O Microlançador Brasileiro (MLBR) avançou mais uma etapa no processo que poderá levá-lo a integrar oficialmente o Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE). A proposta foi selecionada para a Carteira de Habilitação do Procedimento para Seleção e Adoção de Missões Espaciais (ProSAME), metodologia utilizada pela Agência Espacial Brasileira (AEB) para avaliar e selecionar as missões que poderão integrar o PNAE.
A chegada a essa etapa é estratégica para a continuidade do MLBR. Até o momento, o desenvolvimento do foguete tem sido viabilizado por recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O financiamento permitiu avançar no desenvolvimento das tecnologias e sistemas que compõem o veículo. A evolução do programa, porém, exige continuidade de investimentos e planejamento de longo prazo.
É nesse cenário que o avanço no ProSAME ganha relevância. Com a decisão, o MLBR chega à terceira das quatro etapas previstas no procedimento. A primeira é a Carteira de Admissão, porta de entrada do processo, que reúne as propostas em análise preliminar. Após admissão, o projeto entra para a Carteira de Qualificação, onde ocorre a análise técnica. Já na Carteira de Habilitação, etapa alcançada agora pelo MLBR, as propostas são submetidas à análise financeira e de aderência ao PNAE. Caso avance para a Carteira de Execução, o MLBR passará a integrar oficialmente o portfólio de missões espaciais do PNAE.
“Chegar à Carteira de Habilitação é um passo muito importante para a sustentabilidade do programa MLBR. Os recursos da FINEP foram fundamentais para desenvolver o projeto, mobilizando empresas, profissionais e diferentes competências da indústria nacional. Precisamos, porém, construir as condições para dar continuidade a esse trabalho iniciado via FINEP. Integrar o PNAE cria essa perspectiva de longo prazo e permite que o conhecimento e os investimentos já realizados se transformem em uma capacidade efetiva do País”,
afirma Ralph Correa, diretor da CENIC, empresa líder do projeto MLBR.
A continuidade do programa MLBR envolve, dessa forma, a construção de uma capacidade operacional para lançamento de pequenos satélites, levando o veículo a ser competitivo no mercado internacional.
“O ProSAME abre uma perspectiva estratégica para o MLBR, criando um caminho institucional para viabilizar esse desenvolvimento”,
explica Ralph.
O que significa integrar o PNAE?
O PNAE é o principal instrumento de planejamento das atividades espaciais brasileiras para um período de dez anos. Em sua versão vigente, referente ao período de 2022 a 2031, o documento estabelece prioridades e orientações para o desenvolvimento do setor espacial e organiza iniciativas voltadas a atender às necessidades estratégicas do País e da sociedade.
O programa considera as tecnologias espaciais como uma infraestrutura transversal, com aplicações em áreas como comunicação, logística, agricultura, meio ambiente, defesa civil, mineração, saúde e educação. Entre seus objetivos estão também o fortalecimento da indústria nacional, o desenvolvimento científico e tecnológico e a ampliação da autonomia brasileira nas atividades espaciais.
“O Brasil reúne competências importantes no setor espacial, com infraestrutura, centros de lançamento, instituições de pesquisa e uma indústria capaz de desenvolver tecnologias de alta complexidade. Articular essas capacidades em torno de projetos estratégicos é fundamental para fortalecer o Programa Espacial Brasileiro. Desenvolver a capacidade nacional de acesso ao espaço contribui para ampliar nossa autonomia, fortalecer a indústria e gerar conhecimento e tecnologias que se refletem em benefícios para diferentes setores da sociedade”,
afirma Marco Antonio Chamon, presidente da AEB.
Com informações e imagens do MLBR
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