Este post é inspirado em um artigo do Mapping GIS e tem como objetivo buscar diferenças e semelhanças entre cargos que são frequentemente divulgados na seção de vagas do MundoGEO, porém ainda falta um consenso sobre seus requisitos e funções.

Técnico, analista, consultor, desenvolvedor, coordenador de projetos em Sistemas de Informações Geográficas (GIS, na sigla em inglês) ou de Geoprocessamento: você já deve ter visto notícias com vagas com estas denominações, porém quando acessou a descrição das atividades, formação necessária, diferenciais, pode ter notado que há algumas sobreposições entre elas e nem sempre o salário é proporcional aos requisitos.

Técnico, analista, consultor, desenvolvedor e coordenador de projetos GIS

Se para um profissional que trabalha com Geoprocessamento muitas vezes é difícil explicar a um leigo qual é nossa área de atuação, ainda mais difícil tem sido estabelecer sub-categorias dentro de nosso nicho.

As habilidades que deveriam ter técnicos, analistas, consultores, desenvolvedores ou coordenadores de projetos GIS são diferentes, então vamos tentar definir algumas fronteiras entre elas:

Técnico GIS

Segundo a definição do Mapping GIS, um técnico GIS é um profissional formado em sistemas de informação geográfica, com conhecimentos e experiência em ferramentas baseadas nestes sistemas, como por exemplo ArcGIS, QGIS, gvSIG e similares.

Para entrar nesta definição, um técnico GIS deveria ter ao menos as seguintes habilidades:

  • Ter autonomia para aprender novos programas
  • Saber digitalizar entidades geométricas e gerenciar tabelas de atributos
  • Criar e corrigir erros de topologia
  • Realizar consultas espaciais
  • Saber realizar análises espaciais
  • Gerenciar diferentes formatos de camadas, tanto vetoriais como raster
  • Saber utilizar os sistemas de coordenadas e as projeções
  • Trabalhar em equipe

Analista GIS

Já um analista GIS, como seu nome indica, realiza análises de dados espaciais. Portanto, deve estar um passo além de um técnico GIS, já que um analista deve conhecer as habilidades GIS mais avançadas para usar um sistema de informação geográfica de forma eficaz.

Dentre elas, podemos destacar:

  • Ter habilidades de programação
  • Habilidades em bases de dados e geoestatística
  • Resolver problemas, não só espaciais, ou seja, ter capacidade resolutiva
  • Outras habilidades, como saber idiomas, comunicação e gestão

Consultor GIS

Neste caso, um consultor GIS deve ter os conhecimentos adequados para opinar e/ou aconselhar sobre uso e aplicações de sistemas de informação geográfica.

Não é estritamente necessário que tenha um conhecimento tão amplo como o do Analista GIS, porém deve saber o que se pode e o que não se pode fazer com determinadas ferramentas. Por exemplo, talvez não seja necessário que saiba programar em Python, mas deve saber o que é possível fazer com PyQGIS e/ou ArcPy e até onde se pode chegar.

É uma área de atuação complexa, tanto pela diversidade de programas que existem, tanto proprietários como livres, como pelo amplo espectro que deve cobrir, desde os softwares GIS desktop, aplicações web de mapas, bases de dados, aplicativos, etc.

Desenvolvedor GIS

Por sua vez, um desenvolvedor GIS projeta e programa aplicações informáticas de GIS. Este profissional realiza as aplicações específicas com um componente espacial. O dev GIS também desenvolverá ferramentas que permitam criar novos dados a partir dos existentes.

Um desenvolvedor deve ter sólidos conhecimentos de GIS (a nível de analista) e adicionalmente ter conhecimentos avançados de programação.

Gerente de Projetos GIS

O perfil de Gerente de Projetos GIS varia muito de acordo com o que realmente a empresa deseja que o profissional faça. Podem ser requisitos mais voltados para o gerenciamento de projetos – apenas com conhecimento superficial de como as diversas variáveis se relacionam no espaço -, ou então a companhia quer um profissional com profundos conhecimentos em sistemas de informações geográficas, bancos de dados espaciais, modelagem espacial, entre outros temas ligados a esta ciência – e que conheça os conceitos e aplicações das ferramentas para gerenciamento de projetos.

Para exemplificar, veja esta vaga nos EUA divulgada no LinkedIn. O perfil pede o seguinte: “We are seeking an experienced GIS Technical Project Manager […] to help manage a variety of GIS projects. The position requires knowledge of geographic information systems and computer based technologies, experience with utility company maps and GIS data as well as proven experience in managing GIS projects”.

Ainda, entre os requisitos pode-se ver a necessidade de experiência em softwares da família Esri, Smallworld, Intergraph, etc.; desejável certificação PMI e graduação em Geografia, Ciência da Computação ou similar. Ou seja, a empresa quer um profissional experiente em gestão de projetos, mas que conheça também GIS e TI.

Mercado de GIS no Brasil e no Mundo

De acordo com o mais recente relatório de pesquisa publicado pela MarketsandMarkets, o mercado de Sistemas de Informação Geográfica (GIS, na sigla em inglês) foi avaliado em 5,33 bilhões de dólares em 2016 e deve alcançar 10,12 bilhões em 2023, apresentando um crescimento anual de aproximadamente 9,6% entre 2017 e 2023.

O título do estudo de mercado é “Geographic Information System (GIS) Market by Component (Hardware (GIS Collector, Total Station, LIDAR, GNSS Antenna) & Software), Function (Mapping, Surveying, Telematics and Navigation, Location-Based Service), End User – Global Forecast to 2023” e um resumo pode ser acessado aqui.

Alguns dos fatores que deverão impulsionar esse crescimento são o desenvolvimento de smart cities, a integração da tecnologia geoespacial com outros sistemas para business intelligente e a adoção de soluções GIS para transportes. De acordo com o estudo, os principais players são, em ordem alfabética, Autodesk  (EUA), Bentley System (EUA), Esri (EUA), General Electric (EUA), Hexagon (Suécia), Pitney Bowes (EUA), Topcon (Japão) e Trimble (EUA).

Veja que nesse estudo foi incluído praticamente tudo que é relativo a Geoinformação sob o ‘guarda-chuva’ do GIS, desde GNSS e Laser Scanning até LBS e interfaces com o usuário.

Isso mostra como ainda é difícil ‘nominar’ o que abrange a Ciência da Informação Geográfica. Em 2013 a Oxera fez um estudo para a Google sobre o tamanho do mercado e chamou de ‘Geoservices’, o que também é um termo inadequado para denominar nosso setor. Dentro de ‘Geoserviços’ foram incluídos desde as imagens de satélites até os navegadores GPS em automóveis.

Segundo aquele estudo, a receita anual do mercado de Geo estaria entre 150 e 270 bilhões de dólares, muito maior do que a indústria de games – que já é gigantesca – e praticamente um terço da indústria aeroespacial:

Mas veja como os números não batem. Num estudo de 2013, a receita chegaria a centenas de bilhões por ano, enquanto este estudo mais atual, de 2016, avalia o mercado de GIS em ‘apenas’ 5 bilhões.

No Brasil, o estudo de mercado mais ‘recente’ é de 2008, feito pela empresa Intare Consultoria em Gestão da Informação.

Com um crescimento de 9% entre 2006 e 2007, e de 20% estimado para aquele ano, o dimensionamento do mercado potencial de geotecnologia no Brasil para 2008 era de 619 milhões de reais, considerado o conjunto dos componentes Dados, Softwares e Serviços.

O gráfico ao lado apresenta o dimensionamento do mercado brasileiro para o período 2006-2008, em milhões de reais.

E a figura abaixo ilustra o panorama do mercado, por tipo de solução, conforme os tipos definidos anteriormente.

Independentemente dos números ou da região, o mercado é imenso se soubermos identificar as oportunidades. Em tempos de profundas transformações que estão acontecendo no mundo com a pandemia do novo coronavírus, pode parecer cliché, mas é preciso pensar ‘fora da caixa’ e estar aberto ao novo, independentemente de títulos profissionais ou rótulos, mas sempre buscando atualização profissional.

E você, o que acha? Deixe suas impressões no espaço de comentários deste post que vou ler e responder.

*Eduardo Freitas Oliveira – Coordenador de conteúdos MundoGEO

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