Localizada no rio Paraná, a Ilha Solteira vêm sofrendo um processo de redução de sua vegetação graças à erosão. Prova disso é que, em 1963, a ilha contava com 28 hectares (64% de seu território) de cobertura arbórea original e, em 2003, este número foi reduzido para apenas 17 hectares. Na tentativa de reverter o quadro de degradação ambiental, pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) iniciaram a implantação de um projeto para recuperar a cobertura vegetal da região. "A construção da Usina Hidrelétrica de Ilha Solteira, que faz parte do Complexo Urubupungá, foi a principal causadora da diminuição da área", disse Carlos Flechtmann, engenheiro agrônomo e um dos responsáveis técnicos pelo projeto. "O aumento da vazão de água faz com que a terra seja literalmente lavada", diz o pesquisador do projeto, que é coordenado pelo professor Hélio Ricardo Silva. Embora seja uma área de proteção ambiental, Flechtmann explica que, ao longo dos anos, a população de pescadores desmatou a ilha para a construção de acampamentos. "Ao remover a cobertura vegetal, onde as raízes das árvores seguram a terra, a água acaba levando a areia embora", explica. Com o intuito de verificar o grau de degradação, inicialmente será feito um levantamento da flora local para que os dados sejam cruzados com estudos sobre a biodiversidade de insetos, mamíferos, répteis e aves. Posteriormente, será instalado no local um laboratório de geoprocessamento para monitorar o processo de cobertura vegetal. "Lá serão oferecidas todas as condições para que os pesquisadores possam receber os mapas e interpretar o grau de erosão e as áreas recuperadas", garante o engenheiro agrônomo. A iniciativa é financiada pelo Ministério da Justiça, pela Companhia Energética de São Paulo (Cesp) e pela Prefeitura Municipal de ilha Solteira. Segundo Flechtmann, o projeto prevê o reflorestamento de 8 hectares de terra, onde serão plantadas 16 mil mudas de 80 espécies nativas. "O ideal é esperar até o fechamento das copas das árvores plantadas. Assim, a chuva chegará com menos intensidade ao solo e as raízes irão evitar a erosão. A meta é que dentro de 12 meses já tenhamos todas as mudas plantadas", disse o pesquisador. Informações do Boletim da FAPESP
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