O ecossistema de inovação e a formação científica de ponta no Brasil acabam de atingir um marco histórico. O grupo Astrabrazil, que conta com cinco estudantes da 3ª série do Colégio Bandeirantes em sua formação — Catharina Mercaldi, Davi Rothenberg, Gustavo Luz, Luiza Dell Amore e Rafael Mayo — além dos estudantes, Juliana de Oliveira Frota, Guilherme Hadid e Eduardo Taliberti Salvio, classificou-se para a grande final da International Space Settlement Design Competition (ISSDC). É a primeira vez que uma equipe brasileira alcança a fase decisiva do torneio.

Considerada a maior competição de engenharia aeroespacial do mundo para o segmento, a ISSDC conta com o apoio de organizações de peso global do setor, como a agência espacial americana (NASA). Para conquistarem a vaga histórica, os estudantes desenvolveram o projeto V02, que propõe a expansão de uma colônia flutuante na atmosfera de Vênus.

O plano envolve um sistema industrial automatizado capaz de transformar o gás fosfina, presente no planeta, em materiais de alto valor tecnológico. Monitorada por Inteligência Artificial, a colônia prevê áreas habitáveis seguras para astronautas e uma projeção de retorno financeiro superior a US$1,2 bilhão anuais.

O DNA STEAM e o protagonismo estudantil

Essa conquista é reflexo direto de um modelo pedagógico estruturado para o futuro. No Colégio Bandeirantes, o incentivo ao protagonismo juvenil e a valorização da ciência são pilares do currículo. Através das disciplinas e projetos de STEAM (Science, Technology, Engineering, Arts and Math), os alunos são estimulados a aplicar conceitos complexos em soluções para demandas reais da sociedade, desenvolvendo pensamento crítico, autonomia e capacidade de inovação.

Simulação de mercado e desafio corporativo

Diferente de olimpíadas científicas tradicionais baseadas em provas teóricas, a ISSDC funciona de forma dinâmica e imersiva, replicando o ambiente do mercado corporativo aeroespacial. Na fase decisiva, os estudantes são inseridos em um cenário futurista comandado por uma organização ficcional chamada “Sociedade da Fundação”.

Lá, as equipes precisam se estruturar como empresas reais, com cerca de 60 funcionários, e desenhar uma proposta detalhada que englobe engenharia estrutural, fatores humanos, operações, gerenciamento de projetos e viabilidade financeira, visando a conquista de um contrato comercial.

Atualmente, o grupo Astrabrazil vive uma rotina intensa de preparação e mentorias com importantes instituições do ramo aeroespacial brasileiro para compreender o cotidiano da profissão. Em paralelo, a equipe busca patrocínios e apoio institucional para viabilizar a viagem e a infraestrutura necessária para representar o Brasil nesta etapa inédita do torneio mundial.