Por Alexandre Scussel e Elis Jacques

Série de matérias que lista os principais cursos técnicos e graduações chega às regiões Centro-Oeste e Norte

O mercado de trabalho de geo exige dos profissionais cada vez mais conhecimento e prática na sua atuação, requisitos solicitados pela maioria das empresas e órgãos públicos contratantes. O ensino superior e os cursos técnicos são procurados tanto por profissionais que já atuam no setor quanto por aqueles que buscam novas oportunidades na área. Mas será que as instituições estão preparadas para atender a essa demanda com qualidade e eficiência?

A série de matérias sobre os principais cursos de geo do Brasil começou na edição 67 da revista MundoGEO. Nas edições anteriores, foram apresentadas tabelas e dados sobre as regiões Sul e Sudeste, além de perfis e a relação muitas vezes presente entre alta demanda e baixa oferta de profissionais capacitados. Confira agora a terceira parte da série sobre os principais cursos de geo do Brasil, abordando as regiões Norte e Centro-
Oeste do país.

Centro-Oeste

A pesquisa realizada pela revista MundoGEO constatou, na região, uma carência de cursos de graduação e técnicos na área da geoinformação. Entre as opções encontradas, a Geografia é a mais representativa, porém também foram encontradas algumas graduações em Geologia e Ciências Geoambientais e Geofísica. A formação em Engenharia Cartográfica não existe na região.

No Mato Grosso do Sul foram encontradas quatro instituições, todas ofertando somente a graduação em Geografia. A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) oferta os cursos de Geografia nas modalidades Bacharelado e Licenciatura, além de cursos de pós-graduação em diversas sub-áreas. As duas contam com 50 vagas semestrais cada, ofertadas em períodos diferentes (Bacharelado pela manhã e Licenciatura à noite). O Departamento de Geografia da Universidade é ligado ao Instituto de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e conta, hoje, com 20 professores em seu quadro docente e mais de 200 estudantes de graduação, 50 de mestrado e outros 50 de especialização. A graduação em Geologia também é oferecida, no período integral, com 40 vagas anuais.

A Universidade Estadual de Mato Grosso (UEMS) oferece o curso de Geografia em três campi, somente na modalidade Licenciatura. O objetivo é formar professores, com competência técnica, pedagógica e política, para atuar no ensino fundamental e médio. Segundo informações da Universidade, o curso de Campo Grande conta com 50 vagas e foi implantado para atender a demanda por formação de professores na região, já que é o único curso público de Licenciatura em Geografia oferecido na capital do estado de Mato Grosso do Sul.

No estado mais populoso da região Centro-Oeste, Goiás, a revista MundoGEO encontrou cinco instituições que ofertam cursos de geo, tendo predominância a graduação em Geografia. A Universidade Federal de Goiás (UFG) oferece Bacharelado e Licenciatura em Geografia, nas cidades de Goiânia, Jataí e Catalão. O Bacharelado possui habilitações em Análise Ambiental e em Planejamento Urbano e Regional. A primeira conta ainda com o curso de Ciências Geoambientais, que se propõe a formar profissionais que consigam compreender a natureza complexa e integrada dos processos ambientais, os quais devem ser observados em diferentes escalas e interpretados nas várias esferas que compõem o sistema terrestre, tendo como referência espacial a bacia hidrográfica. O curso de Ciências Geoambientais da UFG, oferecido na modalidade de Bacharelado e na forma presencial integral, está fundamentado em disciplinas básicas vinculadas, entre outras, às Geociências, Geografia, Ciências do Solo e Ecologia de Paisagens.

No Distrito Federal foram encontradas quatro instituições que ofertam cursos de geo, a maioria concentrada na Universidade de Brasília (UnB), que conta com graduações em Geofísica, Geologia e Geografia, o último nas modalidades Bacharelado e Licenciatura e com possibilidade de graduação à distância. Para aprimorar a experiência dos alunos, a Universidade conta com o Instituto de Geociências, que oferece 13 laboratórios para o ensino e a pesquisa. Os principais utilizados pelos alunos de graduação são os de Petrografia, Geoprocessamento, Geoquímica, Geofísica Aplicada e o Observatório Sismológico. A graduação em Geofísica prepara o aluno para planejar e executar levantamentos geofísicos, realizar processamento, análise e interpretação de dados. É recomendável ter familiaridade com conceitos de Física, Matemática, Geologia e com sistemas computacionais. Segundo a Universidade, a demanda pelo profissional de Geofísica cresce ano a ano. Empresas do setor público e privado, em áreas como a indústria petrolífera, mineração, meio ambiente e geotecnia, oferecem boas oportunidades para quem quer seguir a carreira. A UnB oferece também a possibilidade de se graduar em Geografia na modalidade Licenciatura à distância, através do Programa Universidade Aberta do Brasil (UAB).

Região Norte

A região do Brasil mais representativa espacialmente, segundo levantamento feito pela revista MundoGEO, possui 26 instituições que ofertam cursos de geo em suas sete unidades da federação, quase sempre por instituições públicas. Notou-se a carência de opções diversificadas, tais como graduações em Geologia e Engenharia Cartográfica, e também cursos técnicos, salvo o estado do Pará. A graduação em Geografia predomina na região.

Entre as opções da região está o curso de Geografia na Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Inicialmente era ofertada somente a Licenciatura, pela manhã, e em 1992 criou-se o complemento de habilitação para Bacharelado, o único do estado. O curso dispõe de laboratórios de Geografia Física, Humana, Ensino de Geografia, Cartografia e Geoprocessamento, permitindo a formação de profissionais que possam compreender a dimensão espacial da sociedade e propor intervenções para melhoria da vida em sociedade e sua relação com o ambiente.

Segundo Ricardo Nogueira, Coordenador do Curso de Graduação em Geografia, o mercado de trabalho para o profissional é, majoritariamente, a educação dos ensinos médio e fundamental, e com a ampliação de novas instituições de ensino superior no Estado do Amazonas, tanto públicas quanto privadas, oferecendo o curso de Geografia, ampliou-se a contratação deste profissional. “Somente a rede municipal de Manaus possui 500 escolas e, além da região contar com dos outros 61 municípios, é possível fazer o atendimento ao oeste do Pará e à ampla rede de escolas do estado do Amazonas”, afirmou.

Em relação ao Bacharelado em Geografia, o professor informa que sua criação teve por objetivo cobrir uma lacuna no estado. “Com a questão ecológica em alta e o surgimento de vários órgãos públicos voltados ao controle e a conservação dos recursos naturais, percebeu-se a necessidade deste profissional, que vem ocupando postos de trabalho em órgãos ambientais, gestão de unidades de conservação, trabalhando com análise ambiental, educação e mesmo a utilização de novas ferramentas tecnológicas para o mapeamento urbano e rural. Enfim, percebe-se também uma gradativa absorção deste profissional pelo terceiro setor: as organizações não-governamentais, voltadas, principalmente, para a questão ambiental”, completa.

Voltado para a realidade Amazônica, o curso de Geografia da Ufam assume uma posição nodal nos debates sobre a região e reflete sobre as “diversas Amazônias”. É o que conta Diego Aguiar, estudante do 5º período do curso de Bacharelado em Geografia. “É um desafio a ser superado dia após dia. Imersos em tanta diversidade biológica e sociocultural, os geógrafos amazônidas cuidadosamente revelam a realidade multifacetada de uma região ainda desconhecida”.

Para o aluno, os cursos de Geografia no Estado do Amazonas cumprem com o compromisso de capacitar bacharéis e licenciados na consolidação dos conhecimentos que abarquem as especificidades da região, por vezes ignorada por pesquisadores alheios à realidade regional. Diego compartilha ainda sua visão do mercado de trabalho: “Para geógrafos no Amazonas, o mercado encontra-se restrito aos cargos públicos, sendo que por vezes a concorrência com profissionais de outras áreas e a exigência de formação mais especializada dificulta a inserção do geógrafo recém-formado. Ainda assim, o mercado é carente de profissionais que tenham um olhar mais acurado para os problemas físicos e humanos, que a meu ver nunca deveriam ser dissociados”.

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