Obtendo informações através da Internet para realizar suas viagens

Toda viagem traz expectativas. Como tudo na vida, queremos saber antecipadamente o que nos espera. Como vai ser esta trajetória e como é o lugar para onde vamos. Como sempre, eu resolvi usar a Internet a fim de obter informações para mais uma de minhas viagens.

Então, resolvi escrever esta coluna em partes para poder comparar minhas expectativas obtidas graças às informações deste meio, perante o duro confronto com a realidade. Cada parte da coluna corresponde a um passo na viagem de State College, Pensilvânia, nos Estados Unidos, para uma pequena cidade na Alemanha chamada Warden.

Nesta cidade existe um pequeno centro de conferências que foi construído em, ou melhor, que usa, um antigo castelo que foi provavelmente habitado por nobres. O lugar no qual a conferência foi realizada chama-se Castelo Dagstuhl. Na realidade o encontro é para um seminário e não uma conferência.

Dagstuhl foi idealizada como um lugar para ser fazer encontros de uma semana de duração. Nestes encontros os participantes interagem num ambiente que propicia conversas mais demoradas e reflexões. O centro é subsidiado pelo governo alemão e o preço fica bastante razoável e convidativo para que se façam pesquisas. Com 150 euros por semana você tem a hospedagem e as três refeições do dia. Então a primeira providência é verificar a aparência do local. Podemos ver as fotos e as histórias do lugar em www.dagstuhl.de/About/Photographs/index.en.htmlwww.skype.comfredfonseca@ist.psu.edu. Então vamos à viagem.

pag44 1 wwwGEO   Turista eletrônico

Preliminares

Antes de iniciarmos qualquer viagem, a primeira atitude a ser tomada é escolher a rota que irá se percorrida. O centro de conferências recomenda que o trajeto ideal é ir primeiramente para Frankfurt e de lá pegar o trem para Saarbruken. Daí um outro trem para St. Wendel. E então, finalmente, um ônibus ou táxi para IBFI Schloss Dagstuhl. Como tinha uma reunião de pesquisa em Zurique, na Suíça, depois da conferência, resolvi voar para esta cidade em vez de Frankfurt. Isto implica em uma viagem de trem mais longa para Dagstuhl. A duração deste trajeto é de seis horas, enquanto a partir de Frankfurt a viagem até Dagstuhl leva duas horas e meia.

O primeiro desafio foi marcar a viagem de trem de Zurique até Saarbruken. De Saarbruken pegaria um táxi até Dagstuhl. Como aquela cidade não é uma opção recomendada pelo Castelo Dagstuhl, não temos informações no site deles sobre o aeroporto de Zurique ou sobre as conexões de trem a partir do município. Depois de enfrentar muitas dificuldades, consegui encontrar a página do administrador do aeroporto de Zurique. Aí então, achei a página da companhia de trens suíça SBS. Na SBS consegue-se achar os horários e destinos sem problemas. Só fiquei um pouco assustado com as conexões. Uma das opções tinha quatro conexões, inclusive uma na fronteira da Suíça com a França. Uma vez que tinha a noção da hora em que iria chegar à estação podia marcar o meu táxi. As cidades são pequenas e eles recomendam que você marque o táxi com antecedencia. Na página do castelo há o link para a página da companhia de táxis. Usando a Internet outra vez, marquei meu táxi por e-mail. No dia seguinte recebí a confirmação. meu táxi por e-mail. No dia seguinte recebí a confirmação.

Dia 01

O dia da viagem. Meu vôo saia às 02:40 de State College e chegava em Washington D.C.depois de uma hora. Lá eu pegaria o vôo para Zurique às 17:30. Mas, chegando ao aeroporto de State College encontrei a primeira surpresa. O vôo estava atrasado 3 horas. Não tinha jeito de chegar em D.C. a tempo de pegar a conexão para Zurique. Depois de algumas negociações acabei remarcando meu vôo para o dia seguinte. Como estava 24 horas atrasado, marquei minha ida por Frankfurt, pois assim gastaria menos tempo e descontaria um pouco do atraso. O que isto implicava é voltar para casa e ir para a Internet outra vez ver as opções de transporte de Frankfurt para Dagstuhl. Aliás, a primeira atitude a ser tomada era desmarcar o meu táxi. Porque se você não desmarca, eles te cobram o preço de qualquer maneira e são 52 euros desde Saarbrucken até Dagstuhl.

Antes de desmarcar, estudei as opções de transporte via Frankfurt e vi que a melhor opção é mesmo o táxi direto do aeroporto de Frankfurt até Dagstuhl. Como estava atrasado, pensava em conseguir chegar à reunião na manhã de segunda-feira. Na minha opção anterior, via Zurique, eu chegaria no domingo à noite.

Bem, eu enviei um e-mail para a companhia de táxi desmarcando a viagem anterior e marcando a nova a partir do aeroporto de Frankfurt. Para ter certeza e não ter de pagar os 52 euros à toa, tentei ligar, mas era sábado à noite e o atendente me falou em alemão: "Kein English", ou seja, "não falamos inglês". Então o pedido ficou via e-mail mesmo. No domingo pela manhã eu recebi a confirmação que estava tudo certo, tanto o cancelamento como a remarcação. técnico.

Dia 02

Finalmente tudo deu certo e cheguei a Frankfurt no domingo pela manhã. Nada como a impressão real das coisas. O aeroporto era enorme e aí então verifiquei que aquela combinação do ponto de encontro com o motorista do táxi deveria ter sido mais precisa. Mas, de qualquer maneira, depois de caminhar um pouco, achei o motorista.

A viagem pelo interior da Alemanha relembrou-me dos filmes da Segunda Guerra Mundial. Não entrando nestes detalhes, a Internet foi capaz de me dar as informações que precisava. O próximo passo foi ir de táxi até Saarbruken. Enviei um e-mail no dia anterior para a companhia de táxi que até às 11 da manhã não tinha me retornado. Também consultei os horários de trem para Zurique pela companhia de trens alemã. Escolhi a opção com menos conexões, apenas uma em Mannheim.

Dia 03

Na sexta-feira tudo funcionou como planejado. Viajar de trem na Europa não é complicado. Imprimir as conexões e paradas antecipadamente pela Internet ajuda bastante. O único problema foi que quase desmenti o ditado de que mineiro não perde o trem. Em uma das paradas houve um anúncio no alto falante que eu senti que era diferente, mas como era em alemão eu não entendi nada, ou melhor, eu compreendi que tinha alguma coisa a ver com a próxima parada e com um problema técpela Internet ajuda bastante. O único problema foi que quase desmenti o ditado de que mineiro não perde o trem. Em uma das paradas houve um anúncio no alto falante que eu senti que era diferente, mas como era em alemão eu não entendi nada, ou melhor, eu compreendi que tinha alguma coisa a ver com a próxima parada e com um problema técnico. Mas, eu achei que era para quem fosse descer na próxima parada, o que não era o meu caso. Mas, era. O vagão em que eu estava não ia continuar a viagem, então todos teriam que descer e passar para o vagão da frente. Fiquei para trás. Entretanto, uma passageira gentil alertou-me sobre o problema. Corri e mantive minha honra de mineiro. A volta a State College foi normal, inclusive com a United Express, atrasando o vôo da mesma maneira com que fez na ida. Na ida o atraso foi de três horas, na volta de apenas uma. As coisas estavam melhorando.

pag46 1 wwwGEO   Turista eletrônico
Figura 2: "O lugar no qual a conferência foi realizada chama-se Castelo Dagstuhl"

Conclusão

Fiquei com uma boa impressão dos serviços oferecidos atualmente pela Internet. Você obtém informações úteis e no meu caso, todas foram de graça. Além disto, para continuar falando da Internet, eu consegui também me comunicar pelo veículo. Pude ajudar a minha filha a fazer o dever de casa (alguma coisa sobre números primos) usando o pro grama de instant message. Também pude ligar para casa usando o serviço pago da Skype (). Com este serviço você pode usar seu micro para conectar-se à rede telefônica. Isto quer dizer que você telefona para alguém a partir do seu computador. Como eu já escrevi aqui antes, é parte deste novo mundo global onde as distâncias têm um novo significado.

Frederico Fonseca
Doutor em Ciência da Informação Espacial pela Universidade do Maine.
Professor na Escola da Ciência da Informação e Tecnologia da Penn State University nos Estados Unidos