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Mercado de Agricultura de Precisão deve chegar a 4,2 bilhões de Euros em 2021

Por Eduardo Freitas | 16h16, 12 de Dezembro de 2017

Segundo um estudo recente da Berg Insight, o mercado global de soluções para Agricultura de Precisão chegou a 2,2 bilhões de Euros no ano passado e deverá alcançar 4,2 bilhões até 2021, com um crescimento anual em torno de 13,6%.

pesquisa mercado agricultura de precisao 300x285 Mercado de Agricultura de Precisão deve chegar a 4,2 bilhões de Euros em 2021Um vasto conjunto de tecnologias é aplicado, hoje, em atividades de alta precisão em fazendas, com o objetivo de gerenciar variações no campo e maximizar a produtividade, bem como minimizar o uso de corretivos agrícolas.

Enquanto soluções como auto-guia e controle de máquinas já são, hoje, tecnologias populares na indústria agrícola, a telemática e a tecnologia de aplicações diferenciadas (VRT, na sigla em inglês) ainda estão em estágio inicial de adoção.

Segundo o estudo, a interoperabilidade entre hardware e software ainda é um desafio no campo, ainda que estejam em andamento iniciativas de padronização por organizações como Agricultural Industry Electronics Foundation e AgGateway.

Hoje, a maioria dos fabricantes de equipamentos para agricultura têm iniciativas relacionadas com Agricultura de Precisão. Dentre as principais, podemos citar a John Deere, seguida por Trimble, Topcon Positioning Systems, Raven Industries e Ag Leader Technology.

O grupo Hexagon tem uma forte posição na área através de sua subsidiária NovAtel, enquanto em aplicações e serviços destacam-se a Monsanto, através da Climate Corporation, a canadense Farmers Edge e a recém-criada DowDuPont. No setor de sensores, várias empresas estão emergindo no mercado, como Davis Instruments, Pessl Instruments, Semios, Hortau, AquaSpy e CropX.

Movimento Agtech

Até 2050 o mundo terá 9,6 bilhões de habitantes e para que toda essa população consiga sobreviver, a produção de alimentos terá de crescer 70% em relação ao que era gerado em 2006. É o que diz a FAO, agência da ONU para alimentação e agricultura. Esse avanço só será possível através do uso otimizado dos solos e água, com máxima economia e produtividade, e a AgTech será um elemento crítico para alcançar esta meta.

A AgTech vem emergindo como um ponto crucial de investimento, mas esse ainda é um fenômeno recente. Ainda que novas tecnologias possam deixar proprietários “com o pé atrás”, todos buscam aprimorar sua produtividade. Isso se dá pela combinação entre hardware e software, o que inclui aplicativos para coleta georreferenciada de dados sobre pragas e condições hídricas; sensores que rastreiam equipamentos e medem a condição de solo; além de terminais onde essas informações podem ser relacionadas a imagens de satélite ou de drones para tomada de decisão.

Considerando a evolução das plataformas de drones e a carência tecnológica no mercado agrícola no Brasil, a tendência para os próximos anos é o desenvolvimento de soluções completas que possibilitem a análise rápida da saúde de culturas, incrementando o ganho para os produtores.

E o uso de geo no campo recebeu um impulso por parte do setor financeiro, quando o Banco Central lançou a Resolução 4.427, em 2015, que obriga instituições bancárias a usar GIS e sensoriamento remoto para fiscalizar operações de crédito agrícola. Veja aqui uma análise da Resolução.

A agricultura encontra-se em uma encruzilhada: o mundo precisa produzir mais alimentos do que nunca com recursos limitados. Até onde chegaremos, a partir daqui, exigirá talento e cooperação de agricultores, empresas, governos, universidades e cidadãos. Com isso, poderemos chegar – sem fome – aos quase 10 bilhões de passageiros na nave-mãe Terra em 2050.

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Com os avanços da nanotecnologia, satélites muito, mas muito pequenos, já são realidade, primeiramente de forma experimental, mas em breve lançando produtos no mercado. Entenda

Conhecidos como femtosatélites, estes minúsculos veículos espaciais têm menos de 100 gramas e vêm sido desenvolvidos nos últimos 15 anos. Muitos deles trabalham em conjunto com uma “nave mãe” (satélites maiores) para fornecer dados e sinais complementares, mas algumas versões mais recentes operam de forma independente.

femtoSat 1 300x219 A ascensão dos Femtosatélites: vem aí (mais) uma revolução no Sensoriamento RemotoUm femtosatélite, por definição, é um dispositivo capaz de realizar todas as funções básicas de qualquer satélite: comunicação com a estação de terra;  sobrevivência no espaço; determinação de sua posição e orientação; e observação.

Através dos femtosatélites, o uso de pequenos veículos espaciais será a evolução lógica e natural no mercado aeroespacial. Alguns exemplos de femtosatélites reais em desenvolvimento são o Kumar, PocketQub, Sprite e WikiSat.

Para alcançar dimensões tão reduzidas, são usadas duas técnicas bem diferentes: existem os chamados satélites em uma placa (Satellite-on-a-board) e os satélites em um chip (Satellite-on-a-chip). Os primeiros são maiores e muito mais fáceis de construir, além de mais baratos. Já os satellite-on-a-chip são muito mais caros, porém muitíssimo menores.

O femtosatélite Kumar está sendo desenvolvido pelo grupo Canadense Kumar e promete revolucionar a indústria aeroespacial com grandes ideias de pequeno formato. Já o PocketQub é um projeto do Twiggs, um grupo norte-americano do Kentucky, parecido com o famoso “CubeSat” mas em uma versão ainda menor, com apenas 5 centímetros de lado.

Por sua vez, o femtosatélite Cornell Sprite 1 foi desenvolvido por Zac Manchester, um estudante norte-americano de Nova York que conseguiu financiamento para “encher” todo um CubeSat – chamado de KickSat – com estes pequenos satélites para colocá-los em órbita.

E, por último, o WikiSat V3, um projeto majoritariamente liderado pela Europa.

Para que um femtosatélite possa ser considerado útil, é necessário que realize uma série de funções dentro de uma missão, que justifiquem sua construção:

• Comunicação – o satélite deve ser capaz de comunicar informação, seja para outros satélites como para estações em terra. Devido a suas pequenas dimensões, muitas vezes a antena é maior do que o próprio satélite. E para poder comunicar informação via rádio, é preciso que o satélite tenha um mínimo de potência elétrica. Para isso, há duas opções: ter baterias que usem o mínimo possível de energia ou incluir painéis solares que sejam suficientemente potentes para alimentar o satélite.

• Sobrevivência – ou seja, a estrutura e os componentes que formam o femtosatélite devem suportar não só as condições hostis no espaço mas também durante seu lançamento e viagem até sua órbita. Deve, ainda, suportar a radiação, sendo resistente aos efeitos da mesma nos sistemas redundantes que garantam a integridade do satélite em caso de falha em algum dos sistemas. Além disso, as constantes mudanças de temperatura – por exemplo, quando estiver exposto ao sol ou eclipsado – devem ser suportadas pela estrutura e componentes.

• Posição e Orientação – esta determinação é necessária caso o satélite realize alguma função de observação. Esta informação também pode ser enviada à estação em terra para que se conheça onde se encontra o satélite e o que está fazendo a cada momento. Tudo isto, juntamente com as funções anteriores, pode complementar as informações sobre o estado de saúde do satélite.

• Observação – o satélite deve servir para algo concreto, ou ter uma razão de ser, como por exemplo a Observação da Terra, o monitoramento atmosférico, etc.. Todas estas ações requerem tanto memória como capacidade de processar informação, ainda que seja somente comprimi-la e enviá-la para a estação em terra. Obviamente, devem existir sensores ou câmeras de pequeno formato e de baixo consumo, que possam ser integrados a um satélite de tão diminutas dimensões.

peru sat 300x171 A ascensão dos Femtosatélites: vem aí (mais) uma revolução no Sensoriamento RemotoEm 2013, o Peru fez história com o lançamento de um femtosatélite até a órbita baixa da Terra. Isso mostrou que satélites até então fora do mercado tradicional de sensoriamento remoto podem, com esta tecnologia, competir em algumas áreas com baixo custo e grande agilidade. Desenvolvido pela Universidade Católica do Peru e pelo Instituto de Rádio Astronomia, o satélite Pocket-PUCP foi usado para transmitir dados sobre temperatura.

As aplicações dos femtosatélites incluem testar esta tecnologia para o futuro, pousar em asteróides, além de conduzir experimentos biológicos. Mas um dos principais focos é a obtenção de imagens da Terra, setor que deverá ganhar um grande impulso nos próximos anos, aumentando muito a capacidade do ser humano para a coleta de dados.

Um desafio, assim como no caso dos drones, é como este emergente mercado será regulamentado, já que deverá aumentar ainda mais o problema dos detritos espaciais em órbita, pois permite o lançamento de dezenas ou até centenas de veículos ao mesmo tempo. Por outro lado, abrem-se novos mercados com a maior quantidade de dados e o desenvolvimento de veículos que poderão ir cada vez mais longe.

Mercado de Observação da Terra

tamanho do mercado de observacao da terra 300x252 A ascensão dos Femtosatélites: vem aí (mais) uma revolução no Sensoriamento RemotoDe acordo com a 10ª edição do relatório da Euroconsult sobre o mercado de Observação da Terra baseada em satélites, os dados e serviços desse setor deverão chegar a 8,5 bilhões de euros até 2026, com base na trajetória atual de crescimento, e até mesmo a 15 bilhões em um cenário alternativo.

Esta opção mais otimista considera as implicações de novas soluções que abram mercados futuros e ainda inexplorados, como os femtosatélites, por exemplo.

Ainda, avanços em inteligência artificial e deep learning deverão beneficiar o setor, possibilitando novas soluções baseadas em detecção e análises de mudanças.

No Brasil, o estudo de mercado mais ‘recente’ é de 2008, feito pela empresa Intare Consultoria em Gestão da Informação. Com um crescimento de 9% entre 2006 e 2007, e de 20% estimado para aquele ano, o dimensionamento do mercado potencial de Geoinformação no Brasil para 2008 era de 619 milhões de reais, considerado o conjunto dos componentes Dados, Softwares e Serviços.

Com informações dos posts:
Femtosatélites, qué son y para qué sirven
The Rise of Femtosatellites
Mercado de Observação da Terra pode chegar a 15 bilhões de euros em 2026

share save 171 16 A ascensão dos Femtosatélites: vem aí (mais) uma revolução no Sensoriamento Remoto

Segundo um estudo recentemente divulgado, o mercado de Observação da Terra vai alcançar valores entre 8 a 15 bilhões de euros dentro de 10 anos. Para você, isso é muito ou pouco? Por outro lado, aqui no Brasil o setor de Geoinformação enfrenta uma das maiores crises de sua história. Será que vamos ‘surfar’ esta onda?

Você viu isso? O primeiro satélite de observação da Terra de Marrocos foi lançado na última quarta-feira (8/11) a partir da Guiana Francesa. O Mohammed VI-A será usado em atividades cartográficas, de ordenamento do território, prevenção e gestão de desastres naturais e acompanhamento de tendências ambientais e de desertificação.

Enquanto isso, aqui no Brasil…

tamanho do mercado de observacao da terra 300x252 Mercado de Observação da Terra pode chegar a 15 bilhões de euros em 2026. Isso é muito ou pouco?De acordo com a 10ª edição do relatório da Euroconsult sobre o mercado de Observação da Terra baseada em satélites, os dados e serviços desse setor deverão chegar a 8,5 bilhões de euros até 2026, com base na trajetória atual de crescimento, e até mesmo a 15 bilhões em um cenário alternativo.

Esta opção mais otimista considera as implicações de novas soluções que abram mercados futuros e ainda inexplorados. Ou seja, ainda tem muito espaço para este mercado crescer…

Ainda, avanços em inteligência artificial e deep learning deverão beneficiar o setor, possibilitando novas soluções baseadas em detecção e análises de mudanças (change-detection).

Segundo o estudo, os fatores que geram crescimento no setor são diferentes para dados e serviços. A área de Defesa ainda domina o mercado de dados comerciais, sendo responsável por compras que superam 1 bilhão, mais especificamente de imagens de altíssima resolução e alta acurácia no posicionamento. Espera-se que o preço dos dados para apoiar este setor continuem altos pelos próximos anos, com algum avanço nas áreas de governo e em vendas para empresas privadas.

Os mercados para serviços de valor agregado às imagens que continuarão em alta serão os de infraestrutura e monitoramento de recursos naturais, no entanto, muitas vezes são usadas soluções de baixo custo ou até mesmo gratuitas nessas áreas. Ou seja, o estudo leva em conta que os usuários buscam, antes, imagens gratuitas ou de acervo, e até mesmo ferramentas e plataformas livres.

De acordo com Pacome Revillon, CEO da Euroconsult, as empresas – tanto os operadores de satélites como os fornecedores de serviços – estão criando algoritmos para detectar mudanças a partir de dados de múltiplas fontes, com objetivo de encontrar padrões e criar análises preditivas. Ainda, segundo ele, trazer dados coletados com maior frequência para estes modelos de análises – também conhecido como um ambiente de Big Data – vai estimular ainda mais o desenvolvimento do setor, com potencial de criar novos serviços em áreas que geralmente não usam imagens de satélites, tais como inteligência de negócios, por exemplo.

A Euroconsult  identificou aproximadamente 20 companhias que anunciaram intenções de desenvolver constelações de satélites de baixo custo para  coleta de dados com alta taxa de revisita, baseados em tecnologias smallsat ou cubesat. Em 2017, estes novos operadores atraíram mais de 600 milhões em venture capital para financiar suas iniciativas.

Por outro lado, uma forte competição é esperada entre os fornecedores de dados, já que as companhias devem cada vez mais mostrar diferenciais e oferecer soluções inovadoras ao mercado. A consolidação dos grandes grupos (MDA / DigitalGlobe, OmniEarth / EagleView, Terra Bella / Planet) deverá trazer um refinamento nos modelos de negócios e continuar gerando altos investimentos.

A DigitalGlobe, por exemplo, está planejando o lançamento de uma constelação de satéliets de baixo custo (Legion), enquanto a Airbus está desenvolvendo seu próprio sistema óptico de altíssima resolução (VHR).

Os números deste setor impressionam: de 2007 a 2016 foram lançados 181 veículos de observação da Terra, enquanto na próxima década são esperados 600 lançamentos de aproximadamente 50 países.

E o Brasil?

Por aqui, o mais recente grande projeto de Observação da Terra é o CBERS, que está sofrendo com dificuldades e atrasos. O mercado de foguetes lançadores, que seria uma excelente oportunidade devido à nossa posição geográfica privilegiada, não avançou. E em relação a números do mercado, também não temos muito o que comemorar…

estudo de mercado mais ‘recente’ é de 2008, feito pela empresa Intare Consultoria em Gestão da Informação. Com um crescimento de 9% entre 2006 e 2007, e de 20% estimado para aquele ano, o dimensionamento do mercado potencial de Geoinformação no Brasil para 2008 era de 619 milhões de reais, considerado o conjunto dos componentes Dados, Softwares e Serviços.

O gráfico a seguir apresenta o dimensionamento do mercado brasileiro para o período 2006-2008, em milhões de reais.

dimensionamento do mercado brasileiro de gis Mercado de Observação da Terra pode chegar a 15 bilhões de euros em 2026. Isso é muito ou pouco?

E a figura abaixo ilustra o panorama do mercado, por tipo de solução, conforme os tipos definidos anteriormente.

panorama do mercado de gis por tipo de solução Mercado de Observação da Terra pode chegar a 15 bilhões de euros em 2026. Isso é muito ou pouco?

Quanto desses 8 a 15 bilhões vão “sobrar” para o mercado brasileiro? Seremos eternos consumidores de dados, ou será que um dia vamos entrar de vez no mercado como fornecedores?

Espero voltar aqui em 2026 com boas notícias…

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Será que existirá um futuro para as profissões de Cartógrafo, Agrimensor e afins? Como vamos nos adaptar às rápidas e constantes mudanças que estão ocorrendo? Será que ainda temos como “subir na cadeia alimentar”?

 Haverá futuro para Cartógrafos e Agrimensores? 5 formas de nos adaptarmos às mudançasEste conteúdo é baseado em um post no blog do professor José Maria Ciampagna, que por sua vez foi uma sugestão do Dr. Diego Erba – especialista em Cadastro – de leitura de um artigo de Robin Mc. Laren na revista GIM International.

Então, não é original, mas achei que valia a pena registrar isto em português, pois está muito relacionado com o que tenho escrito por aqui nos últimos dias e porque compartilho de algumas posições do autor.

O artigo original e a sua tradução ao espanhol falam somente de Surveyors / Agrimensores, mas me sinto confortável em estender também para os Cartógrafos, Tecnólogos em Geoprocessamento, Técnicos em Agrimensores, Geomensores, Geógrafos que trabalham com Geografia Física / Aplicada e afins.

Vamos lá:

O futuro dos Cartógrafos e Agrimensores: como vamos nos adaptar às constantes mudanças?

Robin McLaren descobriu recentemente que, tanto a profissão médica como a de arquitetura, se encontram em um dilema devido à aparição de sistemas de inteligência artificial como o Watson, da IBM, e também frente aos desafios dos mundos técnico e comercial em rápida e constante evolução.

Então, a pergunta que o autor faz é: “Como estamos posicionados em relação à profissão de Agrimensor?”

Em seu artigo, Robin explora como a profissão de Agrimensor / Cartógrafo / Geomensor pode ainda seguir sendo relevante, mesmo sob tanta pressão de outras profissões que estariam melhor preparadas.

futuro para Cartógrafos e Agrimensores 300x208 Haverá futuro para Cartógrafos e Agrimensores? 5 formas de nos adaptarmos às mudanças

Sobre o Watson, trata-se de um super-computador que combina Inteligência Artificial e software analítico para obter rendimento ótimo como uma “máquina de perguntas e respostas”, que já tem demonstrado seu valor no diagnóstico de pacientes, por exemplo.

Os médicos simplesmente não teriam tempo hábil – geralmente em torno de 15 anos – para adotar novos procedimentos com o Watson em seus calcanhares.

De forma semelhante, a profisssão de Arquitetura também encontra-se em um dilema. Para mim, o número é um pouco exagerado, mas segundo o autor do artigo, estima-se que 80% do mundo, hoje, esteja sendo construído sem arquitetos.

Segundo ele, parece que todas as profissões estão tendo que adaptar-se rapidamente aos desafios técnicos e comerciais em rápida evolução.

Em tempo: vale a pena dar uma olhada no site Will Robots Take My Job e pesquisar que profissões estão mais “ameaçadas de extinção” (o resultado para “Surveying and Mapping Technicians” é de impressionantes 96%).

E aí o sr. Mc Laren deixa estes questionamentos:

• Como a profissão de Agrimensor está se preparando para este desafio ?

• As profissões ligadas à Geomática continuarão sendo consideradas relevantes frente a outras mais atraentes?

• Será que os Topógrafos compreendem o impacto – em sua profissão – da revolução que está em curso no setor geoespacial?

Esta transformação digital inclui o crowdsourcing baseado em tecnologia móvel, a combinação de inteligência artificial e observação da Terra, os sistemas automatizados de localização e cartografia, o big data e a robótica, além do registros de terra sendo terceirizados ao setor privado.

De acordo com o autor, para as profissões ligadas à Geoinformação continuarem sendo relevantes, devemos educar nossos estudantes e continuar desenvolvendo a capacidade dos profissionais para que sejam tão criativos nos negócios como o são em coletar, gerenciar e analisar dados geoespaciais.

Hoje, o alcance limitado dos agrimensores se deve – ainda segundo o autor – em grande medida porque nos foi ensinado “O que pensar”, ao invés de “Como pensar” sobre o negócio geoespacial.

Para Mc Laren, a relevância de nossa profissão está conectada a estas 5 características críticas:

1 – Alcance: se ensinarmos aos jovens profissionais a serem tão criativos no setor geoespacial como o são em tecnologia da informação, se abrirão portas para fluxos de recursos provenientes de novas fontes, como por exemplo a propriedade intelectual e novos serviços, que possam expandir a influência do agrimensor na resolução de problemas.

2 – Eficácia: as soluções de nossos problemas globais só serão alcançadas mediante a colaboração com outras profissões. Desta forma, os cursos devem envolver o trabalho em equipes multidisciplinares para resolver problemas, ao invés de ficarmos isolados em “ilhas de geoprocessamento”.

3 – Conectividade: muitas vezes isolamos nossa profissão com discursos monótonos e/ou auto-complacentes. Em um mundo onde reinam as redes sociais e a desinformação, é fundamental transmitir nossa mensagem de forma clara e objetiva àqueles a quem tentamos influenciar, como os políticos e leigos.

4 – Adequação: nossas soluções parecem estar sobre-especificadas e são geralmente muito caras para os requisitos dos clientes. Precisamos escutar mais e de maneira mais efetiva as necessidades dos clientes, compreender melhor o contexto cultural e oferecer soluções aptas para o seu propósito.

5 – Resiliência: devemos levantar nossas cabeças, compreender o que está ocorrendo no mundo e nos adaptar rapidamente. Isto vai requerer que sejam mantidos nossos valores globais.

6 (bônus, por minha conta) – Sair da ZC: é essencial estarmos sempre prontos para sair da famigerada zona de conforto e pensar que, neste momento, um pequeno grupo pode estar em uma garagem no Vale do Silício desenvolvendo a próxima tecnologia que vai gerar a disrupção de um setor, e este setor pode ser o Geoespacial.

Finalizando, com as palavras do autor: “Para sobreviver, os Cartógrafos e Agrimensores deverão adotar uma mudança profunda, avançar na ‘cadeia alimentar’ de novos serviços ao agregar valor considerável e ser pró-ativos na criação de mercados inovadores. Do contrário, nos tornaremos irrelevantes e extintos”.

E você, concorda com o autor? Envie pra mim seus comentários que poderei traduzir e encaminhar tanto ao prof. Ciampagna como ao Robin Mc Laren (em tempo: recentemente fiz uma live sobre este assunto, que você pode assistir aqui).

PS: Para não trazer só “notícia ruim”, assim como comentei na live, a profissão considerada a “mais sexy da década” é a de cientista de dados. Ou seja, os dados agora viraram commodities, então é preciso saber o que fazer com esta imensa quantidade de informação que é gerada, continuamente. Em um futuro próximo, não vai ser tão importante o título – de qualquer forma, eu serei eternamente Engenheiro Cartógrafo – mas sim como estará a capacidade de cada um de se adaptar às mudanças do mercado. Bora que o futuro será fantástico…

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Transformação digital não acontece da noite para o dia

Por Eduardo Freitas | 14h06, 24 de Outubro de 2017

Esta foi a tônica da palestra de Laércio Cosentino, fundador da TOTVS (lê-se, “tótus”), semana passada aqui em Curitiba: Transformação digital não acontece da noite pro dia

O evento do último dia 19 de outubro foi bem enxuto e durou uma manhã, no Auditório do Museu Oscar Niemeyer, bem próximo do escritório da MundoGEO, reunindo mais de 300 profissionais e empresários.

Segundo o Márcio Viana, CEO da TOTVS Curitiba, “a ideia foi provocar e mostrar ao público em que momento estamos nessa jornada de transformação digital”.

Mostrou, ainda, a diferença entre as organizações tradicionais e as exponenciais, e como a TOTVS aproveita o melhor desses dois modelos. Em tempo- dica de leitura: Livro Organizações Exponenciais, de Yuri Van Geest.

Eterna Startup

25993 0 md 300x199 Transformação digital não acontece da noite para o diaUma eterna startup… Por incrível que pareça, é assim que Laércio Cosentino define seu negócio (por sinal, uma das maiores empresas de soluções, plataforma e consultoria da America Latina, presente em 40 países).

Fundada em 83, a TOTVS está passando por sua própria transformação digital, com a implementação e lançamento de novas tecnologias que vêm mudando a maneira como as pessoas agem e consomem.

Em sua palestra da semana passada, Laércio apresentou, de forma descontraída, as principais mudanças trazidas pela era digital.

Segundo ele, o processo de transformação é gradativo e envolve não só a empresa, mas também os clientes: “É importante que as empresas analisem seus clientes e busquem enxergar quais são as principais tendências desse público. A mudança no comportamento e na preferência das pessoas faz com que o processo de transformação seja constante”.

Destaque para o setor de softwares, que tem estreita ligação com o de Geotecnologia e está passando pela fase de transição do modelo “antigo” – baseado na venda de licenças e lançamento de versões – para o novo – com foco em assinatura e atualização constante.

O que virá pela frente?

Só quem estiver em constante transformação (digital?) vai saber…

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Campus Weekend e Inventum Pato Branco: volta às origens…

Por Eduardo Freitas | 15h20, 14 de Outubro de 2017

Drones, Inteligência Artificial, Internet das Coisas, Smart Cities, Exploração Espacial: neste fim de semana, a pequena Pato Branco se torna a gigante da tecnologia

Ok, pode até parecer que eu esteja somente “enchendo a bola” da minha cidade natal, mas para quem está de 13 a 18 de outubro em Pato Branco, no sudoeste do Paraná, vai poder ver uma mostra do que está, hoje, na fronteira da tecnologia em diversas áreas do conhecimento.

Drones, Inteligência Artificial, Internet das Coisas, Smart Cities, Exploração Espacial: tudo isso e mais um pouco fazem parte dos dois eventos que acontecem simultaneamente, o Inventum de 13 a 18 de outubro e a Campus Weekend nos dias 14 e 15.

Com a largada, na última sexta, Pato Branco entra de vez no mapa nacional da tecnologia. E isso não é pouco para uma cidade a 400 quilômetros da capital e relativamente longe dos grandes centros…

inventum e campus weekend pato branco 300x168 Campus Weekend e Inventum Pato Branco: volta às origens...É a primeira vez que acontece em uma cidade do interior a Campus Weekend, que é uma versão reduzida da Campus Party – maior feira de tecnologia do mundo. Segundo o prefeito de Pato Branco, Augustinho Zuchi, a expectativa é colher os frutos ao longo das próximas décadas.

De acordo com Francesco Ferruggia, presidente do Instituto Campus Party, apenas para a Campus Weekend houve mais de 1,5 mil inscritos, que, comparados aos 6 mil de São Paulo, é um excelente número. Já para o Deputado Estadual Guto Silva, um evento como este faz com que as pessoas entendam a importância da inovação e ajuda a reter talentos na região.

Uma das palestras mais esperadas da Campus Weekend será a de Paul Zaloom, do famoso seriado “O Mundo de Beakman”, premiado pelo Emmy, que vai fazer ao vivo demonstrações de experimentos científicos com muito humor.

Também está confirmado no palco principal o brasileiro Marcos Roberto Palhares, que tem vaga reservada em uma viagem suborbital da empresa Virgin Galactic, pioneira em turismo espacial. Marcos fará um contexto histórico da exploração espacial, mostrando como a raça humana está se preparando para sobreviver fora da Terra.

E os drones não poderiam ficar de fora… Carlos Cândido, doutorando em Computação Natural, será o palestrante que vai trazer detalhes de vários projetos ao redor do mundo sobre o uso de drones no combate à dengue, transporte de pessoas e mercadorias, entre outros temas.

Serão mais de 90 horas de contéudo, com mais de 70 palestrantes nacionais e internacionais que se apresentarão em quatro palcos: Feel The Future, Criatividade e Entretenimento, Ciência e Inovação, e Empreendedorismo. Completam a programação diversas oficinas de robótica, realidade virtual, computação quântica e mais.

Paralelamente acontecem, ainda, mostras das Universidades da região, com destaque para o estande do Curso Técnico em Agrimensura da UTFPR, que demonstra os equipamentos utilizados pelos alunos e os projetos em andamento. Segundo o professor Silvio Andolfato, é um desafio constante competir com a internet pela atenção dos estudantes, e por isso os professores têm que, a cada aula, dar o seu melhor para manter os alunos motivados no curso.

Palestra e Workshop

Agora vem um momento pessoal no qual eu tenho que agradecer pela oportunidade de, na segunda-feira (16/10), fazer uma palestra e dar um workshop para os alunos que estão cursando o técnico em Agrimensura.

Será uma honra poder compartilhar um pouco do que temos observado sobre as tendências das geotecnologias e drones, na parte da manhã, durante e palestra, e depois sobre GeoEmpreendedorismo, para uma turma menor, na parte da tarde.

De volta às origens… #gratidão

pato branco capital da tecnologia 1024x576 Campus Weekend e Inventum Pato Branco: volta às origens...

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Smartphone com 30 centímetros de precisão!?! Só que não…

Por Eduardo Freitas | 16h38, 11 de Outubro de 2017

Ou: não acredite no que você lê na grande mídia antes de fazer uma análise técnica… Será mesmo que é possível que um smartphone tenha somente 30 centímetros de precisão?

Este post já estava programado para ser elaborado nos últimos dias, mas foi adiantado devido a um pedido de nossos leitores:

“Por favor , gostaria que vcs desmentissem notícia divulgada no UOL que
trata de posicionamento preciso com celulares.
Li a notícia e notei que a mesma está eivada de erros e inverdades:”

Galileo sat constallation 300x225 Smartphone com 30 centímetros de precisão!?! Só que não...Então vamos lá (não vamos aqui “desmentir” ninguém, mas somente esclarecer melhor algumas informações): imagine que maravilha seria se o seu smartphone, comprado com algumas centenas de reais, pudesse ter precisão de poucos centímetros.

Seria ótimo, não é mesmo?

E para empresas, então, se abririam novas oportunidades de negócios, principalmente para as que atuam com mobile marketing e LBS – sigla em inglês para Serviços Baseados em Localização).

Afinal, o erro médio dos receptores GNSS presentes em nossos celulares, hoje, gira em torno de 5 a 10 metros, o que inviabiliza um posicionamento mais preciso para atividades do dia-a-dia, como localizar quem chamou um uber no meio de uma multidão ou receber uma oferta baseada em localização, por exemplo.

A notícia divulgada semana passada, de que uma empresa havia lançado um chip para smartphone que iria possibilitar estes impressionantes 30 centímetros, caiu como uma bomba no setor de Geotecnologia.

Com uma precisão assim, seria possível – teoricamente – até mesmo fazer georreferenciamento de imóveis rurais padrão Incra. E isso utilizando um simples smartphone!

Mas, infelizmente, não é bem assim (pelo menos por enquanto).

smartphone com mapa 300x225 Smartphone com 30 centímetros de precisão!?! Só que não...Vamos por partes…

Primeiro, é importante lembrar que a maioria dos smartphones, hoje, já rastreia sinais GNSS. Esta é a sigla em inglês para Sistemas Globais de Navegação por Satélites e engloba o norte-americano GPS, o russo Glonass, o europeu Galileo, o chinês Beidou, além dos vários sistemas de “aumentação” que existem no mundo (Egnos, WAAS, MSAS, etc).

É só você conferir no manual ou nas especificações técnicas do seu smartphone que poderá verificar quais sistemas seu aparelho rastreia. O meu é um smartphone meio “velhinho” e mesmo assim já rastreia dois sistemas: GPS e Glonass.

No caso da notícia da semana passada, foi divulgado maciçamente o lançamento da empresa Broadcom, de um chip para smartphone que vai rastrar o sinal L5, o que possibilitaria, em tese, essa precisão submétrica.

Só esqueceram de avisar que o sinal L5 será transmitido após a modernização do sistema GPS, cujos satélites ainda estão sendo lançados. Este sinal também é compatível com o E5, do Galileo, que ainda não tem alcance global.

O governo dos EUA está em processo de lançamento de três novos sinais projetados para uso civil: L2C, L5 e L1C. O sinal civil que já utilizamos na maioria dos smartphones (L1) continuará sendo transmitido. E os usuários deverão, aos poucos, atualizar seus equipamentos para se beneficiar dos novos sinais.

Estes novos sinais civis estão em fase progressiva de implantação, uma vez que a Força Aérea norte-americana está lançando novos satélites GPS para substituir os antigos.

A maioria dos novos sinais será de uso limitado, até que estejam sendo transmitidos a partir de 18 a 24 satélites. Hoje, o status do sinal L5 consta como “pré-operacional”, sendo transmitido a partir de 12 satélites em órbita.

A modernização do GPS envolve, ainda, uma série de lançamentos consecutivos de satélites, incluindo os blocos IIR-M, IIF e III. Também inclui melhorias, em paralelo, no segmento de controle em solo do sistema.

Ou seja, ainda não dá para prometer que teremos, pelo menos em solo brasileiro, smartphones com 30 centímetros de precisão já no próximo ano…

Na imagem a seguir, bastante didática, dá para ter uma ideia dos sinais dos diversos sistemas disponíveis hoje:

Fig1Old Smartphone com 30 centímetros de precisão!?! Só que não...

Quanto ao que saiu na grande mídia, uma das manchetes era esta: “Já era hora! Celulares terão GPS com precisão de até 30 cm em 2018″.

Veja que se fala em GPS, que seria já para o próximo ano. Ou seja, ao invés de informar, isso mais atrapalha do que ajuda. E nos textos que apareceram – inclusive em sites técnicos – não eram abordados os diferentes sinais e tão pouco a modernização do sistema GPS.

Na verdade, não se espera que os veículos de massa expliquem tudo isso ao seus leitores, mas que ao menos informem corretamente, fazendo as devidas ressalvas. Senão, vira um fiasco como aquela vez que o Jornal Nacional informou que o Japão teria “seu próprio GPS‘”.

Precisando de alguma consultoria técnica para fazer suas matérias? É só falar com os seguidores do MundoGEO, pois tem muita gente boa a disposição… #ficadica

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Agro é Tech, Agro é Pop, Agro é Digital!

Por Eduardo Freitas | 19h37, 29 de Setembro de 2017

Drones, Internet das Coisas, Realidade Virtual, Machine Learning, Big Data. Estes termos, que há pouco tempo poderiam parecer de filmes de ficção científica, já estão integrados ao dia-a-dia do campo, nas fazendas mais conectadas. Mas ainda tem um longo caminho a ser percorrido. Entenda…

Nos dias 21 e 22 de setembro aconteceu em Carambeí (PR) – no meio do caminho entre Ponta Grossa e Castro, região dos Campos Gerais – um evento disruptivo para o setor de Agronegócio, o Digital Agro.

Segundo organizadores e expositores, o DigitalAgro superou as expectativas, com uma visitação qualificada e focada em negócios. E o objetivo do evento foi cumprido, de levar a transformação digital para perto do produtor rural, ao invés deste ter que se deslocar até os grandes centros para conhecer as novidades.

Na entrada da feira, uma ‘atendente virtual’ em tamanho real nos dava as boas vindas de dentro de uma tela, enquanto nos estandes havia óculos de realidade aumentada, drones e muito entusiasmo em relação às novas tecnologias do campo…

feira digital agro 2017 1024x576 Agro é Tech, Agro é Pop, Agro é Digital!

Mas, também, muitas dúvidas, como pôde-se ver no semblante de quem estava assistindo as palestras. Afinal, não é fácil ouvir que você tem que ‘esquecer’ quase tudo o que conhecia e partir para a transformação digital no campo.

IoT, Aplicativos e Novos Modelos de Negócios

Na palestra sobre Internet das Coisas (ou IoT, a sigla mais popular e ‘marketeira’), o professor Ernane José Xavier Costa, da USP, comentou sobre como as pessoas podem – e devem – ser consideradas como ‘sensores’, afinal elas enxergam, ouvem e sentem tudo o que está acontecendo no campo.

Isso vale muito também para quem atua com drones, mas vamos falar sobre esse assunto no momento certo…

Na mesma palestra foi esmiuçado o conceito de Smart Farms, que se assemelha ao já conhecido Smart Cities, mas ainda há muitos desafios a serem superados, como a desmistificação da tecnologia, a falta de padronização, a dificuldade para sair da zona de conforto. As soluções: envolver a IoT na governança e iniciar com protótipos de ideias e soluções, para só depois que os conceitos sejam comprovados, aí sim implementar em escala maior.

O palestrante da Embrapa Informática Agropecuária, Daniel de Castro Victoria, por sua vez, falou sobre como a empresa está se aproximando do usuário, através de portais e apps para quem não tem, necessariamente, conhecimentos de GIS ou sensoriamento remoto.

A imagem a seguir, compartilhada por Daniel, de como artistas em 1900 imaginaram como seria a agricultura nos anos 2000, demonstrou como a tecnologia avançou. E, se imaginarmos, hoje, como será em 2100, certamente também erraremos:

artistas imaginam agricultura nos anos 2000 Agro é Tech, Agro é Pop, Agro é Digital!

Uma das empresas de maior êxito na Agricultura estava representada na programação por Santiago Larroux, da John Deere. Segundo ele, o Brasil é privilegiado por ter sol e chuva em abundância, além de – ainda – ter grandes áreas disponíveis para cultivo.

Porém, ainda temos imensos desafios a vencer, como a baixa cobertura de rede celular, falta de mão-de-obra especializada, pouca – ou nenhuma – interoperabilidade entre diferentes formatos de dados e aversão a novos modelos de negócios.

Larroux demonstrou a importância do Brasil para a John Deere pelo fato do país ter um centro de inovação em Indaiatuba (SP), o terceiro da empresa no mundo. Nesse centro estão sendo pesquisadas soluções para resolver – ou ao menos minimizar – os efeitos da cintilação ionosférica, um problema para quem trabalha com levantamentos geodésicos de alta precisão. E finalizou dizendo que ‘a Agricultura Digital vai chegar e já está batendo na nossa porta’.

Drones e Imagens de Satélites

Na sequência foi a fez de focar nos Drones, com a palestra de de Bruno Holtz Gemignani e André Luiz Augusto Thomaz, representando a 3DGEO, com o tema ‘monitoramento agrícola com RPAS – o uso de imagens multiespectrais no auxílio à tomada de decisão”. Segundo eles, muitos ainda não se deram conta que quem faz o serviço é a câmera, não o drone, que é somente a plataforma. E valorizaram muito o diferencial de trabalhar em conjunto com o produtor e/ou a equipe técnica da fazenda.

3dgeo resultados 300x168 Agro é Tech, Agro é Pop, Agro é Digital!Segundo Bruno, é importante ser sincero com os produtores e mostrar que tem um longo caminho desde a tomada das imagens até entregar o dado processado. Também é fundamental trabalhar com equipamentos robustos, desde a plataforma (drone) até o sensor. Além disso, usando uma câmera multiespectral é possível enxergar além do visível. Com a capacidade de captar o infravermelho, é possível identificar a atividade fotossintética das plantas, algo essencial no agronegócio. Ou seja, mesmo lá do alto, é importante ter os pés no chão.

‘A transformação digital da agricultura’ foi o tema abordado por Roberson Sterza Marczak, da ADAMA, que fez questão de explicar que existe uma diferença imensa entre inovação – que gera valor – e invenção. E demonstrou que é importante, no agronegócio, ‘ouvir as plantas’ através de sensores, como por exemplo em atividades de irrigação baseada em crescimento. Para ele, os drones já viraram uma ‘commodity’ pois o que se quer saber é qual será o approach em relação aos dados gerados por eles.

E o Big Data é intensamente explorado pela empresa, como por exemplo o histórico de imagens NDVI de mais de 10 anos. Porém, na maioria das fazendas os dados e sistemas ainda são uma ‘colcha de retalhos’, que precisa ser organizada. O próximo passo é convergir todas estas tecnologias: big data, drones, IoT…

palestrantes digital agro sensoriamento 1024x452 Agro é Tech, Agro é Pop, Agro é Digital!

Palestrantes do painel de sensoriamento do Digital Agro

Inteligência Artificial

O ‘robô’ Watson, da IBM, foi desnudado por Luis Otavio Fonseca na palestra sobre conhecimento cognitivo na agricultura. Segundo ele, sistemas de inteligência artificial podem ser ‘treinados’ para diversas aplicações, como por exemplo identificar falhas de plantio em imagens de satélites. Ou, ainda, fazer com que o robô ‘dirija’ um trator com objetivo de economizar combustível.

Para Fonseca, três atores têm que estar alinhados para que a computação cognitiva tenha sucesso no agro: produtor, gerente da fazenda e cientista de dados.

Já Bruno Pezzi Figueiredo, da SGS / Unigeo, mostrou uma visão inovadora nos processos de precisão na agricultura e trouxe um termo atualizado, que é a ‘nutrição de precisão’. Enfatizou também a importância de se coletar e usar dados de qualidade, sejam eles geoespaciais ou não. E a interdisciplinaridade e os recursos humanos foram valorizados, já que na Unigeo há pelo menos 40 programadores, 50 profissionais de geo e um time de agrônomos.

O representante mais emblemático do setor de Geotecnologia no evento foi Abimael Cereda Junior, da Imagem, que desmistificou as ideias de que GIS é caro ou complexo, e complementou dizendo que agricultura sempre foi big data, desde os primórdios da humanidade, e que sempre se lidou com o estado-da-arte da tecnologia. Comentou, ainda que o termo ‘com o uso de Geoprocessamento’ não existe no agro, pois é inerente ao setor que se trabalhe com dados e análises geoespaciais. Finalizou comentando que o WebGIS permite focar nos problemas de negócio e que Geo é o que une todas essas questões, integrando tudo numa base única.

Agro é Digital!

Diferentemente de anos atrás, quando uma feira de Agronegócio contava basicamente com defensivos agrícolas e produtos químicos, nesta não havia nenhum estande com este foco.

Pelo contrário, os produtores já viram que a solução para maximizar ganhos e diminuir custos no campo está no digital.

Chegou a era do Digital Agro!

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Blockchain e Geotecnologia: vem aí (mais) uma revolução

Por Eduardo Freitas | 22h24, 21 de Setembro de 2017

Confiança, imutabilidade, transparência: características que todo profissional do setor de Geo gostaria de ver para seus dados. Com a integração de Blockchain e Geotecnologia, vem aí (mais) uma revolução. Entenda…

Você já usou bitcoins para pagar por algo? Cadastrou sua carteira (wallet) online ou física? Já conhece o protocolo FOAM para transação de dados geo? É bom ficar por dentro, pois o mundo depois da tecnologia Blockchain nunca será como antes.

A Geoinformação sempre fez bom uso das tecnologias computacionais, desde as bases de dados até o armazenamento e análises na nuvem. Além disso, as tecnologias geoespaciais estão a cada dia mais sendo integradas a sistemas como ERPs, CRMs e por aí vai…

Dessa forma, é apenas questão de tempo para que possamos incorporar também a tecnologia Blockchain.

O termo “chain” é a cadeia de transações, como se fossem entradas em uma espécie de livro caixa, mas esses ativos podem ser desde dinheiro até imagens, mapas, documentos… Enfim, qualquer coisa que possa passar de uma pessoa a outra de forma online. Hoje, o que acontece é a transação entre tokens contendo somente os metadados dos ativos. Já o envio físico do ativo ocorre de forma separada.

Por sua vez, o termo “block” refere-se ao agrupamento das transações relacionadas entre si. Uma forma de visualizar a Blockchain é imaginar entradas em um livro contábil, onde todas as transações entram na sequência em que ocorrem.

blockchain e geotecnologia 300x221 Blockchain e Geotecnologia: vem aí (mais) uma revoluçãoExistem algumas diferenças sensíveis em relação a uma base de dados tradicional. Blockchains são abertas para todos os membros, assim como os registros das transações. Não há uma administração central, por ser uma rede ponto-a-ponto. Cada transação que entra na Blockchain é verificada e aprovada por consenso entre os membros da rede. Por outro lado, há “validadores” – chamados de mineradores – que podem revisar e validar transações.

Confiança e Imutabilidade

As duas características chave da tecnologia Blockchain são confiança e imutabilidade. A confiança é sobre a qual toda negociação acontece, enquanto a imutabilidade é a garantia de que um registro ou transação não pode ser modificado ou apagado. Quando um membro faz uma transação, data e hora são estampados e uma chave é gerada pelo computador, usando a chave privada do membro da rede. Cada transação subsequente também terá estampada seus dados (data, hora, chave).

Por isso, eu sugiro fortemente que, se você ainda não fez isso, crie uma carteira (wallet), no início online, e quando se sentir confortável com esta tecnologia, tenha uma carteira física. Tem vários serviços de carteiras online, as quais têm a finalidade básica de estocar bitcoins, mas que você pode usar para qualquer tipo de ativo. Já as carteiras físicas são como pen-drives ou tokens, válidas para quem precisa guardar valores maiores.

Hoje, em uma transação tradicional, duas partes que não se conhecem precisam de um intermediário em quem confiem, para que possam trocar ativos entre si. Um banco, por exemplo.

Em uma Blockchain, esse intermediário é substituído por uma rede ponto-a-ponto na qual a autorização e a validação das transações é feita através de um processo de consenso entre seus membros.

Ou seja, saem os intermediários e entra a troca direta!

Já imaginou onde isso pode dar? Desde a compra/venda de dados geoespaciais até mesmo o voto em políticos, já temos tecnologia para eliminar quem está entre as pessoas e tornar o fluxo de informação muito mais transparente. Mas, então, quais as barreiras para que isso aconteça?

Em alguns casos, ainda é preciso que haja um controle central, garantia de confidencialidade, rápida performance e alta escalabilidade. Num caso como este, ainda faz sentido se pensar em bases de dados. Um exemplo é o SINTER – Sistema Nacional de Gestão de Informações Territoriais -, da Receita Federal, que está sendo desenvolvido baseado em conceitos de bases de dados.

Público x Privado

Existem dois tipos de Blockchains: pública e privada. A implementação mais conhecida de uma Blockchain pública é a moeda digital bitcoin. Neste caso, um membro tem que configurar uma carteira, à qual o sistema atribui uma chave privada. A partir disso, o membro já pode interagir com a rede e usar bitcoins para pagar por bens, serviços, dados, documentos e o que mais você puder imaginar.

Já uma Blockchain privada pode ser implementada por uma instituição, tal como órgãos governamentais ou empresas, com número restrito de usuários e entrada somente através de convite. Ainda que outros membros possam ver a transação, eles não podem participar dela. As regras podem ser facilmente alteradas pelos administradores e os mineradores são certificados pela instituição.

E onde entra o Blockchain na Geotecnologia?

Existem várias áreas onde a tecnologia Blockchain pode ser usada, mas destacam-se duas: transações territoriais e repositórios de dados.

Hoje, no caso de negócios envolvendo imóveis, em regra não há confiança estabelecida entre duas partes que estão envolvidas e existe necessidade de transparência em relação aos dados. Por isso, existe uma parte que é o registro de imóveis para fazer a intermediação.

Porém, com Blockchain essa parte poderia simplesmente ser eliminada. E isso já está sendo testado em vários países, como Ucrânia, Estônia, Honduras, Georgia, Gana e Suécia (esta última está implementando um projeto piloto).

No Brasil, convivemos com erros e inconsistências em registros de terras, e ainda que as tecnologias geoespaciais tenham tido um grande impacto na digitalização de mapas e implementação de geoprocessamento, as transações de dados relativos a imóveis tende a perder sincronismo, pois constam em várias bases.

Uma implementação que integra Geotecnologia e Blockchain é o FOAM, um protocolo aberto para o mercado de dados geoespaciais na blockchain Ethereum. O FOAM associa “coordenadas” espaciais criptografadas a contratos e estes a endereços físicos. Como se sua carteira tivesse um “layer espacial” e seu dinheiro fosse creditado ou debitado em função de sua localização.

Um exemplo poderia ser o uso de transporte público, no qual um ônibus identificaria a posição geográfica dos pontos de entrada e saída do usuário no veículo e cobraria somente a distância que ele percorreu. Outro exemplo seria estocar dados geoespaciais em função de sua localização e cobrar pelo seu uso somente quando a pessoa estiver naquele local.

Para ajudar, fizemos um infográfico explicando como seria uma transação entre duas pessoas, que não se conhecem, mas que intercambiariam dados e valores sem necessidade de um intermediário:

infografico blockchain 409x1024 Blockchain e Geotecnologia: vem aí (mais) uma revolução

Então, quando usar Blockchain?

Uma organização que precise trabalhar sem intermediários, onde os membros não necessariamente se conheçam suficientemente para terem confiança entre eles, numa rede que requeira abertura e transparência sobre as transações, seria uma séria candidata à implementação de Blockchain.

A tecnologia Blockchain já é realidade e veio para ficar. É uma rede imensa, distribuída globalmente, acessível por qualquer aparelho e onde qualquer coisa de valor – informação, dinheiro e até mesmo votos – pode ser movida, guardada e gerenciada de forma segura e transparente. Pois é, vem aí (mais) uma revolução…

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Tecnologia vai fazer a diferença para que a nova geração fique no campo?

Por Eduardo Freitas | 20h47, 29 de Agosto de 2017

A capital paranaense foi palco de um fórum que reuniu a comunidade sulamericana do Agronegócio, na semana passada, e o assunto principal foi o processo sucessório nas empresas familiares. Resumindo o evento em uma questão: já que a sucessão é um desafio, será que a tecnologia vai fazer a diferença para que a nova geração queira ficar no campo?

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5º Fórum de Agricultura da América do Sul (foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo)

Fui convidado pela organização do evento para participar no 5º Fórum de Agricultura da América do Sul nos dias 24 e 25 de agosto em Curitiba (PR), no Museu Oscar Niemeyer, a poucas quadras aqui do escritório da MundoGEO. E para mim foi uma surpresa saber que a sucessão no campo é uma preocupação tão grande para o setor de agronegócio em todo o globo. Falou-se em garantia da segurança alimentar, manutenção da paz e até mesmo futuro da humanidade.

Apesar do tema central do evento ser “Sucessão, Gestão e Tecnologia – O Campo do Futuro e em Transformação”, o primeiro assunto acabou tendo muito mais ênfase. E o evento começou com a participação – através de vídeo conferência – de Roberto Azevedo, brasileiro que está fazendo bonito como Diretor Geral da OMC – a importante e imponente Organização Mundial de Comércio – que demonstrou preocupação com blocos se desfazendo e desaceleração da economia, mas também otimismo com as novas tecnologias no campo.

Segundo dados apresentados por um palestrante que representou o IPEA, 90% das fazendas são empresas familiares e, ainda que outras pessoas sejam envolvidas na administração, quase sempre as decisões estratégicas são tomadas pela família. Outro número preocupante apresentado por um palestrante foi que 80% dos jovens não querem ficar no campo. Por isso, os jovens precisam ser vistos, não como futuro do setor, mas como presentes na produção e inovação, sendo este um fator chave para a sustentabilidade da agricultura e alimentação.

Vários palestrantes citaram a forte dependência do Brasil do Agronegócio, que representa cerca de 50% de nossas exportações, e mais especificamente no estado do Paraná que pode chegar a 75%. Porém, a infraestrutura ainda é o maior gargalo para o escoamento da produção. E, apesar de o Brasil produzir 7,6 vezes mais do que consome, ainda há muito espaço para melhorar a produtividade, principalmente através da tecnologia.

Dois palestrantes mostraram o mesmo gráfico – preocupante – no qual havia o alerta de que, mantendo-se os níveis atuais de crescimento na produção e na população, o mundo não conseguiria alimentar todos os seus habitantes em 2050 (estima-se que serão 11 bilhões). Algumas soluções seriam diminuir o gap tecnológico em relação aos países campeões de produtividade e quebrar paradigmas (nanotecnologia, big data, startups), já que a área agriculturável tende a não aumentar muito.

Também se falou de oportunidades para atuar em parceria com outros países, como por exemplo a Índia. Aliando três fatores, os indianos são hoje o melhor mercado para proteína vegetal: população em crescimento, consumo em alta e escassez de água. E, já se encaminhando para o fechamento do evento, foi enfatizada a importância do urbano, já que todos estão, de uma forma ou outra, envolvidos com agronegócio: cooperativas, bancos, marketeiros, imprensa, etc..

Ao final do Fórum, ficou a conclusão de que a sucessão é um desafio a ser enfrentado, mas que a tecnologia deverá fazer toda a diferença para que as novas gerações queiram continuar no campo. A sucessão não deve ser tratada como um evento isolado, mas como um processo, para que seja menos traumática, e a tecnologia será a chave.

Censo Agro

Foi emblemática a participação do Diretor Executivo do IBGE sobre o Censo Agropecuário 2017 que será realizado a partir de outubro, com 18 mil recenseadores munidos de computadores de mão, que deverão visitar mais de 5 milhões de propriedades.

Segundo ele, devido às restrições orçamentárias do governo, não sobraram recursos para fazer campanha para que os proprietários rurais recebam os recenseadores, então foi feito um apelo aos veículos de mídia, cooperativas e demais instituições do agro pelo apoio na divulgação.

Os dados do censo vão gerar informações e conhecimentos valiosos para subsidiar a tomada de decisão, redefinindo todo o setor do agronegócio para os próximos anos.

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  • Eduardo Freitas
    @eduardo
    Diretor de Operações do MundoGEO. Engenheiro Cartógrafo, Técnico em Edificações, Especialização em Gestão Estratégica de EAD. Tradutor dos informativos GeoSur e OGC Iberoamérica. Nas horas vagas: pão caseiro, comida japonesa e meia-maratona

    Diretor de Operações do MundoGEO. Engenheiro Cartógrafo, Técnico em Edificações, Especialização em Gestão Estratégica de EAD. Tradutor dos informativos GeoSur e OGC Iberoamérica. Nas horas vagas: pão caseiro, comida japonesa e meia-maratona

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