A capital paranaense foi palco de um fórum que reuniu a comunidade sulamericana do Agronegócio, na semana passada, e o assunto principal foi o processo sucessório nas empresas familiares. Resumindo o evento em uma questão: já que a sucessão é um desafio, será que a tecnologia vai fazer a diferença para que a nova geração queira ficar no campo?

5 Forum Agro da America do Sul 300x199 Tecnologia vai fazer a diferença para que a nova geração fique no campo?

5º Fórum de Agricultura da América do Sul (foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo)

Fui convidado pela organização do evento para participar no 5º Fórum de Agricultura da América do Sul nos dias 24 e 25 de agosto em Curitiba (PR), no Museu Oscar Niemeyer, a poucas quadras aqui do escritório da MundoGEO. E para mim foi uma surpresa saber que a sucessão no campo é uma preocupação tão grande para o setor de agronegócio em todo o globo. Falou-se em garantia da segurança alimentar, manutenção da paz e até mesmo futuro da humanidade.

Apesar do tema central do evento ser “Sucessão, Gestão e Tecnologia – O Campo do Futuro e em Transformação”, o primeiro assunto acabou tendo muito mais ênfase. E o evento começou com a participação – através de vídeo conferência – de Roberto Azevedo, brasileiro que está fazendo bonito como Diretor Geral da OMC – a importante e imponente Organização Mundial de Comércio – que demonstrou preocupação com blocos se desfazendo e desaceleração da economia, mas também otimismo com as novas tecnologias no campo.

Segundo dados apresentados por um palestrante que representou o IPEA, 90% das fazendas são empresas familiares e, ainda que outras pessoas sejam envolvidas na administração, quase sempre as decisões estratégicas são tomadas pela família. Outro número preocupante apresentado por um palestrante foi que 80% dos jovens não querem ficar no campo. Por isso, os jovens precisam ser vistos, não como futuro do setor, mas como presentes na produção e inovação, sendo este um fator chave para a sustentabilidade da agricultura e alimentação.

Vários palestrantes citaram a forte dependência do Brasil do Agronegócio, que representa cerca de 50% de nossas exportações, e mais especificamente no estado do Paraná que pode chegar a 75%. Porém, a infraestrutura ainda é o maior gargalo para o escoamento da produção. E, apesar de o Brasil produzir 7,6 vezes mais do que consome, ainda há muito espaço para melhorar a produtividade, principalmente através da tecnologia.

Dois palestrantes mostraram o mesmo gráfico – preocupante – no qual havia o alerta de que, mantendo-se os níveis atuais de crescimento na produção e na população, o mundo não conseguiria alimentar todos os seus habitantes em 2050 (estima-se que serão 11 bilhões). Algumas soluções seriam diminuir o gap tecnológico em relação aos países campeões de produtividade e quebrar paradigmas (nanotecnologia, big data, startups), já que a área agriculturável tende a não aumentar muito.

Também se falou de oportunidades para atuar em parceria com outros países, como por exemplo a Índia. Aliando três fatores, os indianos são hoje o melhor mercado para proteína vegetal: população em crescimento, consumo em alta e escassez de água. E, já se encaminhando para o fechamento do evento, foi enfatizada a importância do urbano, já que todos estão, de uma forma ou outra, envolvidos com agronegócio: cooperativas, bancos, marketeiros, imprensa, etc..

Ao final do Fórum, ficou a conclusão de que a sucessão é um desafio a ser enfrentado, mas que a tecnologia deverá fazer toda a diferença para que as novas gerações queiram continuar no campo. A sucessão não deve ser tratada como um evento isolado, mas como um processo, para que seja menos traumática, e a tecnologia será a chave.

Censo Agro

Foi emblemática a participação do Diretor Executivo do IBGE sobre o Censo Agropecuário 2017 que será realizado a partir de outubro, com 18 mil recenseadores munidos de computadores de mão, que deverão visitar mais de 5 milhões de propriedades.

Segundo ele, devido às restrições orçamentárias do governo, não sobraram recursos para fazer campanha para que os proprietários rurais recebam os recenseadores, então foi feito um apelo aos veículos de mídia, cooperativas e demais instituições do agro pelo apoio na divulgação.

Os dados do censo vão gerar informações e conhecimentos valiosos para subsidiar a tomada de decisão, redefinindo todo o setor do agronegócio para os próximos anos.

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