A popularização das tecnologias de voo não tripulado é, sem dúvida, uma das maiores conquistas da engenharia recente. Em pouco mais de uma década, os drones deixaram de ser itens de nicho para se tornarem ferramentas indispensáveis na agricultura de precisão, na entrega de suprimentos de emergência, no mapeamento urbano e na preservação ambiental. No entanto, como ocorre com toda inovação disruptiva, a mesma tecnologia que acelera o progresso impõe novos e complexos desafios à segurança pública e à defesa das nossas infraestruturas mais sensíveis. 

O problema não está no dispositivo em si, mas na rapidez com que o cenário de ameaças evolui. Hoje, o uso irregular de drones já desafia a operação de grandes aeroportos e impõe novos riscos no policiamento de fronteiras e grandes eventos urbanos. Diante desse panorama, o mercado e o setor público correm contra o tempo para adotar barreiras de proteção. 

O erro mais comum nesse processo, contudo, tem sido focar no sintoma e não na causa – apostando na quantidade de equipamentos em vez da inteligência do sistema. 

Tecnologia como aliada 

Historicamente, a primeira reação diante de uma ameaça aérea é buscar o sensor de detecção mais potente, o radar de última geração ou a câmera térmica com maior alcance. Mas a verdade é que, no cenário dinâmico em que vivemos, a detecção isolada é apenas metade da equação – e, frequentemente, a metade menos eficiente. 

Saber que há um objeto invasor no espaço aéreo é vital, mas de pouco adianta se essa informação chegar de forma fragmentada, sem contexto ou sem uma indicação clara de como reagir. Se um aeroporto ou uma refinaria opera com múltiplos equipamentos de segurança que não conversam entre si, o operador perde segundos preciosos tentando adivinhar se aquele sinal na tela é um drone hostil, um voo autorizado ou simplesmente um pássaro. 

A grande virada de chave para mitigar esses riscos não está no poder de um sensor individual, mas sim na capacidade de integrar informações. A verdadeira segurança antidrone contemporânea reside na camada de inteligência e na chamada “consciência situacional”. 

Para que uma resposta seja efetiva, ela precisa seguir um fluxo contínuo e inteligente, o que começa com a detecção rápida e a classificação precisa da ameaça. Em seguida, esses dados precisam ser consolidados em um ambiente unificado de comando e controle, capaz de cruzar informações em tempo real e sugerir alertas automáticos. A partir daí, o sistema deve orientar uma mitigação cirúrgica – seja ela eletrônica ou física – e auxiliar na avaliação da origem da ameaça, permitindo uma atuação mais completa sobre o vetor de risco. 

Afinal, atuar apenas sobre a aeronave, sem compreender e mitigar a fonte da operação não autorizada, é remediar temporariamente um risco que pode voltar a se repetir. 

Tratar a proteção do espaço aéreo de forma integrada é uma extensão natural do desafio de gerenciar o próprio tráfego aéreo de um país. A segurança do nosso espaço e das infraestruturas que sustentam a nossa sociedade não será garantida por soluções isoladas ou ações de força bruta. O futuro exige integração, inteligência de dados e, acima de tudo, a capacidade de antecipar cenários complexos antes que eles se tornem crises.   O céu já não é mais o limite para a inovação; consequentemente, também não pode ser o limite para a nossa capacidade de proteção. 

* Fábio Cocchi – Vice-Presidente de Estratégia e Inovação da Atech 
Imagem de capa: Pixabay


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