Mais uma vez o programa Galileo sofre com atrasos. Desta vez foram os relógios atômicos – antes alardeados como “os mais precisos da galáxia” – que deram pau e deixaram os europeus na mão. Entenda…

Por Eduardo Freitas

Antes de falar do sistema europeu de navegação por satélites, primeiro vamos voltar um pouco no tempo e relembrar os “primórdios” do desenvolvimento do Galileo.

Desenvolvido para ser uma resposta civil ao norte-americano GPS e ao russo Glonass – ambos originalmente criados com finalidades militares – o Galileo era visto como uma alternativa viável e com serviços adicionais.

Porém, tem sofrido tantos atrasos que até mesmo o sistema chinês Beidou já está à frente…

galileo galilei 370x277 Novos atrasos do Galileo e o papel do tempo no posicionamento precisoO nome do sistema é uma homenagem a Galileo Galilei, que foi físico, matemático, astrônomo e filósofo italiano, uma personalidade fundamental na revolução científica.

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Voltando ao sistema, pontualmente às 11h19min, horário local do Cazaquistão (3h19min em Brasília), do dia 28 de dezembro de 2005, um foguete russo Soyuz enviou ao espaço o satélite Giove A, dando início à primeira etapa do Galileo, de validação em órbita, após vários anos de desenvolvimento.

Fazendo um salto no tempo, em 17 de novembro passado o Galileo teve uma boa notícia, quando pela primeira vez um foguete europeu Ariane-5 foi usado para colocar em órbita ao mesmo tempo quatro satélites do sistema de navegação.

Até agora, 18 satélites já foram colocados em órbita para formar a constelação do Galileo.  Todos os lançamentos anteriores tinham sido feitos por foguetes russos. Ou seja, a independência em relação à Rússia quanto ao envio dos satélites Galileo para suas órbitas era para se comemorar com a champanhe mais cara…

Porém, na última semana a Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) anunciou que um erro inesperado nos relógios atômicos do Galileo pode trazer novos atrasos para o sistema como um todo.

Cada satélite Galileo tem quatro relógios atômicos ultra-precisos, sendo dois de rubídio e dois maser de hidrogênio. A causa das falhas ainda está sendo investigada e, por enquanto, nenhum satélite foi declarado totalmente fora de operação.

Latino?!?

latino 370x281 Novos atrasos do Galileo e o papel do tempo no posicionamento precisoO sistema Galileo foi assunto da matéria de capa da edição 41 da revista InfoGEO (que depois se fundiu à InfoGNSS e deu vida à MundoGEO).

No início da validação em órbita do Galileo, a MundoGEO fez parte do “Consórcio Latino”, uma associação internacional criada especialmente para implementar o Centro de Informações do Galileo para a América Latina.

Formado por instituições do Brasil, Espanha, Colômbia e México, o Latino venceu uma concorrida licitação promovida pela ESA e disputada por outros cinco grupos de empresas.

Após alguns meses analisando as propostas, a ESA, por intermédio da Galileo Joint Undertaking (GJU), bateu o martelo. “Foi certamente o projeto mais completo e bem elaborado que recebemos”, conta Francisco Salabert, da GJU. O resultado do projeto foi a criação do Centro de Informações do Galileo.

O papel do tempo no posicionamento preciso

A contagem do tempo de forma ultra-precisa é essencial para o funcionamento de um sistema de geolocalização como o Galileo.

Simplificando, para se obter a posição de algo em solo, tudo se resume a medir o tempo que o sinal emitido por cada satélite demora para atingir a antena receptora.

A velocidade com que o sinal emitido pelos satélites do Galileo se propaga pelo espaço é de aproximadamente 300 mil quilômetros por segundo. Multiplicando esta velocidade pelo tempo medido, obtemos a distância.

Até aí, nada demais, pois é matéria que se aprende no ensino fundamental…

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Porém, para obtenção de distâncias com a precisão de 1 metro ou menos, é preciso medir o tempo com uma precisão na ordem dos 0,000000003 segundos.

Desta forma, para medir diferenças temporais dessa ordem é necessário que os satélites e os receptores disponham de relógios extremamente precisos.

É aí que entram os relógios atômicos presentes nos satélites do sistema Galileo.

É necessário que estes relógios sejam extremamente precisos e ainda fazer com que o relógio do aparelho receptor seja constantemente atualizado com a hora atômica transmitida pelos satélites do sistema.

Os próximos quatro satélites do Galileo têm lançamento previsto para o segundo semestre de 2017, mas devido aos erros nos relógios, essa data poderá ser adiada.

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Post publicado originalmente no site do Instituto GEOeduc.

 

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