A Malha Fundiária, que organiza informações georreferenciadas sobre diferentes categorias fundiárias, ganhou uma plataforma que permite visualizar e comparar as mudanças e transições no status fundiário do território brasileiro entre um ano e outro.

Realizada com parceria técnica do Instituto para Governança Territorial e Políticas Públicas (iGPP) e do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), a ferramenta amplia o acesso às informações e o conhecimento sobre a ocupação, a destinação e o reconhecimento das terras no país.

Ela já está disponível para uso do público e, na edição de 2026, traz dados fundamentais para subsidiar, por exemplo, políticas públicas e análises de due diligence imobiliária e para a concessões de crédito.

Como evoluiu a Malha Fundiária entre 2024 e 2026:

  • Terras públicas sem destinação específica tiveram aumento — A área de terras arrecadadas, mas ainda sem destinação específica — glebas e florestas públicas — aumentou de 67,8 Mha, em 2024, para 69 Mha, em 2026. O total corresponde a uma área maior do que a da França e acende um alerta importante, uma vez que a falta de destinação torna esses territórios altamente vulneráveis. Mais da metade dessas terras públicas sem destinação apresenta registros no Cadastro Ambiental Rural (CAR), o que reforça a constatação de que, sem finalidade definida, fica aberto o caminho para a ocupação desordenada e a prática de atividades ilícitas.
  • Terras indígenas não homologadas cresceram 76% — A área de terras indígenas não homologadas passou de 4,2 Mha, em 2024, para 7,4 Mha, em 2026. O acréscimo é de 76% e, segundo os especialistas envolvidos na elaboração da Malha Fundiária, pode indicar avanço no reconhecimento dos direitos territoriais dos povos originários. 
  • Brasil incorporou quase 12 milhões de hectares aos cadastros fundiários — As áreas sem registro fundiário georreferenciado — que não constam nos cadastros oficiais — diminuíram 14,6 Mha, uma redução de 6,25%. Entre 2024 e 2026, o país incorporou aos cadastros fundiários quase 14.5 milhões de hectares, área 30% maior que todo o território de Portugal. Apesar do avanço significativo, ainda restam 148,7 Mha com registros de CAR, mas sem cadastramento fundiário georreferenciado correspondente.
  • Sobreposições entre categorias fundiárias aumentaram 3,8 Mha — As zonas de sobreposição entre categorias fundiárias passaram de 24,6 Mha, em 2024, para 28,5 Mha, em 2026. O aumento foi de 3,8 Mha, superando 12 por cento. A sobreposição mais representativa ocorre entre imóveis rurais privados e Unidades de Conservação de Proteção Integral, com 6,4 Mha. Apesar de, jurídica e ambientalmente, incompatíveis de coexistir no mesmo território, um de cada cinco hectares de Unidades de Conservação de Proteção Integral apresenta registro de CAR. Igual sobreposição acontece em quase 844 mil hectares de Terras Indígenas, equivalentes a mais de cinco cidades de São Paulo.

A nova plataforma da Malha Fundiária 2026 foi lançada em evento na sede do Imaflora e já está disponível no link: https://plataforma.cartasdaterra.com.br/

Com informações e imagens do iGPPo e Imaflora


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