Pode em breves palavras caracterizar a Dephos Group?

– A DEPHOS Group Ltd foi fundada em 2000 e tem estado consistentemente na vanguarda do mapeamento fotogramétrico e da aquisição de dados 3D. Com especialização em fotogrametria, digitalização a laser e geodésia, a DEPHOS Group é uma empresa de geomática que oferece serviços completos, inclusive soluções informáticas para coleta, processamento, classificação e controle de qualidade dos dados 3D em sistemas CAD e GIS, como por exemplo o software Limon e a aplicação OrbiView. As aplicações informáticas desenvolvidas sob medida e as aplicações próprias são muito importantes na expansão da empresa, nomeadamente na estratégia de internacionalização para fora da Europa.

A equipe na qual a Dephos se apoia é multidisciplinar e inclui, para além de técnicos altamente especializados, uma diversidade de PhDs em áreas como a Programação, Robótica, Silvicultura, Geodésia e Cartografia.

Participa regularmente também em projetos de desenvolvimento financiados pela EU, em que contribui na sua área de especialidade para a concepção de soluções integradas para áreas muito para além do mapeamento.

Quais os produtos próprios que a Dephos Group aposta na internacionalização?

A Dephos aposta nesta iniciativa de participação na MundoGEO Connect na promoção na e divulgação de dois produtos de sucesso e com provas dadas na Europa central.

Um produto vocacionado para controle de qualidade, visualização e análise de dados LiDAR, designado por LiMON. É um software desenvolvido de raiz pela Dephos Group para responder à necessidade de existir no mercado uma solução econômica e intuitiva orientada principalmente para os compradores de dados LiDAR.

Ao contrário de outras soluções focadas sobretudo em processamento e classificação automática, o LiMON destaca‑se pela abordagem intuitiva e especializada em avaliação de qualidade, sendo amplamente utilizado por empresas privadas, administrações locais e nacionais.

O segundo produto em que apostamos numa forte divulgação é a solução designada por OrbiView. O OrbiView é uma plataforma de gestão visual de ativos projetada para apoiar a fase operacional de edifícios: transforma digitalizações a laser e imagens em 360° em uma representação digital visual e metricamente precisa das instalações, que reflete as condições reais do edifício conforme construído. Ao contrário das soluções BIM tradicionais, o OrbiView concentra-se na usabilidade, na eficiência operacional e no controle de custos, tornando informações confiáveis sobre o edifício acessíveis a gestores de instalações, equipes técnicas e tomadores de decisão, mesmo sem conhecimentos especializados em BIM.

Pela larga experiência que a Dephos tem na Europa, considera que para além dos softwares referidos existe um projeto em particular cuja divulgação seja prioritária no mercado Sul-americano no geral e no Brasil em particular?

Para além das soluções 100% próprias referidas, a Dephos tem participado em inúmeros projetos em que a sua experiência e base teórica dá uma contribuição significativa.

Um bom exemplo e que acreditamos inclusive que é uma temática muito presente no Brasil em particular, mas também em todas as Américas, tem a ver com o projeto acabado de implementar na Romênia e que foi designado por: “Sistema informático integrado para aumentar a capacidade de supervisão, controle e monitoramento das florestas”.

Este projeto implementado na Romênia, com raízes em projetos implementados na Polônia, corresponde a uma ferramenta poderosa de suporte ao manejamento florestal, nas suas mais diversas componentes: biológicas e técnicas, com o objetivo de manter o nível de rendimento dos possuidores maximizado, considerando todos os seus objetivos e responsabilidades.

É uma ferramenta desenvolvida por uma equipe multidisciplinar e que integra diferentes fases, complementares, interrelacionadas mas independentes.

Como surgiu a possibilidade de desenvolver esse projeto?

O Ministério do Ambiente Romeno, que agrega responsabilidades diversas incluindo responsabilidade direta na gestão florestal, depois de diversas consultas que fez a diversos agentes econômicos, elaborou um termo de referência em que expressou todas as necessidades que tinha, objetivos e forma de o concretizar.

O objetivo consistiu em desenvolver um programa de classificação, processamento e análise automática dos dados obtidos com a ajuda dos sensores LiDAR para obter, pelo menos e automaticamente, os seguintes indicadores:

  • modelo digital do terreno (MDT);
  • modelo digital da superfície (MDS);
  • altura das árvores;
  • superfícies regeneradas;
  • superfícies sem vegetação florestal (descobertas);
  • consistência.

Através da correlação com os dados resultantes do Inventário Florestal Nacional (medições diretas nas áreas de amostragem relativas à localização individual das árvores, espécie, diâmetro de base e altura), poderão ser estimados indicadores relevantes, tais como:

  • área de base por hectare (para diferentes tipos de árvores);
  • tamanho do fundo de produção (volume total por pé);
  • comparar automaticamente os índices obtidos na ultima campanha de voos com os dados existentes de campanhas anteriores.

A área objeto de monitoramento alvo corresponde à totalidade da Romênia, ie, aproximadamente 230.000 km2. 

Na sequência, foi aberto um concurso público em que, entre outras particularidades, foi exigida uma prova de conceito para garantir que os potenciais candidatos à elaboração desta solução requerida como 100% automática demonstrassem um entendimento claro do que era pedido.

Com base nesse documento elaborámos uma oferta que foi considerada vencedora.

Referiu que um projeto desta natureza integra diferentes fases interrelacionadas. Pode explicar melhor?

As diferentes fases passam fundamentalmente por três etapas distintas, mas complementares:

  • Etapa de recolha ou identificação de dados, compatíveis com a especificidade dos objetivos, no caso da Romênia a recolha de dados está sob a responsabilidade da estrutura cartográfica militar. Corresponde a sobrevoos LiDAR com um mínimo de 35-40 pontos por m2 recolhidos simultaneamente com Fotos RGB e NIR e o respectivo ajuste de trajetórias e referenciação;
  • Etapa de limpeza, classificação, visualização, análise (global, individual e histórica) e produção de dados de saída (rasters, relatórios de quantidade e qualidade, análises comparativas);
  • Etapa de implementação ou customização do Sistema de Informação Geográfica, que irá garantir a ligação aos utilizadores.

As três etapas estiveram dependentes da Dephos?

Não, essa é um aspecto interessante da forma como o projeto foi implementado e poderá ser implementado no futuro.

Para os dados, são estabelecidos parâmetros mínimos de quantidade e qualidade, uma vez que a identificação e análise correta de posição de cada árvore obrigam a que os dados multitemporais sejam compatíveis em precisão. Caso contrário, o sistema irá identificar elementos em posições distintas, uma vez os dados de anos diferentes não iriam coincidir. E com base nestes parâmetros são reunidos dados existentes ou feitos sobrevoos em consórcio ou de forma independente por entidades locais, familiarizadas com o território e procedimentos.

A etapa de processamento dos dados já georreferenciados com os programas dos sensores de recolha, mas completamente não classificados, é feita na totalidade de forma automática, e tendo em conta áreas de análise à escala nacional ou estadual (grandes superfícies). O sistema identifica automaticamente a chegada dos dados novos ao servidor e inicia de forma autônoma a classificação, análise e comparação no caso de existirem dados anteriores na mesma área. Os resultados deste processo sequencial são visíveis e independentes por forma a ser possível monitorar qualquer dos passos em tempo real. Esta é a nossa etapa onde são utilizados os nossos recursos e conhecimentos a 100%.

Temos por último a interface com o usuário que ocorre em ambiente de Sistema de Informação Geográfica, em que todos os resultados estarão disponíveis em formatos universais. Este SIG poderá ser o já existente na instituição ou poderá ser implementado de raiz. É tipicamente uma etapa a ser desenvolvida por uma estrutura local, em que a língua e todos os aspectos culturais coincidentes com o cliente serão uma mais valia.

É uma solução típica de integração de conhecimento e experiência internacional com uma forte experiência e capacidade local.

A Dephos já tinha experiência prévia nesta temática?

Sim, tudo começou na Polônia, com o desenvolvimento de uma “library” designada por SAND, que consiste numa coleção de códigos, funções e recursos pré-definidos que podem ser reutilizados em diferentes projetos de software.

A partir desta etapa foi desenvolvido um sistema para a Polônia e outro para a Romênia, com especificidades e objetivos diferentes mas dentro da mesma temática.

Quais as características da equipe técnica para implementar um projeto com essa complexidade?

É necessária uma equipa multidisciplinar com altíssimo nível de especialização complementada por técnicos experientes nas mais diversas áreas da geomática.

Quais os resultados práticos para os clientes?

Sistemas totalmente automáticos que processam dados Lidar não classificados, identificando todas as árvores em diferentes alturas (situações de multi-camadas), caracterizando e quantificando realmente a floresta.

Todos os dados resultantes são exportados em formatos universais compatíveis com os sistemas que existirem já no cliente.  

Um projeto desta natureza é replicável?

Totalmente, cada caso é um caso e cada gestor tem especificidades nas suas necessidades e urgências, sendo a temática comum; a solução final será sempre desenhada à medida, única, livre de licenças e custos de manutenção.

Como vê a possibilidade de implementar este tipo de soluções na realidade Sul-americana?

Com muito otimismo, o espaço geográfico Sul-americano tem inúmeros agentes relacionados com o tema da floresta, tanto nas componentes de preservação como exploração econômica. Uma ferramenta como a nossa garante um manejamento com base em dados reais e totais (ao invés de apoiado por amostras extrapolação), garantindo uma maior eficiência e aproveitamento econômico sustentado.

É uma solução fechada ou, pelo contrário, requer colaboração de empresas locais?

Como já referi anteriormente é uma solução que passa necessariamente por colaboração com parceiros locais que tenham um nível tecnológico bom e interesse em atuar nesta temática.

Durante a MundoGEO Connect contaremos com a sua presença?

Sim, estarei presente no evento e aguardo com entusiasmo o início do mesmo. É uma oportunidade importante para troca de experiências, estabelecimento de parcerias e concretização de negócios, ainda mais agora que finalmente a Europa e o Mercosul assinaram o tão desejado acordo econômico, que entrará em vigor a 1 de maio. Acredito que este acordo irá estimular a cooperação entre empresas e instituições de ambos os continentes para benefício comum.

Mais informações: www.dephos.com


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