GeoDrops | Geoprocessamento, mapas, imagens satélites, GPS, GIS

GeoDrops

Números atualizados do mercado de Geotecnologia: para onde vamos?

Por Eduardo Freitas | 17h34, 06 de Julho de 2018

Entenda onde estamos e para onde vai o setor geoespacial no mundo neste apanhado com números atualizados do mercado de Geotecnologia

Concorda comigo que, para conhecer bem um terreno é preciso de um mapa do local?

Seja para quem já empreende ou para quem ainda pretende empreender no setor de Geotecnologia, é essencial primeiro saber onde estamos e qual é o estado-da-arte, para então conhecer as previsões e as tendências que apontam para onde este mercado vai.

Fique comigo ate o fim deste post para entender um pouco mais sobre este mercado…

Falta de números

Não existem muitos estudos específicos sobre ‘Geociências’ e/ou ‘Geotecnologia’ no mundo. O que há são pesquisas sobre quanto vai faturar o setor de GIS, Aerofotogrametria, Observação da Terra, Agricultura de Precisão, entre outros.

Ainda falta um estudo geral.

Oxera Geo Services Números atualizados do mercado de Geotecnologia: para onde vamos?Um dos mais recentes foi realizado em 2013 pela Oxera para a Google, na qual colocava sobre o ‘guarda-chuva’ Geoserviços tudo que é relacionado a geo, desde navegadores até imagens de satélites.

Segundo aquele estudo, a receita anual do mercado de Geo estaria entre 150 e 270 bilhões de dólares, muito maior do que a indústria de games – que já é gigantesca – e praticamente um terço da indústria aeroespacial – que tem uma certa sobreposição com o setor de drones.

Especificamente no setor de Drones, talvez por ser uma área nova e que carece de números para embasar a tomada de decisão dos empreendedores, conta com mais de 50 estudos com previsões para os próximos anos.

Números de 2017

Para não dizermos que estamos totalmente ‘às cegas’, um estudo de 2017 da Geospatial World joga um pouco de luz sobre o mercado geoespacial, com alguns números atualizados, os quais são apresentados aqui de forma sintetizada.

Segundo o estudo, o valor econômico de todo o setor seria de mais de 500 bilhões de dólares, sendo os principais stakeholders os desenvolvedores de tecnologia, os provedores de dados geoespaciais, os desenvolvedores de aplicações, os pesquisadores e educadores, os formuladores de políticas públicas e, finalmente, os usuários.

A realidade no setor mostra que as rápidas mudanças nas Geotecnologias estão levando a ciclos cada vez mais rápidos de inovação, gerando também incertezas quanto ao futuro. A divisão feita pelo estudo é em relação às tecnologias:

• SIG e Análise Espacial (desktop, web, mobile)

• GNSS e Posicionamento (navegação, posicionamento indoor, mapeamento)

• Observação da Terra (imagens de satélite, aerofotogrametria, drones)

• Escaneamento (Lidar, Escaners a Laser, Radar)

A porcentagem de cada área na indústria Geoespacial gira em torno de 37% para a Observação da Terra, 33% para GNSS e Posicionamento, 17% no GIS e Análise Espacial e 13% no Escaneamento.

Especificamente no setor de GIS, o estudo prevê que deverá chegar a 14,62 bilhões de dólares em 2020 frente a 7,61 no ano passado, o que representa crescimento de 11,4% ao ano, um número excepcional se comparado ao crescimento geral da economia global.

Já no setor de GNSS eram 3,6 bilhões de equipamentos em 2014 e a expectativa é que este número chegue a 7 bilhões em 2019, ultrapassando em breve o número de um receptor por habitante no planeta.

No mercado de escaneamento 3D, a previsão e de passar de 3,41 bilhões de dólares em 2015 para 5,9 bilhões em 2022, com taxa de 9,6% de crescimento o ano, também um bom número.

As áreas de aplicações que mais se beneficiam das Geotecnologias mapeadas foram infraestruturas de transporte, desenvolvimento urbano, administração de terras, defesa, segurança, agricultura e serviços baseados em localização. Por sua vez, os benefícios mais percebidos são o aumento da eficiência, produtividade e planejamento, além de melhor monitoramento e transparência.

Por sua vez, as principais barreiras em sua adoção e uso são a alta expectativa dos clientes, mudanças frequentes em projetos, falta de mão-de-obra qualificada, burocracia, altos custos, falta de interoperabilidade, entre outros.

Tendências

numeros atualizados do mercado de Geotecnologia 300x199 Números atualizados do mercado de Geotecnologia: para onde vamos?Mas as notícias são boas pois algumas tecnologias estão direcionando o setor de Geo para que esteja mais alinhado à Indústria 4.0. São elas a computação em nuvem, a internet das coisas, o big data e a automação. Segundo o estudo, tudo isso cria novos modelos de negócios, informações em tempo real para sistemas críticos, diversificação de fontes de renda, visibilidade global e maior eficiência nas operações.

As tecnologias inovadores que devem se beneficiar das Geotecnologias nos próximos anos são os carros autônomos, dispositivos ‘vestíveis’, impressão 3D, micro-satélites, games, realidade virtual e aumentada, entre outras…

Na área de aquisições e fusões, algumas negociações recentes demonstram a força e a integração das Geotecnologias com outras áreas, como a parceria entre Bentley e Siemens, a fusão entre Geoeye e DigitalGlobe, a aquisição do Waze pela Google e, a mais emblemática, a HERE sendo controlada por grandes montadoras como Mercedez, Audi e Daimler. E as empresas ‘mapeadas’ por serem altamente dependentes de geoinformação foram LinkedIn, Facebook, Twitter, TripAdvisor, Airbnb, Amazon, Uber, dentre outras.

E o Brasil?

Para finalizar, foi criado um ranking global, baseado em 5 pilares, no qual cada país foi avaliado de acordo com sua infraestrutura e políticas públicas, capacidade institucional, nível de adoção dos usuários, capacidade da indústria e índice de ‘prontidão’ geoespacial.

Neste ranking, os mais bem posicionados são, nesta ordem: Estados Unidos, Reino Unido e Holanda.

O Brasil aparece em 28º dentre 50 países, sendo classificado como um país no qual a indústria está amadurecendo enquanto percebe os benefícios do uso das Geotecnologias.

O levantamento de números sobre o mercado, além de ser um problema pode ser encarado até mesmo como uma oportunidade, pois existem um espaço para que este setor seja melhor mapeado, principalmente em países em desenvolvimento em com imensas carências, como é o nosso.

Recado dado…

numeros atualizados do mercado de Geotecnologia 1024x682 Números atualizados do mercado de Geotecnologia: para onde vamos?

Imagem: Pixabay

share save 171 16 Números atualizados do mercado de Geotecnologia: para onde vamos?

O mercado de Geo mudou… Você se preparou pra isso?

Por Eduardo Freitas | 23h55, 14 de Junho de 2018

Estamos vivendo uma nova fase de disrupção no setor de Geotecnologia. Você tem duas opções: surfar esta onda ou afundar…

disrupcao 230x300 O mercado de Geo mudou... Você se preparou pra isso?Antes de mais nada, vamos a uma rápida história pessoal: durante muitos anos, pra mim era difícil explicar o que eu estudava na faculdade.

Afinal, Engenharia Cartográfica não é Direito, Medicina ou Civil, que todo mundo conhece.

Era uma ginástica verbal pra falar de sensoriamento remoto, sistemas de informação geográfica, geomensura, até no fim resumir e cravar que eu trabalhava com mapas…

Aí, quando surgiu o Google Earth, em 2004, ficou muito mais fácil, pois todo mundo passou a entender o que é um SIG, nem que seja somente pra traçar a menor rota entre dois pontos – ou hoje até mesmo encontrar relacionamentos de forma “georreferenciada”.

O surgimento do Google Earth foi um destes marcos no setor de Geo, o que podemos chamar de disrupção.

Voltando um pouco no tempo, a primeira grande disrupção aconteceu lá em 1854, quando o médico sanitarista John Snow (não, infelizmente não tem nada a ver com o personagem de Game of Thrones) fez a primeira análise espacial quando sobrepôs camadas com poços de água e casos de cólera acontecendo em Londres na época, com o objetivo de descobrir qual era o foco da doença.

john snow 300x178 O mercado de Geo mudou... Você se preparou pra isso?Entre o mapa de John Snow e o Google Earth, outro marco foi a popularização dos computadores, que aconteceu quase ao mesmo tempo que o surgimento dos sistemas globais de navegação por satélite GPS (norte-americano) e Glonass (russo).

Hoje, os computadores migraram pra palma das nossas mãos, com os smartphones, e temos posicionamento preciso com vários sistemas, incluindo o europeu Galileo e o chinês Beidou.

Também imagens de satélites em tempo quase real obtidas com frotas de veículos em órbita, SIGs cada vez mais simples e intuitivos, sistemas de mapeamento móvel que fazem levantamentos em 3D em uma pequena fração do tempo que uma equipe de topografia fazia anteriormente…

Mas tudo isso é evolução de tecnologias anteriores. Nano satélites são os mesmos veículos, só que miniaturizados. SIGs vêm evoluindo, mas fazem basicamente o que os anteriores faziam. Laser scanners são uma – super – evolução das estações totais e por aí vai.

Porém, tem uma tecnologia que vem sacudindo o mercado de Geo há algum tempo e deverá revolucionar ainda mais nossa área e a sociedade em geral nos próximos anos.

Esta tecnologia são os drones…

Não dá mais pra negar que eles chegaram pra ficar, que não são “modinha” e que estão gerando uma – nova – disrupção.

 O mercado de Geo mudou... Você se preparou pra isso?Na MundoGEO, a primeira vez que se falou de drones foi em 2009, na capa da revista InfoGEO, quando identificamos a “invasão dos VANTs”.

Veja que não falávamos nem de drone, que foi o nome que acabou se popularizando. Era VANT mesmo, sigla para veículo aéreo não tripulado.

Hoje, os órgãos reguladores usam também a sigla RPA ou ARP, usada para aeronave remotamente pilotada, mas o termo drone ficou tão forte que até uma criança, hoje, sabe o que é…

Poucas empresas no Brasil desenvolviam drones pra uso civil naquela época, mas mesmo assim realizamos em 2010 os primeiros seminários do setor, reunindo representantes daquele mercado ainda embrionário.

Em 2011 foi realizado o primeiro evento MundoGEO#Connect no qual havia poucos drones, nenhum multirrotor.

primeiro vant no mundogeoconnect O mercado de Geo mudou... Você se preparou pra isso?

Com a evolução do evento, evoluiu também o setor de drones e em outubro de 2015 aconteceu o primeiro DroneShow.

E foi show… (com a desculpa do trocadilho).

Nos anos seguintes, sempre o DroneShow aconteceu junto com o MundoGEO#Connect, afinal há muita sinergia entre os dois eventos.

E este ano aconteceu um evento histórico…

De 15 a 17 de maio de 2018 em São Paulo (SP) foi realizado o melhor evento da MundoGEO até hoje, sem nenhuma dúvida nem medo de parecer arrogante.

O mercado está maduro, tanto as empresas e instituições do setor quanto os profissionais se capacitaram e atualizaram, e hoje podemos dizer que os drones estão consolidados no Brasil e temos uma das regulamentações mais modernas do mundo.

Mas não sou somente eu que tô falando. Basta ver tudo o que saiu sobre o evento no SBT, Revista Pequenas Empresas Grandes Negócios, Tecmundo, Rede Vida, Correio Braziliense, 33Giga, Techtudo, Diário do Grande ABC, Além do Click, Canal Tech, Band, entre outros lugares…

Dá pra ter uma – pequena – ideia do que rolou neste vídeo de menos de 1 minuto:

Mas é importante saber que o drone, sozinho, não faz milagre. Ele é um complemento pra outras (geo)tecnologias e também depende de outros dados de alta precisão, que ainda são coletados com levantamentos em solo. E também é preciso saber que além do drone é preciso dominar os sensores e softwares envolvidos. E o DroneShow 2018 foi um prato cheio pra isso…

No meu caso, este ano fiquei mais envolvido nas atividades do MundoGEO#Connect. Na abertura, moderei o seminário que teve nada menos do que Julio Ribeiro (Hubse), Abimael Cereda Junior (Geografia das Coisas), Eduardo Francisco (Gisbi) entre os palestrantes. No terceiro dia, moderei o debate sobre o Sinter com representantes da Receita Federal, ABNT, Confea, mercado e academia, que foi acalorado mas certamente foi a mesa mais completa já formada sobre o tema.

E como o mercado não pára, o DroneShow e MundoGEO#Connect 2019 já está marcado pra 25 a 27 de junho, novamente na capital paulista. O tema será a relação entre a Revolução Industrial 4.0 e o setor de Geo e Drones.

Vem muito mais por aí. Estamos apenas “arranhando a superfície” desta nova disrupção que já está em andamento.

#Bora?

final mundogeo e droneshow O mercado de Geo mudou... Você se preparou pra isso?

Imagens: Pixabay e arquivo pessoal

share save 171 16 O mercado de Geo mudou... Você se preparou pra isso?

O futuro dos eventos de Geotecnologia & Drones será virtual?

Por Eduardo Freitas | 14h29, 12 de Maio de 2018

O uso de tecnologia da informação e comunicação em congressos e feiras está mudando rapidamente a forma como as pessoas interagem entre si. Por outro lado, eventos presenciais na área de Geotecnologia e Drones continuam em crescimento. Será que o futuro dos eventos de Geo & Drones será virtual?

paletras em hologramas 300x199 O futuro dos eventos de Geotecnologia & Drones será virtual?Se há alguns anos existia um certo questionamento se estávamos nos aproximando do fim das interações “face-to-face” em eventos, a demanda atual por conexões cada vez mais pessoais só cresce. Segundo uma pesquisa publicada em 2017 pela Certain, 41% dos profissionais consideram eventos como a tática de marketing mais efetiva. Além disso, 69% afirmam que pretendem aumentar o investimento de seus orçamentos de marketing através da participação em eventos.

Hoje, com as tecnologias da informação e comunicação, é cada vez mais fácil organizar uma reunião virtual, webinar, com a opção de interações entre as pessoas por vídeo, áudio, chat. Além disso, apps e redes sociais colocam profissionais de uma área cada vez mais próximos, mesmo estando distantes entre si fisicamente.

Em um post do Event Manager Blog é traçado um paralelo entre o declínio do varejo e a ascensão dos eventos nos últimos anos. E um dos motivos para a queda das redes varejistas estaria relacionado ao perfil das novas gerações, já que 75% das pessoas com menos de 35 anos estão mais dispostos a pagar por uma experiência do que por um produto.

Nos Estados Unidos, eventos geram um PIB de 115 bilhões de dólares e empregam mais de 1,7 milhão de pessoas. No Brasil, não existem estudos recentes de quanto é o total de faturamento do mercado de eventos. Um estudo realizado com mais de 2,7 mil empresas do setor, pelo Sebrae em conjunto com a Associação Brasileira de Empresas de Eventos (ABEOC), aponta que o setor movimentou 209,2 bilhões de reais em 2013.

Geo & Drones

No setor de geotecnologia e drones, o mercado, que vinha num movimento crescente, passou por uma retração em 2015 e 2016, se estabilizou em 2017 e dá fortes sinais de expansão este ano.

E um sinal é o recorde de inscrições e a feira completa de expositores com semanas de antecedência no MundoGEO#Connect e DroneShow 2018, que vão acontecer de 15 a 17 de maio no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo (SP), além do 5º Fórum Empresarial de Drones, que acontece no dia 14 também na capital paulista. Estes são os maiores eventos de geo e drones da América Latina, estando entre os cinco no mundo em número de expositores e participantes.

Não sei pra você, mas no meu caso, a participação em eventos na área faz toda a diferença. Apesar de toda a tecnologia digital de hoje, nada substitui – ainda – o contato pessoal. Ainda vai demorar muito para termos contatos em forma de holograma, como esta passagem do filme Star Wars:

Eu mesmo comecei a participar em conferências e feiras desde o primeiro ano da faculdade, quando a grana era curta, mas eu dava um jeito e foi no evento GIS Brasil 96, em Curitiba (PR) que decidi mudar de carreira e seguir no setor de geotecnologia e drones. Também era assinante da antiga revista InfoGEO, da qual acabei virando editor alguns anos depois…

E olha que eu sou suspeito para falar, pois liderei, em 2009, a realização dos primeiros webinars na MundoGEO. Desde então, já foram mais de 600 eventos online, em português, espanhol, inglês e até francês, com dezenas de milhares de participantes. É uma excelente ferramenta pra alcançar muitas pessoas, de diversos lugares do mundo, em um curto espaço de tempo e a um custo muito baixo, mas ainda não inventaram uma plataforma de webinar que substitua a experiência de um evento presencial.

Se você já tomou sua decisão de se atualizar no setor e fazer um networking sem precedentes no maior evento de geo e drones da América Latina, a hora é esta. O único inconveniente de um evento presencial é que temos a limitação física de espaços, e por isso as vagas são limitadas e estão acabando…

PS: Se você vai estar lá no MundoGEO#Connect e DroneShow, passa no nosso estande pra tomarmos um café, ok? Além dos seminários e cursos, tem a feira, atividades especiais, encontros de usuários… Nos vemos lá!

Imagem: Pixabay

share save 171 16 O futuro dos eventos de Geotecnologia & Drones será virtual?

Mercado global de imagens aéreas deve alcançar 3,2 bilhões de Euros em 2023

Por Eduardo Freitas | 15h15, 18 de Dezembro de 2017

Tecnologias avançadas como SIG, Lidar e câmeras de visão em 360 graus podem ser oportunidades no mercado de Aerofotogrametria

global aerial imaging market analysis 20172023 Mercado global de imagens aéreas deve alcançar 3,2 bilhões de Euros em 2023O relatório Global Aerial Imaging Market Analysis (2017-2023), divulgado recentemente, afirma que o tamanho do mercado global de imageamento aéreo deverá chegar a 3,2 bilhões de Euros em 2023, com uma taxa de crescimento anual estimada em 13% no período.

Imagens aéreas ajudam a realizar medidas e capturar dados sobre o uso e ocupação do solo através de plataformas remotas, sem necessidade de contato direto com a superfície.

Sensores embarcados em diversos veículos – tais como helicópteros, aviões, balões e drones – são usados para esse tipo de coleta remota de informações.

Com aplicações em diferentes indústrias, o imageamento aéreo está presente, hoje, desde a engenharia civil até a agricultura.

De acordo com o relatório, as imagens de satélites podem restringir o crescimento deste mercado por serem vistas como uma opção para algumas aplicações, devido ao seu avanço em resolução espacial, espectral, radiométrica e temporal.

Segundo a pesquisa, tecnologias avançadas como os Sistemas de Informação Geográfica (GIS, na sigla em inglês), sistemas lidar (medição a laser) e câmeras de visão em 360 graus podem ser oportunidades no mercado de Aerofotogrametria.

Com base nas aplicações, o relatório de mercado divide o setor em Mapeamento, Gestão de Desastres, Gerenciamento de Recursos & Energia, Fiscalização & Monitoramento e outros.

Já com base nos usuário final, os segmentos do mercado são Governo, Energia, Defesa, Agricultura & Floresta, Mídia & Entretenimento, Engenharia Civil & Arqueologia e outros.

Dentre as empresas mencionadas no relatório, estão Blom ASA, Fugro, EagleView Technology Corporation, Digital Aerial Solutions, Cooper Aerial Surveys, Landiscor Real Estate Mapping, Kucera International, John Deere Agri Services / GeoVantage e High Eye Aerial Imaging.

E os drones?

Apesar de abordar o imageamento aéreo de forma global e citar no seu resumo que os sensores podem ser embarcados em drones, o relatório “esquece” as empresas deste setor. Além disso, o impacto das imagens de satélites é analisado na pesquisa, mas não o dos drones, uma tecnologia emergente em todo o globo.

Não existem muitos números consolidados sobre o mercado de drones. Um estudo (disponível aqui em pdf) da Secretaria de Desenvolvimento e Competitividade Industrial (SDCI) em parceria com a Directorate-General for Mobility and Transport (DG MOVE) abordou temas específicos da indústria de drones desenvolvida no Brasil e na União Europeia, a fim de identificar pontos de complementariedade entre as duas regiões e analisar especificidades do panorama comercial e ambiente regulatório do setor.

Já o relatório Clarity from above (disponível aqui em pdf), da PwC, revelou que o mercado global de Drones pode chegar a 127 bilhões de dólares, ou seja, muito mais do que o de Aerofotogrametria publicado recentemente. Para chegar a este valor, a PwC usou como base de cálculo o valor dos serviços demandados pelas empresas e órgãos públicos que poderão ser substituídos, em um futuro muito próximo, pela tecnologia dos Drones.

Imagens de satélites, aviões, drones, topografia tradicional: o certo é que o mercado é grande e promissor, e que tudo isso deve ser visto como complementar e não excludente.

Cada tecnologia e metodologia tem seu nicho, na qual é imbatível. Cabe aos bons profissionais identificarem quando, como, onde e porque utilizar cada uma delas.

mercado de aerofotogrametria 1024x714 Mercado global de imagens aéreas deve alcançar 3,2 bilhões de Euros em 2023

share save 171 16 Mercado global de imagens aéreas deve alcançar 3,2 bilhões de Euros em 2023

Mercado de Agricultura de Precisão deve chegar a 4,2 bilhões de Euros em 2021

Por Eduardo Freitas | 16h16, 12 de Dezembro de 2017

Segundo um estudo recente da Berg Insight, o mercado global de soluções para Agricultura de Precisão chegou a 2,2 bilhões de Euros no ano passado e deverá alcançar 4,2 bilhões até 2021, com um crescimento anual em torno de 13,6%.

pesquisa mercado agricultura de precisao 300x285 Mercado de Agricultura de Precisão deve chegar a 4,2 bilhões de Euros em 2021Um vasto conjunto de tecnologias é aplicado, hoje, em atividades de alta precisão em fazendas, com o objetivo de gerenciar variações no campo e maximizar a produtividade, bem como minimizar o uso de corretivos agrícolas.

Enquanto soluções como auto-guia e controle de máquinas já são, hoje, tecnologias populares na indústria agrícola, a telemática e a tecnologia de aplicações diferenciadas (VRT, na sigla em inglês) ainda estão em estágio inicial de adoção.

Segundo o estudo, a interoperabilidade entre hardware e software ainda é um desafio no campo, ainda que estejam em andamento iniciativas de padronização por organizações como Agricultural Industry Electronics Foundation e AgGateway.

Hoje, a maioria dos fabricantes de equipamentos para agricultura têm iniciativas relacionadas com Agricultura de Precisão. Dentre as principais, podemos citar a John Deere, seguida por Trimble, Topcon Positioning Systems, Raven Industries e Ag Leader Technology.

O grupo Hexagon tem uma forte posição na área através de sua subsidiária NovAtel, enquanto em aplicações e serviços destacam-se a Monsanto, através da Climate Corporation, a canadense Farmers Edge e a recém-criada DowDuPont. No setor de sensores, várias empresas estão emergindo no mercado, como Davis Instruments, Pessl Instruments, Semios, Hortau, AquaSpy e CropX.

Movimento Agtech

Até 2050 o mundo terá 9,6 bilhões de habitantes e para que toda essa população consiga sobreviver, a produção de alimentos terá de crescer 70% em relação ao que era gerado em 2006. É o que diz a FAO, agência da ONU para alimentação e agricultura. Esse avanço só será possível através do uso otimizado dos solos e água, com máxima economia e produtividade, e a AgTech será um elemento crítico para alcançar esta meta.

A AgTech vem emergindo como um ponto crucial de investimento, mas esse ainda é um fenômeno recente. Ainda que novas tecnologias possam deixar proprietários “com o pé atrás”, todos buscam aprimorar sua produtividade. Isso se dá pela combinação entre hardware e software, o que inclui aplicativos para coleta georreferenciada de dados sobre pragas e condições hídricas; sensores que rastreiam equipamentos e medem a condição de solo; além de terminais onde essas informações podem ser relacionadas a imagens de satélite ou de drones para tomada de decisão.

Considerando a evolução das plataformas de drones e a carência tecnológica no mercado agrícola no Brasil, a tendência para os próximos anos é o desenvolvimento de soluções completas que possibilitem a análise rápida da saúde de culturas, incrementando o ganho para os produtores.

E o uso de geo no campo recebeu um impulso por parte do setor financeiro, quando o Banco Central lançou a Resolução 4.427, em 2015, que obriga instituições bancárias a usar GIS e sensoriamento remoto para fiscalizar operações de crédito agrícola. Veja aqui uma análise da Resolução.

A agricultura encontra-se em uma encruzilhada: o mundo precisa produzir mais alimentos do que nunca com recursos limitados. Até onde chegaremos, a partir daqui, exigirá talento e cooperação de agricultores, empresas, governos, universidades e cidadãos. Com isso, poderemos chegar – sem fome – aos quase 10 bilhões de passageiros na nave-mãe Terra em 2050.

agricultura de precisao 1024x682 Mercado de Agricultura de Precisão deve chegar a 4,2 bilhões de Euros em 2021

share save 171 16 Mercado de Agricultura de Precisão deve chegar a 4,2 bilhões de Euros em 2021

Com os avanços da nanotecnologia, satélites muito, mas muito pequenos, já são realidade, primeiramente de forma experimental, mas em breve lançando produtos no mercado. Entenda

Conhecidos como femtosatélites, estes minúsculos veículos espaciais têm menos de 100 gramas e vêm sido desenvolvidos nos últimos 15 anos. Muitos deles trabalham em conjunto com uma “nave mãe” (satélites maiores) para fornecer dados e sinais complementares, mas algumas versões mais recentes operam de forma independente.

femtoSat 1 300x219 A ascensão dos Femtosatélites: vem aí (mais) uma revolução no Sensoriamento RemotoUm femtosatélite, por definição, é um dispositivo capaz de realizar todas as funções básicas de qualquer satélite: comunicação com a estação de terra;  sobrevivência no espaço; determinação de sua posição e orientação; e observação.

Através dos femtosatélites, o uso de pequenos veículos espaciais será a evolução lógica e natural no mercado aeroespacial. Alguns exemplos de femtosatélites reais em desenvolvimento são o Kumar, PocketQub, Sprite e WikiSat.

Para alcançar dimensões tão reduzidas, são usadas duas técnicas bem diferentes: existem os chamados satélites em uma placa (Satellite-on-a-board) e os satélites em um chip (Satellite-on-a-chip). Os primeiros são maiores e muito mais fáceis de construir, além de mais baratos. Já os satellite-on-a-chip são muito mais caros, porém muitíssimo menores.

O femtosatélite Kumar está sendo desenvolvido pelo grupo Canadense Kumar e promete revolucionar a indústria aeroespacial com grandes ideias de pequeno formato. Já o PocketQub é um projeto do Twiggs, um grupo norte-americano do Kentucky, parecido com o famoso “CubeSat” mas em uma versão ainda menor, com apenas 5 centímetros de lado.

Por sua vez, o femtosatélite Cornell Sprite 1 foi desenvolvido por Zac Manchester, um estudante norte-americano de Nova York que conseguiu financiamento para “encher” todo um CubeSat – chamado de KickSat – com estes pequenos satélites para colocá-los em órbita.

E, por último, o WikiSat V3, um projeto majoritariamente liderado pela Europa.

Para que um femtosatélite possa ser considerado útil, é necessário que realize uma série de funções dentro de uma missão, que justifiquem sua construção:

• Comunicação – o satélite deve ser capaz de comunicar informação, seja para outros satélites como para estações em terra. Devido a suas pequenas dimensões, muitas vezes a antena é maior do que o próprio satélite. E para poder comunicar informação via rádio, é preciso que o satélite tenha um mínimo de potência elétrica. Para isso, há duas opções: ter baterias que usem o mínimo possível de energia ou incluir painéis solares que sejam suficientemente potentes para alimentar o satélite.

• Sobrevivência – ou seja, a estrutura e os componentes que formam o femtosatélite devem suportar não só as condições hostis no espaço mas também durante seu lançamento e viagem até sua órbita. Deve, ainda, suportar a radiação, sendo resistente aos efeitos da mesma nos sistemas redundantes que garantam a integridade do satélite em caso de falha em algum dos sistemas. Além disso, as constantes mudanças de temperatura – por exemplo, quando estiver exposto ao sol ou eclipsado – devem ser suportadas pela estrutura e componentes.

• Posição e Orientação – esta determinação é necessária caso o satélite realize alguma função de observação. Esta informação também pode ser enviada à estação em terra para que se conheça onde se encontra o satélite e o que está fazendo a cada momento. Tudo isto, juntamente com as funções anteriores, pode complementar as informações sobre o estado de saúde do satélite.

• Observação – o satélite deve servir para algo concreto, ou ter uma razão de ser, como por exemplo a Observação da Terra, o monitoramento atmosférico, etc.. Todas estas ações requerem tanto memória como capacidade de processar informação, ainda que seja somente comprimi-la e enviá-la para a estação em terra. Obviamente, devem existir sensores ou câmeras de pequeno formato e de baixo consumo, que possam ser integrados a um satélite de tão diminutas dimensões.

peru sat 300x171 A ascensão dos Femtosatélites: vem aí (mais) uma revolução no Sensoriamento RemotoEm 2013, o Peru fez história com o lançamento de um femtosatélite até a órbita baixa da Terra. Isso mostrou que satélites até então fora do mercado tradicional de sensoriamento remoto podem, com esta tecnologia, competir em algumas áreas com baixo custo e grande agilidade. Desenvolvido pela Universidade Católica do Peru e pelo Instituto de Rádio Astronomia, o satélite Pocket-PUCP foi usado para transmitir dados sobre temperatura.

As aplicações dos femtosatélites incluem testar esta tecnologia para o futuro, pousar em asteróides, além de conduzir experimentos biológicos. Mas um dos principais focos é a obtenção de imagens da Terra, setor que deverá ganhar um grande impulso nos próximos anos, aumentando muito a capacidade do ser humano para a coleta de dados.

Um desafio, assim como no caso dos drones, é como este emergente mercado será regulamentado, já que deverá aumentar ainda mais o problema dos detritos espaciais em órbita, pois permite o lançamento de dezenas ou até centenas de veículos ao mesmo tempo. Por outro lado, abrem-se novos mercados com a maior quantidade de dados e o desenvolvimento de veículos que poderão ir cada vez mais longe.

Mercado de Observação da Terra

tamanho do mercado de observacao da terra 300x252 A ascensão dos Femtosatélites: vem aí (mais) uma revolução no Sensoriamento RemotoDe acordo com a 10ª edição do relatório da Euroconsult sobre o mercado de Observação da Terra baseada em satélites, os dados e serviços desse setor deverão chegar a 8,5 bilhões de euros até 2026, com base na trajetória atual de crescimento, e até mesmo a 15 bilhões em um cenário alternativo.

Esta opção mais otimista considera as implicações de novas soluções que abram mercados futuros e ainda inexplorados, como os femtosatélites, por exemplo.

Ainda, avanços em inteligência artificial e deep learning deverão beneficiar o setor, possibilitando novas soluções baseadas em detecção e análises de mudanças.

No Brasil, o estudo de mercado mais ‘recente’ é de 2008, feito pela empresa Intare Consultoria em Gestão da Informação. Com um crescimento de 9% entre 2006 e 2007, e de 20% estimado para aquele ano, o dimensionamento do mercado potencial de Geoinformação no Brasil para 2008 era de 619 milhões de reais, considerado o conjunto dos componentes Dados, Softwares e Serviços.

Com informações dos posts:
Femtosatélites, qué son y para qué sirven
The Rise of Femtosatellites
Mercado de Observação da Terra pode chegar a 15 bilhões de euros em 2026

share save 171 16 A ascensão dos Femtosatélites: vem aí (mais) uma revolução no Sensoriamento Remoto

Segundo um estudo recentemente divulgado, o mercado de Observação da Terra vai alcançar valores entre 8 a 15 bilhões de euros dentro de 10 anos. Para você, isso é muito ou pouco? Por outro lado, aqui no Brasil o setor de Geoinformação enfrenta uma das maiores crises de sua história. Será que vamos ‘surfar’ esta onda?

Você viu isso? O primeiro satélite de observação da Terra de Marrocos foi lançado na última quarta-feira (8/11) a partir da Guiana Francesa. O Mohammed VI-A será usado em atividades cartográficas, de ordenamento do território, prevenção e gestão de desastres naturais e acompanhamento de tendências ambientais e de desertificação.

Enquanto isso, aqui no Brasil…

tamanho do mercado de observacao da terra 300x252 Mercado de Observação da Terra pode chegar a 15 bilhões de euros em 2026. Isso é muito ou pouco?De acordo com a 10ª edição do relatório da Euroconsult sobre o mercado de Observação da Terra baseada em satélites, os dados e serviços desse setor deverão chegar a 8,5 bilhões de euros até 2026, com base na trajetória atual de crescimento, e até mesmo a 15 bilhões em um cenário alternativo.

Esta opção mais otimista considera as implicações de novas soluções que abram mercados futuros e ainda inexplorados. Ou seja, ainda tem muito espaço para este mercado crescer…

Ainda, avanços em inteligência artificial e deep learning deverão beneficiar o setor, possibilitando novas soluções baseadas em detecção e análises de mudanças (change-detection).

Segundo o estudo, os fatores que geram crescimento no setor são diferentes para dados e serviços. A área de Defesa ainda domina o mercado de dados comerciais, sendo responsável por compras que superam 1 bilhão, mais especificamente de imagens de altíssima resolução e alta acurácia no posicionamento. Espera-se que o preço dos dados para apoiar este setor continuem altos pelos próximos anos, com algum avanço nas áreas de governo e em vendas para empresas privadas.

Os mercados para serviços de valor agregado às imagens que continuarão em alta serão os de infraestrutura e monitoramento de recursos naturais, no entanto, muitas vezes são usadas soluções de baixo custo ou até mesmo gratuitas nessas áreas. Ou seja, o estudo leva em conta que os usuários buscam, antes, imagens gratuitas ou de acervo, e até mesmo ferramentas e plataformas livres.

De acordo com Pacome Revillon, CEO da Euroconsult, as empresas – tanto os operadores de satélites como os fornecedores de serviços – estão criando algoritmos para detectar mudanças a partir de dados de múltiplas fontes, com objetivo de encontrar padrões e criar análises preditivas. Ainda, segundo ele, trazer dados coletados com maior frequência para estes modelos de análises – também conhecido como um ambiente de Big Data – vai estimular ainda mais o desenvolvimento do setor, com potencial de criar novos serviços em áreas que geralmente não usam imagens de satélites, tais como inteligência de negócios, por exemplo.

A Euroconsult  identificou aproximadamente 20 companhias que anunciaram intenções de desenvolver constelações de satélites de baixo custo para  coleta de dados com alta taxa de revisita, baseados em tecnologias smallsat ou cubesat. Em 2017, estes novos operadores atraíram mais de 600 milhões em venture capital para financiar suas iniciativas.

Por outro lado, uma forte competição é esperada entre os fornecedores de dados, já que as companhias devem cada vez mais mostrar diferenciais e oferecer soluções inovadoras ao mercado. A consolidação dos grandes grupos (MDA / DigitalGlobe, OmniEarth / EagleView, Terra Bella / Planet) deverá trazer um refinamento nos modelos de negócios e continuar gerando altos investimentos.

A DigitalGlobe, por exemplo, está planejando o lançamento de uma constelação de satéliets de baixo custo (Legion), enquanto a Airbus está desenvolvendo seu próprio sistema óptico de altíssima resolução (VHR).

Os números deste setor impressionam: de 2007 a 2016 foram lançados 181 veículos de observação da Terra, enquanto na próxima década são esperados 600 lançamentos de aproximadamente 50 países.

E o Brasil?

Por aqui, o mais recente grande projeto de Observação da Terra é o CBERS, que está sofrendo com dificuldades e atrasos. O mercado de foguetes lançadores, que seria uma excelente oportunidade devido à nossa posição geográfica privilegiada, não avançou. E em relação a números do mercado, também não temos muito o que comemorar…

estudo de mercado mais ‘recente’ é de 2008, feito pela empresa Intare Consultoria em Gestão da Informação. Com um crescimento de 9% entre 2006 e 2007, e de 20% estimado para aquele ano, o dimensionamento do mercado potencial de Geoinformação no Brasil para 2008 era de 619 milhões de reais, considerado o conjunto dos componentes Dados, Softwares e Serviços.

O gráfico a seguir apresenta o dimensionamento do mercado brasileiro para o período 2006-2008, em milhões de reais.

dimensionamento do mercado brasileiro de gis Mercado de Observação da Terra pode chegar a 15 bilhões de euros em 2026. Isso é muito ou pouco?

E a figura abaixo ilustra o panorama do mercado, por tipo de solução, conforme os tipos definidos anteriormente.

panorama do mercado de gis por tipo de solução Mercado de Observação da Terra pode chegar a 15 bilhões de euros em 2026. Isso é muito ou pouco?

Quanto desses 8 a 15 bilhões vão “sobrar” para o mercado brasileiro? Seremos eternos consumidores de dados, ou será que um dia vamos entrar de vez no mercado como fornecedores?

Espero voltar aqui em 2026 com boas notícias…

share save 171 16 Mercado de Observação da Terra pode chegar a 15 bilhões de euros em 2026. Isso é muito ou pouco?

Será que existirá um futuro para as profissões de Cartógrafo, Agrimensor e afins? Como vamos nos adaptar às rápidas e constantes mudanças que estão ocorrendo? Será que ainda temos como “subir na cadeia alimentar”?

 Haverá futuro para Cartógrafos e Agrimensores? 5 formas de nos adaptarmos às mudançasEste conteúdo é baseado em um post no blog do professor José Maria Ciampagna, que por sua vez foi uma sugestão do Dr. Diego Erba – especialista em Cadastro – de leitura de um artigo de Robin Mc. Laren na revista GIM International.

Então, não é original, mas achei que valia a pena registrar isto em português, pois está muito relacionado com o que tenho escrito por aqui nos últimos dias e porque compartilho de algumas posições do autor.

O artigo original e a sua tradução ao espanhol falam somente de Surveyors / Agrimensores, mas me sinto confortável em estender também para os Cartógrafos, Tecnólogos em Geoprocessamento, Técnicos em Agrimensores, Geomensores, Geógrafos que trabalham com Geografia Física / Aplicada e afins.

Vamos lá:

O futuro dos Cartógrafos e Agrimensores: como vamos nos adaptar às constantes mudanças?

Robin McLaren descobriu recentemente que, tanto a profissão médica como a de arquitetura, se encontram em um dilema devido à aparição de sistemas de inteligência artificial como o Watson, da IBM, e também frente aos desafios dos mundos técnico e comercial em rápida e constante evolução.

Então, a pergunta que o autor faz é: “Como estamos posicionados em relação à profissão de Agrimensor?”

Em seu artigo, Robin explora como a profissão de Agrimensor / Cartógrafo / Geomensor pode ainda seguir sendo relevante, mesmo sob tanta pressão de outras profissões que estariam melhor preparadas.

futuro para Cartógrafos e Agrimensores 300x208 Haverá futuro para Cartógrafos e Agrimensores? 5 formas de nos adaptarmos às mudanças

Sobre o Watson, trata-se de um super-computador que combina Inteligência Artificial e software analítico para obter rendimento ótimo como uma “máquina de perguntas e respostas”, que já tem demonstrado seu valor no diagnóstico de pacientes, por exemplo.

Os médicos simplesmente não teriam tempo hábil – geralmente em torno de 15 anos – para adotar novos procedimentos com o Watson em seus calcanhares.

De forma semelhante, a profisssão de Arquitetura também encontra-se em um dilema. Para mim, o número é um pouco exagerado, mas segundo o autor do artigo, estima-se que 80% do mundo, hoje, esteja sendo construído sem arquitetos.

Segundo ele, parece que todas as profissões estão tendo que adaptar-se rapidamente aos desafios técnicos e comerciais em rápida evolução.

Em tempo: vale a pena dar uma olhada no site Will Robots Take My Job e pesquisar que profissões estão mais “ameaçadas de extinção” (o resultado para “Surveying and Mapping Technicians” é de impressionantes 96%).

E aí o sr. Mc Laren deixa estes questionamentos:

• Como a profissão de Agrimensor está se preparando para este desafio ?

• As profissões ligadas à Geomática continuarão sendo consideradas relevantes frente a outras mais atraentes?

• Será que os Topógrafos compreendem o impacto – em sua profissão – da revolução que está em curso no setor geoespacial?

Esta transformação digital inclui o crowdsourcing baseado em tecnologia móvel, a combinação de inteligência artificial e observação da Terra, os sistemas automatizados de localização e cartografia, o big data e a robótica, além do registros de terra sendo terceirizados ao setor privado.

De acordo com o autor, para as profissões ligadas à Geoinformação continuarem sendo relevantes, devemos educar nossos estudantes e continuar desenvolvendo a capacidade dos profissionais para que sejam tão criativos nos negócios como o são em coletar, gerenciar e analisar dados geoespaciais.

Hoje, o alcance limitado dos agrimensores se deve – ainda segundo o autor – em grande medida porque nos foi ensinado “O que pensar”, ao invés de “Como pensar” sobre o negócio geoespacial.

Para Mc Laren, a relevância de nossa profissão está conectada a estas 5 características críticas:

1 – Alcance: se ensinarmos aos jovens profissionais a serem tão criativos no setor geoespacial como o são em tecnologia da informação, se abrirão portas para fluxos de recursos provenientes de novas fontes, como por exemplo a propriedade intelectual e novos serviços, que possam expandir a influência do agrimensor na resolução de problemas.

2 – Eficácia: as soluções de nossos problemas globais só serão alcançadas mediante a colaboração com outras profissões. Desta forma, os cursos devem envolver o trabalho em equipes multidisciplinares para resolver problemas, ao invés de ficarmos isolados em “ilhas de geoprocessamento”.

3 – Conectividade: muitas vezes isolamos nossa profissão com discursos monótonos e/ou auto-complacentes. Em um mundo onde reinam as redes sociais e a desinformação, é fundamental transmitir nossa mensagem de forma clara e objetiva àqueles a quem tentamos influenciar, como os políticos e leigos.

4 – Adequação: nossas soluções parecem estar sobre-especificadas e são geralmente muito caras para os requisitos dos clientes. Precisamos escutar mais e de maneira mais efetiva as necessidades dos clientes, compreender melhor o contexto cultural e oferecer soluções aptas para o seu propósito.

5 – Resiliência: devemos levantar nossas cabeças, compreender o que está ocorrendo no mundo e nos adaptar rapidamente. Isto vai requerer que sejam mantidos nossos valores globais.

6 (bônus, por minha conta) – Sair da ZC: é essencial estarmos sempre prontos para sair da famigerada zona de conforto e pensar que, neste momento, um pequeno grupo pode estar em uma garagem no Vale do Silício desenvolvendo a próxima tecnologia que vai gerar a disrupção de um setor, e este setor pode ser o Geoespacial.

Finalizando, com as palavras do autor: “Para sobreviver, os Cartógrafos e Agrimensores deverão adotar uma mudança profunda, avançar na ‘cadeia alimentar’ de novos serviços ao agregar valor considerável e ser pró-ativos na criação de mercados inovadores. Do contrário, nos tornaremos irrelevantes e extintos”.

E você, concorda com o autor? Envie pra mim seus comentários que poderei traduzir e encaminhar tanto ao prof. Ciampagna como ao Robin Mc Laren (em tempo: recentemente fiz uma live sobre este assunto, que você pode assistir aqui).

PS: Para não trazer só “notícia ruim”, assim como comentei na live, a profissão considerada a “mais sexy da década” é a de cientista de dados. Ou seja, os dados agora viraram commodities, então é preciso saber o que fazer com esta imensa quantidade de informação que é gerada, continuamente. Em um futuro próximo, não vai ser tão importante o título – de qualquer forma, eu serei eternamente Engenheiro Cartógrafo – mas sim como estará a capacidade de cada um de se adaptar às mudanças do mercado. Bora que o futuro será fantástico…

share save 171 16 Haverá futuro para Cartógrafos e Agrimensores? 5 formas de nos adaptarmos às mudanças

Transformação digital não acontece da noite para o dia

Por Eduardo Freitas | 14h06, 24 de Outubro de 2017

Esta foi a tônica da palestra de Laércio Cosentino, fundador da TOTVS (lê-se, “tótus”), semana passada aqui em Curitiba: Transformação digital não acontece da noite pro dia

O evento do último dia 19 de outubro foi bem enxuto e durou uma manhã, no Auditório do Museu Oscar Niemeyer, bem próximo do escritório da MundoGEO, reunindo mais de 300 profissionais e empresários.

Segundo o Márcio Viana, CEO da TOTVS Curitiba, “a ideia foi provocar e mostrar ao público em que momento estamos nessa jornada de transformação digital”.

Mostrou, ainda, a diferença entre as organizações tradicionais e as exponenciais, e como a TOTVS aproveita o melhor desses dois modelos. Em tempo- dica de leitura: Livro Organizações Exponenciais, de Yuri Van Geest.

Eterna Startup

25993 0 md 300x199 Transformação digital não acontece da noite para o diaUma eterna startup… Por incrível que pareça, é assim que Laércio Cosentino define seu negócio (por sinal, uma das maiores empresas de soluções, plataforma e consultoria da America Latina, presente em 40 países).

Fundada em 83, a TOTVS está passando por sua própria transformação digital, com a implementação e lançamento de novas tecnologias que vêm mudando a maneira como as pessoas agem e consomem.

Em sua palestra da semana passada, Laércio apresentou, de forma descontraída, as principais mudanças trazidas pela era digital.

Segundo ele, o processo de transformação é gradativo e envolve não só a empresa, mas também os clientes: “É importante que as empresas analisem seus clientes e busquem enxergar quais são as principais tendências desse público. A mudança no comportamento e na preferência das pessoas faz com que o processo de transformação seja constante”.

Destaque para o setor de softwares, que tem estreita ligação com o de Geotecnologia e está passando pela fase de transição do modelo “antigo” – baseado na venda de licenças e lançamento de versões – para o novo – com foco em assinatura e atualização constante.

O que virá pela frente?

Só quem estiver em constante transformação (digital?) vai saber…

35826427380 2370744b88 b Transformação digital não acontece da noite para o dia

share save 171 16 Transformação digital não acontece da noite para o dia

Campus Weekend e Inventum Pato Branco: volta às origens…

Por Eduardo Freitas | 15h20, 14 de Outubro de 2017

Drones, Inteligência Artificial, Internet das Coisas, Smart Cities, Exploração Espacial: neste fim de semana, a pequena Pato Branco se torna a gigante da tecnologia

Ok, pode até parecer que eu esteja somente “enchendo a bola” da minha cidade natal, mas para quem está de 13 a 18 de outubro em Pato Branco, no sudoeste do Paraná, vai poder ver uma mostra do que está, hoje, na fronteira da tecnologia em diversas áreas do conhecimento.

Drones, Inteligência Artificial, Internet das Coisas, Smart Cities, Exploração Espacial: tudo isso e mais um pouco fazem parte dos dois eventos que acontecem simultaneamente, o Inventum de 13 a 18 de outubro e a Campus Weekend nos dias 14 e 15.

Com a largada, na última sexta, Pato Branco entra de vez no mapa nacional da tecnologia. E isso não é pouco para uma cidade a 400 quilômetros da capital e relativamente longe dos grandes centros…

inventum e campus weekend pato branco 300x168 Campus Weekend e Inventum Pato Branco: volta às origens...É a primeira vez que acontece em uma cidade do interior a Campus Weekend, que é uma versão reduzida da Campus Party – maior feira de tecnologia do mundo. Segundo o prefeito de Pato Branco, Augustinho Zuchi, a expectativa é colher os frutos ao longo das próximas décadas.

De acordo com Francesco Ferruggia, presidente do Instituto Campus Party, apenas para a Campus Weekend houve mais de 1,5 mil inscritos, que, comparados aos 6 mil de São Paulo, é um excelente número. Já para o Deputado Estadual Guto Silva, um evento como este faz com que as pessoas entendam a importância da inovação e ajuda a reter talentos na região.

Uma das palestras mais esperadas da Campus Weekend será a de Paul Zaloom, do famoso seriado “O Mundo de Beakman”, premiado pelo Emmy, que vai fazer ao vivo demonstrações de experimentos científicos com muito humor.

Também está confirmado no palco principal o brasileiro Marcos Roberto Palhares, que tem vaga reservada em uma viagem suborbital da empresa Virgin Galactic, pioneira em turismo espacial. Marcos fará um contexto histórico da exploração espacial, mostrando como a raça humana está se preparando para sobreviver fora da Terra.

E os drones não poderiam ficar de fora… Carlos Cândido, doutorando em Computação Natural, será o palestrante que vai trazer detalhes de vários projetos ao redor do mundo sobre o uso de drones no combate à dengue, transporte de pessoas e mercadorias, entre outros temas.

Serão mais de 90 horas de contéudo, com mais de 70 palestrantes nacionais e internacionais que se apresentarão em quatro palcos: Feel The Future, Criatividade e Entretenimento, Ciência e Inovação, e Empreendedorismo. Completam a programação diversas oficinas de robótica, realidade virtual, computação quântica e mais.

Paralelamente acontecem, ainda, mostras das Universidades da região, com destaque para o estande do Curso Técnico em Agrimensura da UTFPR, que demonstra os equipamentos utilizados pelos alunos e os projetos em andamento. Segundo o professor Silvio Andolfato, é um desafio constante competir com a internet pela atenção dos estudantes, e por isso os professores têm que, a cada aula, dar o seu melhor para manter os alunos motivados no curso.

Palestra e Workshop

Agora vem um momento pessoal no qual eu tenho que agradecer pela oportunidade de, na segunda-feira (16/10), fazer uma palestra e dar um workshop para os alunos que estão cursando o técnico em Agrimensura.

Será uma honra poder compartilhar um pouco do que temos observado sobre as tendências das geotecnologias e drones, na parte da manhã, durante e palestra, e depois sobre GeoEmpreendedorismo, para uma turma menor, na parte da tarde.

De volta às origens… #gratidão

pato branco capital da tecnologia 1024x576 Campus Weekend e Inventum Pato Branco: volta às origens...

share save 171 16 Campus Weekend e Inventum Pato Branco: volta às origens...
  • Eduardo Freitas
    @eduardo
    Diretor de Operações do MundoGEO. Engenheiro Cartógrafo, Técnico em Edificações, Especialização em Gestão Estratégica de EAD. Tradutor dos informativos GeoSur e OGC Iberoamérica. Nas horas vagas: pão caseiro, comida japonesa e meia-maratona

    Diretor de Operações do MundoGEO. Engenheiro Cartógrafo, Técnico em Edificações, Especialização em Gestão Estratégica de EAD. Tradutor dos informativos GeoSur e OGC Iberoamérica. Nas horas vagas: pão caseiro, comida japonesa e meia-maratona

  •