Reportagem: Márcia Mendes Ribeiro
Redação e edição: Marília Kubota

pag24 GPS na Estrada

Sistema Carin, da Philips

O GPS – o sistema de satélites criado para fins pouco nobres pelos militares americanos pode estar em vias de abandonar seu formato hard de utilitário técnico em expedições de mapeamento para ser incluído como acessório opcional em automóveis de série. Bill Gates, o chefão da Microsoft, lançou no começo do ano o Auto PC – um sistema de bordo incluindo computador conectado à Internet e o nosso conhecido GPS. É o sistema de localização por satélites a grande inovação, permitindo ao motorista receber on-line informações sobre trânsito e rotas para chegar a um destino. A NavTech (Navigation Technologies Corporation), que desenvolve mapas de navegação nos EUA e Europa, deve fornecer aplicações de bancos de dados para os micros de bordo. O sistema no mercado americano deve custar R$1.000, mas a previsão é que não esteja disponível como opcional nos carros até o ano 2.000.

Sistemas de navegação via satélite em carros de passeio não são propriamente uma sensação nos países desenvolvidos. Novidade é a incorporação da tecnologia pela grande indústria de produção de veículos, permitindo o acesso a qualquer mortal. Este ano, por exemplo, o novo modelo do Golf, fabricado pela Volkswagen, na Alemanha, poderá vir equipado com um dispositivo para chamadas de emergência, panes e informações sobre trânsito. Combinando computador, telefone e GPS, o motorista poderá saber como se livrar de um congestionamento, consultando um serviço de informações de uma central de atendimento. Em caso de pane, o motorista poderá enviar mensagens identificando o veículo para a central. GPS e mapas eletrônicos localizam o carro em menos de 1 minuto e podem providenciar socorro. Em acidentes, a mensagem de SOS é enviada automaticamente para a central de atendimento, que checa os dados e a localização do veículo e retransmite os dados para o serviço de socorro.

Este tipo de serviço e tecnologia já é possível para consumidores americanos, europeus e japoneses. Mas só para os privilegiados. Nos EUA, quem pode pagar por um Cadillac, um Oldsmobile ou um BMW tem acesso aos serviços de informações por satélite. No Cadillac, por exemplo, o consumidor desembolsa US$895 mais uns US$ 150 a 200 de instalação para ter direito a um celular no carro. Serviços da tecnologia Onstar – desenvolvida pela Delco, EDS e Hughes Eletronics – custam US$22,50 por mês mais as taxas de uso do telefone. Se o motorista tranca as chaves dentro do carro, a central o localiza via GPS e abre as portas por sensores automáticos. Em caso de acidente, um sensor informa o acontecimento à central e um atendente liga para o celular para saber se o motorista está bem. Se ele não atender imediatamente, telefonista despacha ambulância e polícia para o local. Em caso de roubo, a central acompanha o trajeto do carro e o resgata. Se o motorista não sabe qual o caminho seguir, liga para a central e recebe instruções de como chegar ao destino, podendo gravar as instruções apertando um botão. Também dá pra fazer reservas em hotéis, restaurantes, vôos, fazer encomendas. Dá até pra achar o carro no estacionamento ligando para a central. Faróis e a buzina são acionados pela central até o motorista abrir a porta. Uma falha no sistema da Cadillac é a falta de acesso a uma tela no painel do carro para saber onde se está e para onde se vai. As informações dependem dos serviços da central de atendimento.

Outro senão é que os satélites podem levar até 15 minutos para fazer uma triangulação de dados e achar o carro. Pior é que o sinal GPS pode ser bloqueado em áreas de concentração de altos prédios, túneis e garagens subterrâneas. Chato é que as instruções não são fornecidas por voz – o motorista precisa desviar os olhos da estrada para ver as informações no display.

Uma solução foi a encontrada pela Oldsmobile, no sistema Guidestar. Com sensores controlando velocidade, raio de giro, distância percorrida, mapas digitalizados e GPS, o sistema combina a rota do carro com a estrada disponível. Isto é feito usando algoritmos para computar mudanças de direção e distâncias percorridas. Novos dados são recebidos da navegação autônoma, coordenadas calculadas e comparadas a pontos conhecidos no mapa digital e o algoritmo conduz o veículo pela estrada. O sistema automaticamente atualiza e ajusta a posição do carro no display, compensando de erros de 100 m para 10 m. Mapas indicam caminhos mais rápidos e com alternativas de percurso. Uma vez selecionado o ponto de partida e destino, o sistema prevê todas as rotas disponíveis.

Mudanças de percurso são informadas no display ou por sinais de áudio. No monitor dá pra ver mapas da cidade, pontos de interesse, aeroporto, hotel, postos de gasolina, bancos, além de estradas com população acima de 500 habitantes (nos EUA, é claro). Estes dados são inseridos em cartões PCMCIA fornecidos pela empresa americana de mapas Etak e atualizados periodicamente. Dados não disponíveis nos cartões, como obras em uma estrada podem ser consultados pelo GPS. O sistema custa US$2.495 mais dados a US$400 e adicionais de US$150 se mudar de região.

A Philips tem um sistema semelhante inserido nos carrões BMW, disponível a consumidores europeus. A fábrica alemã vende o sistema separado com o nome de Carin Navigation System, a US$ 2.500 ou US$ 2.690 (depende do modelo do carro). O monitor GPS da Philips é instalado diretamente no console central e é parte integrante do sistema de gerenciamento de informações do veículo. Este sistema controla navegação, celular, som. O banco de dados contém mapas de estradas, aeroportos, postos de gasolina, etc. A diferença entre o Guidestar e o Carin é a funcionalidade.

No Carin, o motorista seleciona menus para informar seu destino. O GPS é programado para um destino por letras e números em seqüência alfa na parte inferior da tela. É preciso girar um botão para selecionar letra ou número na seqüência e confirmar. Isto tem que ser feito antes de pegar a estrada, para não perder tempo com a entrada de dados. Para evitar o botão e fazer a programação, o sistema tem um livro de endereços, telefones e mapas.

No Brasil, os similares mais próximos são os sistemas de navegação instalados em frotas de caminhões, carros de polícia, de bombeiros e ambulâncias.

A única empresa brasileira que se aventurou, timidamente, a dispor um sistema de mapeamento para motoristas é a paulista RDS. A tecnologia, porém, comparada aos primos ricos, é inferior. Sobre uma placa com pequenas lâmpadas, adaptável a qualquer pára-sol de automóvel, ficam dois mapas plásticos transparentes. Nos mapas estão desenhadas as principais ruas da cidade. As lâmpadas alertam para as condições de trânsito. Apagadas indicam tráfego livre. Piscando lentidão e piscando rapidamente, congestionamento ou problemas na pista. Informações são fornecidas pela Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo.

Por aqui, se Bill Gates não der uma mão, o mais eficiente sistema de informações nas estradas continua sendo a consulta ao dono do posto de gasolina, ao motorista de caminhão, ao morador local e guias rodoviários…em papel.

1.000.000 de GPS

No outro lado do planeta, os japoneses lançam sistemas de navegação GPS para acabar com todos os inconvenientes. A Sharp anunciou os seus como os primeiros equipados com teclado de 10 números por controle remoto. A um só toque promete oferecer seleção de rotas de um destino desejado, transmitindo dados de GPS quando a central de atendimento é acionada. O destino pode ser informado apenas teclando um número de telefone no controle remoto. Isto, segundo a fabricante, resolveria com rapidez alguns dos problemas acima e o motorista não precisaria ficar rolando mapas no computador para saber onde está. Posição do carro e destinos nos mapas podem ser vistos ao mesmo tempo, na parte superior e inferior do monitor, sem tirar os olhos da estrada.

Destinos e origem da viagem podem ser obtidos pela central de atendimento GPS também por controle remoto. No Japão, o serviço da Sharp oferece dados de mais de 2 milhões de localidades e pontos de interesse, obtidos junto à empresa de telégrafos e telefones japonesa, NTT. Com o controle remoto o motorista também pode receber informações sobre lugares que pretende chegar e outros endereços usando dados de latitude e longitude, além de consultar mapas personalizados. Preço do acessório, incluindo TV e MD: US$1.500.

Com o sucesso dos navegadores de bordo no mercado – até o ano passado foram vendidos 1 milhão de aparelhos – todas as grandes empresas de produtos eletrônicos japonesas lançaram o seu. O modelo pode incluir acesso à Internet (Matsushita), touch screen e comando de voz (Kenwood), visão em 3D (Alpine) ou um conjunto com rádio, TV, MD e CD Player (Fujitsu). Há até um portátil, da Sanyo que pode ser tirado do carro e usado a pé. Os aparelhos podem custar entre US$1.700 e US$ 4.000, dependendo do conjunto. Lá na terra onde o sol nasce mais cedo, o GPS também é vendido como acessório em motos – a Suzuki e a Yamaha saíram na frente. O GPS tem visor menor e é encaixado no guidão.