A Força Aérea Brasileira (FAB) qualificou, em condições reais de voo, o sistema de recuperação da Plataforma Suborbital de Microgravidade (PSM-R) na última terça-feira (15/9). Os dados obtidos durante a Operação Potiguar Fase 2 serão utilizados na avaliação do sistema e no desenvolvimento de futuras atividades de pesquisa em ambiente de microgravidade. 

Na carga útil, embarcaram quatro experimentos resultantes de parcerias entre a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a iniciativa privada, abrangendo pesquisas científicas e testes de tecnologias — como o estudo dos efeitos da microgravidade sobre microrganismos e o teste de um sistema de segurança para lançamentos — além de tecnologias próprias do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), incluindo uma bateria de lítio de alta densidade energética e um transmissor que auxilia na localização da carga após o pouso.

Ao todo, o voo da PSM-R, utilizando o veículo de sondagem VS-30 V16, durou cerca de 12 minutos e 30 segundos, alcançando a altitude de 92 quilômetros. Todos os procedimentos foram conduzidos sob rigorosos requisitos de segurança. No Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), o acompanhamento do veículo envolveu sistemas de rastreamento e telemetria, e cada etapa, do transporte à montagem na plataforma de lançamento, seguiu protocolos estabelecidos, com coordenação integrada entre as equipes envolvidas.

Já o resgate da carga útil em mar aberto mobilizou duas unidades da FAB: o Primeiro Esquadrão do Oitavo Grupo de Aviação (1º/8º GAv) – Esquadrão Falcão, sediado na Base Aérea de Natal (BANT), e o Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento (PARA-SAR), sediado em Campo Grande (MS). Enquanto o Esquadrão Falcão garantiu a precisão do voo e o posicionamento da aeronave sobre o ponto de descida, o PARA-SAR executou o resgate em si, lançando-se ao mar para recuperar a plataforma.

Com o resgate concluído, encerrou-se, na prática, o ciclo completo da missão: lançamento, voo suborbital, recuperação e qualificação em voo do sistema de recuperação da PSM-R. O êxito das equipes consolida a Operação Potiguar Fase 2 como etapa decisiva do Programa Espacial Brasileiro.

Programa de Microgravidade

A microgravidade permite realizar experimentos em condições diferentes das encontradas na superfície terrestre. Esse ambiente pode ser utilizado para pesquisas em áreas como materiais, fluidos, combustão, biologia e outras aplicações científicas e tecnológicas. Neste sentido, o Programa Microgravidade da AEB seleciona experimentos científicos e tecnológicos para serem realizados em voos suborbitais e orbitais. A PSM está relacionada ao programa e foi desenvolvida para transportar experimentos que necessitam de um ambiente de microgravidade para a realização de pesquisas.

A recuperação da plataforma também permite que equipamentos e experimentos sejam retirados da trajetória de voo e analisados posteriormente, possibilitando a avaliação dos resultados obtidos durante a missão. Segundo o Presidente da AEB, tais missões são vitais tanto do ponto de vista científico quanto para a demonstração de novas tecnologias.

Com informações e imagens do CECOMSAER e AEB