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Mercado de GIS vai dobrar de tamanho e chegar a US$ 10 bi em 2023. E daí?

Por Eduardo Freitas | 18h31, 14 de Agosto de 2017

Segundo um estudo recente, o tamanho do mercado de GIS vai dobrar até 2023 e ultrapassar 10 bilhões de dólares de faturamento. Por outro lado, no Brasil, o setor de Geo está em crise. Como podemos ‘surfar’ esta onda?

De acordo com o mais recente relatório de pesquisa publicado pela MarketsandMarkets, o mercado de Sistemas de Informação Geográfica (GIS, na sigla em inglês) foi avaliado em 5,33 bilhões de dólares em 2016 e deve alcançar 10,12 bilhões em 2023, apresentando um crescimento anual de aproximadamente 9,6% entre 2017 e 2023.

tamanho do mercado de gis 300x162 Mercado de GIS vai dobrar de tamanho e chegar a US$ 10 bi em 2023. E daí?O título do estudo de mercado é “Geographic Information System (GIS) Market by Component (Hardware (GIS Collector, Total Station, LIDAR, GNSS Antenna) & Software), Function (Mapping, Surveying, Telematics and Navigation, Location-Based Service), End User – Global Forecast to 2023″ e um resumo pode ser acessado aqui. Caso tenha interesse no relatório completo, aí você terá que desembolsar uma boa quantidade de dólares…

Alguns dos fatores que deverão impulsionar esse crescimento são o desenvolvimento de smart cities, a integração da tecnologia geoespacial com outros sistemas para business intelligente e a adoção de soluções GIS para transportes. De acordo com o estudo, os principais players são, em ordem alfabética, Autodesk  (EUA), Bentley System (EUA), Esri (EUA), General Electric (EUA), Hexagon (Suécia), Pitney Bowes (EUA), Topcon (Japão) e Trimble (EUA).

Veja que nesse estudo foi incluído praticamente tudo que é relativo a Geoinformação sob o ‘guarda-chuva’ do GIS, desde GNSS e Laser Scanning até LBS e interfaces com o usuário.

Isso mostra como ainda é difícil ‘nominar’ o que abrange a Ciência da Informação Geográfica. Em 2013 a Oxera fez um estudo para a Google sobre o tamanho do mercado e chamou de ‘Geoservices’, o que também é um termo inadequado para denominar nosso setor. Dentro de ‘Geoserviços’ foram incluídos desde as imagens de satélites até os navegadores GPS em automóveis…

Segundo aquele estudo, a receita anual do mercado de Geo estaria entre 150 e 270 bilhões de dólares, muito maior do que a indústria de games – que já é gigantesca – e praticamente um terço da indústria aeroespacial:

Oxera Geo Services 519x1024 Mercado de GIS vai dobrar de tamanho e chegar a US$ 10 bi em 2023. E daí?

Mas veja como os números não batem. Num estudo de 2013, a receita chegaria a centenas de bilhões por ano, enquanto este estudo mais atual, de 2016, avalia o mercado de GIS em ‘apenas’ 5 bilhões.

Voltando ao estudo mais atual, o escopo do relatório prevê a categorização do mercado de GIS segundo componentes, função, usuário final e geografia:

Mercado de GIS por Componentes

• Hardware
- Coletores GIS
- Estações Totais
- Lidar
- Antenas GNSS/GPS
- Sensores de Imageamento

• Software

Mercado de GIS por Função

• Mapeamento
• Telemática e Navegação
• Location-Based Services

Mercado GIS por Usuário Final

• Agricultura
• Construção
• Transportes
• Utilities
• Mineração
• Óleo & Gás

Mercado GIS por Geografia

• América do Norte
• Europa
• Ásia Pacífico (APAC)
• Resto do Mundo (RoW, na sigla em inglês)

geographic information system market1 Mercado de GIS vai dobrar de tamanho e chegar a US$ 10 bi em 2023. E daí?

Previsão para o Tamanho do Mercado de GIS, por região, em 2023

Pois é, estamos incluídos em ‘Resto do Mundo’ e os números nos são pouco favoráveis…

E no Brasil?

Por estas bandas, o estudo de mercado mais ‘recente’ é de 2008, feito pela empresa Intare Consultoria em Gestão da Informação. Ou seja, lá se vão quase 10 anos…

Com um crescimento de 9% entre 2006 e 2007, e de 20% estimado para aquele ano, o dimensionamento do mercado potencial de geotecnologia no Brasil para 2008 era de 619 milhões de reais, considerado o conjunto dos componentes Dados, Softwares e Serviços.

O gráfico a seguir apresenta o dimensionamento do mercado brasileiro para o período 2006-2008, em milhões de reais.

dimensionamento do mercado brasileiro de gis Mercado de GIS vai dobrar de tamanho e chegar a US$ 10 bi em 2023. E daí?

E a figura abaixo ilustra o panorama do mercado, por tipo de solução, conforme os tipos definidos anteriormente.

panorama do mercado de gis por tipo de solução Mercado de GIS vai dobrar de tamanho e chegar a US$ 10 bi em 2023. E daí?

Independentemente dos números ou da região, o mercado é imenso se soubermos identificar as oportunidades onde elas estão ‘escondidas’.

Se, por um lado, profissões como a de Cartógrafo estão ‘ameaçadas de extinção’ – conforme mostra este estudo -, outras áreas estão em alta, como a Ciência de Dados e a Geoestatística – como comprova este outro estudo.

É preciso pensar ‘fora da caixa’ e estar aberto ao novo. Sair da zona de conforto e atuar com Geoinformação independentemente de títulos profissionais ou rótulos. Também não faz mais sentido criar ‘nichos’/ilhas dentro de empresas, muito menos reservas de mercado…

De que adianta esta onda se a gente não conseguir surfar nela, não é mesmo? Bora?

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O pessoal do IBGE trabalhou duro nos últimos dias… Foram pelo menos meia-dúzia de novidades de peso, desde a nova divisão territorial do Brasil até a inauguração de uma plataforma para acesso aos dados geodésicos. Vale a pena conferir…

Semana passada a gente quase pirou aqui… Depois de ficar um tempo ‘em silêncio’, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística simplesmente lançou quase dez novidades na mesma semana, uma melhor do que a outra.

Não sei como funciona o setor de comunicação do IBGE, mas poderiam pelo menos espaçar um pouco os lançamentos, pra gente poder dar o devido destaque pra cada um deles…

Eu até comentei sobre isso na live da última semana:

Mas vamos por partes.

Atlas Nacional Digital

atlas nacional digital do brasil 300x140 IBGE Nível Hard: da nova divisão territorial até a plataforma inédita de dados geodésicosA primeira novidade da semana passada foi o lançamento do Atlas Nacional Digital do Brasil 2017 com a atualização das seções “Brasil no mundo” e “Sociedade e economia”, além de um caderno temático inédito sobre ‘Cidades Sustentáveis’.

Como todo Atlas que se preze, conta com mapas, tabelas e gráficos pra permitir o cruzamento de dados estatísticos e feições geográficas, o que facilita o entendimento de vários temas.

Dá pra fazer download e consultar dados geográficos, estatísticos e metadados, navegar pelos mapas, alterar escala de visualização, ver e exportar tabelas e arquivos gráficos, personalizar o mapa superpondo temas de várias fontes, gerar imagens, salvar o ambiente de estudo pra posterior análise e abrir um ambiente personalizado de estudo. Todos os temas encontram-se como geoserviços e podem ser exportados pra outros formatos. Dá ainda pra fazer a visualização temporal de alguns temas e assim analisar as mudanças ao longo dos anos.

Acesse aqui ao Atlas Nacional Digital do Brasil 2017 e o Caderno Temático sobre Cidades Sustentáveis

Já o caderno é estruturado em torno de quatro eixos temáticos: urbanização, habitação e mobilidade urbana; ambiente urbano e segurança; planejamento, democratização e participação na sociedade; e cultura e patrimônio.

Áreas atualizadas de estados e municípios

Outra novidade foi o anúncio das áreas territoriais atualizadas de estados e municípios brasileiros. A superfície do Brasil foi atualizada para 8.515.759,09 quilômetros quadrados.

Não mudou muito em relação à área anterior, mas o que chama a atenção foi o número de municípios com alteração em seu território: 108, com destaque para Alagoas e Bahia, com 25 municípios cada.

nova divisao territorial do brasil IBGE Nível Hard: da nova divisão territorial até a plataforma inédita de dados geodésicos

Confira a seguir os municípios com alteração territorial, por estado:
Alagoas e Bahia -> 25 cada
Pernambuco e Piauí -> 9 cada
Maranhão -> 8
Mato Grosso e Paraíba -> 6 cada
Goiás -> 5
São Paulo -> 3
Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte -> 2
Rondônia -> 1

O reprocessamento das áreas está alinhado com a estrutura político-administrativa vigente em 1º de julho de 2016, incorporando as alterações de limites municipais após o Censo 2010 e praticadas nas estimativas populacionais de 2011 a 2016.

Estas mudanças nas áreas são próprias da tecnologia de mensuração – que evolui a cada dia – e da dinâmica da divisão territorial, que implica na atualização periódica dos valores das áreas estaduais e municipais.

Tais alterações podem ser de natureza legal, judicial ou decorrentes de ajustes e refinamentos cartográficos e da utilização continuada de melhores técnicas e insumos de produção.

Baixe aqui os arquivos digitais atualizados da Malha Municipal 2016

Cartas imagem do Piauí e Maranhão

cartas imagem piaui maranhao 257x300 IBGE Nível Hard: da nova divisão territorial até a plataforma inédita de dados geodésicosAlém da divisão territorial, o IBGE disponibilizou recentemente novas cartas imagem na escala 1:100.000 de parte dos estados do Piauí e Maranhão.

Importante: cartas imagem são formadas por mosaicos de imagens de satélite, cujas distorções são eliminadas com o objetivo de tornar a imagem métrica e minimizar os erros inerentes à sua aquisição

Estas cartas imagem do Piauí e Maranhão foram produzidas a partir de imagens do sensor AVNIR-2, com 10 metros de resolução espacial, adquiridas entre 2009 e 2010.

Baixe aqui em formato pdf as cartas imagem do Piauí e Maranhão

Divisão em Regiões Geográficas Imediatas e Regiões Geográficas Intermediárias

Um conceito novo também foi apresentado recentemente, com a divisão regional do Brasil em Regiões Geográficas Imediatas e Regiões Geográficas Intermediárias.

divisao regional do brasil 224x300 IBGE Nível Hard: da nova divisão territorial até a plataforma inédita de dados geodésicos

Este novo quadro regional está alinhado aos processos sociais, políticos e econômicos sucedidos em território nacional desde a última versão da Divisão Regional do Brasil, publicada na década de 1990.

Ou seja, esta atualização leva em conta quase três décadas de mudanças…

Seu objetivo é atualizar as articulações das cidades entre si, em termos de circulação de pessoas, serviços e informações, por exemplo, e com isto subsidiar o planejamento e gestão de políticas públicas em níveis federal e estadual e disponibilizar recortes pra divulgação dos dados estatísticos e geocientíficos do IBGE para os próximos 10 anos.

Acesse aqui a divisão do Brasil em Regiões Geográficas Imediatas e Regiões Geográficas Intermediárias

Versão Web do Atlas das Zonas Costeiras e Oceânicas

E tem mais…

O IBGE anunciou a versão web do Atlas Geográfico das Zonas Costeiras e Oceânicas do Brasil.

atlas zonas costeiras IBGE Nível Hard: da nova divisão territorial até a plataforma inédita de dados geodésicosEm parceria com a Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM), a nova versão é voltada para estudantes e o público em geral, e contém informações sobre os oceanos e o litoral brasileiro, as dimensões histórica, demográfica, econômica, social, cultural e natural.

A nova versão dá ao usuário acesso ao conjunto de mais de 120 mapas editorados e também às bases de dados. Também é permitido fazer download e consulta aos dados geográficos, estatísticos, além de analisar os mapas, podendo fazer navegação, alteração da escala de visualização, visualização e exportação de tabelas e arquivos gráficos, personalização do mapa, gerar imagens e salvar o ambiente de estudo.

Baixe aqui em pdf o Atlas das Zonas Costeiras e Oceânicas

Nova plataforma do Banco de Dados Geodésicos

Mas a principal novidade foi o anúncio da nova plataforma do Banco de Dados Geodésicos no portal do IBGE, lançada pra aprimorar o acesso às informações do Banco de Dados Geodésicos (BDG).

O novo aplicativo especializa o conjunto de estações pesquisado, através do portal do IBGE, onde estão disponíveis um conjunto de mais de 122 mil estações geodésicas do Sistema Geodésico Brasileiro (SGB) que foram implantadas desde 1939.

As estações geodésicas são identificadas, geralmente, através de monumentos de concreto que recebem uma chapa de metal no seu topo, identificando o IBGE e o tipo de estação – altimétrica (Referências de Nível – RRNN) ou planialtimétricas (SAT – posicionamento por satélites). As coordenadas destas estações são determinadas por procedimentos operacionais e de cálculo, segundo modelos geodésicos de altíssima precisão.

Segundo informações do IBGE, além das funções que já estavam na versão anterior – como pesquisa por estações, download dos dados de rastreio, etc) – esta nova versão do banco de dados geodésicos possibilita a espacialização do conjunto de estações pesquisadas e a exportação dos dados para diversos formatos (csv, shp, kmz), facilitando o uso das informações em aplicações geoespaciais, como por exemplo Google Earth e QGIS.

Além das consultas por estação, município e enquadramento, foram disponibilizadas opções para pesquisar por buffer a partir de uma estação e por conexão geodésica, permitindo que o usuário encontre estações que possuam mais de um tipo levantamento. Outro recurso disponível é a integração com as Redes Geodésicas já disponibilizadas como camadas na Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais (INDE).

Esta nova aplicação foi desenvolvida utilizando ferramentas de código livre já utilizadas na instituição e de grande aceitação pelos profissionais e empresas da área geo.

Acesse aqui a nova plataforma do Banco de Dados Geodésicos

tela do novo portal de dados geoodesicos do ibge 1024x498 IBGE Nível Hard: da nova divisão territorial até a plataforma inédita de dados geodésicos

Com informações do IBGE

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Japoneses agora terão um GPS para chamar de seu #sqn

Por Eduardo Freitas | 16h16, 26 de Junho de 2017

Quer dizer que agora o Japão terá um GPS só pra ele?!? Leia e entenda que não é bem assim…

Causou espanto a superficialidade como a Rede Globo de Televisão tratou a Geodésia na última quarta-feira, 21 de junho, quando veiculou uma matéria sobre o “GPS Japonês”.

Assista aqui na íntegra a matéria Japão cria GPS que tem previsão de centímetros

Foi interessante ver a Geodésia em destaque no JN, mas esta matéria tem vários equívocos, como comentei na live do último domingo (25/6):

O erro principal foi falar que o GPS só funciona porque os satélites ficam fixos sobre um ponto na Terra. Na verdade, eles se confundiram com satélites Geoestacionários.

Mas olha só a agilidade da internet. Apenas 20 minutos depois de eu postar no Facebook uma crítica sobre este assunto – que recebeu vários comentários e colaborações -, uma pessoa da Globo entrou em contato e pediu para enviarmos por email uma sugestão de errata, a qual reproduzo a seguir:

“Primeiro, agradeço por abrir este canal de comunicação. Seguem a seguir meus comentários:

Antes de mais nada, é importante deixar claros alguns conceitos. Hoje, existe o sistema norte-americano GPS e seus similares: o russo Glonass, o europeu Galileo e o chinês Beidou.

Outros sistemas que melhoram a qualidade do posicionamento – usando os sinais do GPS – são chamados SBAS (Satellite Based Augmentation Systems), ou sistemas de ‘aumentação’, como o WAAS na América do Norte, o Egnos na Europa, o QZSS no Japão, o Gagan na Índia.

Na matéria tem algumas confusões de conceitos, mas entendo que é pra deixar o conteúdo ‘entendível’ pelo público leigo.

Porém tem um erro bem grave no trecho a partir de 1min15s: ‘O GPS hoje é possível com informações enviadas por satélites Geoestacionários, que ficam parados orbitando sobre pontos fixos na Terra’.

Na verdade, houve uma confusão com os satélites dos sistemas de ‘aumentação’, que geram sinais para melhorar o posicionamento, em conjunto com o sistema GPS
.
Sugestão de errata: ‘Diferentemente do que foi informado, o funcionamento do sistema GPS é possível com informações de dezenas de satélites que estão em movimento ao redor da Terra, que têm seus sinais melhorados através de satélites fixos sobre um ponto da Terra, estes sim Geoestacionários’.

Tem também um erro em 1min47s, quando se fala em ‘margem de erro praticamente zerada’, pois para aplicações de engenharia, 10 centímetros é um erro imenso (por exemplo, no encaixe de uma máquina em uma estrutura).

Também, falar que em 2018 o japonês terá ‘um GPS para chamar de seu’ é um erro, pois eles já têm acesso aos sinais do GPS norte-americano, e o novo sistema QZSS vai melhorar a precisão mas não os tornará independentes do GPS. Porém, acho desnecessário erratas nestes caso, pois não é erro de informação, mas de julgamento.

Enfim, espero ter ajudado”.

Que confusão, não é mesmo? Mas é bom saber que a errata já chegou aos editores e estamos aguardando a resposta da Globo.

Por dentro do QZSS e dos Sistemas de Aumentação do GPS

Indo um pouco além, é importante entender um pouco melhor como funciona o tal “GPS Japonês”.

No último dia 31 de maio um foguete H-IIA colocou em órbita o segundo satélite do sistema japonês QZSS (sigla em inglês para Quasi-Zenith Satellite System):

Chamado de Michibiki-2, o veículo fará parte de uma constelação de quatro satélites , sendo um geoestacionário e três com órbita geosíncrona inclinada.

Os satélite serão operados pela empresa privada Quasi-Zenith Satellite System Services Incorporated, em parceria com a Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial JAXA (sigla em inglês para Japan Aerospace Exploration Agency).

O objetivo do QZSS é fornecer sinais adicionais de navegação, compatíveis com o sistema GPS.

main qimg 4107ce8bffb45cce0a3bf10cde7baa29 c 179x300 Japoneses agora terão um GPS para chamar de seu #sqnTrês dos satélites do sistema vão operar em órbita inclinada 44 graus em relação ao Equador, o que gera uma órbita em forma do número 8 com centro em um ponto no Equador, na longitude de 135 graus Leste.

Com estes três satélites igualmente espaçados na órbita, pelo menos um veículo sempre estará dentro de um intervalo de no máximo 30 graus sobre um usuário (daí vem o nome “Quase Zenital” do sistema).

Enquanto isso, um quarto satélite ficará em uma órbita geoestacionária. Ou seja, este sim ficará estacionado sobre o Japão.

Cânions Urbanos

Um receptor de sinais de um sistema de navegação – como o seu smartphone, por exemplo – recebe sinais de múltiplos satélites, de diferentes sistemas, para triangular sua localização. Em cidades, existem os “cânions urbanos”, que não permitem a propagação dos sinais de forma correta, resultando em um efeito indesejado chamado de “multicaminhamento”. Ou seja, o receptor acaba identificando um mesmo sinal duas ou mais vezes, devido à reflexão destes sinais em edificações, por exemplo, gerando menor precisão.

Através de um sistema como o QZSS, sinais adicionais de navegação geram melhor posicionamento – ou maior acurácia, se preferir. Tendo sempre um satélite próximo ao zênite, pode-se garantir que os sinais não serão bloqueados ou refletidos – ou, pelo menos, minimizar estes efeitos.

O QZSS transmitirá sinais de navegação L1C/A, L1C, L2C e L5, compatíveis com o sistema GPS. A previsão é que o sistema esteja totalmente operacional já em 2018, e para 2024 os japoneses já anunciaram que vão aumentar o número de satélites para sete.

Na imagem a seguir você pode ver todos os sistemas de “aumentação”, alguns operacionais e outros em desenvolvimento:

SBAS 1024x528 Japoneses agora terão um GPS para chamar de seu #sqn

Com informações da JAXA, AFP, Globo, ESA, GSA

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CAR: App do Bem, Embrapa e Brasil com Mezanino

Por Eduardo Freitas | 19h45, 19 de Junho de 2017

Vários assuntos hoje para tratar sobre o Cadastro Ambiental Rural. Mas, como dizia Jack, o estripador, vamos por partes…

Aplicativo do Bem

plantadores de rios 300x291 CAR: App do Bem, Embrapa e Brasil com MezaninoPara não dizerem que eu só ‘detono’ o CAR, olha só uma aplicação prática e super do bem:

O app Plantadores de Rios – por enquanto disponível só para Android – conecta usuários e produtores rurais com objetivo de restaurar nascentes e áreas de mata ciliar cadastradas no Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (SiCAR) que precisam de recuperação.

Eu baixei aqui e fiz alguns testes…

Um ponto ruim do app é o cadastro muito burocrático – pede até CPF. Outro é a falta de legenda sobre o que quer dizer verde/vermelho para as nascentes.

Já um ponto positivo é o uso de ‘gamification’, no qual o usuário ganha pontos à medida em que usa o aplicativo. Outro é o fato do usuário ‘adotar’ uma nascente por proximidade – para mim, a mais perto estava a 7,4 quilômetros de distância. Mais um ponto positivo é o chat entre colaborador e produtor rural.

Mas fica uma pergunta: quem fiscaliza se a doação será usada?

Embrapa e o CAR

Mais um ponto pro CAR:

Recentemente recebemos um boletim da Embrapa sobre a dimensão da área preservada pela agricultura, que foi revelada através das análises dos dados do CAR.

Ao todo, mais de 4 milhões de imóveis – e seus polígonos – foram analisados usando geoprocessamento e procedimentos estatístico-matemáticos pela equipe do Grupo de Inteligência Territorial Estratégica da Embrapa, que desenvolveu, testou e validou os dados.

Todos os métodos empregados e resultados numéricos e cartográficos obtidos para cada microrregião, estado, região e País estão disponíveis na página Agricultura e Preservação Ambiental. Segundo o estudo, os produtores preservam, em seus imóveis, mais de 174 milhões de hectares de vegetação nativa – ou 20,5% da área do Brasil -, enquanto todas as unidades de conservação, juntas, protegem 13%.

Brasil com Mezanino

Ainda não temos um País com dois andares, mas segundo os números atualizados do CAR em abril passado, algumas regiões já passaram – e muito – a área cadastrável:

numeros do CAR atualizados em abril de 2017 CAR: App do Bem, Embrapa e Brasil com Mezanino

A região Norte, por exemplo, já passou de 37,5% da área, enquanto a Sudeste já tem quase 8% a mais de área, sendo que ainda tem muito imóvel para entrar no cadastro.

Como já temos comentado há tempos, apesar da imensa utilidade do CAR para uma análise qualitativa, se levarmos em conta a questão quantitativa da questão ambiental no Brasil, ele possui erros também imensos, devido a diversas causas, como por exemplo  a falta de rigor na geometria dos imóveis.

Enfim, estamos migrando para uma situação de um País ‘com mezanino’, no qual a área incluída no CAR vai girar em torno de uns 20 a 25% do território brasileiro.

Vamos aguardar os próximos capítulos da ‘novela CAR’ para saber como estes dados serão integrados a outros sistemas, como por exemplo o SINTER – o Sistema Nacional de Gestão de Informações Territoriais, gerido pela Receita.

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Sensores curvos e fim do RGB: a revolução das câmeras digitais

Por Eduardo Freitas | 15h57, 13 de Junho de 2017

A revolução das câmeras digitais: sensores curvos para dentro, fim dos sub-pixels RGB e mais

tv de tubo com tela curva 300x238 Sensores curvos e fim do RGB: a revolução das câmeras digitaisNão sei se você é do tempo em que as televisões eram de tubo e curvadas para fora… Ou do tempo em que a TV tinha que ‘esquentar’ para aparecer algo.

Pois é, agora entreguei a idade…

Se antes as telas das TVs eram voltadas para fora do aparelho e nos últimos anos tivemos a popularização das telas planas, o próximo passo naturalmente seria a curvatura para dentro.

Foi o que aconteceu… A curvatura presente nas telas mais modernas permite menor distorção das imagens, principalmente nas bordas, gerando qualidade muito superior em relação às telas planas.

E sabe qual é a próxima evolução das telas? A curvatura dos sensores das câmeras digitais (também conhecidos como CCDs)!

sensor curvado de ccd 300x192 Sensores curvos e fim do RGB: a revolução das câmeras digitaisEm breve veremos uma infinidade de sensores ‘nativamente’ curvos no mercado, mas pesquisadores do Laboratórios HRL e Microsoft Research conseguiram ‘entortar’ um sensor plano de uma câmera digital, sem estragar o material e melhorando a qualidade da captação de imagens.

Parênteses rápido: HRL é a sigla para Hughes Research Laboratories, um centro de pesquisas ligado às empresas General Motors e Boeing, criado na década de 60 e baseado em Malibu. Já o Microsoft Research é a divisão de pesquisa da criadora do Windows.

Onde se quer chegar com isso? A uma nova geração de câmeras, com sensores menores e maior qualidade de imagem. E as aplicações são inúmeras, desde veículos autônomos até vigilância. Com sensores curvos será possível corrigir aberrações, facilitar a criação de lentes do tipo grande angular, criar câmeras que exibam iluminação uniforme em toda a imagem, entre outras melhorias.

Bacana, não é mesmo? Mas vem mais por aí: o fim dos ‘sub-pixels’ RGB!

formação de image rgb Sensores curvos e fim do RGB: a revolução das câmeras digitais

Uma nova técnica permitirá ajustar a cor dos pixels, eliminando a necessidade dos sub-pixels vermelho, verde e azul (que compõem a sigla RGB – red, green, blue) de praticamente todas as telas existentes hoje no mercado. Mas vamos por partes: primeiro vamos entender – resumidamente – como funcionam as telas de LCD, Led e Plasma…

Uma tela de TV – não importa se ela é de Plasma, LED ou LCD – é composta por pixels, que são pequenos quadrados de imagem que, somados, compõem um quadro inteiro, formando então a imagem. Por exemplo, numa tela de TV com resolução Full HD que tenha 1920 x 1080 pixels, o primeiro número corresponde ao número de linhas em que a tela é dividida e o segundo ao número de colunas. Neste exemplo da tela com resolução Full HD, são exatos 2.073.600 pixels para formar uma imagem.

Agora, o que diferencia a qualidade de imagem entre telas de Plasma, LCD e LED é a maneira como os dados de cor são exibidos. E é aqui que entra o RGB.

No caso da tela de plasma, eletrodos em conjunto com um líquido preso entre duas camadas de vidro são os responsáveis pela formação da imagem. Cada um dos pixels da tela é subdividido em três partes, cada um representando uma cor – vermelho, verde, azul -, compostas pelos elementos químicos fósforo, xenônio e neônio, que quando bombardeados por raios ultravioleta emitem luz em uma determinada cor.

Já no caso das telas de LCD, o processo é semelhante, só que sem o líquido (plasma) e na presença de cristal líquido. Da mesma forma, cada pixel é subdividido em três cores para formar as imagens. Curiosidade: as moléculas do cristal presente nas telas de TV têm um estado que pode ser considerado sólido e líquido ao mesmo tempo. Retomando: neste caso, a formação da imagem se dá através de impulsos elétricos aplicados sobre cada um dos pixels, cuja luz é polarizada para formar as cores. Enquanto no plasma o processo é químico, aqui é óptico.

Por sua vez, as telas de LED não diferem muito do LCD. O que acontece é um reforço que faz com que as cores sejam exibidas de forma mais intensa. Nestas telas, por trás de cada pixel existem três LEDs nas cores que formam o RGB. Em alguns aparelhos, existe um quarto ponto de luz, com um segundo sub-pixel vermelho que reforça ainda mais a intensidade desta cor.

formacao de uma imagem rgb Sensores curvos e fim do RGB: a revolução das câmeras digitais

Veja mais na Bíblia da Televisão.

Voltando aos nossos ‘super-pixels camaleônicos’, pesquisadores da Universidade Central da Flórida anunciaram recentemente que um pixel poderá variar entre as cores vermelho, azul e verde – e todas as tonalidades entre elas – sem precisar ser feita a composição de três sub-pixels.

Isso aumentaria muito a densidade de pixels em uma tela. Na prática, para começar este número já triplicaria. Ainda, como não seria preciso ‘desligar’ pixels para exibir uma cor sólida (vermelho ‘puro’, por exemplo), o brilho das telas poderá ser ainda maior.

Esta nova técnica é baseada em uma nanoestrutura, cuja rugosidade da superfície varia para gerar as diferentes cores. Segundo os pesquisadores, esta nova tecnologia poderia ser adaptada à tecnologia atual de TVs de LCD e plasma, sem precisar ‘jogar no lixo’ décadas de avanços nesta área.

Fazendo agora um paralelo com as câmeras digitais, assim como seria possível emitir diferentes cores usando somente um pixel, possivelmente será viável – em um futuro não tão distante assim – criar sensores que não precisem de bandas para a composição das imagens. Seria uma nova revolução dos sensores, principalmente na área de mapeamento.

Não perca os próximos capítulos desta aventura que é atuar no setor de Geoinformação…

Com informações do Inovação Tecnológica, Tecmundo, LG, Mundo Estranho

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Imagens impressionantes da Terra (e vem muito mais por aí)

Por Eduardo Freitas | 15h24, 08 de Junho de 2017

Muito tem se falado da agilidade e detalhamento das imagens obtidas por drones. No entanto, os satélites continuam ‘correndo por fora’ e ganhando cada vez mais poder de imageamento. E vem muito, mas muito mais por aí

Drones, drones, drones: ultimamente só se fala nisso…

Talvez você tenha a impressão que a MundoGEO só aborda os veículos aéreos não tripulados, mas é que ultimamente tem tanta novidade sobre o assunto – e também teve a recente regulamentação do uso comercial – que parece que esquecemos de todo o resto e que não tem muito o que avançar em outras formas de sensoriamento remoto.

Mas você se enganou.

Sim, realmente o setor de drones está bombando, mas as imagens de satélites continuam avançando, seja em resolução – espacial, espectral, radiométrica, temporal -, nos diferentes formatos de dados – óticos, radar – e nos modelos de negócios – constelações de satélites, big data geoespacial, etc…

Pode ser um cliché, mas o planeta hoje é nosso quintal.

Veja por exemplo a recente erupção do vulcão Bogoslof, no Alaska, que já tem imagens detalhadas antes, durante e depois do ocorrido, inclusive do caminho das cinzas espalhadas na atmosfera e disponível para qualquer pessoa acessar, de qualquer lugar do mundo.

A análise das imagens demonstra claramente o efeito da erupção sobre o tamanho e a forma da ilha. Além disso, a altíssima resolução das imagens é tal que os satélites foram capazes de capturar um provável rebanho de lobos marinhos nas costa da ilha antes da erupção. Isto seria improvável com o uso de drones, que teriam que ser deslocados até o local do evento.

Por esta e por outras é que, hoje, deve-se ter muito cuidado quando se fala em uma tecnologia substituindo outra(s), pois o que precisamos é de complementaridade.

A seguir, algumas imagens de cortesia da DigitalGlobe que mostram uma análise da erupção e seus efeitos:

vulcao 1024x780 Imagens impressionantes da Terra (e vem muito mais por aí)

Imagem do vulcão antes da erupção

vulcao bogoslov cinzas 1024x722 Imagens impressionantes da Terra (e vem muito mais por aí)

Caminho das cinzas do vulcão Bogoslov

vulcao rebanho lobos marinhos Imagens impressionantes da Terra (e vem muito mais por aí)

Rebanho de Lobos Marinhos na costa da ilha

Ainda falando de DigitalGlobe, com a recente aquisição pela MDA, os dados do satélite Radarsat-2 vão ficar disponíveis na plataforma de big data geoespacial GBDX. Agora com dados de radar de abertura sintética (SAR, na sigla em inglês), usuários da plataforma GBDX da DigitalGlobe terão a capacidade de ver a Terra dia e noite, em todas as condições climáticas.

Paralelamente, outros grupos se movimentam no setor de observação da Terra, como a Planet Labs que lançou recentemente dezenas de nano-satélites e anunciou a aquisição da Terra Bella da Google. E os chineses não poderiam ficar de fora e estão lançando também sua constelação de satélites de alta resolução SuperView.

Nesse sentido, vale a pena dar uma navegada pelo globo virtual criado pela Kaspersky e colaborado pela comunidade sobre como deverá ser a vida em 2050. De acordo com a previsão, drones, constelações de satélites e veículos ‘mapeadores’ vão conviver em harmonia, fornecendo dados em tempo real de todo o globo (e quem sabe fora dele).

Pois é, já vivemos em uma era espetacular de imageamento da Terra, e vem muito mais por aí…

share save 171 16 Imagens impressionantes da Terra (e vem muito mais por aí)

Voltando a comentar semanalmente os assuntos que foram destaques nos últimos dias, nesta edição repercutimos a Geografia no Ensino Médio, o OpenStreetMap como Agência Global de Mapas, como ganhar $ com Drones, o lançamento do satélite Sentinel-2B e mais:

PS1: Infelizmente tive que mudar de lugar no meio da transmissão, por causa de um imprevisto, mas no fim deu tudo certo…

PS2: A ideia é fazer um resumão toda sexta-feira, às 11h30, na página do MundoGEO no Facebook e também pelo canal do MundoGEO no YouTube.

Nos ‘vemos’ na próxima sexta…

share save 171 16 Destaques da Semana: OpenStreetMap, Satélite Sentinel 2B, Geo no Ensino Médio

Entenda a ascensão do OpenStreetMap como uma Agência de Mapeamento Global

Por Eduardo Freitas | 18h51, 08 de Março de 2017

A ideia do OpenStreetMap se tornar uma Agência de Mapeamento Global é empolgante, mas será que isso é possível? Entenda…

OpenStreetMap como uma Agência de Mapeamento Global 370x185 Entenda a ascensão do OpenStreetMap como uma Agência de Mapeamento GlobalPara qualquer pessoa que trabalha com Cartografia, Geoprocessamento, Bases de Dados Geográficos, enfim todos que atuam com Geotecnologias, a ideia do OpenStreetMap (OSM) se tornar uma Agência de Mapeamento Global é muito empolgante, e de muitas maneiras isso já está acontecendo. Mas será que isso é viável?

Vamos por partes…

Esta discussão surgiu recentemente na lista de discussão da iniciativa Geo4All, a qual compartilho aqui e pretendo colaborar com minha análise.

O OpenStreetMap é um projeto de mapeamento colaborativo para criar um mapa livre e editável do mundo, inspirado por sites como a Wikipédia, por exemplo.

Uma comunidade voluntária de mapeadores desenvolve e mantém os mapas do OSM, através de dados coletados com receptores GPS, smartphones, fotos aéreas, imagens de satélite, entre outras fontes.

Por contarem com conhecimento local, os mapeadores editam e atualizam os mapas em tempo real, com softwares abertos como iD ou JOSM.

Veja aqui um passo-a-passo de como ser um mapeador do OSM

Por sua vez, a  comunidade em geral também confere e confirma os dados pela interface do próprio site Openstreetmap.org.

Todos os mapas, dados e metadados ofertados pelo OSM são abertos, disponíveis sob uma licença Open Database License, e são formalmente operados pela OpenStreetMap Foundation (OSMF), em nome da comunidade de mapeadores.

Como já definiu o amigo Thierry Jean em um artigo para a revista MundoGEO, o OSM é o projeto de mapa colaborativo que já atingiu a massa crítica que lhe confere a força de ser o principal projeto de mapa colaborativo global.

Confira o artigo OpenStreetMap como uma comunidade de governos e não somente de pessoas

Colaboração, integração, revolução…

Openstreetmap logo.svg  370x370 Entenda a ascensão do OpenStreetMap como uma Agência de Mapeamento GlobalHoje, através de aplicativos e APIs como o OSM API, Geofabrik, Mapzen, etc, pode-se facilmente acessar dados de altíssima qualidade e atualizados, para qualquer região, cidade ou país do mundo.

Isso seria impensável há alguns anos…

Existem, hoje, centenas de exemplos de colaboração da comunidade do OSM com outras iniciativas, como por exemplo o HOT – Humanitarian OpenStreetMap Team – que está convocando mapeadores de todo o mundo para ajudar a eliminar a Malária. São dois projetos para mapear mais de 500 mil quilômetros quadrados em 7 países no Sul da África, América Central e Sudeste Asiático, como parte da iniciativa Missing Maps da DigitalGlobe, Clinton Health Access, Bill & Melinda Gates Foundation, MapBox, Path e Tableau Foundation.

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É importante levar em conta também a contribuição da Fundação Geoespacial Open Source (OSGeo), assim como o Consórcio Geoespacial Aberto (OGC), no uso de padrões abertos pela comunidade de Geotecnologia.

As pessoas envolvidas com o OSGeo e empresas membros do OGC têm um perfil mais voltado para a área acadêmica e técnica, por outro lado a comunidade do OSM pode criar um mapa do mundo sem necessariamente ter conhecimentos avançados de Geotecnologias.

Obviamente, os dados abertos são fundamentais para iniciativas como OSGeo e GeoForAll, e a colaboração com o OSM, tanto localmente como globalmente, é um caminho natural devido a inúmeras sinergias.

Do tradicional para o novo

Este novo fato, da ascensão do OpenStreetMap como uma Agência Global de Mapeamento, representa tanto uma ameaça como inúmeras oportunidades para a indústria de Geotecnologia.

Toda a indústria de GIS precisa levar em conta o fato de que sua maneira de trabalhar vai aos poucos mudar a partir do OpenStreetMap, considerando que não será preciso levantar dados de locais que já estão mapeados.

Segundo a opinião do Thierry em seu artigo, a qual compartilho, uma evolução natural seria que as empresas públicas e privadas gradualmente “desistam”, nos próximos anos, de utilizar uma base própria para então utilizar a do OpenStreetMap, porque esta será superior e mais atualizada.

Por outro lado, empresas de mapeamento vão continuar existindo e tendo a oportunidade de produzir e comercializar dados para nichos de mercado e para necessidades específicas, mas todas deverão – naturalmente – se beneficiar de uma base comum gerada e atualizada pela própria comunidade global.

Ainda, grandes empresas , governos e concessionárias podem ver o OSM como uma imensa oportunidade de obter dados e também de colaborar como o mapa global, através da convergência de informações e disponibilidade irrestrita, para todos, a qualquer tempo.

O OSM e a convergência com devices de coleta de dados e computação em nuvem vai mudar a realidade do mapeamento ao redor do globo muito rapidamente, gerando ganhos para usuários, e por outro lado a indústria geoespacial vai ter que se adaptar a esta realidade para redefinir seus rumos.

Em 2012 a comunidade do OSM no Brasil fez um encontro no evento MundoGEO#Connect:

Confira também o vídeo deste webinar (em inglês) que fizemos em parceria com a ICA e OSGeo com uma introdução ao universo do OSM:

Com informações do Geo4All, OSGeo, OSM e revista MundoGEO

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OpenStreetMap como uma Agência de Mapeamento Global 950x475 Entenda a ascensão do OpenStreetMap como uma Agência de Mapeamento Global

Fonte: GEOeduc

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Entenda o que muda com o anúncio do IGS14, o novo marco de referência para o cálculo de órbitas e parâmetros associados aos satélites GNSS

IGS14 o novo marco de referência para cálculo de órbitas dos satélites GNSS 370x185 Habemus referência: IGS14, novo marco para cálculo de órbitas dos sistemas GNSSHoje o assunto é ‘espinhoso’: Geodésia.

Mais especificamente, um assunto que recebi através do informativo GeoNotas edição 61, sobre o recém anunciado IGS14, o novo marco de referência para cálculo de órbitas dos satélites GNSS.

Mas vamos por partes…

GNSS é a sigla para Global Navigation Satellite System, ou Sistema Global de Navegação por Satélites. Refere-se a sistemas com alcance mundial, usados para posicionamento, com base na posição de satélites em órbitas.

Exemplos: o norte-americano GPS, o russo Glonass, o europeu Galileo e o chinês Beidou.

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A determinação de coordenadas a partir do posicionamento por satélites somente é possível se forem utilizados sistemas de referência que permitam a relação direta entre a posição dos satélites e as coordenadas dos pontos em Terra.

No caso específico dos sistemas GNSS, as coordenadas calculadas sobre a superfície da Terra devem estar associadas ao mesmo sistema de referência no qual se expressam as efemérides dos satélites GNSS.

Tal sistema é o Sistema Internacional de Referência Terrestre (ITRS, na sigla em inglês), materializado por uma rede global de estações geodésicas com coordenadas muito precisas:

image003 Habemus referência: IGS14, novo marco para cálculo de órbitas dos sistemas GNSS

Desde 1988 são calculadas regularmente soluções do ITRF (por exemplo, ITRF88, ITRF97, ITRF2014), sendo que a cada nova solução se inclui um número maior de observações, as quais por sua vez são de maior qualidade, fazendo com que as coordenadas das estações de referência sejam cada vez mais precisas.

Acesse aqui as diferentes versões do ITRF

O ITRF vigente atualmente é o denominado ITRF2014, publicado pelo IERS (International Earth Rotation and Reference Systems Service) em janeiro de 2016, que inclui observações GNSS (GPS + Glonass), SLR (Satellite Laser Ranging), VLBI (Very Long Baseline Interferometry) e Doris (Doppler Orbit determination and Radiopositioning Integrated on Satellite).

O porquê do IGS

Dado que nem todas as estações GNSS incluídas no ITRF têm uma precisão homogênea, o IGS (International GNSS Service) seleciona aquelas estações que satisfazem certos critérios de qualidade e as utiliza como marco de referência no cálculo de seus produtos finais (por exemplo, órbitas dos satélites GNSS, correções para os relógios dos satélites, parâmetros de orientação terrestre, etc.).

Os critérios de seleção se baseiam, entre outros, em uma distribuição global, monumentação adequada das estações, continuidade em sua operação e integração com outras técnicas geodésicas espaciais.

Em princípio, a rede formada pelas estações de referência selecionadas pelo IGS não apresenta translações, nem transformações, nem mudança de escala com respeito ao ITRF; por isso, nominalmente, o marco de referência do IGS e o ITRF são rigorosamente iguais.

De acordo com isto, desde 2004, a cada ITRF corresponde um marco de referência do IGS. Por exemplo, para o ITRF2008, o IGS definiu o marco de referência IGS08, o qual, devido aos fortes terremotos no Chile em fevereiro de 2010 e no Japão em março de 2011, foi redefinido no IGb08 mediante a exclusão daquelas estações afetadas.

Veja aqui os diferentes marcos de referência do IGS

Com a entrada em vigência do ITRF2014, o IGS se deu a tarefa de selecionar as melhores estações GNSS não incluídas e definiu então o marco de referência IGS14.

As órbitas GNSS do IGS se calculam neste novo marco de referência desde 29 de janeiro de 2017 e, portanto, as coordenadas que se determinem mediante posicionamento GNSS e usando os produtos do IGS (como por exemplo, o marco de referência SIRGAS) também se referem ao IGS14 desde esta data.

Fazendo um parênteses, o Sistema de Referência Geocêntrico para as Américas (SIRGAS) é o sistema de referência geodésico para o Sistema Geodésico Brasileiro (SGB) e para as atividades da Cartografia Brasileira.

Em 2005, a Resolução do Presidente do IBGE Nº 1/2005 estabeleceu o SIRGAS, em sua realização do ano de 2000 (SIRGAS2000), e foi definido um período de transição de no máximo dez anos, no qual o SIRGAS2000 poderia ser utilizado em paralelo com outros sistemas de referência, como o SAD 69, por exemplo. Ou seja, desde 2015 toda Cartografia tem que ser feita usando como sistema de referência o SIRGAS2000.

Confira aqui os detalhes do IGS14

Marco de referência IGS14

Com informações do Sirgas, informativo Geonotas e revista MundoGEO

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IGS14 o novo marco de referência para cálculo de órbitas dos satélites GNSS 950x475 Habemus referência: IGS14, novo marco para cálculo de órbitas dos sistemas GNSS

Post publicado originalmente no site do Instituto GEOeduc

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Um verdadeiro evento sísmico abalou o mercado de Geotecnologia: o Google Earh Enterprise se tornará de código aberto a partir de março. Entenda as causas e consequências, e veja como você pode tirar proveito disso

Google Earth Enterprise se tornará de código aberto a partir de março 370x185 Excelente notícia: Google Earh Enterprise terá código aberto (!) a partir de marçoTrês momentos são marcantes na história do Google Earth. Primeiro, a compra da Keyhole pela Google em 2004 e o lançamento do Google Earth, que revolucionou o setor de Geotecnologia para sempre. Uma década depois, foi liberado gratuitamente o Google Earth Pro, levando uma ferramenta profissional para milhões de pessoas. E em março próximo será liberado o código do Google Earth Enterprise, o que vai permitir que corporações possam disponibilizar seus dados nessa plataforma, agora open source.

Baixe aqui o Google Earth Pro e veja aqui o replay do webinar sobre 2 anos de GEP

Desde 2015 a Google já havia sinalizado sobre a descontinuidade de vários produtos geoespaciais, incluindo o Google Earth Enterprise (GEE), e no último dia 31 de janeiro veio a boa notícia, de que o Google Earth Enterprise vai se tornar um software de código aberto.

Segundo o comunicado oficial da Google, cerca de 470 mil linhas de código dos produtos GEE – GEE Fusion, GEE Server e GEE Server Portable estarão disponíveis no GitHub, para qualquer desenvolvedor, sob a licença Apache2.

Por outro lado, os outros produtos da área de mapeamento, como o Google Earth Enterprise Client, Google Maps JavaScript API V3 e Google Earth API, continuarão como softwares proprietários.

Por dentro do Google Earth Enterprise

O GEE permite a criação de um verdadeiro mundo virtual, disponível na intranet da empresa ou órgão público e acessível a vários colaboradores. Além disso, distribui espacialmente informações já presentes na organização, nas áreas de ERP, CRM, GIS, CAD, entre outras.

A interface única do sistema, acessível a qualquer usuário, técnico ou não, combina imagens, plantas, ruas, pontos de interesse e modelos 3D de edificações em um mesmo globo. O GEE permite a visualização dos dados da organização tanto na base de imagens de satélites do Google como nos próprios servidores da instituição, aumentando assim a segurança para empresas e órgãos públicos.

Os principais componentes do GEE são o Google Earth Fusion, o Google Earth Servidor e o Google Earth Cliente/Google Maps. Os dados geoespaciais, na forma de imagens e vetores, são organizados pelo Google Earth Fusion, formando o banco de dados, que é gerenciado e disponibilizado na intranet da organização para diversos usuários através do Servidor. Por sua vez, os usuários passam a visualizar, imprimir, pesquisar e criar dados através do Google Earth Cliente ou do Google Maps.

Nos EUA, praticamente todos os órgãos de defesa usam a ferramenta, principalmente pelo fator segurança, já que o GEE roda independentemente da internet pública. O Virtual Alabama é um exemplo de sucesso da implantação do GEE, com toda a administração pública do Estado interligada através da ferramenta.

Prefeituras podem usar o GEE para criar verdadeiras “cidades virtuais”, possibilitando o gerenciamento de todos os recursos da cidade. Várias informações importantes ficam disponíveis para todas as secretarias, autarquias e outras entidades municipais, melhorando os processos decisórios e o atendimento das necessidades dos cidadãos.

Como exemplos de informações que podem ser distribuídas estão os dados sobre agricultura e abastecimento, cultura e lazer, defesa civil, educação, finanças, indústria e comércio, meio ambiente, obras, segurança pública, trânsito e transportes, planejamento, entre outras.

Dentro de prefeituras, todas as informações espaciais do município ficam organizadas em um servidor do próprio órgão. O Google Earth Server gerencia as informações e os usuários das secretarias, através do Google Earth Cliente, podem acessar e atualizar as informações espaciais. Os munícipes, por sua vez, podem enviar informações espaciais às secretarias utilizando o Google Earth gratuito.

O Google lançou o Google Earth Enterprise em 2006 e parou de vendê-lo há quase dois anos. Desde então, o Google lançou atualizações e forneceu suporte a organizações com licenças existentes.

Uma vez que o código do GEE será liberado no GitHub, as organizações serão livres para modificá-lo, de forma colaborativa ou independentemente, para suas próprias necessidades como software open source.

Segundo a empresa, a Google tentará facilitar o uso desses recursos publicando instruções para que as corporações possam executar o Google Earth Enterprise em sua nuvem pública.

Descontinuidade?!? #SQN

Desde 2015, havia muita incerteza e muito tem sido prognosticado sobre as consequências da descontinuidade do Google Earth Enterprise.

Porém, agora a situação parece muito mais clara. O futuro do Google Earth Enterprise será aberto.

O anúncio de 30 de janeiro passado marca o início de um novo marco para a GEE. Os recursos do GEE Server, Fusion e Portable serão abertos e disponíveis para a comunidade global de desenvolvedores.

Um resultado muito importante é que o suporte ao produto, de parceiros da Google e da comunidade de código aberto, continuará para o GEE, incluindo melhorias que inevitavelmente serão disponibilizadas.

Um exemplo é a empresa Thermopylae Sciences & Technology, que trabalha em estreita colaboração com a Equipe de Produtos do Google Maps e desde o anúncio de descontinuidade do GEE não parou, testando as últimas atualizações do Google, comunicando bugs e incubando formas inovadoras de manter o GEE funcional para novos usuários.

Com o código aberto do GEE, surge agora a oportunidade de desenvolver novos recursos e conectar outros componentes, o que revitalizará o ecossistema de tecnologia geoespacial e garantirá que padrões amplamente utilizados, como o KML, continuem suportados pelas plataformas da Google e de outros fornecedores.

Oportunidades de negócios

O Google Enterprise propicia um ambiente privado com dados corporativos estratégicos, que ficam ‘separados’ dos demais dados abertos na internet, tudo isso em uma plataforma web com acessibilidade para os diversos membros de uma instituição pública ou privada, de maneira fácil e rápida.

O GEE de código aberto é uma boa notícia para todos os tipos de usuários, desde curiosos até empresas, mas principalmente para os governos, que podem ter agora uma plataforma corporativa aberta para integrar seus dados.

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Google Earth Enterprise se tornará de código aberto a partir de março 950x475 Excelente notícia: Google Earh Enterprise terá código aberto (!) a partir de março

Post publicado originalmente no site do Instituto GEOeduc

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  • Eduardo Freitas
    @eduardo
    Diretor de Operações do MundoGEO. Engenheiro Cartógrafo, Técnico em Edificações, Especialização em Gestão Estratégica de EAD. Tradutor dos informativos GeoSur e OGC Iberoamérica. Nas horas vagas: pão caseiro, comida japonesa e meia-maratona

    Diretor de Operações do MundoGEO. Engenheiro Cartógrafo, Técnico em Edificações, Especialização em Gestão Estratégica de EAD. Tradutor dos informativos GeoSur e OGC Iberoamérica. Nas horas vagas: pão caseiro, comida japonesa e meia-maratona

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