2010 | Energia

Energia

Entrevistas Energia

Por Marcos Cavalcanti | 14h03, 08 de Novembro de 2010

Renata Bier que trabalha com renovação de licenças de empreedimentos no setor elétrico é uma das minhas entrevistadas na mesma linha de perguntas sobre o envolvimento profissional e o geoprocessamento.

Nome: Renata Bier do Amaral
Formação: Ciências Contábeis c/ Pós em Gestão Ambiental e Gestão da Biodiversidade
Empresa que atua: Nova Rio (FURNAS)
Anos de experiência profissional: Na área de Meio Ambiente 8 anos.

Quantos Anos trabalha com geoprocessamento agregado a sua área de atuação e qual foi o primeiro contato com essa ferramenta?

Desde 2005 quando passei a trabalhar na Divisão de Meio Ambiente Natural – DNAT.E (5 anos)

Que mudanças tem ocorrido na sua área profissional que o geoprocessamento poderia contribuir?

Posso dizer que o geoprocessamento, na empresa em que trabalho, tem sido bem mais utilizado na área ambiental, principalmente por exigência dos órgãos ambientais.

Como você vê os estudos ambientais e sua relação com o Geoprocessamento no setor de energia?

Os estudos ambientais atuais estão bem mais detalhados e confiáveis com a utilização do geoprocessamento, não só no setor de energia, mas em todos os grandes empreendimentos.

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Entrevistas Energia

Por Marcos Cavalcanti | 12h45, 04 de Novembro de 2010

Continuamos com nossa série de entrevistas com profissionais do setor elétrico, desta vez segue entrevista com Fernando Silveira – Elétrobras

Nome: Fernando Silveira    

Formação: Bacharelado – Física – pós-graduação –Ciência dos Materiais (Coppe)

Empresa que atua: ELETROBRAS

Anos de experiência profissional: 25 anos

Quantos Anos trabalha com geoprocessamento agregado a sua área de atuação e qual foi o primeiro contato com essa ferramenta?

Trabalho, atualmente, em TI, na área de desenvolvimento de sistemas. Há mais de oito (8) anos venho buscando mostrar a necessidade de uma gestão centralizada das atividades de geoprocessamento no que tange a criação de normas, padrões inclusive para aquisição de produtos, como ortofotos e imagens de satélite), gestão de metadados, de imagens. Essa idéia surgiu do estreitamento de uma relação bastante produtiva com o profissional da ELETROBRAS, Marcio Giovanni Cupti Madeira, que me mostrou o caos e carência por padrões existentes nas áreas que utilizavam geoprocessamento.

Que mudanças tem ocorrido na sua área profissional que o geoprocessamento poderia contribuir?

Tenho buscado despertar o pensamento espacial na cabeça dos clientes e, procurado gerar demandas por parte deles nesse sentido. Entendo que para o nível estratégico e tático da empresa o produto de geoprocessamento mais significativo é o GIS. Por isso, temos investido nas ferramentas servidoras de mapas e seremos os viabilizadores dos SIG’s na ELETROBRAS. Sempre de forma multidisciplinar, engenheiros, geógrafos, profissionais de meio-ambiente e outros geram seus projetos e disponibilizam para que a gente dê o tratamento necessário à apresentação nas ferramentas citadas.

Como você vê os estudos ambientais e sua relação com o Geoprocessamento no setor de energia?

Sabemos que as perguntas abaixo demonstram a importância de um business ter o geoprocessamento como ferramenta de apoio.
O que?
Onde?
Sobre o que?
Áreas afetadas?
Importância?
Quando e como?
Quanto?
Como mitigar ou eliminar?

Isso é muito claro no Setor Elétrico, onde todos os empreendimentos afetam pesadamente o meio-ambiente. Empreendimentos hidrelétricos, por exemplo, destroem vários ecossistemas e, consequentemente, afetam drasticamente àqueles periféricos, para onde fogem os habitantes da área alagada, além da geração de metano por seus lago; eólicas afetam a população de aves e térmicas poluem e emitem ruídos.

Naturalmente, um geoprocessamento de qualidade é uma ajuda necessária e imprescindível às atividades de estudos ambientais.

Como está o geoprocessamento no setor Elétrico?

Engatinhando. Algumas empresas com maturidade avançada, mas a maioria delas, infelizmente, não utilizam nem 20% do que deveriam. Em geral, utiliza-se o geoprocessamento para se fazer “mapas digitais” que podem se tornar quadros de parede em salas de reunião ou de gerentes. Mapas, digitais ou não, NÃO devem ser objetivo de ninguém que queira ter um geoprocessamento de ponta que atenda igualmente as áreas operacionais, táticas e estratégicas de uma empresa. É preciso mostrar as mudanças o mais “real-time” possível. Os dados devem ser armazenados em banco de dados corporativos de onde possam ser lidos e plotados de forma segura, confiável e dinâmica. Assim, o geoprocessamento oferecerá uma ferramenta de apoio à decisão que, seguramente, responderá as questões acima listadas.

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Entrevistas Energia

Por Marcos Cavalcanti | 15h54, 29 de Outubro de 2010

Vou começar uma série de entrevistas com profissionais do Setor de Energia, as perguntas são as mesmas para todos e acredito que deixam o entrevistado aberto a emitir e escrever o que desejar sobre a influência do geoprocessamento no seu trabalho e no seu dia-a-dia.
Se desejarem podem deixar comentários sobre a entrevista…

Nome: Vinicius Ferreira Vianna

Formação: Geólogo
Empresa que atua: Furnas
Anos de experiência profissional: 2 anos

Quantos Anos trabalha com geoprocessamento agregado a sua área de atuação e qual foi o primeiro contato com essa ferramenta?

3 anos

Que mudanças tem ocorrido na sua área profissional que o geoprocessamento poderia contribuir?

O geoprocessamento, como ciência e ferramenta, tem uma importância fundamental no ramo das geociências. Enquanto há tempos atrás a dificuldade era obter a informação, atualmente a informação existe aos montes e a dificuldade é administrar tamanha quantidade de dados. Assim o geoprocessamento vem contribuindo, tornando dados de diferentes fontes fáceis de serem distribuídos (internet), utilizados e integrados de diferentes maneiras, de forma a maximizar a eficiência do uso da informação

Como você vê os estudos ambientais e sua relação com o Geoprocessamento no setor de energia?

No setor energético, ambiental e em outros, a atual política de administração preza pela disseminação da informação, como forma de conservação do patrimônio intelectual. Dessa forma, se observa cada vez mais órgãos estaduais e municipais tornando acessíveis seus bancos de dados de informação geográfica para uso público. No setor privado, a aquisição de informações geográficas se dá de forma cada vez mais ágil, com o avanço das tecnologias de GPS, sensoriamento remoto, monitoramento aéreo, etc. Assim, estamos observando um grande avanço no desenvolvimento de projetos, onde se minimiza o desperdício de tempo na busca de dados já disponíveis (e consequentemente valorização dos trabalhos já feitos) e maximiza o tempo gasto na avaliação e processamento de dados multifontes, o que vem trazendo consideráveis ganhos na qualidade e confiabilidade do produto final.

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Welcome to RIO

Por Marcos Cavalcanti | 21h56, 21 de Outubro de 2010

O Rio de Janeiro nas décadas de 90 e 00 vivenciou a saída de várias empresas que foram indo em direção de outras capitais para se estabelecerem suas matrizes. No campo da infra-estrutura várias companhias de aviação deixaram de sair do Rio de janeiro passando a ser apenas escala.

Com os eventos de Copa do Mundo e Olimpíadas o Rio de Janeiro tem a sua chance de ouro para se estruturar como uma das grandes cidades do mundo, algumas empresas como a Santiago e Cintra que considero uma das melhores representantes de gps e estações totais do Brasil, acabaram de abrir um escritório no Rio de Janeiro na busca desse novo cenário.

A segurança é outro aspecto que vem possibilitando esse retorno, espero que mais empresas da área resolvam voltar e preencher alguns campos que podem ser melhores aproveitados como o próprio Geoturismo e o Geomarketing. Welcome to Rio.

VOO FULL HD RIO

Para saber+:
Santiago & Cintra
http://www.santiagoecintra.com.br

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GIS SAÚDE E ENDEMIAS

Por Marcos Cavalcanti | 16h39, 10 de Outubro de 2010

Quando começei a trabalhar com Meio Ambiente, o programa de saúde se baseava em campanhas e palestras de divulgação de prevenção a doenças sexualmente trasmissíveis (DST) e orientação sexual. Conheci uma pessoa fabulosa que trabalhava nesta área chamada Zuleide.

Zuleide realizou e implantou vários outros programas na área de Saúde como o da UHE Serra da Mesa em Goías, relacionado a raiva humana.

Em Manso no programa de saúde e endemias conheci o Sr. Antony da Fundação Oswaldo Cruz e passamos a alimentar o SIG de Manso com infomações levantadas junto a população reacentada em 2000.

O ultimo trabalho que realizei  nesta área foi no rio Madeira e as principais questões eram a Malária e hepatite, o principal realizado foi identificar as casas dos riberinhos e análises desta população, antes da implantação do empreedimento em 2005.

Hoje a Fundação Oswaldo Cruz tem um núcleo de Geoprocessamento e realiza estudos e cursos na área de saúde a distância.

Se tem alguma experiência nesta área e quer aborda-la, deixe seu comentário…

FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ – FIO CRUZ

http://www.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?UserActiveTemplate=template%5Ffiocruz&tpl=home

http://www.ead.fiocruz.br/home/

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ONDE TEM RESPOSTA PARA TUDO?

Por Marcos Cavalcanti | 21h15, 11 de Setembro de 2010

Quando os computadores não existiam, as respostas para tudo estavam nas enciclopédias, para quem não sabe o que são enciclopédias, seriam livros com vários verbetes como no dicionário porem escritos de forma informativa, seria como o WINKPEDIA dos dias atuaís, porem com uma diferença, tudo que era escrito por escritores renomados por excelencia no que estavam escrevendo, por exemplo Sigmun Freud escreveu um capitulo da enciclopédia Britânica, sobre Psicanálise.

Hoje outra forma de encontrarmos uma resposta para que desejamos é colocar a pergunta em um site de busca e zap!!! encontramos respostas certas, erradas e as vezes nem encontramos. E onde que quero chegar? Quero lembrar de um mecanismo que foi abandonado e esquecido, pois saiu do papel definitivamente para o mundo digital, que são os manuais técnicos. Esse manuais eram verdadeiras apostilas e ensinavam a trabalhar com os softwares que existiam de CAD ou qualquer outro programa e eram escritos em português ou inglês técnico.

Hoje mesmos a função “Help” já não ajuda muito, pois não são tão didaticos como os antigos manuais e os comandos e em uma consulta simples resultam em inumeras respostas para a mesma pergunta.

Sou a favor da volta dos manuais impressos, a industria deve ter lucrado horrores com a retirada dos exemplares em papel e com os cursos, pois hoje somente com eles conseguimos apreender alguma coisa.

O que vocês acham? Deixem os seus comentários…

Para saber+:

BARSA

http://brasil.planetasaber.com/default.asp

ENCICLOPEDIA BRITANICA

http://www.britannica.com/

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É só plotar!!!

Por Marcos Cavalcanti | 16h35, 14 de Agosto de 2010

Alguns amigos irão rir de mim, sobre a abordagem que vou dar para o tema deste post. Nos meus anos de trabalho uma das minhas atividades alem de produzir mapas foi imprimir em impressoras de grande formato. A primeira foi uma que utilizava canetas de diferentes cores que representavam diferentes espessuras, lembro inclusive como a tinta era cara, um funcionário adaptou uma caneta esferográfica na caneta de plotter e plotava com aparência parecida com a tinta, esse funcionário nunca ganhou um tostão pela redução de custo da empresa.
A outra plotter foi a hp750 que foi um grande avanço, pois era jato de tinta, acabando com os problemas de entupimento e abrindo o mundo das cores para os desenhos que fazia. E por ultimo a HP1055cm com HD interno e memória de maior capacidade o que promoveu o armazenamento de informações e sua reutilização após impressão.

Essa evolução de equipamentos me ajudou na minha vida profissional, e o que mais me desagradava era os profissionais que tem como “suporte” a questão do desenho ou mapa, diminuir a questão deste trabalho. Alguns amigos que trabalharam comigo nem queriam se submeter a este tipo de função, pois a frase : – imprime dez desenhos para mim, é só plotar!! , era a frase mais dita pelos profissionais, como se fosse uma atividade menor e de fácil e rápida execução.

O usuário não sabia que a impressão consiste em alguns casos na adequação de penas, por exemplo, quanto a espessura e cor, bem como adequação do papel utilizado brilhante ou opaco e seu respectivo formato a toda configuração dos softwares de impressão, bem como dobrar e cortar no padrão da ABNT, muitas das vezes ignorado.

A meu ver o profissional acredita que é a impressão de desenhos e mapas são iguais as impressões de documentos texto, e mudar essa “cultura” não é das atividades mais fáceis, por muito tempo próximo ao equipamento de impressão , colocava essa frase “ é só plotar!!”, o que modificou a visão técnica por traz das atividades pelos funcionários de alguns departamentos que trabalhei, como uma atividade valorizada e que implica em qualidade do produto final.

O que vocês acham? Deixem seus comentários….

Para saber + :

HP

http://www8.hp.com/br/pt/home.html

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P&D – Pesquisa e Desenvolvimento no Setor de Energia

Por Marcos Cavalcanti | 21h52, 10 de Julho de 2010

Toda a empresa pública do setor elétrico por lei, investe parte do lucro em pesquisa e desenvolvimento. E isto é maravilhoso, porem o que geralmente ocorre é que os mesmo pesquisadores ou coordenadores destas pesquisas não são valorizados internamente por terem mestrado ou doutorado nas empresas que trabalham.

As políticas de Recursos Humanos são cegas quanto a formação de doutores e mestrandos em seu quadro de trabalho, não os remunerando condicionalmente por terem se esforçados  e elevado a qualidade da empresa que trabalham.

Quando a questão ambiental começou a despontar, especialistas das mais diversas áreas começaram a trabalhar e como o meio ambiente é propício a questionamentos que levam a pesquisa, os departamentos se tornaram um problema. Pois se tinha a questão colocada ou se pesquisa ou se trabalha. Qual é a função da empresa?  Trabalhar ou pesquisar? Estas questões ainda ficam mais confusas, quando se tem o projeto de pesquisa que tem por finalidade melhorar a empresa gerando melhoria nos resultados e lucros.

As pesquisas são necessárias e importantes, acho que o correto é designar um local específico nas empresas para desenvolvimento de pesquisas como o CENPES da Petrobrás. No setor elétrico tem o CEPEL, porem está desvinculado das pesquisas e desenvolvimento realizados ao meu ver pelas empresas do Setor.

Tenho certeza que o tema é polêmico e vai gerar vários questionamentos e observações, porem acredito que isso vai agregar mais conhecimento ao nosso blog, deixem o seu comentário…

Para saber +:

winkpédia – PESQUISA E DESENVOLVIMENTO

http://pt.wikipedia.org/wiki/Pesquisa_e_Desenvolvimento

ANEEL- Agencia Nacional de Energia

http://www.aneel.gov.br/

http://www.aneel.gov.br/area.cfm?idArea=75&idPerfil=6

CENPES – Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello

http://www2.petrobras.com.br/portal/frame.asp?pagina=/tecnologia2/port/centro_pesquisasdapetrobrasapresentacao.asp

CEPEL – Centro de Pesquisas de Energia Elétrica

http://www.cepel.br/

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III SEMINÁRIO INTERNACIONAL HISTÓRIA E ENERGIA

Por Marcos Cavalcanti | 7h42, 01 de Julho de 2010

Acontece de 1 a 4 de setembro, no Hotel Golden Tulip  Belas Artes, em São Paulo o 3°Seminário Internacional História e Energia. 

 A Organização é pela Fundação Energia e Saneamento, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual Paulista (UNESP), serão debatidos vários aspectos mais específicos em torno de quatro eixos temáticos: História, Arquivologia, Cultura Material e Documentação.

Para conferir a programação completa e fazer a inscrição, gratuita, acesse o site:
www.energiaesaneamento.org.br/simposio/simposio.html

PARA SABER + :

http://www.energiaesaneamento.org.br

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NÃO AS MUDANÇAS DO CODIGO FLORESTAL !!!

Por Marcos Cavalcanti | 9h20, 29 de Junho de 2010

Onze organizações socioambientalistas brasileiras divulgaram na quarta-feira dia 23 de junho, uma nota pública em que criticam o uso pela bancada ruralista na Câmara Federal – com a finalidade de pressionar pela alteração da legislação florestal brasileira – de um documento elaborado por entidades de agricultores norte-americanos.

O estudo prevê a possibilidade de que grandes poluidores norte-americanos possam compensar suas emissões de gases do efeito estufa financiando a proteção de florestas em países tropicais. Para os deputados ruralistas brasileiros, essa proposta seria a prova de que a preservação de florestas, como defendem os ambientalistas, é uma bandeira dos concorrentes internacionais que não querem ver a expansão das áreas de agricultura do Brasil.

“Com isso, querem justificar a necessidade de aprovação de um projeto de lei que altera dramaticamente a legislação florestal brasileira”, afirma a nota divulgada pelas organizações, entre as quais se inclui o ISA.

ONGs contestam as conclusões do estudo e o uso dele para justificar mudanças no código.
 
Leia a íntegra do documento:
   
Nota pública: Código Florestal, desmatamento zero e competitividade agrícola
 
Recentemente lançado nos Estados Unidos, o estudo “Fazendas aqui, florestas lá”, patrocinado pela organização National Farmers Union (União Nacional de Fazendeiros), principal sindicato rural norte-americano, e apoiado pela Avoided Deforestation Partners (Parceiros pelo Desmatamento Evitado) – uma aliança informal de pessoas e organizações que defendem o fim do desmatamento no mundo – foi feito para promover a aprovação da lei de mudanças climáticas, em tramitação no Senado americano.

Um dos dispositivos desse projeto de lei prevê a possibilidade de que grandes poluidores norte-americanos possam compensar suas emissões de gases do efeito estufa financiando a proteção de florestas em países tropicais. É o caso da Indonésia e do Brasil, onde o desmatamento torna esses dois países o terceiro e o quarto maiores poluidores do clima no planeta, respectivamente.

Elaborado com a intenção de convencer parte da bancada republicana – contrária à lei – a mudar de posição, sobretudo a pertencente a estados com grande produção agropecuária, o estudo defende que o investimento em mecanismos de desmatamento evitado em países tropicais elevaria os ganhos da agricultura norte-americana, não só diminuindo os custos com a mudança de tecnologia para reduzir a emissão de gases do efeito estufa, mas, sobretudo, afastando a competição de produtores rurais desses países, que hoje competem diretamente com os americanos pelos mercados de commodities agrícolas. Segundo o estudo, os ganhos poderiam alcançar US$ 270 bilhões entre 2012 e 2030 só com a diminuição da competição dos países tropicais.

Em função dessa conclusão infundada, esse estudo vem sendo usado, nos últimos dias, por diversos parlamentares e lideranças ruralistas brasileiros para defender a tese de que a proteção de florestas no Brasil é algo que contrariaria o interesse nacional. Com isso, querem justificar a necessidade de aprovação de um projeto de lei que altera dramaticamente a legislação florestal brasileira. Nessa história, no entanto, estão enganados os ruralistas norte-americanos e os brasileiros.

Em primeiro lugar, o estudo, que desconhece a realidade brasileira, é equivocado ao assumir que o fim do desmatamento por aqui significaria paralisar a expansão da produção de commodities agrícolas a preços competitivos. Segundo dados da Universidade de São Paulo/Esalq, temos pelo menos 61 milhões de hectares de terras de elevado potencial agrícola hoje ocupadas por pecuária de baixa produtividade e que podem ser rapidamente convertidas em áreas de expansão agrícola.

Com o fim da expansão horizontal da fronteira agrícola, há forte tendência de valorização da terra e de substituição dos sistemas de produção agropecuária de baixa produtividade (que garimpam os nutrientes e degradam o meio ambiente) por sistemas de produção mais intensivos e com maior produtividade. Estudos da Embrapa mostram que há um cenário ganha-ganha quando se incorpora tecnologias (recuperação de áreas de pastagens degradadas, agricultura com plantio direto, sistemas integrados de lavoura-pecuária e lavoura-pecuária-floresta) nas áreas atualmente ocupadas com agricultura e pecuária, aumentando a produção, reduzindo custos e emissões de gases do efeito estufa.

No caso do Brasil, onde 4/5 das terras agricultáveis são ocupadas por pastagens, tais ganhos são especialmente expressivos – de forma que poderíamos dobrar nossa produção de alimentos sem ter que derrubar novas áreas de floresta e ainda recuperando aquelas áreas onde o reflorestamento se faz necessário por seu potencial de prover serviços ecossistêmicos.

Portanto, o aumento da produção agrícola não passa necessariamente pelo aumento ou continuidade do desmatamento, como quer fazer crer o estudo norte-americano. Os produtores competitivos não são os que usam métodos do século XVIII, grilando terras públicas, desmatando e usando mão de obra escrava e sonegando impostos. Pelo contrário, são os que investem em tecnologia e mão de obra qualificada para o bom aproveitamento de terras com infraestrutura adequada. Por essa razão até mesmo a Confederação Nacional da Agricultura – CNA, afirma que não é mais necessário desmatar para aumentar e fortalecera produção agropecuária brasileira.

Não devemos esquecer que a preservação e a recuperação de florestas no Brasil interessam, antes de tudo, a nós mesmos. O fornecimento de produtos florestais, a regulação das águas e do clima, a manutenção da biodiversidade, são todos serviços ambientais prestados exclusivamente pelas florestas e indispensáveis à sustentação da agropecuária nacional.

Frente a isso, repudiamos não só as conclusões do estudo norte-americano, como a tentativa de usá-lo para legitimar propostas que, essas sim, atentam contra o interesse nacional, ao permitir o desmate de mais de 80 milhões de hectares e a anistia definitiva para aqueles já ocorridos, o que coloca em cheque a possibilidade de cumprirmos com as metas assumidas de redução de emissões de gases de efeito estufa e recuperar a oferta de serviços ambientais em regiões hoje totalmente desreguladas, algumas inclusive em desertificação.

Aumentar a produção agropecuária com base no desmatamento de novas áreas é uma lógica com data marcada para acabar, tão logo os recursos naturais se esgotem e o clima se modifique. Não podemos, nesse momento em que o Código Florestal pode vir a ser desfigurado pela bancada ruralista do Congresso Nacional, nos desviar da discussão que realmente interessa ao país, que é saber se precisamos ou não das florestas para o nosso próprio bem-estar e desenvolvimento.
A defesa das florestas é matéria de alto e urgente interesse nacional.
 
Assinam:
WWF Brasil
Amigos da Terra – Amazônia brasileira
Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi)
Conservação Internacional (CI-Brasil)
Fundação SOS Mata Atlântica
Fórum Carajás
Greenpeace
Grupo de Trabalho Amazônico (GTA)
Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (IMAZON)
Instituto Centro de Vida (ICV)
Instituto Socioambiental (ISA)
 

RETIRADO NA INTEGRA DO SITE SOS MATA ATLÂNTICA : SITE http://www.sosmatatlantica.org.br 
 

Eu apoio…e você deixe seu comentário….

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  • Marcos Cavalcanti
    @marcanti
    Marcos José é Arquiteto com Pós-Graduação em Análise e Avaliação Ambiental pela PUC-RIO e Gestão Integrada do Patrimônio Cultural pela UFPE/UNESCO e Extenção em Geoprocessamento na PUC-MINAS VIRTUAL.Atualmente faz Pós-Graduação em Fotografia e Imagem pela UCAM / IUPERJ;

    Marcos José é Arquiteto com Pós-Graduação em Análise e Avaliação Ambiental pela PUC-RIO e Gestão Integrada do Patrimônio Cultural pela UFPE/UNESCO e Extenção em Geoprocessamento na PUC-MINAS VIRTUAL.Atualmente faz Pós-Graduação em Fotografia e Imagem pela UCAM / IUPERJ;

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