Por Rogerio Galindo

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Imagem de satélite Landsat da cidade de Uberlândia

Uma das mais importantes aplicações dos Sistemas de Informações Geográficas hoje é o gerenciamento de grandes redes de distribuição. Companhias fornecedoras de serviços como distribuição de gás, água, esgoto e telecomunicações têm sido clientes tão intensos de produtos GIS que algumas das maiores empresas desenvolvedoras de softwares nesta área estão criando e vendendo soluções específicas para este tipo de usuário.

Distribuidoras de energia elétrica não fogem a esta regra. O controle sobre a rede distribuidora (como cabos e torres de transmissão, alimentadores e transformadores) precisa ser contínuo e eficiente. Para haver manutenção eficiente e rápida das instalações é imprescindível ter-se noção exata e atualizada da disposição espacial de todos os equipamentos da empresa. Para tomar decisões estratégicas de posicionamento de novos equipamentos é fundamental ter mapeadas as instalações da companhia e tudo o que possa influenciar em seu funcionamento.

No Brasil, companhias deste setor têm sido especialmente levadas a adotar soluções GIS depois do processo de privatização. A possibilidade de concorrência imediata faz com que se passe por cima dos problemas de custos do sistema e torna a informação geográfica mais atraente para empresários do ramo.

Algumas empresas, no entanto, vêm se preparando há muito tempo para a adoção do geo em suas atividades. Uma delas é a Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais). Em 1.975, quando geoprocessamento ainda era uma ferramenta praticamente desconhecida, a empresa começou o cadastramento de suas instalações em bases georreferenciadas. Desde a mesma época, técnicos da empresa também participam de programas de treinamento em recursos de geoprocessamento. Hoje, mais de 20 anos depois destas primeiras iniciativas, a Cemig tem soluções geotecnológicas que auxiliam no processo de distribuição de energia e em outras atividades da empresa.

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Arruamento da cidade de Uberlândia com subestações e Aeroporto

Distribuição
O GEOdis, Sistema de Geoprocessamento da Distribuição, da Cemig é dividido em módulos é considerado pelos técnicos da empresa como uma "evolução dos sistemas de mapeamento e gerência de redes da empresa para a filosofia de um GIS, com a integração das bases de dados de redes às informações cartográficas."

De todos os módulos operacionais que compõem o Sistema, 3 se destacam: GeoPlan, Gemini e GeoPro.

O GeoPlan é o módulo de Planejamento da Rede de Distribuição. De acordo com o Geoinfo, boletim informativo do setor de Geoprocessamento da Cemig, os objetivos principais são o gerenciamento e a análise do carregamento da rede, de demandas futuras, simulações, definições de equipamentos e elaboração do Plano de Obras. "Sendo assim, o GeoPlan possibilita ao Engenheiro de Planejamento determinar a configuração ideal do sistema elétrico, com indicação das manobras a serem realizadas, tendo como conseqüência a racionalização significativa dos investimentos, a melhoria nos atendimento aos serviços prestados e a racionalização da operação" diz o boletim.

Para isso, o mais importante é poder visualizar informações sobre a rede e poder fazer previsões e simulações do que pode acontecer em cada situação possível.

A consulta e a análise dos dados da rede de distribuição pode ser feita por quadrícula, por alimentador na quadrícula, por trecho primário, por alimentador, por transformador da subestação e por subestação. O sistema está planejado para fazer análises do tipo consumo por classe, número de consumidores, densidade de carga, consumo predominante, fator de demanda, cálculos do perfil de tensão e de índice médio de crescimento vegetativo.

O módulo Gemini é responsável pelo cadastramento e manutenção de um banco de dados digital em coordenadas UTM de toda a rede de distribuição de energia elétrica. Além de produzir o mapeamento e converter documentos cartográficos para meio digital, esse módulo faz a atualização dos mapas (por meio de topografia, aerofotogrametria, GPS e geodésia por satélites).

Outra função do Gemini é gerenciar redes, facilitando a realização de operações e apoio ao atendimento. A integração das informações cartográficas com as informações de rede de distribuição, a localização de endereços, clientes e dispositivos e a produção de mapas de mercado são algumas das funções deste submódulo.

O terceiro módulo, responsável pelos projetos da rede de distribuição de energia, é o GeoPro. O objetivo do módulo, segundo o boletim Geoinfo é "elaborar os projetos de distribuição, desde a chegada do pedido de um consumidor à empresa, passando pela confecção do projeto para o seu atendimento, controle do material da obra e das obras em andamento, bem como todas as operações decorrentes desse processo, até o fechamento final de cada obra executada."

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Consulta a dados cadastrais de um cliente da rede de distribuição secundária.

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Ortofotocarta da cidade de Varginha

O cadastro da rede elétrica será mantido atualizado, automaticamente também por esse módulo que estará completamente instalado até o final deste ano.

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Software de gerenciamento eletrônico de documentação da Cemig.

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Informações do projeto em ambiente Windows 95

Geocemig
"Levar a tecnologia GIS a todas as áreas de interesse da empresa, disponibilizando um banco de dados corporativo de informações georreferenciadas e conexão de outras bases já disponíveis". É assim que José Osvaldo Santos Lima, coordenador do Geocemig (Sistema de Informações Georreferenciadas da Cemig) define o seu principal objetivo.

Este segundo projeto na área de geo da companhia é na verdade uma complementação do Geodis. Enquanto o Geodis trata de assuntos relacionados à distribuição da energia em todas as suas etapas, o Geocemig cuida de todas as demais áreas da empresa em que o georreferenciamento pode ser útil. Cada área que precise de informações georreferenciadas se dirige ao Geocemig e descreve quais são as suas necessidades. A partir disso, é projetada a disponibilização de informações é projetado para atender a esta demanda.

Os dados que constam deste GIS são bastante diversificados: instalações do sistema elétrico (usinas, linhas de transmissão e subestações), sistema de telecomunicações, consumidores somam-se no Geocemig a informações geográficas, ambientais e de infra-estrutura do Estado, entre outras. Muitas destas informações são obtidas por meio do acordo de intercâmbio de dados feito pelas entidades que participam do Projeto GeoMinas.

Neste momento, a principal preocupação da coordenação do Geocemig é a inclusão de novos temas e novas ferramentas, para que em breve seja disponibilizado um acesso cada vez mais fácil a um banco de informações cada vez mais completo.

Dentre as mais recentes aquisições do módulo, Santos Lima destaca:
 agregação de ortofotocartas na escala 1:10.000 de 42% do estado de Minas Gerais;
 intercâmbio de trabalho com o Instituto mineiro de gestão das Águas – IGAM para levantamento detalhado de cursos d’água das bacias hidrográficas de Minas
 Intercâmbio de trabalho com o Instituto Estadual de Florestas (IEF) e com a PRODEMGE para geração de um modelo digital de terreno de todo o estado de Minas a ser disponibilizado no projeto
 Disponibilização no projeto do arruamento dos municípios do estado, postes e consumidores para desenvolvimento de estudos de novos negócios na área de telecomunicações
 Desenvolvimento na plataforma do projeto de estudos para gerência das instalações e consumidores da distribuição de gás natural feitas pela subsidiária Gasmig.
 Disponibilização dentro do ambiente do projeto da documentação técnica agregada às instalações da Cemig e já disponíveis no sistema de gerenciamento da documentação da Cemig – GEDOC
 Implantação definitiva das ferramentas de acesso via Intranet aos projetos Geocemig e Gedoc.

Contato: José Osvaldo Santos Lima
e-mail: josvaldo@cemig.com.br