Reportagem: Casemiro Linarth
Redação final e edição: Marília Kubota

O idioma, o custo, a simplicidade de uso, a facilidade de treinar operadores e a assistência técnica são algumas razões que levam usuários de softwares de topografia a optar pelo produto nacional. Ao contrário das estações totais e teodolitos eletrônicos, quase todos as opções do mercado são fabricadas por empresas brasileiras. Entre estas, sistemas em módulos, com várias funções e outras, mais específicas, desenvolvimento de aplicativos de programas consagrados em CADs. Os softwares ajudam a executar serviços básicos de topografia como locação de obras, construção de prédios, abertura de estradas, loteamento, parcelamento de solo, divisão de área, confecção de mapas.

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Posição: o mais novo, totalmente em AutoCAD

O best seller do mercado é o topoGRAPH, com 10 anos de estrada, ainda em ambiente DOS. Vendido em módulos, foi testado por pelo menos 2.000 usuários, como o engenheiro Paulo Goulart, diretor da Iguatemi Engenharia, de Florianópolis (SC). Em 1991, quando quase não havia escolha nacional. Goulart apostou no software e virou colaborador da Santiago & Cintra (SP) , que desenvolveu o produto. Desembolsou R$12.000, passando a automatizar vários serviços na empresa como projetos viários e estudos de parcelamento rural para o programa da reforma agrária.

O usuário está tão satisfeito que hoje tem 8 cópias do programa. "Em uma equação de desempenho, o topoGRAPH tem 70% da qualidade de um CAD padrão", compara. Versões anteriores foram atualizadas mas o ambiente DOS é um problema, segundo o engenheiro. "Uma versão Windows se compatibilizaria com os programas padrão de mercado e facilitaria a vida do usuário", comenta.

A Santiago sabe disso e se apressa em lançar em julho a versão beta em Windows 95, com aplicativo para loteamento, serviços fundiários, agregando mais recursos gráficos de CAD e um projeto geométrico com versões mais avançadas, segundo o técnico da empresa, Takushi Narumi.

Embora seja o software nacional para este tipo de aplicação mais rodado do mercado brasileiro, o topoGRAPH carrega o peso de ter um grande número de funções, o que demanda mais tempo de treinamento e onera custo finais. Por isso usuários têm procurado opções mais simples, com aplicações bem específicas, o que facilita a aprendizagem e descomplica o manuseio. O preço também é fator importante para a existência de alternativas. Enquanto o topoGRAPH pode sair por R$5.900 a R$15.000, conforme a configuração, um software com funções básicas (entrada de dados de caderneta eletrônica, interface com AutoCAD, descarregamento de dados de teodolitos comuns) custa por volta de R$1.500.

Um dos mais acessíveis (custa R$1.000) é o novíssimo Posição, projetado pela Manfra (PR) desde setembro do ano passado. O programa foi criado inicialmente para descarregar dados de estações totais Leica e convertê-los para um software de desenho. "O software começou a ganhar novas funções e usuários. Com sugestões deles, acabou aperfeiçoado, virando produto de prateleira", explica o técnico da equipe de desenvolvimento do programa, o cartógrafo Fernando Ribeiro.

Um dos que bateram na porta da Manfra foi a empresa de mapeamento Esteio, que chegou a criar programas domésticos antes de adotar um software comercial. Em 1990, quando começou a usar níveis eletrônicos e abandonou as anotações em cadernetas, surgiu a necessidade de ter um software de cálculos de leitura de dados gravados em campo. O departamento técnico criou um pequeno programa de planilha para cada tipo de equipamento. O programa, em Excel, calculava, mas não distribuía o tipo de erro. Em novembro de 1997, o técnico Ademir Oliveira descobriu que a Manfra estava desenvolvendo um software específico. O produto caiu como uma luva às necessidades da Esteio. "Resolvemos 60% do trabalho topográfico da empresa", avalia Oliveira.

"O Posição engloba praticamente todo o levantamento topográfico, por nível eletrônico e estação total. Lê arquivos de qualquer teodolito, gerando um único processamento em só tipo de resultado ", testemunha o usuário. Vantagens do software são a simplicidade na operação e o fato de ser m aplicativo do AutoCAD. "Com programas modulares, é preciso fazer o cálculos, convertê-los para o CAD e depois editar os desenhos. O Posição já gera um pequeno arquivo com a seção x, y e z após os cálculos e carrega no AutoCAD automaticamente", segundo Oliveira.

Além de facilitar cálculos e desenhos, o programa permite localizar erros com rapidez, corrigir o erro e seguir com o cálculos sem ter que voltar a campo para fazer verificações. O cálculo de curvas de níveis também ficou bem mais fácil, diminuindo tempo e carga de trabalho. "Antes, para gerar a altimetria era preciso no mínimo 5 etapas, consumindo cerca de 6 horas de trabalho de vários técnicos. Hoje, em apenas uma etapa, eu sozinho faço o trabalho em 1 hora e meia". Até junho foram vendidas 50 cópias. O software, nativo em Windows 95, pode migrar para o Windows 98 e NT. É preciso ter também o AutoCAD 13 ou 14.

Alternativas Light
Opção baixo custo também é o Grau Maior, criado e comercializado pela Cechinel, empresa da cidade de Blumenau (SC). Segundo o engenheiro civil Sérgio Hayashi, diretor da Engeponto, uma empresa de engenharia na mesma cidade, o software oferece o que os outros têm, mas com menor custo (R$1.000), rapidez (é rápido num 486) e facilidade de aprendizado. "Qualquer um que opere Windows ou uma planilha eletrônica, consegue usar o Grau Maior tranqüilamente", atesta ele, que comprou o software em 1994, quando abriu sua empresa e hoje o usa para fazer controle de volumes de ampliações de obras do aeroporto de Blumenau. Vantagem extra é contar com a assistência técnica local, já que o fornecedor e usuário atuam na mesma cidade.

O TopoEVN, produto de uma empresa de Pirassunuga, interior de São Paulo, a EVN, é um fenômeno de vendas. Emplacou 1.500 cópias no Brasil todo desde que foi criado, em 1991. O técnico Valdir Gianotti, da Companhia Metropolitana de São Paulo, diz que este é o seu preferido porque resolveu 90% de seus problemas com obra, locação de obra e levantamentos de áreas. A primeira cópia foi comprada em 1994 e hoje ele tem 8. Ele assegura que o sofware é muito bom na transferência e digitação de dados, tanto com coletores como manualmente.

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TopoEvn: baixo custo e bom de vendas

Nova versão foi lançada em abril, com um CAD próprio – a anterior era um aplicativo do CAD – e 210 cópias já foram vendidas. A versão atual tem um módulo em que o usuário faz todo o desenho topográfico, desde seção, perfil longitudinal, cálculo de volumes, visualização em 3D. A atualização custa R$600.

A Hezolinem (SP) vende desde 1995 o Data-Geosis e lançou, há pouco, 3 novas versões: standard (mais simples), intermediária (com interface com AutoCAD e MicroStation) e a opção completa (que inclui CAD próprio e ferramentas para topografia). Segundo o agrimensor Alexandre Pires, da equipe de desenvolvimento e pesquisa da Hezolinem, as novas opções do software já têm 100 usuários e custam R$295 (versão standard), R$590 (intermediária) e R$1.500 (completa). O técnico diz que o diferente no Data-Geosis são as ferramentas para desenho de mapas de declividade, cálculo de áreas de inundação e barragens.

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Datageosis, em 3 alternativas

Todos estes softwares rodam em Windows 3.0, 3.11, 95, redes e em breve também em 98. Pedem como configuração mínima de máquina um 486 100 Mhz, com 16 Mb de RAM, mas todos o fabricantes recomendam um Pentium 100 Mhz com 16 Mb de RAM. Apenas o topoGRAPH, apesar de o software ter mais funções mas ainda ser em DOS, exige um 3086 de 76 Mhz com 8 Mb de RAM. É claro que se recomenda um Pentium II, 32 Mb para rodar mais rápido.