Como Publicar Geoinform@ação na internet?

Um dos desafios crescentes para instituições que lidam com informações geográficas é a publicação de dados pela Internet. Por sua natureza gráfica e bidimensional, o ambiente WWW oferece mídia adequada para a difusão da geoinformação. No caso brasileiro, em que temos enorme carência de dados básicos, o uso de meios eletrônicos poderá ser uma maneira eficiente de permitir o uso do geoprocessamento pelas empresas e instituições brasileiras.

A primeira decisão a tomar é estabelecer que dados serão publicados e que tipo de acesso e consulta à informação será permitido. No caso de mapas básicos, o caminho mais simples é colocar a informação nas webpages em forma de arquivos compactados, a exemplo do que faz o consórcio GeoMinas (www.geominas.mg.gov.br). Como ainda não temos formato padrão de intercâmbio da geoinformação no Brasil, a instituição deve ter o cuidado de fornecer dados em diferentes padrões de intercâmbio (como MIF para dados MapInfo, GEN para Arc/Info e ASCII-Inpe para o Spring).

No caso de grandes bancos de dados (em que se deseja permitir apenas consultas parciais) ou de informações com grande conteúdo dinâmico, será preciso adotar outras abordagens. Uma alternativa é acoplar um servidor de mapas fornecido pelos fabricantes de GIS.

O Internet Map Server, da Esri (fabricante do Arc/Info e Arc/View), permite o desenvolvimento de aplicações que, respondendo a pedidos remotos, enviam uma imagem (matriz) de tamanho fixo nos formato GIF ou JPEG. Esta solução permite configurar o servidor para responder a diferentes tipos de consulta, sem requerer que todos os dados a ser transmitidos sejam precomputados. Entretanto, o usuário consegue visualizar apenas imagens enviadas; qualquer novo pedido é enviado de volta para o servidor, resultando em mais uma transferência pela Internet. Dependendo da velocidade de acesso, esta estratégia pode resultar em longos e sucessivos períodos de espera. Para maiores informações, consulte http:// www.esri.com/software/internetmaps/index.html.

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Visualizador de Dados Geográficos em Java desenvolvido pelo Inpe

Os produtos Geomedia Web Map (Intergraph) e Map Guide (Autodesk) adotaram como solução a transmissão de dados no formato vetorial. Estes servidores encapsulam a informação em formatos gráficos (CGM e DWF, respectivamente), que podem ser visualizados por meio de programas adicionais (plug-ins) acoplados a browsers como o Netscape ou o Explorer. Esta estratégia permite maior flexibilidade do lado do cliente, que pode realizar operações locais de visualização e consulta aos dados transferidos. Note-se que, nestes casos, os dados serão de livre uso posterior pelo usuário, que poderá salvá-los em disco. O tempo de acesso inicial para transferência é maior que no caso anterior, mas muitas das operações posteriores serão realizadas localmente, o que resulta num tempo de resposta médio melhor. Descrição adicional destes produtos pode ser encontrada em http://www.ingr.com/software/geo_map/geo_web.asp GeoMedia) e http://www.autodesk.com/products/mapguide/index.htm (Map Guide).

Cada um destes produtos foi desenvolvido para operar em conjunto com os bancos de dados geográficos dos respectivos fabricantes. Uma solução que não requer o uso de formatos proprietários foi desenvolvida pela equipe do Inpe e baseia-se numa descrição de dados em formato aberto (ASCII), acoplado a um programa na linguagem Java, que é executado pelo cliente. Os dados são transmitidos no formato vetorial, o que permite a manipulação, pelo usuário, do resultado da consulta. Para descrição do formato, veja www.dpi.inpe.br/spring/ springweb.

Aplicação essencialmente dinâmica, para a qual o uso da tecnologia Java vem se mostrando muito adequada, é o monitoramento de queimadas na Amazônia, acessível pela página www.dpi.inpe.br/proarco. Neste caso, os mapas de queimadas são atualizados diariamente, a partir de imagens de satélite.

Note-se que, em ambos os casos, há limitação prática na quantidade de informação que pode ser transmitida a cada vez. Considerando a velocidade média da Internet no Brasil, o limite prático hoje é da ordem de 500 Kb. Para remediar este problema, a equipe do Tecgraf (da PUC-Rio) desenvolveu um formato de descrição vetorial de dados geográficos, com compactação eficiente. Para maiores detalhes, deve-se consultar o site do Tecgraf (www.tecgraf.puc-rio.br/publications/thesis/twf.pdf.).

Na linha de publicação aberta da geoinformação no WWW, a equipe da Prodabel (empresa de informática da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte) desenvolveu uma solução Java, também baseada num formato aberto de descrição de dados, que pode ser acessada pelo site http:// www.pbh.gov.br/ prodabel/geo/index.htm.

Deste modo, já estão disponíveis diferentes alternativas tecnológicas para a publicação da geoinformação no WWW, acessíveis a nossas instituições. O próximo passo é uma tomada de consciência dos órgãos de produção de geoinformações sobre a imperiosa necessidade de tornar disponíveis seus acervos. A falta de dados básicos é um dos maiores impedimentos ao crescimento das geotecnologias no Brasil. Não custa sonhar: será que um dia poderemos recuperar as cartas topográficas digitalizadas de nosso território, à semelhança do que ocorre em outros países ?
P.S.: O autor agradece a Ubirajara Freitas (Inpe) e a Marcelo Gattass (PUC/RJ) pelas profícuas discussões sobre o tema.

Gilberto Câmara – é coordenador do programa de pesquisa em Geoprocessamento da Divisão de Processamento de Imagens do INPE, e foi um dos responsáveis pelo desenvolvimento dos sistemas SGI/SITIM e SPRING. (Página eletrônica: www.dpi.inpe.br/gilberto).