Na última terça-feira (17/3), a Innospace, empresa sul-coreana de serviços de lançamento de satélites, anunciou que foi identificada a causa da anomalia que encerrou a missão da Operação Spaceward, realizada em em 22 de dezembro de 2025 no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. A Operação seria o primeiro lançamento comercial do Hanbit-Nano. 

Conduzida pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), a investigação conjunta com a Innospace, reconstruiu toda a sequência de voo por meio de uma revisão abrangente de dados de telemetria, rastreamento, dados de instalações em solo, registros operacionais de lançamento e imagens de vídeo coletadas durante a missão. Além disso, mais de 300 fragmentos do veículo lançador, recuperados em duas fases no local de lançamento no Brasil, foram analisados como parte da investigação.

Foi confirmado que o veículo operou normalmente na fase inicial do voo, com dados sendo transmitidos corretamente após a decolagem. Aos 33 segundos de voo, ocorreu um vazamento de gases de combustão na seção frontal do conjunto da câmara de combustão do foguete híbrido do primeiro estágio, resultando na ruptura da câmara e na subsequente separação do veículo em múltiplas partes.

Durante a análise, concluiu-se que o vazamento ocorreu devido à compressão insuficiente e à vedação inadequada dos componentes, causadas por deformações durante a remontagem do sistema, após a substituição do plugue frontal da câmara na fase de preparação para o lançamento no Brasil.

Com base nessas conclusões, a Innospace planeja reforçar os processos de montagem e os procedimentos de gestão da qualidade. A empresa também implementará melhorias de projeto e atualizações em componentes relacionados, além de realizar procedimentos adicionais de verificação funcional.

“Por meio desta investigação, conseguimos revisar de forma abrangente os dados de voo e os materiais coletados, obtendo uma compreensão mais clara da sequência de lançamento. Esse processo gerou ativos técnicos valiosos que contribuirão para o avanço das tecnologias de veículos lançadores. Tanto a Innospace quanto o Cenipa chegaram a conclusões consistentes, sem divergências quanto às medidas a serem adotadas. Com base nesses resultados, implementaremos as melhorias técnicas necessárias e realizaremos verificações rigorosas para aumentar a segurança e a taxa de sucesso de futuros lançamentos,”

afirmou Soojong Kim, CEO da Innospace.

No início da investigação conjunta, o Cenipa esclareceu que a propriedade intelectual relacionada ao veículo lançador seria rigorosamente protegida durante todo o processo. Além disso, reafirmou que a investigação seria conduzida com base em princípios técnicos e independentes, visando prevenir a recorrência de incidentes semelhantes.

O Coronel Alexander Coelho Simão, investigador responsável (IIC) do Cenipa, vinculado à Força Aérea Brasileira, declarou:

“Ao longo do processo, houve estreita cooperação e alto nível de transparência entre Innospace, Cenipa e KASA. O compartilhamento de informações e a análise conjunta de evidências permitiram alcançar uma conclusão tecnicamente consistente. Esse processo colaborativo foi fundamental para aumentar a confiabilidade e a robustez dos resultados.”

O cronograma exato do próximo lançamento será definido após a conclusão das medidas corretivas técnicas e a obtenção da autorização de lançamento pela KASA. A Innospace planeja realizar um novo lançamento no Brasil no terceiro trimestre deste ano, utilizando uma janela de lançamento já assegurada.

Cenipa é a autoridade da Força Aérea Brasileira (FAB) responsável pela investigação de acidentes aeronáuticos e aeroespaciais, encarregada de analisar cientificamente as causas de ocorrências envolvendo aeronaves e veículos lançadores, de acordo com padrões internacionais. Após o ocorrido, o órgão iniciou os protocolos de investigação de acidentes espaciais conduzidos pelo Estado Brasileiro, classificando oficialmente o lançamento do Hanbit-Nano como “incidente”, e não “acidente”.

Com informações e imagens da AEB, Innospace e Cenipa

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