A análise dos dados coletados durante o voo do foguete Hanbit-Nano, realizado em dezembro do ano passado, confirmou o bom desempenho do Sistema de Navegação Inercial /GNSS (SNI-GNSS), tecnologia brasileira desenvolvida para aplicação em veículos lançadores. Os dados foram obtidos durante um teste embarcado realizado em missão da sul-coreana Innospace, que integrou uma etapa de validação tecnológica em ambiente real de voo. 

O sistema funcionou dentro do esperado  desde sua energização, cerca de 30 minutos antes do lançamento, até a perda de sinal do foguete, aproximadamente 33 segundos após a decolagem. Apesar do encerramento antecipado da missão após um vazamento de gases de combustão na seção dianteira do conjunto da câmara de combustão híbrida do primeiro estágio, que resultou na ruptura da câmara de combustão, os dados coletados permitiram validar aspectos considerados críticos para esse tipo de tecnologia, incluindo resistência estrutural, desempenho dos sensores e algoritmos de navegação.

Desenvolvido por meio de uma encomenda tecnológica da Agência Espacial Brasileira (AEB), o SNI-GNSS é resultado de uma parceria entre Concert Space, Horuseye Tech e Cron. O equipamento foi projetado para compor os sistemas de navegação e controle de veículos lançadores e será usado no Microlançador Brasileiro (MLBR) – programa estratégico voltado ao desenvolvimento de um lançador nacional de pequeno porte para colocação de satélites em órbita. 

“A análise demonstrou que o sistema respondeu conforme o esperado dentro das condições disponíveis para o teste. Mesmo em um cenário adverso e com tempo reduzido de operação, foi possível validar o funcionamento do equipamento em ambiente real de lançamento – e, de certa forma, em condições ainda mais severas do que as de uma missão convencional. O resultado representa um avanço relevante para o desenvolvimento da navegação nacional e um passo fundamental para que o Brasil amplie sua capacidade de produzir veículos lançadores próprios”,

afirma o CEO da Concert Space, Rafael Mordente. 

Entre os pontos avaliados positivamente estão a resistência do equipamento às condições de vibração e choque do voo, o desempenho dos sensores inerciais, o funcionamento do receptor GNSS voltado para lançadores, o software de sequenciamento das fases de operação e os algoritmos de navegação embarcados.

Segundo os desenvolvedores, os resultados indicam que o SNI-GNSS está apto para novos testes em voo sem necessidade de correções estruturais ou alterações de projeto no equipamento, o que corrobora com a percepção de sucesso com base nos dados colhidos durante o voo da Innospace. De acordo com Valter Ricardo Schad, sócio-diretor da Horuseye Tech, “o SNI foi capaz de demonstrar um desempenho adequado aos resultados esperados de um lançamento com as características do que foi o primeiro voo do Hanbit-Nano, em dezembro do ano passado, de modo que estamos prontos para prosseguir para novas e importantes etapas de validação”. A próxima etapa prevê novos testes em voo, incluindo aprimoramentos voltados às condições específicas dos veículos em que o sistema será operacionalmente utilizado.

A validação do SNI-GNSS em ambiente real de lançamento representa um avanço relevante para o fortalecimento da cadeia espacial brasileira, especialmente em um segmento considerado estratégico para a soberania tecnológica do país. O desenvolvimento e a qualificação de tecnologias nacionais para sistemas críticos de navegação e controle contribuem para ampliar a autonomia brasileira no acesso ao espaço e reduzir a dependência de soluções estrangeiras em projetos espaciais. 

De acordo com Leila Fonseca, coordenadora de Estudos Estratégicos e Novos Negócios da AEB, “as Encomendas Tecnológicas têm como objetivo aproveitar as capacidades técnicas e científicas de empresas nacionais e instituições científicas e tecnológicas (ICTs), direcionando-as ao desenvolvimento de tecnologias essenciais à sustentação do Plano Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), antecipando demandas e assegurando a prontidão de sistemas que viabilizam o avanço do Brasil no setor espacial”. 

O experimento também evidencia o fortalecimento da cooperação internacional entre Brasil e Coreia do Sul no setor espacial. A integração do SNI-GNSS ao voo do Hanbit-Nano permitiu avanço na validação de uma tecnologia nacional crítica e essa parceria será indispensável para o processo mais complexo e importante para sistemas espaciais, que é a  geração da herança de voo.  Além de ampliar as possibilidades de colaboração tecnológica e o desenvolvimento conjunto de capacidades estratégicas para acesso ao espaço, parcerias como esta entre Concert Space e Innospace ajudam a fortalecer um ambiente de intercâmbio que acelera a inovação. “Integrar e testar com sucesso tecnologias críticas nacionais, como o SNI-GNSS, reflete o fortalecimento da parceria espacial entre a Coreia do Sul e o Brasil”, afirmou Soojong Kim, fundador e CEO da INNOSPACE. “A INNOSPACE continuará trabalhando em estreita colaboração com parceiros estratégicos para criar sinergias tecnológicas relevantes e contribuir para o avanço da indústria espacial global.”


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