seguinte: “Grazielle Carvalho, o que mostra que o governo não gosta de fazer as coisas de um modo correto. Se tem profissionais qualificados para isso, por qual motivo fazer um cadastro faz de conta? Melhor fazer aos poucos e sem defeitos do que fazer rápido e furado”.

E olha que nem foi tão rápido assim, já que o prazo para fazer o CAR já foi adiado duas vezes…

E o Erick Sperb Ramos concordou: “Realmente é frágil o CAR no quesito precisão geodésica; interessante seria a integração do georreferenciamento com o CAR. Ao meu ver, o CAR nasceu para ser bonito no ‘papel’. A função de preservar regiões, formação de corredores ecológicos e outros objetivos do CAR não têm como serem eficazes sem precisão planimétrica”.

Segundo os números do CAR o Brasil tem área muito maior. Entenda... 370x185 Pode isso, Arnaldo? Segundo o CAR, o Brasil é muito (!) maiorEsta integração entre os Cadastros já tem sido abordada pelo MundoGEO há tempos, mas não tem nenhuma notícia nesse sentido, pelo menos no curto prazo.

Outras questões levantadas foram a compatibilidade do imóvel com o que consta no registro e também em relação a quem fez o registro no CAR, já que também não foi especificado um perfil de profissional “ideal” para realizar esse trabalho.

A Ana Paula Garcia Oliveira comentou que “com certeza esses dados precisam ser revistos. Pois a ideia do cadastro deixou os proprietários realizarem um croqui da propriedade e não realmente o que consta na documentação do propriedade. (…) Eu não sei como o MMA vai conferir tudo isso”.

Na mesma linha, o Marcos Araújo Navarro analisou que “muita gente vislumbrou no CAR uma fonte de renda. Sindicatos, contadores, advogados e uma gama de desempregados disputam a tapa qualquer ‘cadastrinho’. Deu no que deu”.

A integração com o Incra também foi abordada pela Mariana Machado: “quando saiu a lei 10.267, do Georreferenciamento, foi justamente porque em cartório tinha uma soma de áreas cadastradas umas três vezes maior que a área do Brasil. Aí fizeram a lei pra todo mundo regularizar isso, maaaasss que não foi todo mundo que fez, porque é caro, pelos equipamentos e tal. A ideia seria usar os dados do georreferenciamento pra cadastrar a questão ambiental das propriedades, maaaassss…”.

Para o Alexandre Araripe, de duas, uma: “ou refazem os cadastros da forma tradicional, através de topografia com estação total, geo e drones, ou simplesmente desconsideram tudo. Pois vislumbro uma confusão generalizada em pouco tempo nos cartórios do país”.

Erros de cálculo, terras sobrepostas, jeitinho brasileiro? Independentemente de quais as causas, a verdade é que agora vamos ter que conviver com as consequências de um cadastro com problemas.

Na minha opinião, não é o caso de desconsiderar tudo e iniciar de novo, mas com uma integração com outros cadastros (Incra, Receita Federal) e advertências para trabalhos visivelmente de má qualidade, o CAR pode sim se tornar um cadastro confiável e útil para a preservação ambiental no Brasil.

Pode isso, Arnaldo???

O que achou desta análise? Envie pra mim seu feedback que será um prazer saber sua opinião: eduardo@geoeduc.com

Aproveito para agradecer a todos que deixaram seus comentários, os quais resumi (por motivo de espaço) e compartilhei aqui.

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Segundo os números do CAR o Brasil tem área muito maior. Entenda... 950x475 Pode isso, Arnaldo? Segundo o CAR, o Brasil é muito (!) maior

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Desconhecimento? Irresponsabilidade? Falta de capacitação? Má-fé? Voltando ao assunto, o Incra fez recentemente uma auditoria, constatou inconsistências e cancelou certificações de imóveis rurais. Onde está o problema?

Por Eduardo Freitas

sigef certificacao 230x230 Falta de capacitação e/ou má fé? O que está por trás do cancelamento de Certificações de imóveis pelo Incra?

A primeira versão da Norma Técnica de Georreferenciamento de Imóveis Rurais já está quase chegando à maioridade, mas mesmo assim ainda há profissionais que cometem erros básicos e assim mancham seu nome…

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O Incra anunciou na semana passada que foi concluída a primeira etapa da auditoria nos processos de certificações de Georreferenciamento de Imóveis Rurais, para verificar o cumprimento – ou não – da última edição da Norma.

Por motivos óbvios, não era possível fazer a auditoria em todos os imóveis, então foi coletada uma amostra com o objetivo de monitorar, controlar e assegurar a precisão e autenticidade das informações prestadas pelos profissionais habilitados nos CREAs e credenciados no Incra para realizar esse tipo de trabalho.

10% de cancelamentos

Os números de cancelamentos são impressionantes.

Esta primeira etapa da auditoria inspecionou certificações feitas entre novembro de 2013 a dezembro de 2014, por meio do Sigef.

Foram auditados 27 milhões de hectares de parcelas certificadas, selecionadas aleatoriamente e distribuídas entre 30 superintendências regionais do Incra.

O trabalho resultou no cancelamento da certificação de 148 parcelas de imóveis rurais, totalizando pouco mais de 2,6 milhões de hectares.

Ou seja, em torno de 10% daquilo que foi auditado apresentou inconsistências, resultando em cancelamento.

A boa notícia boa é que essas parcelas de imóveis rurais podem ser certificadas novamente, caso as inconsistências sejam corrigidas pelos responsáveis técnicos.

Entenda as sanções…

Ano passado foram recomendadas 587 sanções aos profissionais credenciados por deixarem de atender a Norma, sendo que destas foram 83 de suspensão do credenciamento e 3 de descredenciamento.

Se levarmos em conta a Estatística e que a amostra foi retirada aleatoriamente, podemos extrapolar e admitir que aproximadamente 10% dos trabalhos apresentam problemas.

As auditorias serão realizadas anualmente com o objetivo de avaliar o trabalho de profissionais credenciados junto ao Incra. Esta é uma boa notícia para os proprietários, já que terão o Incra ao seu lado para auditar os trabalhos.

Onde está a falha?!?

Em tempo de Estações Totais, Receptores GNSS e Softwares Topográficos, não é admissível que ainda sejam cometidos erros em 10% (!) dos trabalhos entregues ao Incra.

Também não dá para reclamar do Sigef, que em alguns momentos pode até estar fora do ar, mas é uma plataforma completa para baixar os documentos e subir os conteúdos para fazer a certificação.

E o preço cobrado também não pode ser desculpa para um trabalho de má-qualidade. Se alguém cobra mais barato, mesmo assim deve cumprir a Norma. E quem cobra mais caro deve justificar seu preço com um trabalho de altíssima qualidade.

Então, se o problema não é tecnologia nem plataforma, onde está a falha? Má-fé, irresponsabilidade ou falta de capacitação?

Eu prefiro ser otimista e acreditar na honestidade das pessoas, então ainda acredito que exista muito espaço para capacitação para quem atua com Georreferenciamento e Certificação de imóveis rurais, para que os trabalhos tenham a qualidade desejada pelos proprietários e cumpram com as exigências do Incra.

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Xing Ling?!? China entra na briga das imagens de alta resolução e radar

Por Eduardo Freitas | 7h31, 31 de Janeiro de 2017

Com os recentes lançamentos, os chineses se consolidam entre os grandes players nos mercados de imagens de satélite de altíssima resolução e também de radar. Entenda porque o tempo do “Xing Ling” já era…

Por Eduardo Freitas

Hiphone 6 355x355 Xing Ling?!? China entra na briga das imagens de alta resolução e radarSe você ainda não conhece o termo “Xing Ling”, era uma maneira pejorativa de se referir ao produtos chineses, que até há pouco tempo eram versões bem menos sofisticadas dos líderes de mercado.

Mais ou menos como este “HiPhone” aqui do lado…

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Porém, com o avanço tecnológico, os chineses estão literalmente atropelando em várias áreas.

Veja o Beidou, por exemplo, que é o sistema chinês de navegação por satélite que já tem mais veículos em órbita do que o europeu Galileo e em breve terá cobertura global…

E no setor de veículos aéreos não tripulados (ou drones, se preferir), a líder global é a chinesa DJI, que apresenta novidades quase semanalmente e tem drones profissionais para várias aplicações, desde filmagem até agricultura.

Já na área de Geomática, não sei se você lembra, mas há alguns anos o grupo Hexagon – dono de várias marcas, inclusive Leica, Intergraph e Erdas – comprou a fabricante chinesa de receptores GNSS e estações totais Geomax.

Olhos chineses nos observando do espaço…

Na área de observação da Terra, com os recentes lançamentos, os chineses se consolidam entre os grandes players nos mercados de imagens de satélite de altíssima resolução e também de radar.

No início de janeiro a China recebeu as primeiras imagens de um par de satélites de sensoriamento remoto de alta resolução, que tinham sido lançados no final de dezembro passado.

Nesta imagem capturada abaixo, turistas podiam ser vistos visitando o palácio de Potala, na região do Tibet:

imagem de satelite do spaceview 1 em potala no tibet Xing Ling?!? China entra na briga das imagens de alta resolução e radar

Os dois satélites foram colocados em órbita no dia 28 de dezembro e estão operando a uma altitude de 500 quilômetros, com uma resolução pancromática de 0,5 metro e multiespectral de dois metros.

Sim, você leu certo… 50 centímetros de resolução espacial!

Na imagem a seguir, dá pra ver o porto de Kwai Tsing, em Hong Kong:

imagem de satelite do spaceview 1 de porto de cargas kwai tsing em hong kong Xing Ling?!? China entra na briga das imagens de alta resolução e radar

Estes dois novos satélites fazem parte da primeira constelação de satélites comerciais de sensoriamento remoto multi-sensor da China, conhecida como SuperView-1.

E no setor de radar, o satélite chinês de alta resolução Gaofen-3, equipado com um Radar de Abertura Sintética (SAR, na sigla em inglês), enviou suas primeiras imagens na semana passada.

Com resolução de até um metro, o Gaofen-3 foi lançado em agosto de 2016 e agora coloca a China de uma vez por todas no mercado de imagens obtidas com radar, sendo o primeiro veículo de sensoriamento remoto de baixa órbita chinês previsto para ter uma longa vida útil.

Na imagem a seguir, pode-se ter uma ideia do detalhamento das imagens, na região do Aeroporto Internacional de Pequim:

imagem radar da regiao do aeroporto internacional de pequim Xing Ling?!? China entra na briga das imagens de alta resolução e radar

Radares têm a vantagem de obter imagens em qualquer condição climática, independentemente de exposição solar ou presença de nuvens.

O Gaofen-3 é capaz de alternar livremente entre 12 diferentes modos de imageamento, com resolução espacial variando de um a 500 metros e sua maior faixa de observação é de 650 quilômetros.

Com mais lançamentos previstos para 2017, a constelação chinesa vai contar com 24 satélites ao todo e deverá estar concluída até 2022. Alguém duvida?

Concorrência anos à frente…

Tandem L 300x243 Xing Ling?!? China entra na briga das imagens de alta resolução e radarPor outro lado, grandes empresas de Observação da Terra como a DigitalGlobe e Airbus Defence and Space estão em uma próxima fase, que já ultrapassou a questão da coleta de imagens e se preocupa em fornecer uma plataforma completa de acesso, uso e compartilhamento de dados geoespaciais.

Aproveito pra adiantar um conteúdo que vai estar na próxima edição da revista MundoGEO… Recentemente entrevistei o Dr. Alberto Moreira, brasileiro que está a frente de vários projetos no Centro Aeroespacial Alemão, com foco nos levantamentos com radar, e o lançamento mais ousado será o TanDEM-L, uma missão usando uma nova tecnologia que permitirá mapear a Terra 100 vezes mais rápido (!) que os atuais satélites TerraSAR e TanDEM-X.

Com o TanDEM-X, hoje demora um ano para mapear a Terra, enquanto que com o TanDEM-L isso poderá ser feito duas vezes por semana. A Terra inteira, em 3D!

Ainda vem muita coisa boa por aí…

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Post publicado originalmente no GEOeduc

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    @eduardo
    Diretor de Operações do MundoGEO. Engenheiro Cartógrafo, Técnico em Edificações, Especialização em Gestão Estratégica de EAD. Tradutor dos informativos GeoSur e OGC Iberoamérica. Nas horas vagas: pão caseiro, comida japonesa e meia-maratona

    Diretor de Operações do MundoGEO. Engenheiro Cartógrafo, Técnico em Edificações, Especialização em Gestão Estratégica de EAD. Tradutor dos informativos GeoSur e OGC Iberoamérica. Nas horas vagas: pão caseiro, comida japonesa e meia-maratona

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