No início de outubro um grupo de executivos e especialistas em tecnologia reuniu-se no Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), em Brasília, para levar adiante uma discussão que deve se intensificar nos próximos dias.

Até o fim de novembro o governo tem que definir o padrão tecnológico que irá orientar a instalação de chips em carros de todo o país. No momento falta apenas o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) regulamentar a obrigatoriedade do sistema.

Por trás do projeto está a possibilidade de aprimorar a gestão do trânsito, monitorar carros que tenham sido roubados e ampliar o controle fiscal de veículos em situação irregular, com atraso de multas, IPVA e seguro obrigatório, por exemplo. Os benefícios são claros, mas as tecnologias para chegar até lá, nem tanto.

De um lado estão as chamadas "etiquetas passivas", que são microchips simples que não carregam bateria e são ativados apenas quando cruzam por antenas, em um raio de aproximadamente oito metros. Cada etiqueta custa cerca de R$ 1. Esse baixo custo possibilita a sua implementação em larga escala.

Do outro lado estão as "etiquetas ativas", que carregam bateria e têm capacidade própria de processamento. Trata-se do recurso usado no projeto "Sem Parar", dos pedágios rodoviários. O problema da adoção dessa tecnologia, no entanto, está no preço: cerca de R$ 25 cada chip.

Enquanto o governo federal não define um padrão, prefeituras se movimentam para tentar se livrar dos custos de adoção da tecnologia, uma vez que a idéia do governo é não repassar esse ônus para o cidadão, embora isso já venha ocorrendo. Em São Paulo, a prefeitura está trabalhando em um projeto de parceria público-privada para disponibilizar as etiquetas ao cidadão.

Com a regulamentação da lei, a prefeitura irá não só oferecer mais segurança para o motorista e ter melhor gerenciamento do tráfego, mas também monitorar de perto a frota de 1,7 milhão de veículos que circulam pela capital, dos quais 30% possuem algum tipo de pagamento em atraso. Em um cálculo rápido, a prefeitura está deixando de receber cerca de R$ 1,7 bilhão.