Por Deise Roza

O GEOBrasil 2000 – Congresso e Feira Internacionais de Geoinformação está aí, e algumas das palestras e assuntos mais interessantes que ele reúne estão retratados aqui, nas próximas páginas da infoGEO. Elas fornecem um breve relato de um pouquinho do que o evento, por sua vez, fornece de monte: são ao todo 16 cursos, 2 seminários, 11 fóruns de usuários, 8 módulos tecnológicos, 6 palestras especiais, e uma feira com várias empresas expositoras. Entre os dias 12 e 16 de junho, no Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo, negócios estão sendo feitos, soluções apresentadas, idéias disseminadas e conhecimentos adquiridos. Ao ler esta matéria você poderá ter um gostinho disso tudo. Na próxima edição da revista, você saberá em detalhes tudo o que aconteceu no evento.

Agricultura de precisão
Videografia aérea: mais uma alternativa

A videografia aérea é uma nova tecnologia de sensoriamento remoto não orbital que será apresentada do Módulo Tecnológico de Agricultura de Precisão. Como explica o palestrante e professor da ESALQ/USP Carlos Vettorazzi, esta técnica "baseia-se na obtenção de imagens através de câmeras de vídeo montadas em aeronaves". Ela vem sendo estudada na ESALQ (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) para aplicações nas áreas agrícola, florestal e ambiental. Segundo o professor, uma das principais vantagens desta sobre outras técnicas de sensoriamento remoto, é o fato do produto estar disponível em tempo quase real. Logo que termina o vôo as imagens já podem ser digitalizadas e analisadas. Se a câmera for digital, o tempo entre aquisição e análise fica ainda menor. "Isso é particularmente interessante em aplicações agrícolas que requerem respostas rápidas, como detecção e controle de distúrbios nutricionais nas lavouras, ou monitoramento de pragas e ervas daninhas", diz o palestrante.

Outra vantagem é que, além do equipamento ser portátil e simples de operar, afirma Vettorazzi, também possui custo operacional menor que sistemas fotográficos convencionais, embora seu custo inicial possa ser comparativamente mais alto. "Mas os preços de sistemas digitais vêm caindo rapidamente", completa. A ESALQ realizou, em parceria com a Fundação ABC, experimentos de videografia aérea na região de Castro (PR). "Os resultados têm indicado grande potencial da técnica, além de excelente aceitação por parte dos produtores", relata Vettorazzi. As imagens podem ser feitas com câmeras digitais ou normais – neste caso, faz-se a digitalização posterior – e podem ser analisadas visualmente, ou processadas por softwares que realizam o georreferenciamento, a mosaicagem e a classificação. Atualmente já há disponibilidade de câmeras digitais multiespectrais de alta resolução que cobrem, além das bandas do visível, o infra-vermelho próximo. Mais informações através do e-mail: cavettor@carpa.ciagri.usp.br.

Sistema inteligente de diagnóstico da produção agrícola
A agricultura de precisão utiliza as Geotecnologias para coletar e gerenciar diversos dados, de colheita, fertilidade, ervas daninhas e outros fatores que interferem na produção agrícola. A associação de receptores GPS a sensores acoplados nas colheitadeiras produzem mapas de produtividade. A coleta monitorada por GPS de amostras de solo e material vegetal produz, respectivamente, mapas de fertilidade do solo e nutrição de plantas. O sensoriamento remoto permite visualizar diferentes padrões de desenvolvimento vegetativo que podem ser atribuídos a infestação de pragas e doenças. Como trabalhar com todas essas informações de maneira que se tenha um diagnóstico dos problemas da colheita e se possam definir ações corretivas?

Pensando nisso, o Departamento de Agronomia e Zootecnia da UPIS – Faculdades Integradas, de Brasília, está desenvolvendo um projeto chamado Sistema de Diagnóstico para Validação da Tecnologia de Agricultura de Precisão. Para falar sobre ele, Adilson J. de Oliveira, professor da UPIS, vai participar do Fórum de Usuários de Agricultura de Precisão. O objetivo do trabalho realizado na UPIS é criar um sistema onde seja possível integrar e analisar os dados dos mapas de produtividade, fertilidade, ervas daninhas e do monitoramento do desenvolvimento da planta (feito através de seqüência de imagens de satélite). A meta é poder identificar os fatores que interferem na produção para planejar ações em campo que minimizem os efeitos nocivos das plantas daninhas e as deficiências nutricionais.

Para conseguir que o sistema identifique esses fatores será utilizada a tecnologia de inteligência artificial, conhecida como redes neurais não supervisionadas. Essa ferramenta estabelece padrões de "comportamento" dos dados e depois é capaz de comparar cada novo dado ou situação inserido no sistema com esses padrões, fazendo a classificação e o diagnóstico do que está afetando a produtividade. Segundo Adilson J. de Oliveira, o desenvolvimento do sistema começou este ano, em fevereiro, utilizando dados que estão sendo coletados desde março de 99 numa área piloto da Agropecuária Maeda, em Ituverava (SP). Mais informações sobre o projeto, com Adilson, fone (61) 346-1944 ou e-mail: adilson@upis.com.br.

Geomarketing
Onde instalar uma agência dos Correios?

A ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos) está investindo em Geoinformação para encontrar os melhores locais onde instalar uma agência de correio, própria ou franqueada. A empresa paulistana Carta Consultoria está desenvolvendo para a organização o Sistema de Localização de Lojas dos Correios e vai falar sobre ele no Módulo Tecnológico de Geomarketing. Ele utiliza a tecnologia GIS (sistemas de informações geográficas) com o objetivo de definir territórios viáveis economicamente para abrigar uma unidade dos Correios. O que irá subsidiar com segurança o processo de licitação de novas franquias ou mesmo melhorar a localização das agências próprias existentes. A análise é feita sobre a arrecadação das atuais agências de um município, classificada conforme sua origem – se relativa a residências, pequeno comércio, ou grandes clientes – e distribuição espacial, de acordo com informações domiciliares, provenientes do censo demográfico, de localização e tipo de estabelecimentos (comerciais, industriais e serviços).
O sistema já foi testado em 2 municípios e o cronograma de aplicação será definido pela ECT em consonância com decisões do Ministério das Comunicações. Segundo Sandra Regina Freitas, funcionária da ECT que trabalha no projeto e participará da palestra no GEOBrasil, ele deve ser utilizado em todas as Diretorias Regionais dos Correios para definição das novas redes de lojas nos municípios que as compõem. "O principal obstáculo a ser transposto nessa tarefa é a carência de bases cartográficas digitais com as as informações necessárias para o sistema", acrescenta. Mais informações através do e-mail: felicio@cartaconsultoria.com.br.

Recursos naturais e meio ambiente
Geoinformação para prevenir incêndios em florestas

Os incêndios são uma grande preocupação da indústria de papel e celulose e as Geotecnologias estão sendo usadas para combatê-los com mais eficiência. É o caso do mapeamento de risco de incêndio em uma área da empresa Bahia Sul Celulose. O mapa indica locais e situações em que há maior ou menor risco de ocorrer um incêndio numa área florestal. Ele ajuda a planejar melhor a distribuição dos recursos para evitar ou combater o problema, permitindo que se concentre esforços onde há mais probabilidade de ocorrência. Quem executou o trabalho foi a TRN Tecnologia em Recursos Naturais que mapeou, em 60 dias, o risco de incêndios em uma área de 4,4 mil hectares em Caravelas (BA). Silvio de Barros Ferraz, diretor da empresa, conta que o contratante ficou tão satisfeito que já encomendou o mapeamento para novas áreas.

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Mapa final de risco de incêndio feito pela TRN

Ferraz explica que, com um software GIS, foi analisada a distribuição espacial de vários fatores ligados ao princípio de um incêndio, como meios de acesso (Estradas), atividade desenvolvida no entorno da área (Vizinhança), ocupação do solo, declividade do terreno, presença de caçadores/pescadores e incidência dos ventos. Os resultados finais demostraram que os fatores mais influentes eram: vizinhança, locais de caçadores/pescadores e vias de acesso. A partir dessas informações aumentou-se a vigilância, construiu-se aceiro (desbaste do terreno em volta da mata para impedir a propagação do fogo) e reduziu-se o acesso de pessoas aos locais em perigo.

Com a determinação das áreas de maior risco, pode-se também estabelecer planos, como estudo de melhores rotas de acesso e a definição dos locais ideais para a localização de equipamentos e busca de água. A TRN fará palestra no Fórum de Usuários de Recursos Naturais e Meio Abiente do GEOBrasil. Mais informações sobre a TRN, através do e-mail fferraz@cena.usp.br ou do fone (19) 434-8553.

Gerenciamento da água
Com a nova legislação relativa à água no Brasil, o geoprocessamento passa a ser ferramenta essencial para o gerenciamento desse recurso. No Fórum de Usuários de Recursos Hídricos, Jansle V. Rocha, pesquisador da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), vai apresentar a palestra Geoprocessamento Aplicado a Bacias Hidrográficas: Potencial, Experiências e Resultados. "O governo federal está regulamentando a questão dos recursos hídricos e, entre outras coisas, propõe a cobrança do uso da água e o gerenciamento organizado em bacias hidrográficas", afirma.

Cada Bacia ficará sob responsabilidade de um comitê gestor, que delibera sobre o gerenciamento dos recursos e o planejamento integrado da Bacia. Para isso, é necessário fazer o diagnóstico socio-econômico e ambiental, e o plano diretor da área. Rocha explica que as Geotecnologias são as opções mais viáveis para a realização desse trabalho. "A elaboração do diagnóstico requer o levantamento de dados sócio-econômicos, de clima, relevo, hidrografia, geologia, solos e uso da terra na região, e a sua posterior integração", diz Rocha. "É preciso um sistema capaz de gerenciar e processar esses dados e gerar informações que vão subsidiar os planos diretores e a gestão integrada", complementa.

O resultado obtido são mapas que apresentam áreas críticas de erosão, áreas com potencial de ocorrência desse fenômeno, áreas onde há uso inadequado da terra. "Esses mapas servirão para se elaborar diretrizes de gestão da bacia pelo Comitê e também para as prefeituras envolvidas", relata o pesquisador. Os Comitês de Bacias Hidrográficas são formados por prefeitos, órgãos públicos e sociedade civil (empresas, ONGs e outros). Jansle Rocha vai apresentar o projeto encomendado pelo Comitê da Bacia do Rio Mogi Guaçu, que abrange uma área de aproximadamente 13,5 mil quilômetros quadrados, com 38 municípios, e levou um ano para ser completado. Contato com Jansen Rocha através do e-mail: jansle@agr.unicamp.br ou do fone: (19) 788-1060.

Monitoramento e logística
Sistema de GEO gerencia ocorrências contra o patrimônio dos Correios

O prejuízo dos Correios no ano passado com todo tipo de delito foi próximo de R$ 4 milhões. Para tentar combater o problema, a empresa, desde abril de 2000, está implantando um sistema de informações geográficas para proteger seu patrimônio. É o Sistema de Gestão de Ocorrências do Patrimônio dos Correios, desenvolvido pela Carta Consultoria. Tais ocorrências podem ser delitos como roubos, assaltos, arrombamentos, vandalismo, etc. O GIS vai proceder a análise espacial dos tipos de ocorrências, sua freqüência, formas de atuação de meliantes, características físicas e operacionais das unidades do Correio, percentuais de criminalidade nos diversos estados do Brasil, separados por tipo de ocorrência, e outros. Também permite a visualização de todas as estradas do país, com a finalidade de se estabelecer rotas de fuga e meio de acesso para os infratores. Isso vai servir de base para a empresa efetuar um diagnóstico e traçar estratégias de atuação em nível nacional.

O sistema está implantado desde abril deste ano na Sede Central, em Brasília. Brevemente, estará operando em São Paulo, Ceará e Paraná. Ele será instalado nas Diretorias Regionais, que efetuarão o cadastramento das ocorrências de suas unidades. A Sede Central disponibiliza consultas genéricas e espaciais e gera mapas temáticos de apoio à análise e tomada de decisões. Segundo Felício Sakamoto, da Carta Consultoria, o sistema é recente e os resultados da sua operação vão se refletir mais adiante, "na melhoria do processo de coleta e cadastramento das ocorrências, análises e diagnósticos para a tomada de decisões, planejamentos das ações preventivas, etc". O projeto será apresentado no Fórum de Usuários de Monitoramento de Veículos e Logística. Mais informações através do e-mail: felicio@cartaconsultoria.com.br.

O GEO na luta contra os bandidos
Na cidade de São Paulo, enquanto os ladrões de carros traçam estratégias de um lado, a polícia está mapeando-os de outro. Quem faz isso, gratuitamente, para a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, é a Escopo Suporte a Decisões Empresariais, que apresentará este trabalho no Fórum de Usuários de Monitoramento de Veículos e Logística. Utilizando o software de GIS MapInfo, o trabalho consiste, segundo Geraldo Ferreira Neto, diretor da empresa, em identificar geograficamente quais as áreas dentro do município de São Paulo onde existem as maiores concentrações de roubos e furtos de veículos. "Metodologicamente, a cidade foi subdividida em áreas, as quais representam a delimitação oficial de cada Distrito Policial", completa.

Em São Paulo, cada Distrito (DP) tem sua área de atuação e só se pode dar queixa no DP responsável pelo lugar onde foi roubado o veículo, em nenhum outro mais. A Escopo digitalizou os DPs, inseriu-os no mapa da cidade e georreferenciou os roubos registrados. "Viu-se quais DPs têm maior volume de roubo", diz Geraldo. Outros dados do modus operandi dos bandidos paulistanos também foram utilizados mas não puderam ser revelados pela Escopo. "O uso das informações geradas é de uso exclusivo da DIVECAR, Divisão de Veículos e Cargasm, órgão da Secretaria de Segurança Pública", afirma Ferreira. Segundo ele, a DIVECAR utiliza os dados e mapas para analisar a situação e planejar ações. A atualização das ocorrências é feita pela Escopo semanalmente. Mais informações através do e-mail: escopo@escopo.com.br ou do fone: (11)870-9725.

Sensoriamento remoto
Imagens com resolução cada vez melhor

O sensoriamento remoto (SR) orbital tem passado por uma grande evolução tecnológica desde o ano passado e a promessa é de que muita coisa ainda está por vir. O Ikonos foi apenas o primeiro satélite com um metro de resolução a ser colocado em órbita. A Orbimage pretende lançar este ano os sistemas Orbview 3 e 4, e a Earth Watch enviará ao espaço o Quick Bird, todos com resolução também de um metro nas imagens em preto e branco. Americanos e japoneses lançaram em parceria, em dezembro de 99, o equipamento imageador ASTER (Advanced Spaceborne Thermal Emission and Reflection Radiometer), a bordo do satélite Terra. No Módulo Tecnológico de Sensoriamento Remoto, Álvaro Penteado Crosta, do Instituto de Geociências da Unicamp (Universidade Estadual Paulista), vai apresentar as mais recentes e futuras tecnologias de SR orbital. Focalizará os imageadores de alta resolução que operam nas regiões do espectro eletromagnético correspondentes ao visível infravermelho próximo e médio, e os sistemas de radar, operando na região das microondas.

Dentre esses últimos, o destaque será a recente missão Shuttle Radar Topography Mission que, de 11 a 22 de fevereiro de 2000, a bordo do ônibus espacial da NASA, Endeavour, orbitou em volta da Terra e obteve a mais completa base de dados global sobre a topografia de 80% da superfície do planeta. "Serão apresentados exemplos de imagens obtidas por essa missão", adianta Penteado Crosta. Também serão apresentadas na palestra as características e vantagens do sensor Radarsat-2, a ser lançado no início de 2002. Mais informações através do e-mail: alvaro@ige.unicamp.br.

Geoinformação e Qualidade de Vida
Entre os sete debates do GEOBrasil 2000, um foi dedicado à discussão da contribuição da Geoinformação à qualidade de vida. Vários agentes sociais que usam o GEO em projetos de impacto junto à população vão apresentar seus resultados:

Meio ambiente
A cartógrafa Alicia Rolla, do Instituto Sócio Ambiental, organização não governamental que atua em defesa do meio ambiente, apresentará o recém lançado mapa "Amazônia Brasileira 2000". Também comentará a utilização do GIS para compreender melhor os movimentos de ocupação e conservação da Amazônia. O mapa, publicado e vendido em formato papel, permite visualisar a complexidade ambiental da floresta, uma colcha de retalhos de formações vegetais, e sua atual situação. "A publicação leva à verificação das áreas que já sofreram significativa alteração pela ação do homem", explica Alicia. Os dados sobre a Amazônia, coletados ao longo dos anos pelo Instituto, estão integrados em um sistema de informações geográficas desenvolvido "para monitoramento da situação jurídica e de fato destas áreas sob proteção especial".

Com a ferramenta, se acompanha a consolidação das demandas territoriais dos povos indígenas, o reconhecimento oficial das suas terras, e se procura viabilizar a sustentabilidade das populações. Além disso, ele permite perceber a discrepância das políticas públicas de preservação: "o mapeamento das Unidades de Conservação mostra que, além de insuficientes, há problemas quanto a sua efetiva implantação e conservação", completa a cartógrafa. "E quando cruzadas as informações percebe-se ainda que mais de um quarto da extensão das Unidades de Conservação estão sobrepostas com terras indígenas e outras áreas de interesse da União", completa. Mais informações através do e-mail: alicia!socioambiental.org ou do fone: (11)825-5544.

Gestão municipal
Da Amazônia, vamos ao Paraná, com Milton Luiz B. de Campos, coordenador de geoprocessamento da Secretaria Executiva do Conselho do Litoral do Estado do Paraná. O Conselho é um fórum de deliberações sobre as questões que envolvem o litoral do Estado, desde a permissão para novos loteamentos até o sinal verde para uma fábrica que planeja se instalar na região. É formado por prefeitos dos municípios litorâneos, secretários de Estado, um representante do ministério Público e sociedade civil organizada.

A apresentação de Campos tratará do projeto que está sendo executado pela Secretaria Executiva do Conselho do Litoral nos municípios de Matinhos e Guaratuba. Um sistema de informações geográficas está sendo implantado nas duas prefeituras, que fizeram um convênio com a Secretaria. Campos abordará o potencial do GIS na gestão municipal, especificamente na definição da lei do uso do solo e na formulação do plano diretor das cidades. "Coisas que melhoram a qualidade de vida do cidadão", explica. Segundo a descrição do projeto, o objetivo do plano diretor, que será determinado com a ajuda do GIS, é o desenvolvimento sustentado, a preservação dos ecossistemas e o progresso da comunidade local.

Um trabalho piloto foi feito na localidade de Coroados, um loteamento de Guaratuba, e já demonstrou que a implantação do sistema de informações geográficas tem muito a contribuir: mostrou, entre outras situações, que passa um rio no meio dos lotes, e a área de preservação da encosta afeta mais de 300 deles, e que muitos outros lotes estão dentro da Área de Proteção Ambiental de Guaratuba. "O GIS também fornece uma visualização geral da planta de valores, o que permitirá dar maior eqüidade social ao cadastro técnico municipal, evitando que se cobre impostos diferentes de propriedades similares", afirma Milton. Mais informações através do e-mail: mcampos@bsi.com.br.

Mapa da exclusão social
O debate também vai comentar a cidade de São Paulo, onde um projeto tenta estudar e combater a injustiça social. É o Mapa da Exclusão/Inclusão Social, que utiliza Geoinformação para mostrar as diferenças e desigualdades na cidade de São Paulo e classifica os seus 96 distritos a partir de padrões mínimos de cidadania.

Esses padrões, segundo a coordenadora do projeto, Aldaíza Sposati, professora do Programa de Estudos Pós Graduados em Serviço Social da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e vereadora do PT de São Paulo, representam quatro grandes desejos para a cidade de São Paulo: que ela crie oportunidades de autonomia econômica e liberdade de idéias aos seus cidadãos; que assegure de modo crescente o máximo de desenvolvimento humano a todos; que ofereça o máximo possível de qualidade de vida a todos os moradores; que garanta eqüidade, uma situação de igualdade, sem discriminação e sem segregação entre as pessoas. Foram medidas discrepâncias internas e índices de exclusão.

Sposati vai apresentar o projeto no debate. O trabalho foi realizado por técnicos e pesquisadores ligados a organizações sociais e agentes populares, coordenados pelo Núcleo de Seguridade e Assistência Social da PUC. Além de São Paulo, Santo André e Piracicaba também foram estudadas. Para a vereadora, o mapa é uma ferramenta de análise que permite mostrar o conjunto das necessidades de um distrito ou região e comparar a situação entre eles. "É um instrumento que estimula propor a criação de governos regionais, o plano diretor local, e a participação da sociedade", concluiu. Mais informações através do e-mail: aldaiza@uninet.com.br.

Políticas municipais
Também farão parte do debate duas pesquisas realizadas pela organização não governamental Instituto Polis, que trabalha com estudos, formação e assessoria em políticas públicas. Ambas as pesquisas foram feitas para subsidiar a definição de políticas públicas municipais que levassem à melhoria da qualidade de vida e à democracia da administração municipal, macro-objetivos do Instituto. Ambas demandaram o uso do GIS para sua realização. Segundo Raquel Rolnik, que representará o Instituto no debate, essa ferramenta elevou o patamar do seu trabalho enquanto técnica da área de urbanismo do Instituto. "Não consigo mais viver sem", diz.

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Cidade de São Paulo

Uma das pesquisas analisou 220 cidades do Estado de São Paulo com amis de 20 mil habitantes, buscando quais delas têm instrumento de controle do uso e ocupação do solo, e cruzando essas informações com as condições de moradia. "Fizemos um retrato das cidades quanto à legislação e porcentagem de moradias adequadas", define Rolnik. A principal conclusão a que chegaram foi a de que a situação da maior parte dos municípios é precária. A porcentagem de adequação das moradias dos 51 municípios com melhores condições ficou entre 60% e 74%. Nenhum chegou a 100%, alguns têm menos de um terço. Esse trabalho se transformou num CD, com cerca de 100 mapas, que foi comprado por vários dos municípios estudados.

A outra pesquisa foi na Zona Leste de São Paulo, local tradicionalmente ocupado por indústrias e moradias de trabalhadores. "Fizemos o estudo porque se comenta que São Paulo passa por uma desindustrialização e queríamos saber como isso afetou a Zona Leste", diz Rolnik. Descobriu-se que não há desindustrialização, conta, há uma transformação do perfil da região. A indústria agora é mais de pequeno porte e disseminada, o comércio está se expandindo, com abertura de um shopping center e de hipermercados, e houve uma verticalização do mercado imobiliário residencial. Mais informações através do e-mail: polis@polis.org.br ou fone: (11)853-6877.