Nos últimos anos, o mundo tem testemunhado uma transformação tecnológica sem precedentes, impulsionada pelo avanço da Inteligência Artificial (IA), ou seja, sistemas de computação treinados para processar volumes massivos de dados, reconhecer padrões e executar tarefas complexas que antes exigiam intervenção humana.

Mais do que a profundidade dessas mudanças no mercado e no cotidiano, o grande desafio atual reside na velocidade com que ocorrem.

Para ilustrar esse ritmo acelerado, enquanto plataformas de streaming como a Netflix levaram cerca de três anos e meio para atingir a marca de 1 milhão de usuários, ferramentas de IA generativa como o ChatGPT alcançaram essa mesma marca em apenas cinco dias.

Destaque do tempo em que as tecnologias atingiram 1 milhão de usuários

Nesta nova era, empresas, profissionais e órgãos públicos enfrentam a necessidade de se adaptar a transformações em um ritmo incomparável ao das revoluções industriais anteriores. A Inteligência Artificial atua como uma tecnologia transversal: ela não substitui as ferramentas existentes, mas potencializa outras disciplinas, como a geografia e a engenharia, gerando um ganho de eficiência e precisão em proporções difíceis de imaginar até pouco tempo atrás.

Um dos campos mais impactados por essa convergência é o das Tecnologias Geoespaciais, que englobam o conjunto de ferramentas para coleta, processamento, análise e exibição de dados associados a localizações geográficas específicas na superfície da Terra. A união da IA com esses dados espaciais permite transformar grandes volumes de registros brutos em diagnósticos precisos e automatizados.

No Brasil, essa integração ganhou destaque nacional ao solucionar um gargalo histórico do setor público. Em 2024, o Tribunal de Contas da União (TCU) lançou um Desafio de Inovação Aberta via Contrato Público de Solução Inovadora (CPSI). O objetivo era resolver um problema de alta complexidade: criar uma solução tecnológica para a fiscalização contínua, tempestiva e de baixo custo de obras públicas de pavimentação em todo o território nacional.

Na fase inicial de validação do Produto Mínimo Viável (MVP), três startups foram selecionadas. Após nove meses de testes intensivos, a startup Allsee (Prefeitura Eficiente) consagrou-se vencedora do desafio. A empresa desenvolveu uma plataforma integradora baseada na união de dois pilares fundamentais: Inteligência Artificial avançada e Tecnologias Geoespaciais.

Visão da plataforma desenvolvida para fiscalização de obras para o TCU

A abordagem metodológica construída pela Allsee destacou-se por duas inovações principais:

  1. Inteligência Artificial para leitura de documentos complexos: desenvolvimento de agentes de IA capazes de ler e interpretar dados georreferenciados (isto é, informações vinculadas a coordenadas de localização geográfica exatas) contidos em mapas, memoriais descritivos e projetos de engenharia em formato PDF ou imagem.
  2. Operação de levantamento multi-fonte de dados geoespaciais: estruturação de uma rede nacional de coleta contínua integrando três fontes principais: aerolevantamento por drones (mapeamento aéreo de alta resolução detalhada), imagens de satélite (para monitoramento periódico de grandes áreas) e fotografias em campo com geolocalização por GPS.

Para operacionalizar a cobertura de drones em escala nacional sem a necessidade de frota própria, a Allsee desenvolveu um modelo de negócios inovador e altamente escalável, semelhante ao do Airbnb. Assim como a plataforma de hospedagem se tornou a maior do mundo sem possuir imóveis próprios, a Allsee firmou parcerias com empresas especializadas e homologadas no Ministério da Defesa para consolidar uma das maiores redes operacionais de aerolevantamento do país.

Esse modelo colaborativo de economia compartilhada permite à startup gerar dados cartográficos atualizados e de alta precisão em todo o território nacional, com agilidade e eficiência de custos sustentável, sem a necessidade de investir na aquisição ou manutenção de drones.

Detalhamento do novo processo integrado com IA

Do ponto de vista tecnológico, o motor de IA desenvolvido combina modelos de linguagem (LLMs) com algoritmos matemáticos especializados em geodésia e sistemas de projeção cartográfica. Essa arquitetura permite que a IA extraia informações de localização contidas em memoriais e plantas de engenharia e as insira automaticamente, em formato vetorial,  em um banco de dados geográfico em nuvem, pronto para cruzamento com as imagens aéreas capturadas em campo.

Como resultado da solução implementada para o TCU, observou-se uma redução de 80% nos custos operacionais e no tempo de execução das vistorias de obras de infraestrutura. A tecnologia, qualificada para implantação em larga escala, apresenta grande aplicabilidade para Tribunais de Contas Estaduais (TCEs) e prefeituras municipais, otimizando análises técnicas em licenciamentos ambientais, obras de urbanização e gestão territorial.

O impacto do projeto rendeu reconhecimento nacional no setor público, consagrando a solução como vencedora do Prêmio CONIP de Inovação em 2026.

A aplicação prática da Inteligência Artificial integrada ao setor geoespacial demonstra que a automação inteligente de processos cartográficos e analíticos não é apenas uma tendência futura, mas uma realidade capaz de elevar instituições governamentais e empresas a novos patamares de governança e eficiência operacional.

Liderando o desenvolvimento de soluções na interseção entre IA e geotecnologias, a Allsee irá compartilhar suas inovações e casos práticos na próxima edição da feira MundoGEO Connect.

Para mais informações, é possível consultar os links:


A Allsee já confirmou participação como expositora na feira MundoGEO Connect, DroneShow Robotics, SpaceBR Show e Expo eVTOL 2027, que vai acontecer de 15 a 17 de junho no Expo Center Norte, em São Paulo (SP).

Confira os destaques da última edição: