O geoprocessamento na gestão sócio patrimonial e ambiental da Espírito Santo Centrais Elétricas S/A

Em passado não muito remoto, os profissionais do setor de energia elétrica precisavam ter "armazenado" em suas mentes todo o mapa geográfico das cidades da respectiva área de concessão, para assim localizar onde estavam os focos dos problemas e também tomar decisões como em qual direção investir.

A tecnologia da informação passou a ser necessária para otimizar operações e melhorar comunicações e, no ano de 2000, dizia-se difícil imaginar uma empresa concessionária de energia elétrica que pudesse operar sem uma base de cadastro digital atualizada e georreferenciada e que fosse eficiente no mercado.

No ano de 2002, para o atendimento imediato às exigências da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) quanto à elaboração de um plano global e integrado de Gestão Sócio Patrimonial de usinas hidrelétricas dos Reservatórios e de Programa de Gestão Ambiental, surgiu a necessidade de uma base consistente de dados (mapas e relatórios) e de informações com alto grau de confiabilidade. O uso do geoprocessamento foi, mais uma vez, responsável pela adequação dos trabalhos ao padrão exigido pela Agência que regula o setor elétrico no país.

Para a realização do Plano de Gestão dos Reservatórios das usinas da Escelsa (Espírito Santo Centrais Elétricas S/A) contratou projetos de cartografia, levantamentos cadastrais e batimetria que foram realizados em sete meses pela Maplan Aerolevantamentos S/A.

Compõem o patrimônio da Escelsa um total de sete usinas hidrelétricas, sendo uma delas da sua subsidiária, a Castelo Energética S.A. (Cesa), cujas localizações e principais etapas do projeto realizado seguem abaixo:
 Cobertura Aerofotogramétrica 1:8.000;
 Apoio Terrestre, materialização de marcos de referência planialtimétricos;
 Elaboração de base cartográfica digital para geoprocessamento compreendendo:
 Restituição planialtimétrica digital na escala 1:2000, curvas a cada metro;
 Ortofotocarta planialtimétrica 1: 2.000 digital com inserção de cota máxima operacional e máxima maximorum.
 Batimetria dos reservatórios e cálculo da curva-cota-volume;
 Cadastro físico e jurídico de 206 propriedades;
 Demarcação das áreas com implantação de 251 marcos.

Foram identificadas e cadastradas, pela equipe da Maplan, as áreas das Usinas Hidrelétricas de propriedade da Escelsa, além de terem sido fotografadas e descritas as benfeitorias eventualmente edificadas. Tais benfeitorias foram locadas em plantas ou croquis acompanhadas de relatórios contendo informações levantadas em campo. Foi verificado o uso dos reservatórios, margens e ilhas, e realizado o cadastramento dos confrontantes, com identificação de outras áreas remanescentes ou excedentes acima da cota de desapropriação.

Como produtos finais cartográficos foram gerados arquivos digitais com precisão planimétrica da escala 1:2.000, plantas preparadas para o geoprocessamento e ortofotocartas nas escalas 1:2.000, 1:5.000 e 1:10.000 das sete Usinas Hidrelétricas.

Usinas Hidrelétricas do Plano de Gestão
dos Rerservatórios das Usinas Escelsapag24 1 Geo na Escelsa

Foi realizada, também, a Ecobatimetria nos reservatórios de cinco Usinas, que é a técnica de medição de profundidades que utiliza o ecobatímetro para representação da topografia subaquática. Na realização dos trabalhos a e mbarcação foi equipada com o ecobatímetro e, através de posições determinadas por meio de GPS (Global System Position) com referência aos marcos planialtimétricos instalados nas Usinas, foram feitas as medições e gerados os dados para elaboração do mapa batimétrico de cada reservatório. Através de software específico, foram processados os dados resultando em planilhas de curva-cota-volume.

Dos investimentos realizados pela Escelsa o principal resultado e benefício imediato é ter uma base cartográfica atual, precisa das áreas relativas às Usinas e reservatórios, que possibilitará um maior embasamento às atividades de planejamento, análise e gerenciamento patrimonial e ambiental.

pag25 1 Geo na Escelsa
Orto Mascarenhas com regularização fundiária

Segundo Suzi Maria Montagner, gerente de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Escelsa, "o trabalho desenvolvido pela Maplan resultou em ferramenta muito importante para a empresa, que muito contribuiu na elaboração do Diagnóstico Sócio-Ambiental e do Plano Diretor de cada reservatório. Com a visão proporcionada pelas ortofotocartas que dispomos, há condições de melhor definir os Programas de Preservação Ambiental, buscando maximizar a vida útil dos reservatórios, monitorar e refrear usos inadequados e ocupações clandestinas, inadequados e ocupações clandestinas, tanto nos reservatórios como nas margens e ilhas, e promover maior interação com os confrontantes, com a implementação pontual de trabalhos de educação ambiental. Através da nossa rede interna, todos os funcionários já possuem acesso às informações e, a partir da base cartográfica hoje existente, estamos iniciando, com o apoio da nossa Equipe de Informática, a implantação de banco de dados georreferenciado, com acesso pela internet, que promoverá a integração de ações e o compartilhamento de informações entre setores internos e externos". O assistente da Diretoria Técnica da ESCELSA, Stemberg Lopes, elogiou a equipe envolvida nos trabalhos e afirmou: "Os resultados superaram as expectativas."

pag25 2 Geo na Escelsa

Orto Rio Bonito com batimetria

O trabalho que foi desenvolvido soluciona a dispersão entre diversas informações e a falta de conexão entre diferentes ferramentas, agrega um enorme conjunto de vantagens oferecidas pela disponibilização de uma base de dados atualizada e espacializada, onde a otimização do processo de tomada de decisão, reduz custos e incrementa agilidade através de análises e simulações diversas. Segundo a engenheira cartógrafa da gerência de Qualidade de Serviços da concessionária de energia, Márcia Zenóbia de Lima, "a importância do uso da ferramenta do geoprocessamento dá-se de várias formas, inclusive facilitando o gerenciamento e a manipulação de dados técnicos. Deve-se estimular o uso dessa ferramenta e, para isso, é fundamental o desenvolvimento de bases cartográficas digitais de boa qualidade."

Talita Fonseca
talita@maplanbrasil.com.br
Engenheira Agrimensora pela UFV (Universidade Federal de Viçosa)
Pós-Graduanda em Marketing pela FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Colaboradora
Suzi Maria Montagner